Rodrigo Maia quer checar, uma a uma, todas as mais de 2 milhões de assinaturas populares do projeto “10 Medidas contra a Corrupção”. O deputado quer saber se aquelas pessoas existem mesmo. Vai demorar dez anos!

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Rodrigo e Eunício. Imagem do portal Viamundo.

Forçado por medida limitar do Supremo Tribunal Federal (STF), o novo presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), devolveu à Câmara dos Deputados o projeto das “10 Medidas contra a Corrupção”, que contou com mais de 2 milhões de assinaturas populares. O ministro Luiz Fux, na liminar, afirmou que os deputados não podiam ter deformado inteiramente a ação popular , que acabou “perdendo seu objetivo”. O magistrado afirmou que o Parlamento não deve voltar as costas para o povo.

Euníicio esperou passar o recesso parlamentar e só ontem mandou de volta o assunto para a Câmara, onde o seu correlato Rodrigo Maia (DEM-RJ) disse não saber o que fazer com a ação popular. Maia falou aos jornalistas: pensava em devolver a ação ao Ministério Público Federal, autor do projeto, para que fosse feita a conferência das milhões de assinaturas, uma por uma, de modo a validar o apoio popular. Depois da declaração absurda, Rodrigo Maia de fato procurou o ministro Luiz Fux e repetiu a ele a intenção de checar cada nome que consta na petição, como informou a colunista Mônica Bergamo, da Folha. Quanto tempo os nossos servidores públicos levariam para atestar a existência de cada um dos mais de 2 milhões de assinantes?

A manobra é mais uma demonstração de que o Parlamento brasileiro não está nem aí para a vontade do povo. Sequer acredita que as “10 Medidas contra a Corrupção” tenham recebido tamanho endosso nas cinco regiões do país. Parece brincadeira. Isso reforça a impressão que as pessoas comuns têm da atuação dos parlamentares federais: um bando de oportunistas que legisla em causa própria e que quer se proteger a todo custo das centenas de acusações de corrupção e outros crimes. O resto é bobagem!

O projeto do MPF não é uma peça perfeita. Eu mesmo não assinaria duas das propostas apresentadas: a que dificulta a concessão de habeas corpus e a que valida provas obtidas por meios ilegais. Mas o que não dá é para jogar fora todas as ideias, como fizeram os nobres deputados no fim do ano passado.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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  1. antoniocarlosbumann@hotmail.com disse:

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