“Carnaval Vermelho” do MST e da FNL promete invasão de terras para reforma agrária. É mais um capítulo dramático para a crise brasileira.

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Foto Agência Brasil.

                                    O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e a Frente Nacional de Luta no Campo e na Cidade (FNL) estão se mobilizando para invadir fazendas e terras consideradas improdutivas no interior de São Paulo e no Pará. É o que chamam de “carnaval vermelho”. As duas organizações prometem intensificar a luta pela reforma agrária. É mais um ingrediente inflamável na crise que vivemos.

                                   Durante os governos petistas, a pauta da reforma agrária ficou praticamente esquecida. Os movimentos rurais não apertavam o passo para não pressionar – e o governo não acelerava a reforma para não criar tensões no campo. Note-se que a bancada ruralista no Congresso é imensa e poderosa. Este jogo político em busca de equilíbrio valeu até o impeachment de Dilma Rousseff. Agora a coisa pode mudar. A ofensiva do MST e da FNL é um sinal de turbulência à vista.

                                   Os estudiosos do tema, como o professor Sérgio Azevedo Lopes, da Universidade Federal de Sergipe (UFS), costumam afirmar que há no país 150 milhões de hectares de terras ociosas. Parte pertence à União, parte a igrejas e a maioria forma latifúndios improdutivos. É um problema secular no país. Por outro lado, entre 1964 e 2001, o INCRA implantou 4.635 assentamentos para lavradores pobres, onde foram viver 802.688 famílias. Sabe-se lá em que condições, porque não adianta distribuir lotes sem assistência técnica e sem cooperativas de produtores. E esse número de assentamentos é ínfimo, se considerarmos a real necessidade de distribuição de terras.

                                   Desde o ano 2000, cerca de 400 mil pequenos proprietários de sítios e lavouras perderam suas terras. Outros 2 milhões de trabalhadores rurais perderam os empregos, especialmente em razão da mecanização das colheitas e da quase ausência de políticas públicas para qualificar a mão de obra no campo. Chega a máquina, sai o trabalhador braçal. Evidentemente, não se pode impedir o desenvolvimento tecnológico da agricultura, mas se pode transformar esses trabalhadores em pequenos produtores em suas próprias terras. A lavoura familiar ajuda a baixar preços e combater a inflação no setor de alimentos. Mas para isso é preciso ter governo.

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Violência no campo aumenta mais do que o PIB a cada ano. Imagem Arquivo Nacional.

                                   Historicamente, a questão agrícola no país sempre foi motivo de violência no campo, especialmente no norte e nordeste do país. Só nos anos 1990, segundo o professor José Vicente Tavares dos Santos (“Conflitos sociais agrários”), houve algo como 5 mil conflitos violentos no campo, envolvendo quase 600 mil famílias. Nos anos 2000, de acordo com a Comissão Pastoral da Terra, ligada à igreja católica, cerca de 500 pessoas foram assassinadas em disputas pela posse da terra. A violência no campo tem crescido a taxas superiores a 10% ao ano, conforme edição de O Globo de 26 de março de 2013.

                                   Este aumento dos conflitos rurais é quase três vezes superior ao crescimento do PIB brasileiro.   

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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