Senado aprova Alexandre de Moraes para o STF. Com maioria absoluta no Congresso, o governo Temer aprova qualquer coisa. Mas o novo ministro saiu-se bem na sabatina com parlamentares. O problema dele não é técnico.

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O novo ministro do STF. Imagem do portal El Pais.

                                   Como já dizia o velho Tancredo Neves, “a gente só se reúne quando já está tudo acertado”. Foi isso o que aconteceu no Senado da República, que aprovou a indicação de Michel Temer para que Alexandre de Moraes integre a Suprema Corte. Um jogo de cartas marcadas. O candidato passou, inclusive, por um ensaio com senadores aliados do governo. Diga-se de passagem: o advogado Alexandre de Moraes é professor de direito em duas das maiores universidades brasileiras, incluindo a USP, e autor de obras reconhecidas no meio jurídico. Não é nenhum neófito em matéria constitucional. Encarou, durante muitas horas, perguntas duras da oposição, hoje restrita a 5 dos 28 partidos no Parlamento. E se saiu muito bem, do ponto de vista técnico, o que revela que o aliado de Temer foi bem escolhido.

                                   Mas o conhecimento jurídico não é a questão central envolvendo o ex-secretário da segurança paulista e Ministro da Justiça licenciado. O foco da oposição foi a respeito do caráter militante de Moraes, filiado ao PSDB até a semana passada. Aliás, antes de integrar o tucanato, Moraes passou pelo PMDB e pelo DEM. Participou indiretamente de campanhas contra o PT e – ao menos uma vez – quebrou o sigilo da operação Lava-Jato, ao anunciar para amigos de Ribeirão Preto (SP), a prisão iminente de Antônio Palocci. Em Ribeirão, Alexandre de Moraes apoiava um candidato a prefeito pelo PSDB.

                                   Quem conhece o novo ministro do STF costuma dizer que o cara é extremamente vaidoso e gosta das câmeras. Em São Paulo, ele se envolveu em duas ações duvidosas: mandou a polícia invadir a sede da torcida corintiana, os Gaviões da Fiel, para apreender faixas de “Fora Temer” que seriam exibidas num estádio de futebol. E depois se envolveu pessoalmente no caso da tentativa de extorsão de um hacker contra Marcela Temer. Foi um espanto de eficiência policial: a investigação durou apenas 20 dias, envolveu 33 agentes; o chantagista foi preso e condenado em meros 5 meses, quando a prática do TJ paulista informa que processos como esse duram de quatro a cinco anos. Depois, Moraes virou ministro de Temer. E agora tem um emprego até o fim da vida, com salário superior a 35 mil reais, fora despesas. O gabinete de um ministro do STF dispõe de ao menos 50 funcionários.

                                   É bom acrescentar: Alexandre de Moraes não é investigado por coisa nenhuma, tem o CPF intacto e jamais foi citado na Lava-Jato, coisa rara no governo Temer. Mas ele é sócio de um escritório de advocacia em São Paulo, junto com a mulher. Ela, também advogada, representa clientes que têm ações na Suprema Corte. Vai se considerar suspeito ao julgar tais questões? Vale lembrar o caso do ministro Marco Aurélio de Mello, primo de Fernando Collor, que se declarou suspeito quando a corte julgou (e absolveu) as bandalheiras do ex-presidente.   

                                         

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