Michel Temer vai à TV para dizer que não fez nada de errado. É acusado de negociar 40 milhões de dólares para o PMDB em 2010, junto com Henrique Alves e Eduardo Cunha. Enquanto isso, a Lava Jato desmonta seu governo e o apoio parlamentar. A mídia internacional diz que é o maior escândalo de corrupção do mundo.

 

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O presidente Michel Temer e a primeira-dama Marcela Temer sob vaias durante desfile de 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

                                   Por volta das quatro da tarde desta quinta-feira (13 abril), o presidente Michel Temer apareceu em um pronunciamento ao país. Vi na Globonews. Ao invés de tranquilizar a opinião pública brasileira diante da maior crise político-econômica da história do Patropi, usou 30 segundos de TV para se defender como pessoa física. Disse que estava ali para dizer que não tinha feito nada de errado em toda a sua vida. Nem as pedras do calcamento acreditam nisso. A Lava Jato diz que Temer participou diretamente de uma negociação para arrecadar propina de 40 milhões de dólares (algo como 128 milhões de reais) em 2010, quando era candidato a vice de Dilma Rousseff.

                                   A “Delação do Fim do Mundo”, patrocinada por 78 executivos da Odebrecht, maior empreiteira do país, envolve um terço do gabinete de Temer: 8 ministros. Atinge quase todos os partidos políticos com presença no governo e no legislativo, com exceção do PSOL e da Rede. O novo tsunami da Lava Jato já atinge 277 políticos, governantes, empresários, operadores financeiros e empresários. Está baseada em 40 das 78 deleções, o que significa que vem muito mais por aí. Além disso, o ministro Luís Édson Fachin, do Supremo Tribunal, após os 76 inquéritos criminais já autorizados, decidiu pela abertura de outras 25 ações penais mantidas em sigilo. A casa caiu mesmo!

                                   Uma fonte na Polícia Federal me contou: ao todo, cerca de 2 mil pessoas serão envolvidas nesta nova etapa da Lava Jato, incluindo muitos funcionários públicos de alto escalão – muita gente acima de qualquer suspeita nos estados. E por falar em estados, 12 governadores da ativa são citados nas delações, quase a metade dos que existem no país. Finalmente, a Lava Jato vai sair de Brasília.

                                   Outra questão importante: há acusações contra os partidos políticos, não apenas contra candidatos e aproveitadores. Isto quer dizer: no fim da linha, alguns partidos podem perder os registros eleitorais. Seria o melhor dos mundos. Um acerto de contas da sociedade contra os canalhas em geral. Mas é preciso considerar a morosidade da Justiça, especialmente nos tribunais superiores. O governo Temer pode acabar sem que tais questões sejam resolvidas. É nisso que os políticos comprados por empreiteiros apostam. O governo acaba sem punições. Temer já disse que só afasta ministros que sejam denunciados e que virem réus. Pode durar dois anos, no mínimo.

                                   É com base neste tipo de raciocínio que Michel Temer vai à TV para dizer que é honesto. Ele sabe que tão cedo não haverá denúncias oficiais e condenações. Sabe que seu governo vai acabar antes. Usa a máquina pública, a NBR, TV estatal, para se defender como pessoa física – não como presidente do país. Mas ninguém vai reparar no detalhe.  

Michel Temer é um presidente impopular, com cerca de 10% de aprovação pelas pesquisas de opinião. Justamente por isso, tenta aprovar reformas impopulares, porque não tem mesmo nada a perder . Tais reformas visam atender aos interesses do grande capital, responsabilizando os trabalhadores pela crise econômica. Aparentemente, não pode se candidatar à reeleição, em 2018, porque tem uma condenação de segunda instância no TRE de São Paulo, por doção ilegal em campanha eleitoral. Está na ficha suja. Ou seja: para ele tanto faz!     

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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