Confronto armado entre facções criminosas leva caos à zona norte do Rio: 10 veículos incendiados, três policiais feridos, 42 presos, arsenal de guerra apreendido pelo Bope. É a guerra civil na Cidade Maravilhosa.

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Dez veículos incendiados o Rio. Foto Agência Brasil.

                                               No início da madrugada desta terça-feira (2 mai), dezenas de homens do Comando Vermelho (CV), portando o que há de melhor em matéria de armamentos de guerra, invadiram a comunidade da Cidade Alta, no complexo de favelas da Penha, zona norte do Rio. Os combates contra as facções rivais (ADA e Terceiro Comando Puro, o 3CP), que dominam o tráfico naquela área, começaram por volta de duas da manhã. A população local foi acordada com intenso tiroteio e explosões de granadas. Durou até o amanhecer, quando a chamada força pública interveio no conflito. É bom explicar: a polícia, mesmo o Bope, não entra no labirinto de ruelas com a escuridão da noite.

                                   Por volta das 10 horas da manhã, grupos ligados ao narcotráfico incendiavam 8 ônibus e dois caminhões nas vias expressas que passam na região, como a Avenida Brasil, a Dutra e a rodovia Washington Luís. Moradores bloqueavam pistas com barricadas de fogo e atacavam motoristas. Vários caminhões transportando carne e produtos eletrônicos foram saqueados pela multidão, sob as barbas de um polícia impotente, que não desejava iniciar conflitos ainda mais graves. Enquanto isso, o Bope cercava parte da força de ataque do CV: 42 prisões, 32 fuzis apreendidos, além de 10 granadas e duas pistolas automáticas. Os canais de notícias da TV transmitiam ao vivo. Essa é a guerra civil não declarada que ninguém quer admitir.

                                   O Rio de Janeiro é um estado saqueado pelo próprio poder público, onde o ex-governador Sergio Cabral é acusado de comandar uma organização criminosa destinada a roubar o dinheiro público. Funcionários públicos não são pagos, incluindo as polícias. Mas a primeira-dama compra milhões de reais em joias e esconde dinheiro no exterior. Um enfrentamento armado nas ruas, com o desta terça-feira, é coisa pequena diante da roubalheira oficial. Mas é também o reconhecimento do estado de beligerância que está instalado em nossa sociedade, onde ocorrem 60 mil assassinatos por ano, a maior parte dos quais execuções sumárias por armas de fogo.

                                   É mais grave do que as guerras do Vietnã, do Líbano e da Síria. Mas, se der praia no sábado, a orla do Rio vai reunir 2 milhões de pessoas felizes com o sol e a caipirinha. Este é o país que temos para viver!        

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