Sérgio Moro vai condenar Lula a dura pena de prisão no processo do triplex. Deve acontecer até o final de julho. O xerife da Lava Jato assumiu de vez o pa-pel de juiz e acusador ao mesmo tempo.

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Juiz e acusador ao mesmo tempo.

 

                                   A animosidade entre Moro e Lula, que pudemos ver nos vídeos do depoimento em Curitiba, é um péssimo exemplo para a justiça em nosso país. O juiz, em vez de ouvir o questionamento do Ministério Público e dos advogados, chamou para si a responsabilidade da acusação. Tornou-se magistrado e acusador ao mesmo tempo, ferindo os princípios de impessoalidade na magistratura. Fez perguntas sobre temas que não estavam afeitos ao processo, como relativas ao “mensalão”, já julgado pela Suprema Corte, e ao famoso sítio de Atibaia. Havia uma raiva contida pela ironia nas palavras de Moro.

                                   Lula, por sua vez, também demonstrava grande irritação. Muitas das suas respostas foram ásperas e provocativas. Quando o juiz apresentou documentos sem assinatura e papéis cuja origem era desconhecida, o tom da ópera bufa subiu uma nota. Moro chegou a mostrar um contrato de Marisa Letícia, relativo à reserva de compra de um apartamento no prédio do Guarujá, onde havia uma rasura feita à mão. Pela troca dos números, um apartamento simples virava um triplex. Afirmou que a rasura havia sido periciada pela PF, mas o laudo não concluiu de quem era aquela letra. Ou seja: qualquer um poderia ter feito aquilo. Foi o que Lula perguntou: quem rasurou? Não havia uma resposta.

                                   As provas na ação penal que trata do triplex são de uma pobreza impressionante. Tudo está baseado em delações premiadas e em papéis sem assinatura. Há também um email que diz que a ”dama” aprovou a reforma no imóvel e no sítio, incluindo uma cozinha de 140 mil reais. Moro insinuou que a tal “dama” seria Marisa Letícia. Seria mesmo? A inconsistência é de doer. Não estou discutindo aqui se Lula é ou não corrupto. Apenas levanto a questão da pobreza da ação penal.

                        Pelos recortes do depoimento que vimos na grande mídia, concentrados no embate entre réu e juiz, fica-se com a sensação de que Lula recebeu mesmo os tais 3 milhões de reais da empreiteira OAS, disfarçados no imóvel e nas reformas. Mas, do ponto de vista da materialidade dos crimes de corrupção, ocultação de bens e lavagem de dinheiro, o caso é bem fraquinho. Especialmente porque a venda do apartamento não se consumou. Isto, porém, não deve impedir a condenação do ex-presidente. E a cana vai ser dura, talvez uns 15 anos só na ação do triplex.    

                                   O juiz federal parece convencido de que Lula é realmente um criminoso. Só que isso não basta. Tem que provar. Além do mais, boa parte da opinião pública, bombardeada pela mídia, também acha que ele é um ladrão vulgar. A Lava Jato é uma unanimidade nacional. Ou seja: tudo indica a condenação do ex-presidente na primeira instância. E rapidamente, talvez até o fim de julho. Se a sentença for confirmada em segunda instância até junho do ano que vem, Lula não poderá ser candidato, mesmo liderando as pesquisas. Ou por causa disso. Seria uma festa para o setor conservador que está no poder.

                                   No entanto, é preciso não esquecer que Justiça não é vingança e que o Direito está acima do dever.       

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