Um país à beira do caos: Michel Temer acha que governar é controlar o Congresso – e não atender ao interesse público. Distanciamento entre o Planalto e as ruas amplia o descontentamento e ameaça transbordar para graves conflitos.

                                   Durante os graves incidentes ocorridos em Brasília na última quarta-feira (24 maio), quando dezenas de milhares de manifestantes entraram em choque com as forças de segurança, o país teve um vislumbre do que ainda está por vir. O protesto, chamado Ocupa Brasília, foi subestimado pelo Planalto. Enquanto Temer conversava com aliados na sede do governo, a capital federal virava uma praça de guerra. Os esforços da polícia para impedir que a marcha do “Fora Temer” avançasse pela Esplanada dos Ministérios resultou em violência descontrolada. Oito ministérios foram depredados, três dos quais incendiados. A polícia do DF, com gás de pimenta, bombas lacrimogêneas e balas de borracha, não estava preparada para o tamanho do protesto. Nem para a violência causada pela intervenção das tropas de choque.

                                   Por volta das duas da tarde, disseram a Temer que a situação estava fora de controle. E o presidente, apressadamente, convocou as Forças Armadas para garantir a lei e a ordem, como prevê a Constituição. A essa altura, colunas de fumaça se erguiam no Eixo Monumental da capital. Já havia 50 feridos, inclusive três policiais, e pelo menos uma pessoa atingida por arma de fogo. Apesar do decreto presidencial, o Exército retardou a presença de suas tropas, com exceção do Batalhão de Guardas, que tem alojamentos no Planalto e no Alvorada. Mas a força mesmo só apareceu após o encerramento dos conflitos. E por duas razões, que preocupam o Alto Comando: não ampliar o enfrentamento, que poderia resultar em mortos e feridos; não parecer que estava dando um endosso ao governo Temer, que considera uma excrecência.

                                   As tropas surgiram durante a noite: 1.400 homens do Exército e da Aeronáutica. Posicionaram-se ao longo dos prédios atingidos pelos protestos. E mais nada. Não havia veículos blindados e muito menos os temidos tanques de guerra. Uma micro intervenção. E durou poucas horas, porque Temer, talvez reconhecendo o exagero, mandou recolher as tropas. Para alívio de todos – e talvez recuando por pressão dos próprios militares. Quando a notícia da ação das tropas chegou ao Congresso, todos os partidos de oposição se retiraram do plenário. E os governistas aproveitaram para aprovar algumas medidas de interesse de Temer. Ou seja: um quadro lamentável. Entre as Forças Armadas há um sentimento de que não se deixarão manipular por um governo duvidoso, no qual, inclusive o próprio presidente, é investigado por corrupção.

                                   Só que o quadro político está se agravando. Enquanto Temer diz que tudo vai bem, o antagonismo aumenta. A perspectiva de conflitos de rua só faz crescer. Quem imaginaria que as centrais sindicais levariam 45 mil militantes a Brasília? E qual foi o apoio local, de estudantes e movimentos sócias? Além das ameaças jurídicas que pesam contra Temer e o governo, há a voz das ruas.

                                   Quem viver, verá!               

                                       

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