Troca de Ministro da Justiça parece manobra para barrar a Lava Jato e blindar Michel Temer. O escolhido é crítico da operação e das delações premiadas. O delegado-chefe da Polícia Federal pode cair nos próximos dias. Temer precisa concluir reformas impopulares – ou será jogado ás traças.

 

                                   Enquanto aumenta o clamor público pela renúncia de Michel Temer e a convocação de eleições diretas, o Planalto reage como sabe fazer: oferece dinheiro (através das emendas parlamentares ao orçamento da União) e cargos públicos para a base aliada. Quem não votar com Temer perde os apaniguados nas empresas públicas e nos ministérios. Quem quiser apoiar, fico com a vaga dos tombados. E que se dane o interesse público. Pior: querem garantir um freio nas investigações da Lava Jato. Podem trocar o delegado-chefe da Polícia Federal e também os investigadores designados para a devassa contra a corrupção. Especialmente aqueles procuradores e delegados de Curitiba. Só não dá para mexer com Sérgio Moro, que virou ícone nacional, título não necessariamente merecido.

                                   Mas farão tudo o mais!

                                   Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados e aliado de Temer na primeira linha, não vai aceitar nenhum pedido de impeachment contra Temer. A não ser que haja protestos-monstros de rua, que ameaçariam o próprio sistema político. Em uma hipótese como essa, remota, Michel Temer seria oferecido em sacrifício. Parece que não é o caso. Sobra a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que pode cassar a chapa Dilma-Temer por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2014. Muita gente acredita nisso. Particularmente, penso que algum dos bravos ministros da corte vai pedir “vistas aos autos”, suspendendo o julgamento por tempo indeterminado. É o mais provável.

                                   O governo que sucedeu a Dilma Rousseff está comprometido com os interesses do grande capital e com o patronato nacional e estrangeiro. As reformas de Temer são todas neste sentido. E ele precisa de tempo para tentar concluir a sua obra. Enquanto se torna um dos presidentes mais impopulares do mundo e da história pátria. Para concluir as tais reformas, o núcleo conservador só tem até o fim do ano. Ao alvorecer de 2018, começa a campanha para deputados, senadores, governadores e presidente. E aí o populacho em geral tem uma arma poderosa: o voto livre e direto.

                                   A maior parte desses políticos varonis está sendo investigada por crimes graves. Se não se reelegerem, perdem o foro especial no STF. Ou seja: vão parar nas mãos de juízes de primeira instância, onde os processos são mais rápidos e a raiva é maior. Este é o dilema de Temer e seus aliados. O governo precisa finalizar a reforma trabalhista, que compromete a massa laboral do país, e a da previdência, que compromete as próximas gerações. Se não for capaz de fazer isso, será jogado às traças.

E o poder econômico vai esperar até o ano que vem para saber quem é o cara – ou a cara!        

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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Uma resposta para Troca de Ministro da Justiça parece manobra para barrar a Lava Jato e blindar Michel Temer. O escolhido é crítico da operação e das delações premiadas. O delegado-chefe da Polícia Federal pode cair nos próximos dias. Temer precisa concluir reformas impopulares – ou será jogado ás traças.

  1. Sonia Regina Cicone Liggieri disse:

    Carlos Amorim o Temer alem de ditador está absolutamente fora da caixinha e com certeza nos faz de idiotas!

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