Relatório da PF complica ainda mais a vida de Temer: perícia mostra que gra-vações do dono da Friboi são autênticas e não sofreram edições. A PGR vai ofe-recer ao Supremo Tribunal três denúncias contra o presidente: corrupção, obstrução da justiça e associação criminosa.

                                   O resultado da perícia feita pelo Instituto Nacional de Criminalística, ligado à Polícia Federal, nas gravações do dono da Friboi com o presidente Michel Temer, foi divulgado na manhã deste sábado (24 jun). Os técnicos afirmam que o conteúdo gravado em áudio é autêntico e não sofreu manipulações. É um tiro de 12 nas costas do presidente. Temer recebeu Joesley Batista na residência do Jaburu, tarde da noite, em caráter clandestino. O encontro não estava na agenda do presidente e o convidado se apresentou com nome falso, dizendo-se Rodrigo. A segurança do palácio o admitiu, porque, supostamente, estava avisada.

                                   O diálogo, gravado pelo empresário, se deu em local restrito do palácio, um subsolo. Parece coisa de bandido. O resultado seria o seguinte: Joesley pagaria 400 mil reais por mês a Eduardo Cunha e Lúcio Funaro, ambos presos na Lava Jato, em troca do silêncio dos dois; também pagaria 450 mil reais por semana a Temer e um dos seus cúmplices, durante 20 anos, totalizando quase meio bilhão de reais. Em troca, os abonados resolveriam problemas da JBS na burocracia estatal, especialmente no CADE e na CVM. A Polícia Federal diz que a gravação é confiável do ponto de vista técnico. Na semana que vem, Rodrigo Janot apresenta a primeira denúncia contra Temer no STF: corrupção. Depois, vai apresentar mais duas.

                                   Como sabemos, a base parlamentar de Temer vai rejeitar as denúncias no Congresso, cuja autorização é fundamental para processar o presidente. Os 13 pedidos de impeachment do presidente também serão rejeitados. Como foi rejeitado o pedido de cassação do senador Aécio Neves na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O fato é que, com esse Congresso conservador e reacionário, não será possível resolver nenhum dos problemas do país.  

  

                                      

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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