Ataque do ISIS deixa ao menos 13 mortos e mais de 100 feridos em Barcelona. O número de vítimas fatais pode chegar a 28. Enquanto perde a guerra no campo de batalha, grupo terrorista ataca turistas para assustar o mundo.

atentado em Barcelona 01

Atentado em Barcelona. .

                                    Foi mais um atropelamento coletivo, inesperado e covarde. Uma van invadiu uma avenida para pedestres no centro de Barcelona e arrastou cento e tantas pessoas por 600 metros. Os números oficiais falam em 13 mortos e outras dezenas de feridos. Cerca de 15 estão em estado gravíssimo, o que pode elevar as vítimas fatais para 28. Foi no coração de uma das cidades mais belas e hospitaleiras da Europa. Ataque infame contra turistas inocentes. Pelo trajeto da van ficaram corpos caídos no chão, cujas imagens são tão dramáticas que evitaremos mostrar. Muitas mulheres e crianças esmagadas no chão. O ISIS (Estado Islâmico do Iraque e do Levante, em inglês) reivindicou a autoria do atentado.

                                   Enquanto é derrotado no campo de batalha na Síria e no Iraque, o ISIS (ou Daesh, em árabe) reclama sua fatia de represália matando gente inocente nos “territórios infiéis”. Ou seja: todo o mundo ocidental. Todos nós. Após uma campanha militar brilhante, do ponto de vista estratégico, a milícia islâmica sunita conquistou, discretamente apoiada por governos árabes do gênero sunita, como a Arábia Saudita, aliada de Trump, um califado em terras sírias e iraquianas. Do tamanho da Bélgica. No avanço, parte do exército que apoiava Sadam Hussein, no Iraque pós 11 de setembro de 2001, desertou e se juntou aos extremistas do Estado Islâmico. Forneceu a bucha de canhão para o grupo terrorista. Mais de 10 mil homens com experiência de combate, tanques, mísseis e poderosas armas de infantaria.

                                   Em sua primeira fase, ocupando cidades e desertos, o ISIS promoveu massacres contra xiitas islâmicos, cristãos e outros “infiéis”. Destruiu relíquias históricas da humanidade. Arrastou corpos pelo chão. Decapitou jornalistas ocidentais diante de câmeras de TV. Matou e matou. Sequestrou meninas para se tornarem escravas sexuais. Implantou um terror nunca visto após o nazismo. Recrutou milhares de muçulmanos ou adeptos em todo o mundo, inclusive no Brasil. Reuniu uma força jamais avaliada. Mas cometeu erros graves, como apostar no terror puro e simples.

                                   Contra o ISIS se ergueu o horror de Barak Obama e da OTAN. O presidente negro americano mandou armas para a resistência contra o grupo, alguns aviões, mas não soldados que pusessem as botas no solo. Esse preço ele não pagaria. Resultado: o califado prosperou. Só quando a Rússia de Putin se meteu na guerra, apoiando o ditador sírio, o cenário mudou. Putin lançou sobre o Estado Islâmico na Síria o melhor do que dispunha em seus arsenais. Os extremistas foram massacrados. E, com eles, a população civil e as cidades. A Rússia anunciou, inclusive, a morte do Califa Ibrahim, fundador do Califado do Levante, soterrado em um ataque aéreo. Putin venceu a guerra. O preço: 300 mil morros.

                                   Os territórios ocupados pelo ISIS na Síria e no Iraque estão reduzidos a 20% do eram há dois anos. Mas a capacidade de agredir os “infiéis”, como em Barcelona, continua. Somos todos reféns.           

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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