Raquel Dodge toma posse na PGR. Na plateia, muitos políticos investigados na Lava Jato. Na mesa diretora da solenidade, só uma pessoa não está sendo investigada: a ministra Carmem Lúcia, presidente do STF.

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Raquel Dodge, a nova chefe da PGR. Imagem Agência Brasil.

Como é de seu estilo, ao tomar possa como a primeira mulher a ocupar a Procuradoria-Geral da República, Raquel Dodge foi econômica nas palavras e discreta na aparência. No breve discurso, citou sete vezes o combate à corrupção, diante de plateia duvidosa. Rodrigo Janot não apareceu para a transmissão do cargo. Disse que não foi convidado. Além da nova procuradora, o único a discursar foi o presidente Michel Temer. Denunciado por corrupção, obstrução de justiça e organização criminosa, Temer falou sobre abuso de poder, insinuando que o Ministério Público, sob Janot, havia passado da conta.
Dodge e Janot representam posições diferentes na PGR. Ele era agressivo e divulgava amplamente o trabalho dos procuradores. Ela é avessa ao espalhafato da mídia e considerada uma técnica do direito, com mestrado em Harvard. Foi escolhida pelo presidente por ser uma opositora de Janot. Mas observadores mais próximos da procuradora garantem que ela não vai dar nenhuma colher de chá para os corruptos em geral. A ver! Raquel Dodge montou um grupo técnico à frente das investigações da PGR, gente ligada ao processo do “mensalão” e outras operações contra políticos.
Mas a pedra de toque da nova procuradora será em relação às denúncias de Janot contra Temer e vários de seus apoiadores. Vai refrescar? Apoia a tese de que Temer precisa prosseguir para garantir as “reformas” apoiadas pelo mercado e o grande capital? Ela já disse que dará ênfase aos direitos humanos, especialmente à questão indígena. É uma mudança de foco em relação à corrupção generalizada que devasta o país? Janot afirmou que partidos políticos se tornaram facções criminosas. Ela concorda?
Vai passar algum tempo até que entendamos os rumos que a PGR vai assumir daqui para a frente. O que explicaria a alegria do PMDB com a indicação de Dodge? Estiveram em massa na posse, incluindo os angorás investigados. Aliás, Rodrigo Maia, outro dos suspeitos, nesse momento é o presidente do Brasil.

Quem viver, verá!

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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