Temer adia reedição do vergonhoso indulto de Natal que perdoava amigos corruptos e condenados pela Lava Jato. O decreto foi barrado por Carmem Lúcia e Raquel Dodge.

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Raquel Dodge, a nova chefe da PGR. Imagem Agência Brasil.

                                    O pacote de bondades de Michel Temer para os corruptos em geral, especialmente àqueles envolvidos em crimes do colarinho branco, teve três artigos barrados integralmente pela ministra Carmem Lúcia, do STF. Outros dois itens foram vetados parcialmente. A ministra atendeu a um parecer da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, recentemente indicada ao cargo por Michel Temer. Muita gente ainda vai se surpreender com essa procuradora, especialmente no Planalto, porque Dodge não tem a menor intenção de aliviar o combate à bandalheira político-empresarial que grassa no país.  

                                   Temer, que é acusado de formação de quadrilha e obstrução da justiça (por enquanto), deve ter levado um susto com a decisão da PGR e do STF. Pretendia, na surdida, longe de qualquer discussão pública, perdoar os amigos e correligionários políticos, tanto no Legislativo, quanto no meio empresarial. Queria inclusive perdoar as multas e as penas pecuniárias dos condenados. No bolso dói mais. Não passou. Graças a duas mulheres que não se vergaram à manobra canalha e inconstitucional. A decisão de Carmem Lúcia foi monocrática: uma liminar. Deve ser levada ao plenário da Suprema Corte em fevereiro, quando acabam as exageradas férias do judiciário. Mas o relator da matéria é o ministro Luís Roberto Barroso. Temos uma boa chance de que vire uma decisão definitiva.

                                   Parece que a missão de Temer é mesmo essa: ampliar a impunidade, proteger os amigos e realizar reformas que só interessam ao patronato e ao poder econômico. Ao banditismo generalizado que assola o Patropi. Diga-se: é claro que teríamos que reformar as leis trabalhistas (a CLT de Getúlio Vargas é baseada na “Carta del Lavoro”, de Benito Mussolini). Só que a reforma teria que envolver o trabalhador, a sociedade civil, as centrais sindicais, por exemplo, com ampla divulgação para a sociedade.

                                   Também é claro que a reforma da previdência social é importante para o país. Mas não poderia ser tentada apenas com base no interesse das contas do governo e do empresariado. Deveria considerar a opinião pública. Aliás, em tal “reforma” não há uma linha para os sonegadores, que devem bilhões e bilhões de reais. A reforma ficou para o ano que vem. Ano de eleições gerais. Vai ser difícil aprovar, pelo voto aberto no Congresso, uma coisa tão impopular. Especialmente por um governo amplamente rejeitado pelo populacho em geral. Envolve milhões de pessoas e seus familiaares. Terá um custo eleitoral desastroso. A própria base governista não quer correr tamanho risco. Até porque, sem mandato, muitos deputados e senadores vão bater às portas da justiça comum. Aquela que de fato vale para qualquer cidadão brasileiro.   

                                   Diga-se ainda mais: por que o Partido dos Trabalhadores (PT), que foi governo por 13 anos, não propôs reformas que incluíssem a opinião dos trabalhadores? Encantado com os resultados da Era Lula, o PT parou de pensar.    

                                      

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