Atentado que matou vereadora do PSOL e motorista foi ato terrorista. Foi uma advertência aos generais da intervenção. E uma ameaça à oposição no Rio de Janeiro. O submundo do crime, da corrupção e da venalidade administrativa mostra as garras em ano eleitoral.

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Marielle estava no exercício do mandato. Foi crime político.

                                   As mortes de Marielle Franco e Anderson Pedro Gomes foram um crime profissional. Planejado nos mínimos detalhes, com todas as características de um ato terrorista. A vereadora, no exercício do mandato, estava sendo seguida há tempo. Uma das auxiliares dela foi abordada por um homem, de forma truculenta, dez dias antes do crime. O sujeito se apresentava como representante de um movimento social e queria saber detalhes da rotina da parlamentar do PSOL. Queria conhecer os apontamentos da agenda de Marielle. Mas a vereadora, aparentemente, não se sentia ameaçada. Sequer comunicou suspeitas ao PSOL ou à polícia. Foi atacada e morta no exercício do mandato popular, crime previsto na lei antiterror aprovada durante o governo de Dilma Rousseff. Terrorismo!

                                   No dia e hora do atentado a tiros (4ª feira, 14 de março, nove e meia da noite), câmeras de segurança registraram que ela estava sendo seguida por pelo menos dois carros. Os terroristas não se preocuparam com o detalhe das câmeras. Provavelmente, eram carros roubados e com placas clonadas. Isto não levaria aos autores. O terrorista que disparou 9 tiros de pistola 9mm, com certeza, era um especialista. Acertou 4 tiros na vereadora e 3 no motorista. Ou seja: 7 em 9, marca notável para veículos em movimento. Um atirador qualificado.

                                   No entanto, esse mesmo grupo profissional cometeu um erro básico. Deixou na cena do crime, centro do Rio, 9 capsulas de pistola 9mm. Tais capsulas, além de prováveis impressões digitais, possuem uma numeração que pode ser rastreada. Rapidamente, a Polícia Federal descobriu a origem das balas. Um lote de 1,9 milhão de munições compradas pela própria PF. Todas de calibre 9mm. Foram distribuídas por vários estados e registradas pelo Exército. Mas uma parte considerável desapareceu, desviada por um funcionário da própria PF.

                                   Os números de série dessa munição apareceram em uma das maiores chacinas ocorridas em São Paulo (23 mortos em Osasco e Barueri). Surgem também em enfrentamentos de facções rivais do tráfico no Grande Rio, especialmente em Niterói e São Gonçalo. E agora nas mortes do PSOL. O que isto significa?    

                                   Significa um desafio do mundo do crime aos generais da intervenção. Significa que a oposição da esquerda no Rio (e talvez no país) vai se transformar em alvo. E que a massa podre da sociedade brasileira arreganha os dentes para o país. A onda de ódio que varre as redes sociais corresponde ao ódio de classe que separa economicamente as pessoas. Pobre é feio e bandido. A classe média é bonita e inteligente. Mas a vereadora morta a tiros foi eleita pela classe média abastada, com renda superior a 10 mil reais.  Por que?  Porque Marielle Franco representava um ideal de igualdade que morro e asfalto desejam há décadas.  Foi vítima de um ato terrorista.

                                   Os autores foram nossos velhos conhecidos. Políticos venais. Chefes do tráfico e das milícias, que controlam o policiamento local. Os caras que faturam 1,5 milhão de reais por semana com o tráfico de drogas. Os caras que compram os PMs que ganham 1,300 reais por mês. Os políticos vagabundos que olham para o outro lado. É tudo uma grande farsa. 

                                  

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