O projeto conservador que derrubou Dilma Rousseff tinha objetivos claros: impedir a presidente eleita, assegurar um governo postiço com base na banda podre do Congresso, prender Lula e cassar o registro eleitoral do PT. Está perto da vitória.

                                    Dilma caiu. Não conseguiu 172 votos na Câmara para salvar o mandato obtido com milhões de votos. Instalou-se um governo destinado a realizar reformas com vistas ao benefício do grande capital e do patronato. Sem falar nas tentativas de venda do patrimônio público, disfarçadas pela alcunha de privatizações. Quis vender inclusive reservas florestais, para beneficiar mineradoras, algumas estrangeiras.

                                   O passo seguinte foi desmoralizar e prender Lula, cujos processos correram acelerados, contrariando a lerdeza do judiciário. O ex-presidente está atrás de barras invisíveis, porque a porta da cela não tem grades. Está preso sob silêncio do país dividido. O PT, que errou demais em 13 anos de governo, contrariando as suas origens, não conseguiu mobilizar os trabalhadores para defender o cara que é tido como o governante mais popular do Brasil. E errou por que? Ao chegar ao poder, aliou-se com o que havia de pior a política, misturando-se à porcaria circundante. Não há como explicar tal coisa.

                                   O partido da ética na política esqueceu seus princípios. Caiu na armadilha prevista: quem faz aliança com o diabo termina maldito. E a maldição está em curso. Uma legião de juristas procura brechas para cassar o registro eleitoral do partido das massas. Tem mais de um milhão de filiados. Isto, no entanto, não assegura a sobrevivência do PT. Está dividido internamente. Perdeu o líder maior. E não formou novos quadros. Sem Lula, não tem um nome forte para a corrida presidencial. E Lula caiu.

                                   No discurso de despedida, em São Bernardo do Campo, o metalúrgico nordestino, duas vezes presidente do Brasil, apontou para novas lideranças: Fernando Haddad (PT), Madalena D’ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos (PSOL). Como a dizer: no segundo turno das eleições estaremos todos jutos. Parafraseando o pastor luterano Martim Luther King Jr, ícone da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos (“eu tive um sonho”), Lula disse: “eu tive um sonho de distribuir renda, levar comida à mesa dos pobres”. Há mais de 50 anos entre um discurso e outro.

                                   Lula e o PT estão isolados socialmente. Não há um movimento popular para libertá-lo. O que há é um silêncio impressionante.                      

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