Petrobras já perdeu 115 bilhões em valor de mercado. Está ficando baratinha para a privataria. E a greve continua nas estradas.

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A greve continua. Imagem Maringá Post.

 

                                   A greve dos caminhoneiros e o locaute das transportadoras já deixou de ser apenas por razões econômicas. Há uma trama política por trás do movimento. Talvez para beneficiar o segmento radical de direita. Coisas estranhas: entre os grevistas há homens armados ameaçando os motoristas que desejam voltar ao trabalho, assim como há um sistema organizado de distribuição de água e comida. Postos de combustíveis em São Paulo, sob ameaça, estariam recusando abastecimento, como diz a Folha online.

                                   Ainda existem mais de 500 pontos de paralisação em rodovias de 25 estados e no distrito federal. O desgoverno de Michel Temer, apesar de alardear seguidos acordos com os caminhoneiros, é desmentido na prática. A coisa está fora de controle, causando danos incalculáveis ao país e à população. Não por acaso, o agronegócio foi o setor mais atingido, carro chefe da economia, justamente o seguimento que põe comida na mesa do brasileiro. Cheira a conspiração. Um golpe dentro do golpe.

                                   Não custa lembrar: o golpe militar que derrubou o presidente socialista Salvador Allende, no Chile, em 11 de setembro de 1973, foi precedido por um locaute de transportadoras e um severo desabastecimento. Aqui estamos perto do caos: sem falar nos combustíveis, falta comida (e os preços dispararam), escolas estão fechadas (inclusive universidades), os hospitais reduzem o atendimento, o transporte coletivo, já deficiente, está reduzido à metade. Tudo isso em apenas 9 dias. Se o movimento continuar, o país afunda em saques e violência. E diziam que o PT iria transformar o Brasil em Venezuela. Não! O antipetismo transforma o Brasil em Venezuela.

                                   O mais impressionante é o silêncio dos políticos. Fora os patéticos Carlos Marun e Eliseu Padilha, que assumiram a liderança do poder central, seguidamente desmentidos, o resto é silêncio. Entre os presidenciáveis, só Bolsonaro aparece para dizer que o caos não interessa a ele nem ao país, quando a cofusão só o favorece. O caos infla as velas dos radicais. E Bolsonaro é o maior de todos. O país caminha para um desastre ainda maior do que o de Dilma. Quem dizia “primeiro a gente tira a Dilma e depois a gente vê” deve estar mordendo a língua.

                                   E quem clamava por uma intervenção militar deve estar decepcionado: no Rio, foi um fiasco; agora é pior. Ao atender ao governo postiço, os militares estão se desmoralizando. Deveriam ter deixado Temer se afundar. E ele está mesmo afundando. No Congresso já se discute a substituição.  

                                   Este é um país de tragédias. Os avanços econômicos e sociais são perseguidos por retrocessos quase inevitáveis.  

                                   Até quando?

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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Uma resposta para Petrobras já perdeu 115 bilhões em valor de mercado. Está ficando baratinha para a privataria. E a greve continua nas estradas.

  1. Annelise disse:

    Lúcido, didático, reflexivo e uma paulada na cabeça dos que continuam sendo os eternos desavisados!

    Curtir

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