A guerra civil brasileira: turistas ficam presos no bondinho do Pão de Açúcar, por causa de um tiroteio entre bandidos, policiais e soldados do Exército. Em Minas, mais de 100 ataques de traficantes ligados ao PCC em 38 cidades. Nas fronteiras, bandos armados desafiam a soberania nacional. Cadê o governo?

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Abadia, o traficante colombiano que fazia negócios com políticos no Brasil. Foto da PF.

                        É o cenário de uma guerra civil não declarada em nosso país. Desde o início do ano, em 22 estados, já foram registrados 12 mil homicídios. São números apenas do primeiro trimestre. E estão faltando 5 estados na estatística. Isto indica um novo massacre sem precedentes. No Rio, 55 policiais militares já morreram. Só não entende quem não quer entender. A violência está fora de controle e nossos governantes mais parecem bonecos idiotas, que não sabem o que fazer. Ou são cúmplices desse estado de coisas? Dois exemplos: um ex-presidente da Câmara dos Deputados se envolveu em negócios imobiliários com o chefe do Cartel del Norte, o maior produtor colombiano de cocaína, Juan Carlos Abadia, que vivia tranquilamente em São Paulo, suportado por uma caixinha de 2 milhões de reai por mês; um senador da República teve um helicóptero da família apreendido pela Polícia Federal com meia tonelada de cocaína pura. Vocês sabem quanto vale isso? Um grama de cocaína é igual a um grama de ouro. Façam as contas!

                                    E o que foi que aconteceu? A investigação inocentou a família do senador. O piloto do helicóptero foi preso e condenado. E? Recebeu o benefício de recorrer em liberdade. Sumiu. Foi preso novamente, envolvido em uma operação de execução de dois traficantes que desviaram dinheiro do PCC. Para ser mais claro: o ex-governador de São Paulo, Cláudio Lembo, chegou a dizer que “quem consome drogas e sustenta o crime organizado é a burguesa e a pequena-burguesia”. Lembo esqueceu de dizer quem é que ganha dinheiro com o tráfico. Você acha que é o garoto descalço, porém armado, da favela?

                                   Dados da ONU informam que o dinheiro ilegal em circulação no mundo soma 4 trilhões de dólares. Um quarto deste total se refere ao tráfico de drogas e substâncias controladas. Ainda segundo as Nações Unidas, há 400 milhões de usuários de drogas em todo o planeta. É um negócio espetacular, feito com dinheiro à vista, maior do que a indústria do petróleo e o segmento automobilístico. Não seria possível movimentar tais quantias sem o sistema bancário e de troca de capitais. E você, leitor, acha que isso é coisa de favelado? Não! As elites econômicas e políticas estão por traz disto. É o negócio de maior liquidez do mundo.

                                   Os estudiosos do assunto, como este modesto autor, sabem que os investimentos no narcotráfico pagam juros de 1% ao dia em dólar. O investidor, cidadão acima de qualquer suspeita, não pega em armas, não suja a mão na farinha. A luxuosa casa dele não cheira a maconha. Ele não quer saber se está financiando a plantação de papoulas na Ásia Central (matéria prima do ópio e da heroína) ou das lavouras de coca na América Andina. Para ele, é só um negócio. Esse cara é quem alimenta o câncer dos nossos tempos. É um homem de bem, preocupado com a família e os filhos. Infelizmente, alguns dos filhos morrem de overdose.

                                   Tenho feito essas denúncias há muitos anos, através dos meus livros e milhares de artigos e entrevistas. E a coisa não muda. Por que será?      

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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