Com a mão na faixa, Bolsonaro continua sem projeto de governo. Os aliados dele assustam o país com declarações estapafúrdias e ameaças à democracia e ao bem-estar social. Mas o capitão continua liderando as intenções de voto em todas as regiões.

 

                                   O PT espera uma “virada difícil, mas não impossível” na votação do próximo domingo. Pela pesquisa divulgada hoje (CNT-MDA), o capitão tem 57% dos votos válidos e Haddad tem 43%. Algo como 18 milhões de votos de diferença. Faltando cinco dias para a votação, é uma situação arrasadora para o único candidato sobrevivente da esquerda. Tal sobrevivência, aliás, é quase um prodígio. Mas o PT errou – de novo – ao insistir no culto à personalidade de Lula, foi incapaz de negociar uma candidatura única do campo progressista, que poderia ter virado o jogo logo de saída. E não fez nenhuma autocrítica convincente das lambanças perpetradas nos últimos anos.

                                   No entanto, o candidato do desconhecido PSL e seus aliados assustam o país com ameaças e declarações cada vez mais perigosas para a estabilidade política e social do Patropi. Jair Bolsonaro já disse que, pelo voto, não se vai resolver nada no país e que era preciso uma guerra civil com uns 30 mil mortos. Disse que se devia fuzilar a “petralhada”. O filho dele, Eduardo, declarou em uma palestra: para fechar o Supremo Tribunal Federal (STF) não precisava nem de um jeep. Bastaria “um cabo e um soldado”. A truculência militarista causa espanto na parte do Brasil que ainda pensa. E essa parte, a se confiar nas pesquisas, representa 43% dos brasileiros votantes. Após a divulgação da ameaça, o ministro Alexandre de Morais, do STF, disse que se tratava de uma afirmação irresponsável e pediu à PGR a abertura de um inquérito contra Eduardo Bolsonaro, com base na Lei de Segurança Nacional.   

                                   A divisão de opiniões políticas, morais e ideológicas no país iniciou-se com os grandes protestos populares de junho de 2013. Resultaram em 4 mortos, dezenas de feridos e centenas de prisões. Ali o PT deveria ter acordado para o fato de que havia um enorme descontentamento entre os cidadãos e o sistema. Aquele era o ponto para uma repactuação política, abrir o governo para o segmento progressista. O PT insistiu em reeleger Dilma Rousseff, em 2014. Venceu por apenas 3,27% dos votos válidos, especialmente no Nordeste. E o PSDB de Aécio Neves, hoje apoiador de Temer e aderente a Bolsonaro, ao pedir a recontagem dos votos, inaugurou a crise política que resultou no impedimento de Dilma e na assunção de Temer, o pior governo da República, na avaliação popular.

                                   O descontentamento popular com a política em geral, agora corporificado em Jair Bolsonaro, altera a balança política no país. Antes era Lula e FHC. Ou o PT e o PSDB, entre a esquerda e a centro-esquerda. Agora é entre a extrema direita e uma esquerda dividida, quase muda. Lula já era. FHC já era. Aparece o tal do PSL, que açambarca o descontentamento popular.

                                   E ninguém sabe muito bem, fora as ameaças, o que Jair Bolsonaro pretende para o país.

                                            

                                                                       

  

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