Homem armado invade a catedral de Campinas (SP), no final da missa, mata quatro pessoas e fere quatro. O atirador, que se matou (a 5ª vítima), tinha uma pistola automática, um revólver e farta munição. O discurso de ódio e intolerância que varre o país faz vítimas inocentes.

Atirador-Campinas 01

O atirador, segundo a polícia, se matou.

                       O homem que invadiu a catedral de Nossa Senhora da Conceição, no centro de Campinas, interior de São Paulo, abriu fogo contra os fiéis sem qualquer motivo aparente. O massacre, que até agora resultou em cinco mortes (inclusive a do atirador), acontece na proximidade do Natal, quando se intensificam as atividades da Igreja Católica. As imagens correm o mundo e já chegaram ao Vaticano, onde se aguarda um pronunciamento do Papa Francisco.

                      Um ato enlouquecido como esse, num país que não tem tradições de terrorismo religioso, espanta e choca a todos. Os homens e mulheres de boa-vontade não sabem o que esse ataque pode significar. Aparentemente, nunca aconteceu no Patropi, uma terra tida como pacífica e ordeira. Apesar dos mais de 60 mil homicídios e dos 40 mil desaparecidos por ano. Não me lembro de nenhum caso semelhante.

                      No entanto, é preciso fazer uma reflexão: há um discurso de ódio, violência e intolerância no país. Agora tem até uma versão oficial, eleita pelo povo. O presidente eleito, Jair Bolsonaro, tem sido visto fazendo gestos de portar armas, dando a entender que só com a violência será possível conter a criminalidade e a corrupção. Ledo engano! O ditado popular já afirmou: violência gera violência. Bolsonaro já disse que não se resolverá nada neste país sem uma guerra civil com 30 mil mortos. O discurso de ódio e intolerância estimula os lunáticos como esse que atacou a tiros os fiéis em Campinas.

                      Como sabemos, Bolsonaro cercou-se de gente radical. Generais, fundamentalistas evangélicos, políticos de linha dura (incluindo seus próprios filhos). Quer a liberação da venda e do porte de armas, pensamento que só favorece a indústria de armamentos e não oferece nenhuma alternativa de controle da violência epidêmica no país. Com tanta gente “armada” em seu futuro governo, incluindo  o Xerife da Lava Jato, o ex-juiz Sérgio Moro, até agora não apresentou nenhum projeto de combate à violência que desgraça o país ensolarado.

                      O atirador de Campinas tinha duas armas. Vamos liberar a venda e o porte de mais algumas?  

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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  1. Me liga… Bjs

    Annelise Godoy Gestão & Cultura

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