João Dória promete guerra ao PCC e anuncia que vai isolar as lideranças da organização. Coisa semelhante, há pouco mais de 12 anos, resultou em um massacre em São Paulo, quando 750 líderes da facção foram transferidos para presídios de segurança. Enquanto Dória brinca com fogo, promovendo a candidatura ao Planalto em 2022, o mundo do crime se prepara para o enfrentamento.

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                                   Nas “quebradas”, favelas e periferias de São Paulo, corre um rumor: vai haver um novo “Salve Geral”. Quer dizer: as ameaças do governador eleito João Dória vão enfrentar resistência armada da maior organização criminosa do país. O PCC se autodenomina o “Partido do Crime”. Adota a alcunha porque se considera uma força política, mais do que um bando de criminosos. Influencia a vida de centenas de milhares de pessoas nas comunidades, tanto quanto influencia o tráfico, a venda de armas e o roubo armado.

                                   A organização, que divide com o Comando Vermelho (CV) o controle do crime organizado em todo o país (fora o coralinho branco de Brasília e associados políticos), está dividida: uma parte quer reagir violentamente, como em 2006; outra parte acredita que as ameaças de Dória e Bolsonaro não passam de marketing político – e que nada vai acontecer de fato.

                                   O governador eleito de São Paulo, João Dória, em evento público com o secretariado que vai assumir em 1º de janeiro, alardeou que a marca da gestão será o combate ao PCC. (Vejam a Folha de S. Paulo de hoje, 14 dez) Trata-se, segundo Dória, de uma espécie de “inimigo publico número 1”. Como se toda a violência que amarga a capital paulista fosse causada pelo PCC – e não por criminosos avulsos e desorganizados. Aqueles que atacam no sinal de trânsito, nos pontos de ônibus e nas estações de trem. Matam para roubar um tênis ou um celular. O governador resolveu desafiar o narcotráfico diretamente.

                                   O crime avulso pode ser enfrentado com policiamento ostensivo. O crime organizado tem que ser enfrentado com inteligência e sofisticação. João Dória, além de não distinguir as duas coisas, quer começar uma guerra. Será uma guerra perdida.

                                   Em todo o país, o PCC exerce enorme influência, como mostra o vídeo a seguir. Veja e comente:

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