Capitão cumpre o prometido: Bolsonaro assina decreto que facilita a posse de armas em todo o país. Na verdade, facilita a venda. A indústria de armamentos deve estar soltando rojões.

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Pistola Taurus P40. Imagem do fabricante. ,

                           O presidente Jair Bolsonaro assinou decreto nesta terça-feira (15 jan) facilitando a compra e venda de armas para cidadãos de todo o país. Cumpre, assim, uma promessa de campanha, para alegria da indústria armamentista. No país que mais mata no mundo, em números absolutos (sem as estatísticas que falsificam a realidade), a medida promete um aumento da violência criminal.

                                   Devo dizer, no entanto: acho que o cidadão tem o direito de possuir uma arma, assim como tem direito de ter um carro, uma geladeira, um televisor. O automóvel, misturado com álcool, mata mais de 40 mil brasileiros por ano. As armas matam mais de 60 mil. O problema é que o decreto do capitão, na verdade, libera o porte de armas. Como? Simples: quem comprar um revólver ou pistola legalmente – quem sabe um rifle – tem direito de guardar o objeto mortífero em casa ou no local de trabalho. Se for passar o fim de semana na praia ou no interior, provavelmente vai levar o objeto. Se for buscar os filhos, tarde da noite, na balada, idem.

                                   De um ponto de vista técnico, ao pé da letra penal, portar uma arma é estar com ela junto ao corpo, na cintura ou nas mãos. Significa estar armado em vias públicas e no ambiente comunitário. Mas tê-la no porta-luvas ou no bagageiro do carro é coisa diferente. Há uma longa discussão judiciária sobre isso. Muita gente foi absolvida por levar uma arma no bagageiro. Não estava portando. Estava transportando. Quando se facilita a venda, se facilita o porte. Simples assim. A quem interessa esse tipo de coisa? Provavelmente, só aos fabricantes.

                                   Noto um detalhe: em entrevista à imprensa, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que o decreto abre o mercado para os produtores mundiais de armamentos. Que pena: só no dia de hoje, as ações da Taurus na bolsa de valores caíram 20%. No último semestre do ano passado tinham subido mais de 180%. Agora, além da Taurus e da Imbel, teremos a concorrência da Colt americana e de inúmeros outros fabricantes. É o Brasil se abrindo para o mundo. No estilo bolsonarista.

                                   Seja como for, tenho uma pergunta a fazer: se vamos facilitar a compra e venda de armas, como vamos fiscalizar o uso delas? Em um país que não constrói escolas, nem hospitais, nem delegacias de polícia, como vamos controlar o uso de armas de fogo?                

 

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