João Dória faz tratativas para transferir o líder do PCC para presídio federal fora de São Paulo. Foi promessa de campanha jogar duro contra o crime organizado. Mas – agora – bate um medinho no governador. Principalmente, diante dos episódios de violência no Ceará.

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Marcola, o líder do PCC. Imagem TJSP.

 

                                   O governador de São Paulo, João Dória, que durante os últimos momentos da campanha eleitoral adotou o discurso bolsonarista, agora tem um problema. O presidente pode dizer que vai prender e arrebentar. O ministro da Justiça, o advogado Sérgio Moro, diz que vai reformar as leis para endurecer o combate à corrupção e ao crime organizado. Mas são palavras ao vento. Quem precisa por as botas no chão são os governadores. São eles que pagam a conta. João Dória – ao que tudo indica – não quer ver São Paulo em chamas, como acontece agora no Ceará.

                                   Doria gosta de tudo bonitinho, tudo certinho, tudo combinado. Mas quando se trata de um gesto emblemático como o isolamento de Marcola em Catanduvas, o presídio federal de segurança máxima no Paraná, o jogo muda bastante. Na verdade, as negociações começaram em setembro do ano passado, quando o governador Márcio França (PSB-SP), queria fazer um movimento dramático em busca da reeleição. Foi aconselhado a desistir. Poderia enfrentar a mesma encrenca de Cláudio Lembo, em 2006, quando era governador interino.

                                   Agora há um impasse. Marcus Herbas Camacho, o Marcola, está em silêncio, como é do feitio dele. O PCC evita fazer ações espetaculares em São Paulo, para evitar provocações. A facção está envolvida nos incêndios cearenses. Mas aqui, nada. A situação é fácil de entender: quem cuspir primeiro xinga a mãe do outro.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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