Mapa da violência: assassinatos no Brasil atingem recorde mundial: 65,6 mil no ano de 2017. Além do mais, no mesmo ano, houve mais de 35 mil desaparecimentos de pessoas, indicando que podem ser em parte homicídios cujos corpos não foram encontrados.

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17,5 milhões de armas em poder de civis no Brasil.

                                    A epidemia de violência letal no país, em números absolutos, finalmente assume um recorde global. Matamos mais do que qualquer outro país no mundo. A maior parte das vítimas, segundo o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, são jovens negros e pardos, mulheres e integrantes da comunidade homoafetiva. Matamos 31,6% em cada grupo de 100 mil habitantes. O assassinato de mulheres aumentou mais de 30% em uma década. Se não me engano, são 13 crimes por dia.

                                   Sete em cada 10 homicídios são produzidos por armas de fogo (47,5 mil). Uma parte das mortes é por motivos fúteis (como uma briga no bar); outra parte são crimes passionais (feminicídios, ciúmes, disputas familiares); e guerras de gangues ligadas ao tráfico e drogas e disputas entre facções criminosas, inclusive dentro dos presídios. O fato é que a epidemia de homicídios nos torna um país matador. Os dados são de 2017, porque leva um bom tempo para compilar o total de mortos. E o número encontrado é maior do que o divulgado pelos órgãos da segurança pública.

                                   Em um cenário como esse, o governo Bolsonaro insiste em facilitar a compra e o porte de armas. Há contradições entre os próprios pesquisadores. O presidente do IPEA diz acreditar que o cidadão tem direito de possuir uma arma em casa, como qualquer outro bem durável, uma geladeira ou um fogão. O coordenador da pesquisa ressalta, no entanto, que o Estatuto do Desarmamento, aprovado em 2003, salvou 35 mil vidas, porque manteve restrições à compra e ao porte de armas. Nem eles se entendem sobre a pesquisa que fizeram juntos.

                                   No Brasil existem 17,5 milhões de armas nas mãos de civis. O dado é da Small Arms Survey, organização internacional ligada à ONU, com sede na Suíça. Do total, perto de 9 milhões são clandestinas. Estamos entre os 10 maiores arsenais do mundo. O decreto de Jair Bolsonaro pode resultar, de acordo com especialistas, na duplicação do número de armas disponíveis para os brasileiros.           

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