O vírus da morte nos presídios: especialistas afirmam que superpopulação e insalubridade podem provocar milhares de vítimas nas cadeias brasileiras.

o virus e os presídios

Presídios superlotados são um celeiro para o covid 19. Imagem do portal Rede Brasil Atual.

                                    Os sindicatos dos agentes e funcionários dos presidis de São Paulo denunciam: o coronavírus já está dentro das celas, levado por visitas, advogados e pelos próprios servidores do sistema penal. O governo paulista desmente, informando que estão sendo tomadas “todas as providências necessárias”. Mas não explica quais. Por acaso estão distribuindo álcool gel e barras de sabão para os detentos? Estão usando aparelhos para medir a temperatura dos aprisionados? A resposta a essas questões parece ser negativa.

                                   No estado de São Paulo há mais de 234 mil pessoas presas, para um total de 144 mil vagas. Um déficit de 61,5%, considerando os números do ultimo censo prisional de 2018 (ver Carta Capital do último dia 25 de março). Em outros estados o quadra é muito mais grave: na região norte, por exemplo, o déficit de 200%. O sistema penitenciário brasileiro e sabidamente um dos piores do mundo e já foi definido como “masmorras medievais”. Em muitos casos, os detentos estão abarrotados em celas sem janelas ou qualquer outro tipo de ventilação. Chegam a ficar em containers de ferro sob o sol tropical – ou dentro de viaturas policiais estacionadas nos pátios. Ou algemados nas paredes de distritos policiais.

                                   Tudo certo para um país que deseja a pena de morte ou o encarceramento em massa. Mas tudo errado para uma pandemia de vírus que não respeita fronteiras, idades ou regime político.  

                                   Tais condições carcerárias são ideais para que o coronavírus se alastre rapidamente, de dentro para fora das celas. Vale a pena destacar: mais de 10 mil prisioneiros são idosos e quase o dobro disso são portadores de diabetes, Aids e outras doenças crônicas, como bronquite aguda e até tuberculose. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recomenda penas alternativas, como prisão domiciliar para crimes leves e mulheres que têm filhos menores em casa, de modo a diminuir a superlotação. É uma medida humanitária, mas também uma estratégia para o enfrentamento da pandemia.

                                   O Ministro da Justiça e Segurança Pública, ex-juiz Sérgio Moro, é contra. Continua a preconizar encarceramento em massa e chegou a dizer que seria melhor suspender todas as visitas durante a quarentena. É um governo que não se entende: o presidente quer acabar com o confinamento e Moro quer estendê-lo às cadeias. Uma medida desvairada como essa – com certeza – vai provocar rebeliões em massa e um massacre nas prisões. Recentemente, o PCC ordenou a fuga em massa dos presos do regime semiaberto paulista: 1.400 deles deixaram as cadeias simultaneamente; mais de 600 ainda não foram recapturados.

                                   A temperatura nos presídios sobe a cada dia. Estamos no limiar de uma nova tragédia.  

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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