Moro confirma: 1º caso de coronavírus no sistema prisional foi em Belém (PA). O país tem cerca de 1,5 mil institutos penais e mais de 270 mil prisioneiros. Uma tragédia anunciada.

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O caos nos presídios brasileiros. Foto Agência Brasil.

                                    O ministro Sérgio Moro confirmou há dois dias (8 abril) o surgimento do primeiro caso de coronavírus no sistema prisional. O detento infectado cumpre pena no regime semiaberto em Belém do Pará. O governo local isolou o preso, mas a ameaça é grave para toda a massa carcerária do país. Em São Paulo, a Secretaria de Assuntos penitenciários (SAP) também confirmou um caso, envolvendo um servidor que estava de férias. Fora isso, silêncio total.

                                   Em 17 de março, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recomendou a liberação de todos os presos de baixa periculosidade, inclusive as mulheres que tenham filhos menores em casa. Não se sabe ao certo quantos seriam beneficiados com a decisão, mas um número provável estaria entre 40 e 60 mil prisioneiros. A prática das “saidinhas” de feriados, quatro por ano, revela que 10% dos condenados somem, não voltam espontaneamente às celas. A metade destes volta a delinquir, especialmente no roubo armado e no tráfico. Mas, diante da pandemia, que já matou mais de 1.000 brasileiros, seria uma medida humanitária.  

                                   O ministro Moro é contra a liberação em massa de detentos. Acredita, com certa razão, que pode ocorrer uma explosão de violência nas ruas. No entanto, não há um projeto de combate ao vírus no interior das cadeias superlotadas. Até as pedras do calçamento sabem que as condições sanitárias nas cadeias são deploráveis. Há dezenas de milhares de miseráveis amontoados em cubículos sem janelas. Evidentemente, não se trata de discutir aqui as condições econômico-sociais da criminalidade. Sou favorável à revisão e endurecimento das leis penais, porque não tem cabimento que alguém que tenha assassinado os pais passe o dia das mães em liberdade. Mas estamos diante da perspectiva de um genocídio nas prisões.

                                   Alguém mais inteligente do que eu, cujo nome não lembro, talvez um pensador francês, já disse que a medida da civilização está na forma como tratamos os nossos prisioneiros. Sejam eles de guerra – ou de crimes domésticos.  

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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