PGR pede ao Supremo Tribunal abertura de inquérito criminal contra organizadores dos protestos que pedem intervenção militar e fechamento do STF e do Congresso.

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O procurador geral. Imagem de divulgação.

 

                                   O Procurador Geral da República, Antônio Augusto Aras, nomeado por Jair Bolsonaro, pediu hoje ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito criminal contra os organizadores dos protestos e carreatas ocorridos ontem (19 abril), pedindo o fechamento do Congresso, do STF e apelando para uma intervenção militar que ressuscite o AI-5. O pedido foi baseado na Lei de Segurança Nacional (LSN) dos tempos da ditadura (1983), que prevê pena de prisão por atos ou palavras que pretendam a derrubada do regime constitucional.

                                   O pedido foi feito em caráter sigiloso, omitindo ao público o nome dos acusados. Alega-se “segredo de justiça”. Na lista de suspeitos estão políticos com mandato eletivo, lideranças do movimento ultraconservador sem mandato e um grupo de empresários que financia a proposta de quebra das leis e da Constituição. O documento foi entregue hoje (20 abril) na secretaria do STF. A PGR diz que tais pessoas já foram identificadas por vídeo e fotografias.

                                   Evidentemente, Brasília não é um lugar que guarde segredos. A lista já vazou para a imprensa especializada. E já sabemos que o presidente Bolsonaro, que participou de corpo presente em um dos protestos, na porta do quartel-general do Exército, em Brasília, tossindo muito e afirmando que “não vamos negociar nada”, não foi citado no pedido de inquérito. Isto lança uma enorme suspeita sobre o tal inquérito.

                                   O presidente do STF, ministro Dias Toffoli, gravou um depoimento, exibido pela Globonews, afirmando que o país não vai tolerar tamanho desacato às instituições. Condenou o populismo e o fundamentalismo. Mas não citou Bolsonaro, cujo discurso em praça pública foi um acinte à República. No subtexto deu a entender que vai aceitar o pedido de inquérito criminal.

                                   E nós, o populacho em geral, vamos ficar sem entender a linguagem burocrático-jurídica das elites.  

  

  

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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