Governo admite que não controla PCC na cadeia.

Marcola, líder do PCC.

Marcola, líder do PCC.

Documento do governo paulista, enviado à Vara de Execuções Penais e assinado pelos secretários da segurança e da administração penitenciária, admite que as autoridades não têm condições de controlar as atividades da liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC) dentro das prisões. O ofício, descoberto pelo repórter Sandro Barbosa, do Jornal da Band, exibido com exclusividade pela emissora, solicitava a transferência de quatro dos comandantes da organização criminosa para um regime de isolamento.
Marcos Herbas Camacho, o Marcola, Cláudio Barbará da Silva, o Barbará, Célio Marcelo da Silva, o Bin Laden, e Eduardo Marcondes Machado, o Du Bela Vista, considerados os mais importantes chefes da facção, foram transferidos da penitenciária de Presidente Venceslau para a de Presidente Bernardes, onde foram isolados. Nessa última cadeia funciona o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), pelo qual os presos ficam trancados em celas solitárias 23 horas por dia. Têm direito somente a uma hora de banho de sol, sozinhos num pátio. Só recebem visitas de 15 em 15 dias e não podem ler jornais, ouvir rádio ou ver televisão. É o mais duro regime penal do país, que muitos juristas consideram desumano e inconstitucional. Os líderes do PCC foram trancados no RDD no dia 11 de março, após a descoberta de um plano de fuga.
Pois bem: os advogados dos criminosos entraram com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça paulista, alegando que eles não tinham nada a ver com nenhum plano de fuga e que não representavam ameaça para a sociedade, porque já estavam presos. O desembargador Péricles Piza aceitou os argumentos e mandou os chefes do PCC de volta a Presidente Venceslau, onde estão agora, convivendo normalmente com a massa carcerária. Como já disse, no meio jurídico, o regime de prisão solitária é questionado por se tratar de um castigo severo demais.
Não nos cabe discutir a decisão do juiz. Mas a confissão de incompetência do governo é estarrecedora. Se não é possível controlar o PCC dentro da cadeia, que dirá fora!

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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2 respostas para Governo admite que não controla PCC na cadeia.

  1. Fabia disse:

    Na sua opinião Amorim, qual eh o benefício ou vantagem do sistema carcerário manter estes líderes de facções com vida na prisão? Causam tantas problemas dentro e fora da prisão…porque não executa-los? Sei que execução eh fora da lei e até uma solução simplista, mas realmente não entendo qual seria as consequências se algo acontecesse com o líder de facção dentro do presídio.

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    • Carlos Amorim disse:

      Fabia,
      vivemos numa democracia e sob o chamado Estado de Direito, apesar de que as leis não atendem a todos. Com a epidemia de violência que atinge o país, surgem sentimentos de revanche, de dar o troco. No entanto, é de fato simplista, como você disse, tentar acabar com o criminoso sem acabar com as causas do crime. E não devemos deixar de responsabilizar nossos governantes, que se recusam a reformar as leis e investir nas questões sociais. O próprio sistema penal brasileiro é um lixo.
      Obrigado pelo comentário.
      Continue participando.
      abs
      Camorim

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