Bolsonaro está vencendo a guerra contra o confinamento com ampla desobediência da população às regras da quarentena. O vírus chega às periferias e faz um tremendo estrago, enquanto o governo omite informações.

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O general Eduardo Pazuello, novo chefe de operações de saúde no país. Imagem do portal O Globo.

                                   O novo ministro da Saúde, Nelson Teich, nomeia general para comandar as ações do governo na pandemia, cujo objetivo é claramente o fim do afastamento social e a retomada do trabalho. E não importa quantas serão as vítimas. Nas palavras do presidente Jair Bolsonaro, morra quem tiver que morrer, desde que a atividade econômica seja retomada a qualquer preço. Os números de hoje (22 de abril) registram mais de 3 mil mortos e dezenas de milhares e casos confirmados de Covid-19.

                                   Se as avaliações do setor de saúde estiverem corretas, a atual contabilidade da tragédia representaria apenas 10% a 12% do número real. Ou seja: cerca de 30 mil mortos e centenas de milhares de pessoas contaminadas. Governos e prefeituras estão contratando milhares de coveiros e máquinas para abrir sepulturas. Não há mais velórios e os caixões são lacrados. Estão autorizados enterros em covas coletivas. Parece mesmo o cenário de uma guerra.

                                   As atitudes do presidente e as manifestações da ultradireita contra a democracia, insuflam a desobediência civil da quarentena. E tudo indica que encontram eco na população. Os engarrafamentos voltaram, os mercados estão cheios de pessoas sem máscara e luvas (até porque são raras e caras), os bailes funk estão a pleno vapor nas favelas e comunidades pobres. O tráfico de drogas continua bombando nas cracolândias, onde ocorrem aglomerações de usuários.

                                   Temos mesmo um país dividido, porque o combate ao coronavírus virou uma questão ideológica, política e eleitoral. Vinte e dois governadores assinaram um manifesto contra a flexibilização das medidas sanitárias, mas outros 7 se recusaram. Prefeitos ordenaram a reabertura do comércio. E até São Paulo, o estado mais atingido, já anunciou um plano de retomada da atividade econômica. A pandemia chegou aos pobres, que agora registram o maior índice de mortalidade e contaminação pela doença. Um único bairro da Zona Leste da capital paulista já anota 10 mortes por dia.

                                   O ministro Nelson Teich, segundo dizem o mesmo médico que assinou os atestados para Bolsonaro não participar dos debates eleitorais de 2018, não fala com a imprensa. As entrevistas coletivas diárias foram suspensas, de modo que não se tem uma atualização dos números da tragédia e das providências governamentais. A nomeação do general para a chefia das operações da saúde aumenta a desconfiança de que a comunicação vai ficar mais difícil.

                                   Certa vez li um livro sobre a guerra na Criméia (1853-56) chamado “A Primeira Vítima”, no qual o jornalista Phillip Knightley explica: “nas guerras, primeira vítima é a informação”. Aqui parece que temos uma guerra contra o vírus.           

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PGR pede ao Supremo Tribunal abertura de inquérito criminal contra organizadores dos protestos que pedem intervenção militar e fechamento do STF e do Congresso.

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O procurador geral. Imagem de divulgação.

 

                                   O Procurador Geral da República, Antônio Augusto Aras, nomeado por Jair Bolsonaro, pediu hoje ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito criminal contra os organizadores dos protestos e carreatas ocorridos ontem (19 abril), pedindo o fechamento do Congresso, do STF e apelando para uma intervenção militar que ressuscite o AI-5. O pedido foi baseado na Lei de Segurança Nacional (LSN) dos tempos da ditadura (1983), que prevê pena de prisão por atos ou palavras que pretendam a derrubada do regime constitucional.

                                   O pedido foi feito em caráter sigiloso, omitindo ao público o nome dos acusados. Alega-se “segredo de justiça”. Na lista de suspeitos estão políticos com mandato eletivo, lideranças do movimento ultraconservador sem mandato e um grupo de empresários que financia a proposta de quebra das leis e da Constituição. O documento foi entregue hoje (20 abril) na secretaria do STF. A PGR diz que tais pessoas já foram identificadas por vídeo e fotografias.

                                   Evidentemente, Brasília não é um lugar que guarde segredos. A lista já vazou para a imprensa especializada. E já sabemos que o presidente Bolsonaro, que participou de corpo presente em um dos protestos, na porta do quartel-general do Exército, em Brasília, tossindo muito e afirmando que “não vamos negociar nada”, não foi citado no pedido de inquérito. Isto lança uma enorme suspeita sobre o tal inquérito.

                                   O presidente do STF, ministro Dias Toffoli, gravou um depoimento, exibido pela Globonews, afirmando que o país não vai tolerar tamanho desacato às instituições. Condenou o populismo e o fundamentalismo. Mas não citou Bolsonaro, cujo discurso em praça pública foi um acinte à República. No subtexto deu a entender que vai aceitar o pedido de inquérito criminal.

                                   E nós, o populacho em geral, vamos ficar sem entender a linguagem burocrático-jurídica das elites.  

  

  

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Coronavírus nos presídios: governo de São Paulo diz que adotou medidas especiais para evitar a contaminação: 48 presos e 57 funcionários foram isolados. As visitas continuam suspensas.

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Medidas especiais para evitar o vírus nos presídios. Imagem do portal R7.

                                    O governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), informa que está adotando medidas excepcionais para proteger detentos e servidores da pandemia de coronavírus. Respondendo a um questionário apresentado pela equipe deste site, esclarece que 48 presos suspeitos de contaminação estão afastados do convívio com os demais, enquanto aguardam o resultado dos testes de detecção do vírus. A SAP também informa que 57 funcionários do sistema prisional estão em quarentena domiciliar por apresentarem sintomas da Covid-19. Um desses servidores teve a doença confirmada.

                                   A suspensão total das visitas foi determinada pela justiça, depois que o Ministério Público entrou com ações exigindo o isolamento dos presídios. A decisão judicial não tem prazo para se encerrar. Os detentos que dão entrada no sistema também são mantidos afastados da massa carcerária.

                                   A seguir, a íntegra da nota da Secretaria de Administração Penitenciária:

                                   “A Secretaria da Administração Penitenciária segue as determinações do Centro de Contingência do coronavírus e avalia permanente o direcionamento de ações para o enfrentamento do problema. Além das medidas de higiene e distanciamento preconizados pelos órgãos de saúde, foram suspensas as atividades coletivas; realizada a busca ativa para casos similares ao COVID-19; a limpeza das áreas foi intensificada; a entrada de qualquer pessoa alheia ao corpo funcional foi restringida; foi determinada a quarentena para os presos que entram no sistema prisional: realizado o monitoramento dos grupos de risco; aquisição de termômetros infravermelhos e de oxímetro digital portátil; ampliação na distribuição de produtos de higiene, álcool em gel e sabonete; distribuição de EPIs como máscaras; horários alternados no refeitório e filas com distância de 1,5 m.

 Todo servidor com suspeita de diagnóstico do COVID-19 está devidamente afastado sob medidas de isolamento em sua residência, conforme orientações do Comitê de Contingência do coronavírus e a Secretaria acompanha seu quadro clínico, fornecendo todo o suporte necessário para sua recuperação. Até o momento, apenas um caso de servidor foi confirmado para COVID-19 e há outros 56 servidores afastados das suas atividades.

Nos casos suspeito entre os presos, o paciente é isolado e a Vigilância Epidemiológica local é contatada. Os servidores que estarão em contato com o paciente, sejam da área de segurança ou saúde, deverão usar mecanismos de proteção padrão como máscaras e luvas descartáveis. Se confirmado o diagnóstico, além de continuar seguindo os procedimentos descritos acima, o preso será mantido em isolamento na enfermaria durante todo o período de tratamento. Neste momento, não há nenhum preso com a doença confirmada. Outros 48 detentos estão isolados aguardando resultados de testes.

Informamos ainda que em 20/03, o Ministério Público (MPSP) ingressou com ações, em algumas regiões do estado, solicitando a proibição de visitas aos presos das respectivas áreas. O Poder Judiciário acolheu aos pedidos e concedeu a tutela antecipada, não permitindo a visitação. Por fim, nova demanda, também acolhida pelo Poder Judiciário, determinou a suspensão das visitas em todo o estado. A Pasta deu cumprimento às decisões judiciais e o assunto será objeto de análise pela Procuradoria Geral do Estado. Tendo em vista que a proibição foi estipulada pela Justiça, a SAP não possui um prazo para que ela seja encerrada.

                                   A administração dos presídios deixou de respondem algumas das questões que colocamos, como o número de médicos e auxiliares de saúde que estão atendendo presos e servidores do sistema. Também não esclareceu que tipo de atendimento será oferecido em caso de confirmação da Covid-19. Internação em hospitais estaduais, hospitais de campanha? O mais importante: não esclareceu como foi a liberação dos prisioneiros para os feriados da Páscoa nem o que vai fazer com eles na volta.

                                    

 

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Banco Mundial projeta queda de 5% no PIB brasileiro e ameaça reinado de Paulo Guedes, o banqueiro que quer queimar as reservas cambiais do país.

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Paulo Guedes, um ministro sem ministério. . Imagem do portal O Globo.

                         O Banco Mundial anunciou que o PIB do Brasil, a soma de todos os produtos e serviços do país, deve cair 5% este ano. Se isto for verdade, será o pior resultado em muitas décadas, com consequências nefastas para o consumo, a indústria e o comércio. A maior vítima da depressão econômica será o emprego e a atividade informal, que pode levar a falta de trabalho e rende para milhões de pessoas. Uma tragédia social raramente vista no pós-guerra.

                         Os economistas dizem que o desemprego atual atinge 11,5 milhões de brasileiros A atividade econômica informal ameaçada pela pandemia soma outros 20 milhões. Isto forma cenário ideal para um desastre social de grandes proporções. Sem falar em outros 13 milhões de paisanos que passam fome no Patropi. É o caldeirão do Diabo. Enquanto isso, o ministro Paulo Guedes faz discursos para empresários por videoconferência, tentando convencê-los de que é preciso voltar todos ao trabalho. Disse que se a situação não se normalizar até junho, o dano será um  PIB de 4% no vermelho.

                         Guedes não se reúne com sindicatos nem organizações da sociedade, tipo OAB ou CNBB. Talvez, na opinião do ministro, sejam todos oposicionistas. Pior: talvez sejam entidades infiltradas pelos comunistas e inimigos da democracia. A mídia, então, nem se fala. O núcleo duro do governo, o segmento mais ideológico, imagina que a família Marinho, proprietária do Grupo Globo, não passa de subversivos. O Doutor Roberto deve dar cambalhotas no túmulo. Nas redes sociais esse pessoal chama Willian Bonner de comunista. Pobre Bonner, nunca viu nem a lombada de O Capital.

                         Mas o fato é esse: o governo usa um arsenal de bobagens para escamotear a realidade. Guedes chegou a dizer: “quando estávamos decolando, fomos atropelados pela crise mundial”. No entanto, a previsão oficial do PIB no segundo ano de governo era de 0,02%. Além do mais, o presidente infantil do Brasil brinca com a pandemia e é mundialmente execrado. Todo o prestígio global conquistado por FHC e Lula foi jogado no lixo. E com o respeito vieram equidistância diplomática e facilidades comerciais. Agora agredimos a China, o maior parceiro comercial do país, responsável pelo superávit da balança externa. Só para agradar o paspalho do Norte, Donald Trump, que caga solenemente para os interesses brasileiros.

                         Já sabíamos que o bolsonarismo representava um nacionalista baseado no fundamentalismo evangélico, com toda sorte de besteiras, inclusive a recusa em dar vacinas para as crianças (porque só a fé salva) e a abstinência sexual para os jovens (porque sexo é para a reprodução após o casamento). Trata-se de um recuo cultural para o século 17, no mínimo. De outra parte, o movimento de ultradireita preconizava o alinhamento automático com os EUA na luta contra o comunismo. Qual?

                         Antes se dizia que o Brasil era uma ilha de paz e bem-aventurança em um mar de conflitos. Agora somos uma ilha à deriva em um mar de coronavírus. Temos mais de mil mortos e algo próximo de 20 mil contaminados. Mas os especialistas garantem que pode ser apenas 10% dos números reais. E agora o ministro Paulo Guedes quer queimar as reservas cambiais do país para pagar a dívida internam, favorecendo os bancos privados, com um suposto investimento no combate ao Covid 19.

                         Acredite quem quiser!  

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Moro confirma: 1º caso de coronavírus no sistema prisional foi em Belém (PA). O país tem cerca de 1,5 mil institutos penais e mais de 270 mil prisioneiros. Uma tragédia anunciada.

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O caos nos presídios brasileiros. Foto Agência Brasil.

                                    O ministro Sérgio Moro confirmou há dois dias (8 abril) o surgimento do primeiro caso de coronavírus no sistema prisional. O detento infectado cumpre pena no regime semiaberto em Belém do Pará. O governo local isolou o preso, mas a ameaça é grave para toda a massa carcerária do país. Em São Paulo, a Secretaria de Assuntos penitenciários (SAP) também confirmou um caso, envolvendo um servidor que estava de férias. Fora isso, silêncio total.

                                   Em 17 de março, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recomendou a liberação de todos os presos de baixa periculosidade, inclusive as mulheres que tenham filhos menores em casa. Não se sabe ao certo quantos seriam beneficiados com a decisão, mas um número provável estaria entre 40 e 60 mil prisioneiros. A prática das “saidinhas” de feriados, quatro por ano, revela que 10% dos condenados somem, não voltam espontaneamente às celas. A metade destes volta a delinquir, especialmente no roubo armado e no tráfico. Mas, diante da pandemia, que já matou mais de 1.000 brasileiros, seria uma medida humanitária.  

                                   O ministro Moro é contra a liberação em massa de detentos. Acredita, com certa razão, que pode ocorrer uma explosão de violência nas ruas. No entanto, não há um projeto de combate ao vírus no interior das cadeias superlotadas. Até as pedras do calçamento sabem que as condições sanitárias nas cadeias são deploráveis. Há dezenas de milhares de miseráveis amontoados em cubículos sem janelas. Evidentemente, não se trata de discutir aqui as condições econômico-sociais da criminalidade. Sou favorável à revisão e endurecimento das leis penais, porque não tem cabimento que alguém que tenha assassinado os pais passe o dia das mães em liberdade. Mas estamos diante da perspectiva de um genocídio nas prisões.

                                   Alguém mais inteligente do que eu, cujo nome não lembro, talvez um pensador francês, já disse que a medida da civilização está na forma como tratamos os nossos prisioneiros. Sejam eles de guerra – ou de crimes domésticos.  

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Bolsonaro não sabe o que faz e morre pela boca. Mas quem acha que o governo vai cair amanhã está redondamente enganado.

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Bolsonaro desdenha da tragédia. Imagem do Portal do Cerrado.

                                Quem acha que o Bozo já era, engana-se. Jair Messias Bolsonaro, eleito pelo voto livre e direto em 2018, tendo recebido aproximadamente 57 milhões de sufrágios (do total de 140 milhões de eleitores do país) é um presidente legítimo. Não há como negar. Representa justamente isso, mais ou menos 40% do país religioso, ultraconservador, onde as desigualdades sociais e econômicas são aceitas como uma espécie de vontade de Deus. Um país ao Sul do Equador onde supostamente existe uma “democracia racial”, mentira historicamente consagrada no Patropi. Aqui, pobre é pobre por vontade divina. Rico é rico, idem.

                                   Antes, havia casa grande e senzala, como se fosse uma coisa natural. Depois, sobrados e mocambos. Agora, condomínios e favelas. Como se fosse obra típica de um povo que miscigenou o europeu mais atrasado de todos, com o índio indolente e o negro preguiçoso. O próprio vice-presidente da República, o general Hamilton Mourão, chegou a descrever a gêneses do brasileiro nesses termos, em palestra pública que teria sido divulgada fora de contexto. Portanto, a eleição de um tenente do Exército processado pelos próprios pares por terrorismo (ou tentativa), que passou 28 anos na Câmara dos Deputados, sufragado pelo Rio de Janeiro, tendo apresentado apenas 2 projetos que não foram aprovados, tornou-se o maior mandatário da Nação.

                                   Olhando historicamente, parece a tragédia de sempre. Bolsonaro sofreu um atentado, levou uma facada na barriga. Tinha apenas 10 segundos de tempo na propaganda eleitoral gratuita. Não foi a nenhum debate na televisão. Desmoralizou todos os marqueteiros do país. A eleição dele lembra a de Jânio Quadros, cujo lema também era o combate à corrupção. “Varre, varre, varre vassourinha”. Era o mote da campanha eleitoral do paulista que ficaria poucos meses no poder. Meu pai, funcionário de carreira do Banco do Brasil, dizia: “Esse maluco vai resolver o Brasil”. Foi eleito contra tudo e contra todos, mas não resolveu nada.

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As ruas não estão mais desertas como há uma semana. Imagem O Globo.

                                   Bolsonaro e Jânio são parecidos. O tenente, promovido a capitão após a baixa mais ou menos desonrosa, foi escolhido como o Messias que traz no nome próprio. O brasileiro tem essa mania de querer um salvador da Pátria, apesar de que essa coisa não existe. Venceu a eleição contra o PT de Fernando Haddad, por quase 10 milhões de votos. Vitória inquestionável. Mas Bolsonaro não sabia o que fazer em seguida.

                                   Declarou que não entendia de economia e nomeou o banqueiro Paulo Guedes como ministro da área. Hoje (8 abril) o presidente do Bradesco disse à imprensa que o PIB do Brasil pode encolher ao menos 4 por cento. Ou seja: uma catástrofe! Por outro lado, Guedes quer utilizar as reservas cambiais do país (387 bilhões de dólares duramente conquistados por FHC e Lula) para pagar títulos da dívida pública. Ou seja: dinheiro para os bancos. Paulo Guedes não nega as origens no sistema financeiro. Agora, com a pandemia, a equipe econômica do governo não consegue nem distribuir 600 reais para o povo. Criou tamanho aparato burocrático, que a mesada não vai chegar a quem precisa. O pior obstáculo é que o sujeito tem que ter o CPF limpo, mas o país tem 60 milhões de inadimplentes com o CPF queimado.

                                   Bolsonaro se recusa a aceitar que o coronavírus é uma ameaça para o brasileiro. (Em números de hoje: 800 mortos e 15 mil contaminados.) Ele contraria a opinião de todos e já foi chamado de “o homem mais perigoso do mundo” por um jornal suíço. Fez pronunciamentos na televisão estimulando as pessoas a romper a quarentena, insinuando que emprego é mais importante que a vida. Virou garoto propaganda de um remédio (cloraquina) que é produzido por uma das empresas de Donald Trump, segundo denunciou o The New York Times.  

                                   Para completar, Bolsonaro teve uma crise de ciúmes de seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e ameaçou demiti-lo. No bate-rebate, o médico se tornou mais popular que Lula, Luciano Huck e o próprio Bolsonaro. Estabelecida a confusão, o segmento militar do governo, liderado pelo general Braga Netto, teve que intervir para reduzir os danos à imagem do próprio presidente e emprestar firmeza ao governo. Ao mesmo tempo, Congresso e STF ameaçam derrubar qualquer decreto para pôr fim à quarentena.  

                                   Mas, retomando a frase que inaugurou este artigo, se engana quem acha que o Bozo já era! Ele tem apoio de uma parte significativa da classe média e de uma fatia expressiva dos evangélicos. É sustentado por grande número de empresários do varejo, apesar de que as grandes empresas estão se afastando ou já se afastaram dele. O presidente do Bradesco diz que o país vai para a depressão econômica – e o presidente da GM diz que as empresas vão quebrar por falta de liquidez. Muitos economistas afirmam que a crise é alimentada pela ausência de harmonia no executivo e pela falta de juízo do presidente.

                                   Mas, anda assim, o sistema prefere esse modelo enlouquecido à volta das esquerdas, a menos que o lucro capitalista seja ameaçado. Paulo Guedes e Bolsonaro continuam, com ajuda do Congresso, a cultivar planos contra os trabalhadores e pela redução dos direitos. Se puderem, farão outra Constituição.

                                   Apesar da tragédia da pandemia, a população demonstra sensibilidade com a posição de Jair Bolsonaro. A quarentena está sendo rompida espontaneamente, porque as pessoas precisam comer. E o plano de emergência do governo parece fadado ao fracasso.  Simples assim.                     

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Folha de S. Paulo: “Bolsonaro diz ter vontade de baixar decreto para população poder trabalhar”. OMS: “Mundo tem 700 mil contaminados, com 150 mil recuperados e mais de 33 mil mortos”. E o resto é bobagem ou total irresponsabilidade.

                                   O presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, quer porque quer liberar as pessoas para sair às ruas e voltar a trabalhar. Contraria a opinião de todo o mundo civilizado, que chora a morte de mais de 30 mil vitimas do coronavírus. Quase todos os países do mundo já concluíram que o confinamento residencial é a única forma de prevenção. Mas, no Patropi, o mandatário da Nação é tosco e acredita que manda mais do que o vírus que não reconhece fronteiras. Cercado por uma chusma de idiotas e fanáticos fundamentalistas, está cada vez mais isolado.

                                   Sem articulação política, desmentido pelos próprios órgãos oficiais e pressionado pelo militares, que não querem servir de massa de manobra, Bolsonaro tenta governar por decretos. Ele acha que tem a caneta mágica. Quando tentou mudar a Lei de Acesso à Informação, poderoso instrumento democrático, querendo que não haja prazo para respostas por falta de funcionários, foi barrado pela Suprema Corte. Dizem as más línguas que pretendia esconder os resultados dos seus testes médicos sobre o coronavírus. Será? Nesse país de meu Deus, tudo é possível.

                                   Bolsonaro diz ter sido um atleta. Mas, depois da facada, é fato duvidoso. Aparentemente não tem sintomas do vírus, só que abusa do convívio social no Planalto e arredores. O presidente, pela postura desafiadora, fica na contramão do mundo inteiro. Um jornal suíço já publicou que ele é “o homem mais perigoso do mundo”. O alinhamento diplomático incondicional com Donald Trump, que inicialmente negou a importância da pandemia, também deu errado. Os Estados Unidos são agora o maior foco mundial da doença, com mais de 120 mil contaminados e milhares de mortos. Alguns estados americanos decretaram quarentena total. Bolsonaro pretende flexibilizar as medidas sanitárias e apoia protestos em nome de um “Brasil que não pode parar”.

                                   As atitudes de Bolsonaro beiram a insanidade. Estão além do que chamamos de populismo. Não é à toa que o meio jurídico pede exames de sanidade mental do presidente.  

                                   Quem viver, verá!       

 

    

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O vírus da morte nos presídios: especialistas afirmam que superpopulação e insalubridade podem provocar milhares de vítimas nas cadeias brasileiras.

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Presídios superlotados são um celeiro para o covid 19. Imagem do portal Rede Brasil Atual.

                                    Os sindicatos dos agentes e funcionários dos presidis de São Paulo denunciam: o coronavírus já está dentro das celas, levado por visitas, advogados e pelos próprios servidores do sistema penal. O governo paulista desmente, informando que estão sendo tomadas “todas as providências necessárias”. Mas não explica quais. Por acaso estão distribuindo álcool gel e barras de sabão para os detentos? Estão usando aparelhos para medir a temperatura dos aprisionados? A resposta a essas questões parece ser negativa.

                                   No estado de São Paulo há mais de 234 mil pessoas presas, para um total de 144 mil vagas. Um déficit de 61,5%, considerando os números do ultimo censo prisional de 2018 (ver Carta Capital do último dia 25 de março). Em outros estados o quadra é muito mais grave: na região norte, por exemplo, o déficit de 200%. O sistema penitenciário brasileiro e sabidamente um dos piores do mundo e já foi definido como “masmorras medievais”. Em muitos casos, os detentos estão abarrotados em celas sem janelas ou qualquer outro tipo de ventilação. Chegam a ficar em containers de ferro sob o sol tropical – ou dentro de viaturas policiais estacionadas nos pátios. Ou algemados nas paredes de distritos policiais.

                                   Tudo certo para um país que deseja a pena de morte ou o encarceramento em massa. Mas tudo errado para uma pandemia de vírus que não respeita fronteiras, idades ou regime político.  

                                   Tais condições carcerárias são ideais para que o coronavírus se alastre rapidamente, de dentro para fora das celas. Vale a pena destacar: mais de 10 mil prisioneiros são idosos e quase o dobro disso são portadores de diabetes, Aids e outras doenças crônicas, como bronquite aguda e até tuberculose. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recomenda penas alternativas, como prisão domiciliar para crimes leves e mulheres que têm filhos menores em casa, de modo a diminuir a superlotação. É uma medida humanitária, mas também uma estratégia para o enfrentamento da pandemia.

                                   O Ministro da Justiça e Segurança Pública, ex-juiz Sérgio Moro, é contra. Continua a preconizar encarceramento em massa e chegou a dizer que seria melhor suspender todas as visitas durante a quarentena. É um governo que não se entende: o presidente quer acabar com o confinamento e Moro quer estendê-lo às cadeias. Uma medida desvairada como essa – com certeza – vai provocar rebeliões em massa e um massacre nas prisões. Recentemente, o PCC ordenou a fuga em massa dos presos do regime semiaberto paulista: 1.400 deles deixaram as cadeias simultaneamente; mais de 600 ainda não foram recapturados.

                                   A temperatura nos presídios sobe a cada dia. Estamos no limiar de uma nova tragédia.  

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Coronavírus: governo insiste em suspensão de contratos de trabalho e redução de salários para salvar empresas; oferece 200 reais/mês aos trabalhadores informais. Militares alertam para o risco de confrontações sociais.

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Comandante do Exército diz que combate ao vírus é a grande missão. Foto de divulgação.

                                    No patético discurso que fez à Nação, querendo encerrar a quarentena contra o vírus, o presidente Jair Bolsonaro disse que o confinamento levaria ao caos econômico e social. Chegou a assinar um decreto declarando as igrejas como essenciais à sociedade e que, portanto, deveriam ficar abertas. Tenta agradar o segmento evangélico, único que ainda o apoia incondicionalmente. Bispos e pastores garantem que a pandemia é “maligna” e que a cura está na fé. Cultos evangélicos reúnem milhares de pessoas e podem se transformar em focos do covid 19. Mas o dízimo fala mais alto.

                                    O presidente deu a entender que o coronavírus só mata idosos e doentes. “Por que fechar as escolas?” – questionou o presidente. Incrível! Bolsonaro também disse que a paralisação da economia iria produzir confrontos. “O que aconteceu no Chile, comparado ao Brasil, vai ser fichinha”, ameaçou o presidente. Como nau desgarrada, navega na contramão do mundo e da história.

                                   O país cozinha enorme desigualdade social – e o caldeirão desta tragédia já possui todos os temperos para um grande conflito. Já há no país uma guerra civil não declarada, com 60 mil homicídios e 35 mil desaparecidos por ano. Somos campeões mundiais da matança. O que será que Bolsonaro quer dizer com o termo “conflito”. Certamente, se refere à agitação e violência nas ruas, à luz do dia. Quebra-quebra, saques e incêndios. É disso que se trata? Na periferia de São Paulo os saques já começaram nos últimos dois dias. A Secretaria da Segurança determinou rondas noturnas com forte aparato.

                                   O alto escalão das Forças Armadas, nesse tempo de pandemia, vem alertando que um quadro de ruptura da ordem institucional é possível e até provável. Temos 11,5 milhões de desempregados e outros 20 milhões de trabalhadores informais. Essa é a massa crítica. O governo acena com três meses de uma mesada de 200 reais para os trabalhadores, com dinheiro público. Não compra nem a cesta básica. O Congresso deve aumentar essa fortuna para 500 reais.

                                   Enquanto isso, o (des)ministro da economia, o banqueiro Paulo Guedes, reserva centenas de bilhões de reais para socorrer grandes empresas, supostamente para proteger empregos, e capitalizar os bancos. Capitalizar os bancos? Espera-se que as instituições financeiras façam empréstimos a juros baixos para pessoas físicas e empreendedores. Quanto? Cinco por cento ao mês – ou 60% ao ano, quando temos uma Selic de 3,5%. Os mais renomados economistas do país garantem que o Tesouro Nacional deveria abrir os cofres para salvar vidas e fortalecer o sistema de saúde pública, inclusive porque foi declarada calamidade publica no país, medida que libera o governo do controle fiscal.

                                    Os mais pessimistas acham que Bolsonaro aposta no esgarçamento social e na violência para dar um autogolpe com os militares. Parece que não é bem assim. Na última terça-feira (24 mar), o comandante-em-chefe do Exército, general Edson Pujol, contrariando as palavras do presidente, que falava em “gripezinha”, fez um pronunciamento afirmando que o combate ao coronavírus é “a mais importante missão da nossa geração”. Insistiu: “nesse momento de crise é que a nossa tropa deve manter a capacidade operacional e fazer a diferença”. O tom utilizado pelo general deixa claro que o Exército apoia a quarentena e as demais medidas sanitárias restritivas.

                                   Ao que tudo indica Bolsonaro não é uma unanimidade nem nos quartéis.

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O presidente, aconselhado pelo (des)ministro da economia e um grupo de empresários irresponsáveis, tentou suspender o pagamento de salários por 4 meses. Um tiro fatal no país.

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Presidente queria parar de pagar salários. Imagem Blasting News.

                                Na sexta-feira, em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro se reúne com um grupo de 11 empresários. Não se sabe se o encontro foi por videoconferência ou se foi presencial. No domingo, uma edição extra do Diário Oficial publica a medida provisória 927, autorizando a suspensão dos contratos de trabalho e dos salários por 4 meses. O (des)ministro da economia, o banqueiro Paulo Guedes, concorda ou estimula a medida. Em tempos de pandemia, seria uma sentença de morte para os trabalhadores brasileiros.

                                   Sob um tsunami de críticas, às duas da tarde de segunda, revoga a medida, que por si só já era inconstitucional. Parece uma pegadinha de “vai que cola”. Não colou. Antecipando o que poderia ser uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, declarou: “colocar o povo dentro de casa com medo e sem garantias é falta de discernimento”. O ministro pegou leve com Bolsonaro. A medida era um atentado contra a Nação.

                                   Tamanha insensibilidade não pode ser casual. Ou o presidente não tem uma assessoria competente, ou se trata de um plano macabro. Parar de pagar salários significa tirar o dinheiro de circulação, paralisando a economia real e provocando o caos social. Haveria uma quebradeira automática de comércio e serviços. Sem conseguir comprar os gêneros de primeira necessidade, a sobrevivência das pessoas estaria ameaçada. O primeiro resultado seriam saques aos mercados e violência generalizada. É isso que o governo pretende? Forçar a barra para um golpe militar com algum apoio civil?  Lançar o país de volta à ditadura? Custa acreditar.

                                   Bolsonaro já foi apontado como o pior governante do mundo em matéria de combate ao coronavírus, com afirmaram o Eurasian Groupe e a imprensa internacional. O Datafolha publicado hoje (23 mar) revela a queda de confiança da população no governo. Perguntado a esse respeito por uma jornalista, o capitão disse que a repórter deveria “ir às favas” e que o questionamento era “impatriótico”. Pensa ele em corporificara própria Pátria? Trata-se de insanidade, como afirmou o jurista Miguel Reale Jr, o mesmo que iniciou os processos de impeachment de Collor e Dilma?

                                   Ameaçado pela pandemia, colecionando 25 mortes ate agora e milhares de casos de covid 19, o país precisa de competência e serenidade. Jair Messias Bolsonaro não está ajudando em nada.

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