Bolsonaro não sabe o que faz e morre pela boca. Mas quem acha que o governo vai cair amanhã está redondamente enganado.

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Bolsonaro desdenha da tragédia. Imagem do Portal do Cerrado.

                                Quem acha que o Bozo já era, engana-se. Jair Messias Bolsonaro, eleito pelo voto livre e direto em 2018, tendo recebido aproximadamente 57 milhões de sufrágios (do total de 140 milhões de eleitores do país) é um presidente legítimo. Não há como negar. Representa justamente isso, mais ou menos 40% do país religioso, ultraconservador, onde as desigualdades sociais e econômicas são aceitas como uma espécie de vontade de Deus. Um país ao Sul do Equador onde supostamente existe uma “democracia racial”, mentira historicamente consagrada no Patropi. Aqui, pobre é pobre por vontade divina. Rico é rico, idem.

                                   Antes, havia casa grande e senzala, como se fosse uma coisa natural. Depois, sobrados e mocambos. Agora, condomínios e favelas. Como se fosse obra típica de um povo que miscigenou o europeu mais atrasado de todos, com o índio indolente e o negro preguiçoso. O próprio vice-presidente da República, o general Hamilton Mourão, chegou a descrever a gêneses do brasileiro nesses termos, em palestra pública que teria sido divulgada fora de contexto. Portanto, a eleição de um tenente do Exército processado pelos próprios pares por terrorismo (ou tentativa), que passou 28 anos na Câmara dos Deputados, sufragado pelo Rio de Janeiro, tendo apresentado apenas 2 projetos que não foram aprovados, tornou-se o maior mandatário da Nação.

                                   Olhando historicamente, parece a tragédia de sempre. Bolsonaro sofreu um atentado, levou uma facada na barriga. Tinha apenas 10 segundos de tempo na propaganda eleitoral gratuita. Não foi a nenhum debate na televisão. Desmoralizou todos os marqueteiros do país. A eleição dele lembra a de Jânio Quadros, cujo lema também era o combate à corrupção. “Varre, varre, varre vassourinha”. Era o mote da campanha eleitoral do paulista que ficaria poucos meses no poder. Meu pai, funcionário de carreira do Banco do Brasil, dizia: “Esse maluco vai resolver o Brasil”. Foi eleito contra tudo e contra todos, mas não resolveu nada.

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As ruas não estão mais desertas como há uma semana. Imagem O Globo.

                                   Bolsonaro e Jânio são parecidos. O tenente, promovido a capitão após a baixa mais ou menos desonrosa, foi escolhido como o Messias que traz no nome próprio. O brasileiro tem essa mania de querer um salvador da Pátria, apesar de que essa coisa não existe. Venceu a eleição contra o PT de Fernando Haddad, por quase 10 milhões de votos. Vitória inquestionável. Mas Bolsonaro não sabia o que fazer em seguida.

                                   Declarou que não entendia de economia e nomeou o banqueiro Paulo Guedes como ministro da área. Hoje (8 abril) o presidente do Bradesco disse à imprensa que o PIB do Brasil pode encolher ao menos 4 por cento. Ou seja: uma catástrofe! Por outro lado, Guedes quer utilizar as reservas cambiais do país (387 bilhões de dólares duramente conquistados por FHC e Lula) para pagar títulos da dívida pública. Ou seja: dinheiro para os bancos. Paulo Guedes não nega as origens no sistema financeiro. Agora, com a pandemia, a equipe econômica do governo não consegue nem distribuir 600 reais para o povo. Criou tamanho aparato burocrático, que a mesada não vai chegar a quem precisa. O pior obstáculo é que o sujeito tem que ter o CPF limpo, mas o país tem 60 milhões de inadimplentes com o CPF queimado.

                                   Bolsonaro se recusa a aceitar que o coronavírus é uma ameaça para o brasileiro. (Em números de hoje: 800 mortos e 15 mil contaminados.) Ele contraria a opinião de todos e já foi chamado de “o homem mais perigoso do mundo” por um jornal suíço. Fez pronunciamentos na televisão estimulando as pessoas a romper a quarentena, insinuando que emprego é mais importante que a vida. Virou garoto propaganda de um remédio (cloraquina) que é produzido por uma das empresas de Donald Trump, segundo denunciou o The New York Times.  

                                   Para completar, Bolsonaro teve uma crise de ciúmes de seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e ameaçou demiti-lo. No bate-rebate, o médico se tornou mais popular que Lula, Luciano Huck e o próprio Bolsonaro. Estabelecida a confusão, o segmento militar do governo, liderado pelo general Braga Netto, teve que intervir para reduzir os danos à imagem do próprio presidente e emprestar firmeza ao governo. Ao mesmo tempo, Congresso e STF ameaçam derrubar qualquer decreto para pôr fim à quarentena.  

                                   Mas, retomando a frase que inaugurou este artigo, se engana quem acha que o Bozo já era! Ele tem apoio de uma parte significativa da classe média e de uma fatia expressiva dos evangélicos. É sustentado por grande número de empresários do varejo, apesar de que as grandes empresas estão se afastando ou já se afastaram dele. O presidente do Bradesco diz que o país vai para a depressão econômica – e o presidente da GM diz que as empresas vão quebrar por falta de liquidez. Muitos economistas afirmam que a crise é alimentada pela ausência de harmonia no executivo e pela falta de juízo do presidente.

                                   Mas, anda assim, o sistema prefere esse modelo enlouquecido à volta das esquerdas, a menos que o lucro capitalista seja ameaçado. Paulo Guedes e Bolsonaro continuam, com ajuda do Congresso, a cultivar planos contra os trabalhadores e pela redução dos direitos. Se puderem, farão outra Constituição.

                                   Apesar da tragédia da pandemia, a população demonstra sensibilidade com a posição de Jair Bolsonaro. A quarentena está sendo rompida espontaneamente, porque as pessoas precisam comer. E o plano de emergência do governo parece fadado ao fracasso.  Simples assim.                     

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Folha de S. Paulo: “Bolsonaro diz ter vontade de baixar decreto para população poder trabalhar”. OMS: “Mundo tem 700 mil contaminados, com 150 mil recuperados e mais de 33 mil mortos”. E o resto é bobagem ou total irresponsabilidade.

                                   O presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, quer porque quer liberar as pessoas para sair às ruas e voltar a trabalhar. Contraria a opinião de todo o mundo civilizado, que chora a morte de mais de 30 mil vitimas do coronavírus. Quase todos os países do mundo já concluíram que o confinamento residencial é a única forma de prevenção. Mas, no Patropi, o mandatário da Nação é tosco e acredita que manda mais do que o vírus que não reconhece fronteiras. Cercado por uma chusma de idiotas e fanáticos fundamentalistas, está cada vez mais isolado.

                                   Sem articulação política, desmentido pelos próprios órgãos oficiais e pressionado pelo militares, que não querem servir de massa de manobra, Bolsonaro tenta governar por decretos. Ele acha que tem a caneta mágica. Quando tentou mudar a Lei de Acesso à Informação, poderoso instrumento democrático, querendo que não haja prazo para respostas por falta de funcionários, foi barrado pela Suprema Corte. Dizem as más línguas que pretendia esconder os resultados dos seus testes médicos sobre o coronavírus. Será? Nesse país de meu Deus, tudo é possível.

                                   Bolsonaro diz ter sido um atleta. Mas, depois da facada, é fato duvidoso. Aparentemente não tem sintomas do vírus, só que abusa do convívio social no Planalto e arredores. O presidente, pela postura desafiadora, fica na contramão do mundo inteiro. Um jornal suíço já publicou que ele é “o homem mais perigoso do mundo”. O alinhamento diplomático incondicional com Donald Trump, que inicialmente negou a importância da pandemia, também deu errado. Os Estados Unidos são agora o maior foco mundial da doença, com mais de 120 mil contaminados e milhares de mortos. Alguns estados americanos decretaram quarentena total. Bolsonaro pretende flexibilizar as medidas sanitárias e apoia protestos em nome de um “Brasil que não pode parar”.

                                   As atitudes de Bolsonaro beiram a insanidade. Estão além do que chamamos de populismo. Não é à toa que o meio jurídico pede exames de sanidade mental do presidente.  

                                   Quem viver, verá!       

 

    

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O vírus da morte nos presídios: especialistas afirmam que superpopulação e insalubridade podem provocar milhares de vítimas nas cadeias brasileiras.

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Presídios superlotados são um celeiro para o covid 19. Imagem do portal Rede Brasil Atual.

                                    Os sindicatos dos agentes e funcionários dos presidis de São Paulo denunciam: o coronavírus já está dentro das celas, levado por visitas, advogados e pelos próprios servidores do sistema penal. O governo paulista desmente, informando que estão sendo tomadas “todas as providências necessárias”. Mas não explica quais. Por acaso estão distribuindo álcool gel e barras de sabão para os detentos? Estão usando aparelhos para medir a temperatura dos aprisionados? A resposta a essas questões parece ser negativa.

                                   No estado de São Paulo há mais de 234 mil pessoas presas, para um total de 144 mil vagas. Um déficit de 61,5%, considerando os números do ultimo censo prisional de 2018 (ver Carta Capital do último dia 25 de março). Em outros estados o quadra é muito mais grave: na região norte, por exemplo, o déficit de 200%. O sistema penitenciário brasileiro e sabidamente um dos piores do mundo e já foi definido como “masmorras medievais”. Em muitos casos, os detentos estão abarrotados em celas sem janelas ou qualquer outro tipo de ventilação. Chegam a ficar em containers de ferro sob o sol tropical – ou dentro de viaturas policiais estacionadas nos pátios. Ou algemados nas paredes de distritos policiais.

                                   Tudo certo para um país que deseja a pena de morte ou o encarceramento em massa. Mas tudo errado para uma pandemia de vírus que não respeita fronteiras, idades ou regime político.  

                                   Tais condições carcerárias são ideais para que o coronavírus se alastre rapidamente, de dentro para fora das celas. Vale a pena destacar: mais de 10 mil prisioneiros são idosos e quase o dobro disso são portadores de diabetes, Aids e outras doenças crônicas, como bronquite aguda e até tuberculose. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recomenda penas alternativas, como prisão domiciliar para crimes leves e mulheres que têm filhos menores em casa, de modo a diminuir a superlotação. É uma medida humanitária, mas também uma estratégia para o enfrentamento da pandemia.

                                   O Ministro da Justiça e Segurança Pública, ex-juiz Sérgio Moro, é contra. Continua a preconizar encarceramento em massa e chegou a dizer que seria melhor suspender todas as visitas durante a quarentena. É um governo que não se entende: o presidente quer acabar com o confinamento e Moro quer estendê-lo às cadeias. Uma medida desvairada como essa – com certeza – vai provocar rebeliões em massa e um massacre nas prisões. Recentemente, o PCC ordenou a fuga em massa dos presos do regime semiaberto paulista: 1.400 deles deixaram as cadeias simultaneamente; mais de 600 ainda não foram recapturados.

                                   A temperatura nos presídios sobe a cada dia. Estamos no limiar de uma nova tragédia.  

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Coronavírus: governo insiste em suspensão de contratos de trabalho e redução de salários para salvar empresas; oferece 200 reais/mês aos trabalhadores informais. Militares alertam para o risco de confrontações sociais.

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Comandante do Exército diz que combate ao vírus é a grande missão. Foto de divulgação.

                                    No patético discurso que fez à Nação, querendo encerrar a quarentena contra o vírus, o presidente Jair Bolsonaro disse que o confinamento levaria ao caos econômico e social. Chegou a assinar um decreto declarando as igrejas como essenciais à sociedade e que, portanto, deveriam ficar abertas. Tenta agradar o segmento evangélico, único que ainda o apoia incondicionalmente. Bispos e pastores garantem que a pandemia é “maligna” e que a cura está na fé. Cultos evangélicos reúnem milhares de pessoas e podem se transformar em focos do covid 19. Mas o dízimo fala mais alto.

                                    O presidente deu a entender que o coronavírus só mata idosos e doentes. “Por que fechar as escolas?” – questionou o presidente. Incrível! Bolsonaro também disse que a paralisação da economia iria produzir confrontos. “O que aconteceu no Chile, comparado ao Brasil, vai ser fichinha”, ameaçou o presidente. Como nau desgarrada, navega na contramão do mundo e da história.

                                   O país cozinha enorme desigualdade social – e o caldeirão desta tragédia já possui todos os temperos para um grande conflito. Já há no país uma guerra civil não declarada, com 60 mil homicídios e 35 mil desaparecidos por ano. Somos campeões mundiais da matança. O que será que Bolsonaro quer dizer com o termo “conflito”. Certamente, se refere à agitação e violência nas ruas, à luz do dia. Quebra-quebra, saques e incêndios. É disso que se trata? Na periferia de São Paulo os saques já começaram nos últimos dois dias. A Secretaria da Segurança determinou rondas noturnas com forte aparato.

                                   O alto escalão das Forças Armadas, nesse tempo de pandemia, vem alertando que um quadro de ruptura da ordem institucional é possível e até provável. Temos 11,5 milhões de desempregados e outros 20 milhões de trabalhadores informais. Essa é a massa crítica. O governo acena com três meses de uma mesada de 200 reais para os trabalhadores, com dinheiro público. Não compra nem a cesta básica. O Congresso deve aumentar essa fortuna para 500 reais.

                                   Enquanto isso, o (des)ministro da economia, o banqueiro Paulo Guedes, reserva centenas de bilhões de reais para socorrer grandes empresas, supostamente para proteger empregos, e capitalizar os bancos. Capitalizar os bancos? Espera-se que as instituições financeiras façam empréstimos a juros baixos para pessoas físicas e empreendedores. Quanto? Cinco por cento ao mês – ou 60% ao ano, quando temos uma Selic de 3,5%. Os mais renomados economistas do país garantem que o Tesouro Nacional deveria abrir os cofres para salvar vidas e fortalecer o sistema de saúde pública, inclusive porque foi declarada calamidade publica no país, medida que libera o governo do controle fiscal.

                                    Os mais pessimistas acham que Bolsonaro aposta no esgarçamento social e na violência para dar um autogolpe com os militares. Parece que não é bem assim. Na última terça-feira (24 mar), o comandante-em-chefe do Exército, general Edson Pujol, contrariando as palavras do presidente, que falava em “gripezinha”, fez um pronunciamento afirmando que o combate ao coronavírus é “a mais importante missão da nossa geração”. Insistiu: “nesse momento de crise é que a nossa tropa deve manter a capacidade operacional e fazer a diferença”. O tom utilizado pelo general deixa claro que o Exército apoia a quarentena e as demais medidas sanitárias restritivas.

                                   Ao que tudo indica Bolsonaro não é uma unanimidade nem nos quartéis.

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O presidente, aconselhado pelo (des)ministro da economia e um grupo de empresários irresponsáveis, tentou suspender o pagamento de salários por 4 meses. Um tiro fatal no país.

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Presidente queria parar de pagar salários. Imagem Blasting News.

                                Na sexta-feira, em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro se reúne com um grupo de 11 empresários. Não se sabe se o encontro foi por videoconferência ou se foi presencial. No domingo, uma edição extra do Diário Oficial publica a medida provisória 927, autorizando a suspensão dos contratos de trabalho e dos salários por 4 meses. O (des)ministro da economia, o banqueiro Paulo Guedes, concorda ou estimula a medida. Em tempos de pandemia, seria uma sentença de morte para os trabalhadores brasileiros.

                                   Sob um tsunami de críticas, às duas da tarde de segunda, revoga a medida, que por si só já era inconstitucional. Parece uma pegadinha de “vai que cola”. Não colou. Antecipando o que poderia ser uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, declarou: “colocar o povo dentro de casa com medo e sem garantias é falta de discernimento”. O ministro pegou leve com Bolsonaro. A medida era um atentado contra a Nação.

                                   Tamanha insensibilidade não pode ser casual. Ou o presidente não tem uma assessoria competente, ou se trata de um plano macabro. Parar de pagar salários significa tirar o dinheiro de circulação, paralisando a economia real e provocando o caos social. Haveria uma quebradeira automática de comércio e serviços. Sem conseguir comprar os gêneros de primeira necessidade, a sobrevivência das pessoas estaria ameaçada. O primeiro resultado seriam saques aos mercados e violência generalizada. É isso que o governo pretende? Forçar a barra para um golpe militar com algum apoio civil?  Lançar o país de volta à ditadura? Custa acreditar.

                                   Bolsonaro já foi apontado como o pior governante do mundo em matéria de combate ao coronavírus, com afirmaram o Eurasian Groupe e a imprensa internacional. O Datafolha publicado hoje (23 mar) revela a queda de confiança da população no governo. Perguntado a esse respeito por uma jornalista, o capitão disse que a repórter deveria “ir às favas” e que o questionamento era “impatriótico”. Pensa ele em corporificara própria Pátria? Trata-se de insanidade, como afirmou o jurista Miguel Reale Jr, o mesmo que iniciou os processos de impeachment de Collor e Dilma?

                                   Ameaçado pela pandemia, colecionando 25 mortes ate agora e milhares de casos de covid 19, o país precisa de competência e serenidade. Jair Messias Bolsonaro não está ajudando em nada.

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Crise com a China coloca agronegócio na oposição a Bolsonaro. O país asiático é o maior comprador de grãos e carnes do Brasil. A direita se divide.

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Eduardo Bolsonaro, o pivô da crise. Imagem de divulgação.

                         Governo chinês reage indignado às declarações de Eduardo Bolsonaro, que acusou o maior parceiro comercial do Brasil de ser o responsável pela pandemia do coronavírus. Eduardo Bananinha, como foi definido pelo vice Mourão, aparentemente acredita que a crise sanitária mundial é uma espécie de complô comunista para abalar o Ocidente. O ministro das Relações Exteriores, que deveria baixar a bola, secundou o caçula Bolsonaro e exigiu retratação do governo chinês. Não deve se tratar apenas de burrice política e diplomática: deve ter sido uma declaração para desviar a opinião pública do crescente desgaste do presidente, que encara protestos em todo o país.

                                   Como sabemos, a China é o maior comprador de produtos brasileiros, responsável pelo saldo positivo da balança comercial. Uma retaliação dos chineses a nível  de negócios seria fatal para a combalida economia brasileira. Os Bolsonaros desconhecem essa realidade? Não! Foi de proposto. A manobra é clássica no xadrez da política: governos ameaçados internamente procuram fatores externos para escamotear a crise. Mas, neste caso, as consequências podem ser terríveis. Um boicote chinês às exportações de carne brasileiras, por exemplo, com uma desculpa sanitária (tipo febre aftosa no rebanho), poderia levar os produtores à bancarrota, já que o consumo interno não dá conta do recado.

                                   Além da reação da opinião pública e do bombardeio da mídia, a base de apoio político do regime já se vê ameaçada pela reação do agronegócio. Os produtores rurais, proprietários da maior bancada parlamentar e de imensos currais eleitorais, já estão na oposição? Parece que sim. Afinal de contas, apesar do apoio explícito, o governo não lhes deu nada além do que já tinham, a não ser uma flexibilização das políticas ambientais e indígenas. Mas isto é uma faca de dois gumes, porque os importadores europeus exigem comportamentos politicamente corretos em ambos os quesitos. Caso contrário, a opinião pública deles se volta contra os seus próprios governos.

                                   No Brasil, a pandemia e a atuação grotesca de Bolsonaro, à beira a loucura, dividem inclusive a direita. Fora o segmento ideológico numericamente modesto e radical, a maior parte se atém ao resultado econômico (pífio) e não quer saber de adesão incondicional. Além do mais, a classe média, responsável pela eleição do presidente com base no ódio ao PT e a Lula, caminha para uma oposição barulhenta. Vide os panelaços que sacudiram o país.

                                   É bom lembrar: Bolsonaro se elegeu com 39% dos mais de 140 milhões de eleitores. Portanto, não é uma unanimidade nacional. Assustado, o Congresso já discute, em voz baixa, o adiamento das eleições municipais. O voto é a arma do povo!                                  

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Coronavírus: PCC ordena fuga em massa de presos do regime semiaberto em São Paulo. Cancelamento de visitas e ameaça à “saidinha” da Páscoa aumentam a tensão no sistema penal.

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Presos fogem em massa.. Imagem da Internet.

                                   No início da noite desta segunda-feira (16 mar), houve início de rebeliões em 15 cadeias paulistas, apesar de o governo estadual só admitir quatro. Centenas de presos do semiaberto fugiram atropeladamente e não encontraram resistência. Algo dessas proporções (fala-se em mil fugas ao mesmo tempo) jamais aconteceu no Estado. O movimento foi desencadeado pelo medo de contaminação com o coronavírus e porque não há nenhuma orientação oficial a respeito da pandemia nas cadeias.

                                   O motivo principal, no entanto, é a ameaça de cancelamento do indulto da Páscoa, quando milhares de detentos passam uma semana com as famílias. Cinco vezes por ano ocorrem esses indultos (Natal e Ano Novo, dias dos pais e das mães e a Páscoa), sendo que a cada vez 10% dos beneficiados não voltam. O governo paulista não reconhece, mas o comentário geral é o de que o PCC, a maior organização criminosa do país, teria ordenado um “salve geral” no regime semiaberto.

                                   Há mais um problema: as autoridades querem transferir para presídios federais 23 líderes do motim iniciado ontem, já identificados como integrantes do PCC. Se a Páscoa dos detentos for cancelada, pode haver uma revolta em larga escala.   

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Polícia investiga movimento neonazista em São Paulos. Três grupos, reunindo mais de 100 militantes, já foram identificados.

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Cresce movimento neonazista no Brasil. Imagem da Internet.

O clima geral de intolerância no país, a crise econômica, o desemprego e a postura ultradireitista do governo têm criado um cenário propício ao surgimento de grupos radicais. Na região metropolitana de São Paulo, observamos o surgimento de simpatizantes do extremismo islâmico e a expansão do neonazismo. O fenômeno é visto especialmente na baixa classe média, duramente atingida pela falta de oportunidades de emprego, e nos setores pauperizados, onde a escolaridade é muito baixa e a atividade profissional é o “bico”, o improviso e até os pequenos delitos.

Em 2016, com ajuda do governo americano, foram identificados ao menos dois grupos de simpatizantes do ISIS (Estado Islâmico) no país, um deles na Grande São Paulo. Foram aproximadamente 16 presos. Processados pela nova lei antiterrorismo do governo Dilma, foram sentenciados em tempo recorde pela justiça. Um desses jovens, Valdir Pereira da Rocha, 36 anos, foi linchado e morto por outros detentos na Cadeia Pública de Vargem Grande (MS), em 14 de outubro daquele ano.

Poucos meses depois, policiais da Delegacia de Repressão a Crimes Raciais e Delitos de Intolerância de São Paulo anunciavam forte crescimento dos grupos neonazistas na região. Três estavam identificados: Kombat Rac, o maior deles; o Front 88; e Impacto Hooligan. A delegacia especializada fez buscas, apreendeu material de propaganda nazista e antissemita. Cento e dez integrantes das organizações extremistas foram fichados pela polícia e seus nomes estão agora no Infocrime.

Outros grupos, conhecidos como Carecas do ABC e Carecas do Subúrbio, reunindo centenas de adeptos, existem há mais de 30 anos e já se envolveram em centenas de episódios de violência. As vítimas preferenciais são da comunidade LGBT.

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Simpatizante do ISIS morto na prisão. Imagem da polícia civil de MS.

As investigações continuam até hoje. A polícia acredita que tais grupos, movidos pelo ódio racial e a intolerância, tenham crescido anda mais. Esses jovens desajustados da periferia agora encontram interlocutores nos altos escalões da República.

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Bolsonaro rejeita opinião dos militares e apoia ataque americano que matou o general Suleimani. Ao aprovar ação de Trump, pôs em risco uma das maiores parcerias comerciais do país e a segurança nacional.

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Morte do general provoca protestos em todo Oriente Médio;

 

                                   O presidente Jair Bolsonaro, para agradar Donald Trump, abandona décadas de neutralidade em relação aos conflitos no Oriente Médio e apoia o ataque americano que matou o general Qassim Suleimani, líder militar do Irã. Bolsonaro rejeitou os conselhos dos generais que compõem o governo, que manifestaram preocupação acerca do tom a ser empregado pelo presidente. O Brasil tem fortes laços comerciais com o Irã, para onde vende carne e grãos. Na balança comercial entre os dois países, o superávit é favorável ao Brasil: mais de 8 bilhões de reais.

                                   Bolsonaro disse que o assassinato do general iraniano deve ser entendido no contexto da luta mundial contra o terrorismo. E que o Brasil é aliado de qualquer país envolvido no combate ao terrorismo. Chegou a afirmar que Suleimani esteve envolvido nos grandes atentados ocorridos na Argentina, durante os anos 1990, resultando em 114 mortos e 500 feridos. Com isso, concorda com as suspeitas nunca conformadas da justiça argentina. De uma só tacada, Bolsonaro pôs em risco uma das maiores parcerias comerciais do país (para desespero do agronegócio) e ainda lançou o Brasil no rol dos alvos do terror islâmico.

                                   Não custa lembrar: o líder religioso do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, disse que a morte de Suleimani terá “vingança avassaladora”. Não é fácil realizar um grande atentado nos Estados Unidos, Israel ou Reino Unido. Mas n Brasil é sopa.  

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Sequestrador de Washington Olivetto é extraditado em operação secreta e sem cobertura da grande mídia. Líder chileno do PCC, Maurício Hernandez Norambuena esta em cadeia de segurança máxima em Santiago.

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Norambuena, preso pela Divisão Antissequestro em São Paulo.

Na madrugada de 20 de agosto de 2019, em operação secreta organizada pela Polícia Federal, o ex-guerrilheiro chileno Maurício Norambuena foi extraditado para o país de origem. A ordem de expulsão partiu do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal. Poucas horas depois, Norambuena, 61 anos, aterrissava em Santiago, a bordo de um avião da Força Aérea do Chile. Imediatamente, foi levado para o presídio de segurança da capital. O ministro Sérgio Moro confirmou a extradição com um comentário jocoso: “mais um bandido que vai embora”. O ex-xerife da Lava Jato parece desconhecer a importância histórica desse personagem na cena política e o envolvimento dele no crime organizado.

O episódio quase passou em branco na grande mídia brasileira. No entanto, Norambuena teve um papel destacado na resistência armada contra a ditadura do general Augusto Pinochet, em seu país, antes de se envolver no mundo do crime. De orientação marxista-leninista, foi um dos comandantes da Frente Patriótica Manuel Rodrigues, braço armado do Movimenta de Esquerda Revolucionária, o famoso MIR chileno. Foi autor de um atentado contra o próprio general-presidente Pinochet. Disparou um projétil de RPG (Rocket Propulsed Granade, de fabricação russa) contra o carro d0 general. A acertou o alvo. Mas cometeu um erro técnico: o RPG precisa de determinada distância para que a resistência do ar acione os detonadores. Errou por pouco.

Com o fim da ditadura chilena, Norambuena organizou um grupo dos seus seguidores e passou a se dedicar a atividades criminosas, como o sequestro de personalidades na América do Sul. Um deles foi o vice-presidente do Bradesco, Antônio Beltran Martinez, que teve a vida trocada por um resgate de 4 milhões de dólares. Houve outros, como Abílio Diniz (Grupo Pão de Açúcar) e Geraldo Alonso ((Norton Publicidade),  No caso de Washington Olivetto, cuja vida também esteve por um fio durante 53 dias, os bandidos foram apanhados pela polícia. Norambuena, após ser preso na região metropolitana de São Paulo, em uma chácara em  Serra Negra, demonstrou enorme frieza ao propor aos policiais: “liberto o Olivetto se vocês me deixarem dar um telefonema”. Ligou para o cativeiro, avisando  dois dos companheiros que a casa tinha caído.

Do ponto de vista das autoridades brasileiras, Norambuena teve um papel decisivo na organização interna da facção criminosa paulista. Assim como na fundação do Comando Vermelho, baseada na convivência de presos comuns e políticos na Ilha Grande, durante os anos 1960/70, os governos paulistas cometeram o mesmo erro, reunindo revolucionários com bandidos comuns. Parece que o país não aprende com as experiências históricas.

Entre os 6 presos havia mais dois chilenos e argentinos, além de um casal de canadenses. Nas cadeias paulistas, entraram em contato com a liderança do PCC. Ensinaram técnicas de guerrilha à facção. Ensinaram, inclusive, como montar centrais telefônicas que não podiam ser rastreadas. Os dois chilenos presos, após anos de cadeia, foram incluídos em uma “saidinha” temporária: sumiram. O casal de canadenses foi beneficiado por uma campanha mundial pela libertação deles, considerados presos políticos. A dupla fez 46 dias de greve de fome. Com medo de um desfecho trágico, o governo Lula extraditou o casal para o Canadá. Norambuena ficou em cana por 17 anos, 14 dos quais em cela solitária no presídio federal de Campo Grande. Alegava ser um preso político.

No Chile, deverá cumprir mais 30 anos atrás das grades.

 

 

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