Polícia paulista se prepara para retaliação do PCC após a extradição da “Torre Sul” do Paraguai para o Brasil. O megatraficante “Bilão”, responsável pelo tráfico nos estados do sul do país, é o segundo brasileiro descartado pelas autoridades paraguaias em poucos dias. Em São Paulo, são construídas barricadas para evitar ataques como os de 2006.

 

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O traficante foi levado em helicóptero militar até a fronteira. Imagem do portal La Nacióon.

                 

Rovilho Alekis Barbosa, o “Bilão”, integrante da liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi extraditado do Paraguai para o Brasil, onde está condenado a dezenas de anos de prisão por tráfico de drogas e associação criminosa. O governo daquele país, após a eleição do capitão Jair Bolsonaro por aqui, resolveu, experimentalmente, testar os limites da linha dura do presidente eleito no Patropi. Como a dizer: “Vocês são capazes de cuidar dos chefões do tráfico?” É claro que o presidente paraguaio nunca disse isso. Mas o observador que vos fala tomou a liberdade dessa afirmação. O presidente paraguaio, cujo país é chamado de “o país bandido”, está a se divertir com as nossas autoridades. Manda de volta nossos criminosos para que a gente dê fim a eles. E daremos?

                                   “Bilão” foi preso no Paraguai em algum momento de 2017. De dentro da cadeia, corrompendo todo mundo, continuou a comandar o tráfico de drogas destinado aos estados do sul do Brasil. Maconha, cocaína, crack, drogas sintéticas. É bom lembrar que o PCC, a maior organização criminosa brasileira, funciona como uma empresa capitalista globalizada, com divisão de tarefas e de territórios. “Bilão” era (ou é) a “Torre do Sul”. O chefe da operação. Enquanto o presidente paraguaio se diverte devolvendo criminosos perigosos ao país, aposta em saber qual política de segurança o capitão Bolsonaro vai adotar. Todo o continente quer saber.

                                   Terá alguma, além se colocar esses caras em celas de segurança do ainda governo Temer? E o próprio Temer, o que pensa disso?  Antes de mais nada, temendo represálias, a polícia paulista faz preparativos para evitar ataques como os de 2006, quando o PCC decretou um salve geral contra a autoridade pública, produzindo um banho de sangue nunca visto nas terras bandeirantes. Foram 10 dias de terror, resultando na morte de centenas de pessoas.  As vítimas: policiais civis e militares desavisados do perigo iminente; funcionários do sistema penal; inocentes a granel. Agora estão sendo construídas barricadas nas áreas mais vulneráveis do esquema de segurança. Em troca da ação violenta das quadrilhas que agem nas ruas, a organização decretou uma anistia de dívidas no tráfico. E mais: todo bandido estreando no “Partido do Crime”, tinha que provar o seu valor. A onda de atentados a tiros e bombas (mais de 200 ônibus foram incendiados) cessou após um acordo entre o governo e os bandidos. Os termos exatos desse acordo ainda não são conhecidos. 

 

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Chefão do Comando Vermelho é expulso do Paraguai e entregue a autoridades brasileiras na fronteira. “Marcelo Piloto” fornecia armas de guerra para os traficantes cariocas.

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O traficante de armas “Marcelo Piloto”. Imagem DPF.

                                   O presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, pessoalmente, assinou o decreto de expulsão do traficante de armas Marcelo Fernando Pinheiro Veiga, conhecido no submundo do crime como “Marcelo Piloto”. Era um dos principais fornecedores de armas para o CV, especializado na compra e venda de fuzis automáticos AK-47 (Automatic Kalashinicov 1947), de fabricação russa, além dos suprimentos e munições adequados a esse tipo de arma, a mais consumida no mundo. Nas redes sociais, o presidente justificou a medida: “que nosso país não seja terra de impunidade para ninguém”.

                                   A maior autoridade daquele país deixou de explicar por que “Marcelo Piloto”, que estava preso em Assunção, tinha mordomias na prisão. Comia de modo diferenciado, mantinha contatos com o exterior e recebia a visita de mulheres. A expulsão extrajudicial, por decreto, ocorreu dois dias após o traficante brasileiro ter matado, dentro da cela dele, uma garota de 18 anos. Lídia Meza Burgos, a jovem vitimada, entrou na cela de Marcelo em circunstâncias não esclarecidas. Era a segunda visita dela ao bandido. Cerca de uma hora depois, um guarda penitenciário ouviu gritos e foi verificar. Lídia estava caída no chão. Tinha levado 17 facadas. É um escândalo total.

                                   Outra mulher, Marisa de Souza Penna, havia pedido à justiça paraguaia autorização para se casar com “Marcelo Piloto” na penitenciária. O pedido foi recusado. Mas, seja como for, o episódio demonstra o enorme pode de corrupção do narcotráfico. Estar nas ruas, ou atrás das grades, tanto faz. Os criminosos, diante de funcionários públicos mal pagos e corruptíveis, seguem a vida. Inclusive a vida de crimes.

                                   “Marcelo Piloto” foi entregue às autoridades brasileiras em Foz do Iguaçu, no Paraná. Aqui, está condenado a dezenas de anos de prisão, por crimes anteriores. Foi imediatamente transferido para o presídio federal de segurança máxima em Catanduvas. Aparentemente, não pode fugir de lá. Nem receber “visitas íntimas”. Nem se comunicar com o exterior. Supostamente, no âmbito da organização criminosa chamada CV, substituiu Fernandinho Beira-Mar em  matéria de relações internacionais.

                                   Vamos ver o que acontece a seguir.               

 

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O novo regime quer garantias legais para uma ação dura das forças de segurança contra o crime e os inimigos do Estado. Ou do governo? A resposta a essa questão é bem complexa…

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A polícia quer proteção legal para agir com violência. Imagem TV Bandeirantes.

 

                         Os eleitores de Jair Bolsonaro, que somam 57 milhões de brasileiros, surfaram nas ondas do movimento contra o lulopetismo (identificado com a maior bandalheira já produzida no país) e no terror instalado pela epidemia de violência urbana, que, aliás, contaminou o campo e as pequenas cidades, antes pacíficas e bucólicas. Bandos armados com equipamento de guerra, importado, ocupam pequenas cidades, explodem agências bancárias e encurralam a polícia em seus quartéis e delegacias. A população é tomada como refém. Escudos humanos. É obra de facções criminosas como o PCC e o CV, as maiores. Isto tem sido chamado pela mídia de “novo cangaço”, lembrando os tempos de Lampião e Antônio Silvino, dois dos cangaceiros mais famosos dos sertões. São centenas de casos. Se um único deles tivesse ocorrido durante o regime militar, o Brasil teria sido levado ao Estado de Sítio.

                         Em geral, um policial que mata a tiros um  criminoso (ou suposto criminoso) é imediatamente afastado de suas funções e passa por um período de avaliação psicológica. Ou “reeducação”. Entre as forças policiais, há uma revolta contra tal atitude. O novo regime pretende alterar isso. E tem como Ministro da Justiça e Segurança Pública um herói nacional: o juiz exonerado Sérgio Moro. Contam com ele para regular a pena de morte extraoficial? O fato é que uma das primeiras medidas do regime Bolsonaro será realizar uma alteração na Lei Antiterror aprovada, às pressas, para a realização dos Jogos Olímpicos de 2016, sob pressão internacional. A então presidente, Dilma Rousseff, vetou um artigo da lei que criminalizava manifestações de rua e de movimentos populares. Agora, o novo regime pretende revogar este veto no Congresso. Ainda este ano.

                         Sendo assim, protestos contra o governo seriam classificados de atos terroristas. E sindicatos, organizações de classe, estudantis e outras, incluindo partidos políticos de esquerda, seriam tidos como “organizações criminosas”. Penas de prisão. Na mão oposta, a violência policial e militar seria garantida como “atos legais”, justamente porque se põe como “escudo” a atos terroristas. Esta mudança na legislação representa um golpe mortal à democracia. E se a mídia cobrir com destaque uma manifestação popular? Será acusada de cumplicidade com o terrorismo?

                         Tempos sombrios vêm por aí.

 

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Justiça americana começa a julgar “El Chapo”, o maior traficante do mundo. O tribunal federal de Nova Iorque quer a prisão perpétua para o mexicano. Ele acumulou uma fortuna de 18 bilhões de dólares vendendo drogas nos Estados Unidos.

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“El Chapo” preso por militares mexicanos. Imagem do portal EFE.

                                   Joaquin “El Chapo” Guzmán, chefe do cartel mexicano de Sinaloa, uma das maiores organizações criminosas do mundo, está sendo julgado no tribunal federal do Brooklyn (NYC). É acusado de 36 homicídios nos EUA e de ser responsável por ao menos 30% de todas as drogas consumidas em território do Tio Sam. As autoridades americanas acreditam que ele é responsável, direta ou indiretamente, por mais de 10 mil mortes na guerra das drogas que o México enfrenta há 30 anos, particularmente desde a morte de Pablo Escobar e a destruição dos cartéis de Cali e Medelín, na Colômbia. Os mexicanos assumiram por atacado a produção da cocaína colombiana.  

                                   Os cartéis mexicanos são inimigos mortais na disputa pelo contrabando de drogas para os Estados Unidos, os maiores consumidores mundiais. Um negócio crescente, que só pode ser medido em bilhões de dólares. “El Chapo”, preso várias vezes, costumava sair de penitenciárias de segurança máxima pela porta da frente, vestindo uniformes de funcionários. Tinha dinheiro suficiente para comprar todo o sistema penal do país dele. A última fuga foi de dentro da própria cela: seus comparsas construíram um túnel, verdadeiro prodígio de engenharia, que saia dentro do banheiro.

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Sean Penn e “El Chapo”. Imagem do portal da Rolling Stones.

                                   Vaidoso, como vaidosos são todos os chefões do crime organizado, “Chapo” resolveu que a carreira dele no crime deveria ser eternizada no cinema. Pediu a uma famosa e belíssima atriz mexicana, Kate del Castillo (ver o post de 12 de jan de 2016), apontada como amante do traficante, protagonista da série “A rainha do tráfico” (exibida no Brasil pela NET), que organizasse a filmagem.  Kate procurou um superastro de Hollywood, o ator Sean Penn. O traficante achava que Penn poderia representá-lo bem nas telas.

                                   Ocorre que a negociação foi monitorada pelo DEA, a agência americana antidrogas, com apoio da CIA. Supostamente, Sean Penn não sabia de nada. Foi marcado um encontro em Los Mochis, pequena cidade em Sinaloa, interior do México, no dia 2 de outubro de 2015. Sean Penn e “El Chapo” (uma gíria mexicana para “tampinha”, porque ele é bem baixo) se encontraram, apertaram as mãos e combinaram detalhes para o filme. Algum tempo depois que Penn e Kate foram embora, um grupo de elite da Marinha mexicana atacou o traficante. O tiroteio durou quase uma hora. Houve mortos e feridos. Mas “El Chapo” foi preso. Sean Penn publicou um artigo na revista Rolling Stones contando a versão dele para o encontro. 

                                   O governo mexicano, de saco cheio das estripulias do traficante, resolveu extraditá-lo para os Estados Unidos. Agora está no banco dos réus em Nova Iorque. Prisão perpétua.

                                       

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Ficou feio demais: indicação de Moro a superministro de Bolsonaro lança sombras sobre o destino da Lava Jato e do combate à corrupção. De repente – não mais que de repente – o herói nacional ficou nu.

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Juiz e acusador ao mesmo tempo.

 

                                   Aconteceu tudo muito rápido. Até demais. Três dias após o segundo turno, em um encontro que durou apenas 40 minutos, Sérgio Moro e Jair Bolsonaro firmaram um pacto que transformou o “Xerife da Lava Jato” em um dos mais importantes ministros do novo regime. O magistrado não tinha grandes questões a apresentar ao presidente eleito? Ou já tinham um acordo tácito à distância? Será que se identificavam tanto, que bastariam 40 minutos de entendimento? Nem as crianças do primário acreditam nisso.

                                   O trabalho de Moro à frente da maior devassa anticorrupção da história deste país deu a ele a maior credibilidade entre todos os brasileirinhos. Muitas pesquisas o apontavam como a personalidade de destaque. Foi capa de jornais e revistam ao redor do mundo. Poderia ser eleito para qualquer cargo público. Venceria disparado. Mas o próprio Sérgio Moro descartou solenemente tal hipótese, dando a entender, em várias entrevistas, que isto desmoralizaria o magistrado dele. No entanto, rapidamente, numa conversa de pouco mais de meia hora, o juiz abandonou a judicância e entrou de cabeça na política. Jogou fora 22 anos de carreira e um salário nada desprezível, que inclui uma série de mordomias que faltam ao trabalhador ordinário.

                                   Aqui, neste site, o juiz já foi elogiado, pela rapidez na condução dos processos e pela dura aplicação da lei. Condeno 140 pessoas na Lava Jato, entre as quais o político mais popular do país, Lula. Com o passar do tempo, fomos percebendo que Moro tinha – digamos – uma predileção por acusados ligados ao PT e às causas populares. Era só uma impressão. Agora há sombras sobre tudo isso.  Então, o tempo todo, Moro concordava com a plataforma ultraconservadora e militarista de Bolsonaro? O capitão é contra pesquisas com células-tronco embrionárias; contra o direito da mulher em relação ao aborto; contra os casais homoafetivos; contra a liberdade de expressão e a mídia que não o interessa; pela redução da maioridade penal (eu também); pela liberação da venda e porte de armas (acho que o cidadão tem direito de possuir uma arma, mas não de portá-la); acha que o homossexualismo é uma doença que pode ser curada pela fé, contrariando a ciência; diz que o Brasil não é um Estado laico, mas cristão.

                                   Ao que tudo indica, Sérgio Moro é um adepto dessas ideias. Caso contrário, não teria aceitado tão rapidamente o convite para ser o arquiministro da Justiça e da Segurança Pública. Salvo chuva e salvo engano, Moro não sabe nada de (in)segurança pública. Nunca andou em favelas e periferias. Não viu de perto a cara do povo. Não faz ideia do poder das facções criminosas, que, aliás, nunca foram citadas pelo novo líder. Mesmo assim, concordou com o projeto em meia hora. Pode isso?

                                   O capitão Bolsonaro, ao atrair Sérgio Moro para o novo regime, marcou um gol de placa. O cara é popular e verdadeiramente adorado nas classes médias, que, historicamente, definem os rumos da política no Patropi. Tem cara de bom moço, cabelinho bem cortado, é branco e com diploma universitário. O tipo ideal para se tornar um sucessor no novo regime. Os generais que apoiam Bolsonaro são velhos, feios e mal encarados. Todos com um pezinho na ditadura militar que infelicitou o país. Moro, não!

                                   Esse é o cara!

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Sérgio Moro põe a corda no pescoço: convidado por Bolsonaro a ocupar o Ministério da Justiça, diz que se sente honrado e promete pensar.

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Moro e Aécio, tratam do inimigo comum, o PT. Foto portal IstoÉ.

                                    O controverso juiz federal Sérgio Moro, mais conhecido como o “Xerife da Lava Jato”, foi convidado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro a ocupar o Ministério da Justiça. É bom lembrar: uma semana antes do primeiro turno das eleições, Moro quebrou o sigilo das delações de Antônio Palocci contra Lula, com cobertura exclusiva do Jornal Nacional. Outro mar de lama sobre o petista preso em Curitiba. Foi tão escandaloso, que a corregedoria da Justiça Federal intimou Sérgio Moro a prestar esclarecimentos.

                                   Obviamente, a denúncia tinha alvo certo: desmoralizar ainda mais a campanha do PT. É claro que o partido tem enorme parcela de erros a espiar – e o próprio Lula não é mais nenhum inocente. Até as pedras do calçamento sabem disso. Mas um juiz federal – ícone da mídia – tomar tal iniciativa cheira a algo podre. Pior: é convidado a integrar o ministério do arqui-inimigo de Lula. E promete pensar, honrado pelo chamamento pátrio. Em qualquer lugar do mundo civilizado, já teria sido suspenso da função judicante.

                        O juiz é escravo da lei, como Bolsonaro se disse escravo da Constituição. Mas o juiz é um ser humano como outro qualquer e tem direito à interpretação subjetiva do rigor penal. Isto também está escrito nos códigos. Pode moderar as penas, pode considerar circunstâncias individuais de vida. Pode assentar: o sujeito roubou um quilo de arroz porque estava com fome. Mas interferir no processo eleitoral é muito diferente. Supostamente, Sérgio Moro é um cara esclarecido. A ele não cabe tal tipo de “engano”. Tanto não cabe que foi intimado a se explicar. Mas, como sabemos, a maior punição que pode ser imposta a um magistrado é a aposentadoria com todos os vencimentos. Trata-se de uma casta de intocáveis.

                                   Honrado pelo clamor bolsonarista, Sérgio Moro pode abandonar a magistratura e entrar na política. Seria um excelente sucessor do capitão. Aclamado pelo povo!  

  

 

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Vitória de Bolsonaro foi menor do que se esperava. Obteve 57 milhões de votos válidos, mas 42,4 milhões de eleitores não apareceram para votar ou votaram branco e nulo. Somando os votos em Haddad, chega-se a 89,3 milhões que não aprovaram o candidato do PSL.

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Bolsonaro vitorioso. Imagem do Portal Tribuna do Ceará.

                             Jair Messias Bolsonaro venceu. É o novo presidente do Brasil. Ele conseguiu uma vitória quase inacreditável. Começou sozinho, não era apoiado por nenhum grande partido. Só tinha 8 segundos de tempo de TV no primeiro turno e teve que se virar nas redes sociais. Atravessou todas as dificuldades porque o discurso ultraconservador dele caiu no gosto de 34,6% dos 147,3 milhões de brasileiros e brasileiras aptos para votar. Pelo entusiasmo da campanha do PSL no segundo turno, arrastando multidões para as ruas mesmo sem a presença do candidato, tinha-se a impressão de que haveria uma vitória arrasadora. Não foi o que se deu.

                            O capitão ganhou, mas o resultado do pleito mostrou a ele e a seus auxiliares que é preciso baixar a bola, moderar o tom, porque ele não é uma unanimidade nacional. No discurso da vitória, que teve ares de culto evangélico, Bolsonaro mostrou a Bíblia, a Constituição e um livro que lembrava uma biografia de Winston Churchill. Uma curiosa combinação. Mas Bolsonaro assegurou ao país que será presidente de todos os brasileiros e que as leis e os direitos civis e políticos serão respeitados. Jurou por Deus: a Carta da República será cumprida e preservada. Muita gente respira aliviada.

                            O resultado da votação, ao contrário do que parecia, não teve nada muito diferente de outros embates recentes. Bolsonaro obteve cerca de 11 milhões de votos a mais do que o petista Fernando Haddad. Lula, em 2006, ficou mais de 20 milhões de votos à frente de seu desafiante do PSDB, Geraldo Alckmin (60,8% contra 39,1%). A história das eleições pós-regime militar mostram um cenário muito parecido: dois terços dos eleitores estiveram contra ou não se interessaram pelos vencedores. Portanto, a eleição de domingo, que teve 31 milhões de ausentes, não mostra nada muito diferente. A soma de brancos, nulos, ausentes e votos petistas no segundo turno (89,3 milhões) sinaliza o presidente eleito que ele tem muito trabalha pela frente para consolidar o apoio do povo. Hoje o capitão tem apenas um voto em cada três.

                                   De outro lado, é preciso dar uma olhada no campo do adversário. O PT não foi destroçado como se podia imaginar. As urnas deram ao partido, além do bom desempenho presidencial, a maior bancada na Câmara dos Deputados (56 cadeiras), seis senadores (o PSL fez 4) e 4 governadores (o PSL fez 3). O PT vai governar 30,6 milhões de pessoas. Mas apanhou feio no centro-oeste, no sudeste e no sul do país. As vitórias estão concentradas nas regiões norte e nordeste. Em termos econômicos, ficou ainda mais caracterizado como partido dos mais pobres. Além disso, os demais partidos do campo progressista também obtiveram resultados: outros 6 governadores eleitos pelo PSB, PDT e PCdoB; outros 9 senadores, dos quais 5 da REDE; outros 80 deputados. Tudo isso soma um bocado de votos.

                                   Jair Messias Bolsonaro não vai ter vida fácil.                                  

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