Um diretor da Petrobras fez um acordo de “delação premiada” com a promotoria pública, com vistas a não ser atingido por punições criminais ao denunciar um episódio de corrupção de políticos e governantes, mas cujo teor é desconhecido. A grande mídia brasileira, opositora ferrenha dos governos do PT, amplificou o caso, de modo a influir no quadro eleitoral. Não descreve as circunstâncias do depoimento desse funcionário público, só alardeia que ele aponta um rol de parlamentares da base governista como tendo recebido suborno para aprovar contratos da estatal de petróleo. As denúncias foram obtidas sob coação, tortura, violência física, como nos tempos da Ditadura? Não. Certamente, não. Então, como foram?
A lista dos corruptos, segundo os jornais, varia de 30 a 60 implicados. Entre os acusados, o socialista Eduardo Campos, que tinha como companheira eleitoral a ambientalista radical Marina Silva. Eduardo foi vítima e um trágico acidente aéreo que mudou a corrida presidencial brasileira. Marina, que era uma vice apagada, tornou-se candidata. Ocupa agora o segundo lugar nas pesquisas. Talvez empatada em primeiro lugar com Dilma, do PT, segundo alguns levantamentos eleitorais.
Mas o que é um “delator premiado’? Segundo modernas leis nacionais, é um criminoso que confessa seus delitos em troca da apuração de crimes maiores. Ou mais abrangentes. Isso garante que não será processado por tais confissões. É um toma lá dá cá. Essa espécie de depoimento é tomada sob sigilo de Justiça. De modo a não revelar a fonte em público. Só para proteger aquele que faz a denúncia reveladora. No entanto, no caso do diretor da Petrobras, saiu tudo nos jornais e na televisão. Alguém “vazou” para a mídia o conteúdo das revelações. Não vou declinar aqui o nome do delator, porque estaria cometendo um crime. Talvez aquele de obstrução da Justiça. E por que toda a grande imprensa brasileira publicou as denúncias? E sem o menor constrangimento? Porque denuncias de corrupção fazem parte de uma campanha sistemática de oposição.
O Brasil é “o país da corrupção”? Talvez seja. Nos últimos dez anos, punimos um número recorde de políticos e governantes, alguns dos quais foram parar na cadeia. O processo do “mensalão”, a Ação Penal 470 da Suprema Corte, se transformou em um espetáculo midiático, transmitido ao vivo por uma TV estatal. As vítimas principais, apesar de nunca declaradas, eram Lula e o Partido dos Trabalhadores. O escândalo destruiu a reputação do PT – e responde hoje pelo desgaste eleitoral de Dilma Rousseff. Apesar do “mensalão”, Lula foi reeleito. Porque promoveu a maior distribuição de renda e criação de empregos da história do país. E o que vai acontecer com Dilma?
Com ou sem denúncias de corrupção na Petrobras, por causa das políticas sociais de Lula, que afetam dezenas de milhões de brasileiros, Dilma pode vencer. Será apertado, em segundo turno com Marina. Aécio Neves, o candidato da grande mídia, será trucidado no primeiro turno. (Aliás, ele era mesmo candidato às eleições presidenciais de 2018.) Os analistas políticos dizem que Marina “bateu no teto”, não vai crescer mais. E apostam que Dilma vence por alguma coisa parecida com 4% a 6% a mais de votos nas camadas pobres da população. É esperar para ver!