Embaixador brasileiro vai voltar a Israel. Henrique da Silveira Sardinha ficou um mês afastado de Tel-Aviv, como protesto contra o massacre em Gaza. Depois que o porta-voz da chancelaria israelense chamou o Brasil de “país insignificante” e “anão diplomático”, o presidente eleito daquele país ligou para Dilma e pediu desculpas.

O presidente eleito de Israel.

O presidente eleito de Israel.

                     O Itamaraty anunciou hoje (28 ago) a volta do embaixador brasileiro a Tel-Aviv. Henrique da Silveira Sardinha foi retirado de Israel durante os massacres ocorridos em Gaza. Indignado com a atitude da nossa diplomacia, um porta-voz daquele país desancou o Brasil: “anão”, “país insignificante” e outras barbaridades, chegando a ridicularizar a derrota da seleção na Copa do Mundo. Isso obrigou o presidente eleito de Israel, Reuven Rivlin, a ligar para Dilma Rousseff e pedir desculpas. Nesse telefonema, no dia 11 de agosto, Rivlin disse que as expressões usadas pelo tal diplomata israelense “não correspondem aos sentimentos do povo de Israel em relação ao Brasil”.

                    Mesmo assim, o governo brasileiro preferiu esperar um cessar-fogo entre palestinos e israelenses, quando o conflito já havia vitimado mais de 2.000 palestinos e apenas 67 israelenses. Após o acordo que suspendeu as hostilidades, firmado no Cairo, o Itamaraty julgou adequado anunciar a volta do embaixador. Acompanhe um trecho da nota oficial:

                    “O governo brasileiro confia que o cessar-fogo contribua para estabilizar a região e permita encontrar um encaminhamento definitivo para o conflito entre Israel e Palestina, com base na solução de dois Estados, vivendo lado a lado, em paz e em segurança”.

                    O Brasil, primeiro país do mundo a reconhecer a criação do Estado de Israel, em 1948, defende nos últimos anosa criação de um Estado Palestino livre e independente.       

 

 

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Menina de 9 anos mata acidentalmente instrutor de tiro no Arizona. A garota aprendia a usar uma metralhadora Uzi. E foram os pais que a matricularam na escola de tiro.

menina mata instrutor de tiro 

                    Charles Vacca, ex-militar, 39 anos, instrutor de tiro no estado americano do Arizona, morreu com um disparo na cabeça quando ensinava uma menina de 9 anos a usar uma metralhadora Uzi, calibre 9mm, uma arma de guerra. A garota, cujo nome não foi revelado, havia sido matriculada no curso pelos próprios pais. Ela não conseguiu manter a metralhadora apontada para o alvo e atingiu o instrutor na cabeça. Charles chegou a ser socorrido, mas não resistiu.

                    A Uzi, de fabricação israelense, foi desenvolvida para comandos paraquedistas. É capaz de disparar todo o pente de balas em alguns segundos. A cadência de tiro dessa arma é de 600 projéteis por minuto. Pergunta-se: que tipo de pais, em sã consciência, paga para uma menina de 9 anos aprender a usar uma Uzi? É mais uma tragédia que mostra o caráter belicista da sociedade americana. Todos os anos ocorrem massacres em escolas, universidades e shoppings. Quase a metade dos americanos tem armas de fogo em casa. Um em cada dez trabalhadores do país é empregado em indústrias ligadas à produção de armamentos e meios de defesa. .   

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Pesquisa e debate eleitoral apontam reviravolta na corrida presidencial brasileira. Crescimento de Marina Silva ameaça Dilma e pode descartar Aécio Neves para o segundo turno. O Partido Socialista tem chance de conquistar a Presidência pela primeira vez na história do país.

Maria, Dilma e Aécio no debate da Band.

Maria, Dilma e Aécio no debate da Band.

A última pesquisa eleitoral do IBOPE mostra um crescimento meteórico da candidata do PSB, Marina Silva, na preferência dos eleitores. A ambientalista obteve o segundo lugar com larga vantagem em relação a Aécio Neves (PSDB), cerca de dez pontos percentuais, aproximando-se vertiginosamente da primeira colocada, Dilma Rousseff (PT). Os números ficaram assim:

Dilma: 34%

Marina: 29%

Aécio: 19%

Outros: 2%

Brancos e nulos: 7%

Indecisos: 8%

A pesquisa, encomendada pela TV Globo e pelo jornal O Estado de S. Paulo, foi divulgada no mesmo dia em que se realizou o primeiro debate dos candidatos na televisão (Band, 26 ago). Os números tiveram forte impacto sobre os concorrentes: Marina chegou com discurso de vitória; Dilma parecia inicialmente insegura; Aécio veio batendo nas duas. Tudo muito educado, mas a surpresa pairava sobre eles. Evidentemente, a morte trágica de Eduardo Campos, do PSB, cedendo lugar a Marina, teve extraordinária influência emocional sobre o eleitorado. Isso pode ser medido pela redução do número de votos nulos e indecisos, que caiu de algo parecido com 29% para 15%, se comparado a pesquisas anteriores.

Num país de fortes emoções, a morte do socialista Eduardo Campos assegurou o segundo turno, quando havia chances concretas de Dilma Rousseff vencer Aécio Neves na primeira votação, marcada para 5 de outubro. Marina desequilibrou tudo. E – a continuar o crescimento dela no mesmo ritmo – vai obter o primeiro lugar na preferência do eleitorado e despachar o socialdemocrata Aécio. A projeção matemática indica Marina com 37% e Dilma com 34% já na próxima pesquisa. No segundo turno, em novembro, a disputa entre as duas será duríssima. E o fiel da balança serão os votos dados a Aécio no primeiro escrutínio. Ou seja: salve-se quem puder.

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Jornal inglês diz que inteligência britânica identificou o assassino de James Foley. Músico e compositor que viveu em Londres, Abdel Majed Abdel Bary, 23 anos, teria se juntado aos rebeldes sírios do ISIS.

Este seria a assassino do fotógrafo americano.

Este seria a assassino do fotógrafo americano.

                   No tabloide britânico The Sunday Times publicado hoje (domingo, 24 ago) há a  informação de que os serviços de inteligência do Reino Unido identificaram o principal suspeito da morte do fotógrafo americano James Foley. Citando “altas fontes governamentais”, mas sem dizer quais, o que é muito estranho, o jornal afirma que um rapper conhecido como “Jihad John”, por causa das letras de suas músicas, é o alvo-chave da investigação. Abdel Majed Abdel Bary teria vivido em Londres. De cidadania árabe-britânica, Abdel seria hoje um integrante do “Califado do Levante”. O embaixador americano em Londres, Peter Westmacot, não quis confirmar a informação. Mas declarou ao Daily Mail: os ingleses estão “seguros” de que vão identificar o homem que degolou o fotógrafo americano na Síria.

                    No ano passado, a polícia inglesa tinha invadido e revistado a casa de “Jirad John”, em Maida Vale, um subúrbio pobre da capital londrina, habitado por imigrantes. O rapper havia publicado um post no Twitter (#abdukalashnicov era o endereço, já tirado do ar).. No post ele aparecia com o que seria – supostamente – uma cabeça humana. Entrou imediatamente na lista dos terroristas mais procurados pelo Reino Unido. Analisando a voz neste post – e a comparando com o vídeo do crime na Síria – os britânicos chegaram à conclusão de que eram a mesma pessoa. Em julho do ano passado, após entrar em contato com um pregador muçulmano radical chamado Anjem Choudary, o jovem Abdel anunciou na Internet que abandonaria a música “pelo amor a Alá”.

                           Na Síria, para onde se deslocou, Abdel se encontrou com alguns dos seus melhores amigos, que haviam vivido na Inglaterra, formando um grupo radical islâmico conhecido como “The Beatles’, em homenagem à banda inglesa. Eram John, Paul e Ringo. E esse John, segundo a inteligência britânica, era Abdel. O pai dele, Abel Abdul Bary, de 53 anos, foi extraditado para os Estados Unidos. Era considerado um assessor especial de nada menos que Osama Bin Laden.

                    Tudo isso, no entanto, parece o enredo de um filme de ficção científica. Nada está provado. Mas faz sentido. Apenas isso. Aliás, recebemos neste site alguns e-mails ameaçadores, que cuidamos de deletar imediatamente, porque não parecem ser realmente ameaçadores. E seriamos ameaçados por quê? Pela informação? Pela busca da verdade, seja lá o que isso signifique. Aqui não temos financiadores nem filiação partidária. Denunciamos os massacres na Palestina. E não apontamos o dedo para ninguém. Querem nos acusar de alguma coisa? Neste site abrimos portas para opiniões variadas. Você quer dizer alguma coisa? Escreva para nós.    

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Uma foto que está circulando na Web mostra o que teria sido uma farsa da CIA no caso do assassinato do fotógrafo americano por terroristas do ISIS. A decapitação de James Foley teria sido produzida num estúdio. Só pode ser mais uma das mistificações do mundo virtual.

Foto mostra a morte de fotógrafo americano sendo produzida num estúdio.

Foto mostra a morte de fotógrafo americano sendo produzida num estúdio.

 

                    Está mais do que provado que o jornalista James Foley foi mesmo executado na Síria. O grupo islâmico radical ISIS assumiu o crime cruel. Os governos britânico e norte-americano já se manifestaram. A família Foley também. O filme com as cenas bárbaras foi examinado por especialistas, que concluíram pela autenticidade.

                    Mas a foto que você vê na abertura do post está circulando na Internet. A divulgação é atribuída ao movimento “Occupy Wall Street”, que ficou conhecido por acampar no centro financeiro de Nova Iorque e por se confrontar seguidamente com a polícia, utilizando a chamada tática Black Bloc. Recebi a imagem por e-mail. Apesar de que parece ser apenas uma brincadeira de mau gosto, vamos examinar a questão.

                    Em primeiro lugar, o equipamento que aparece. Trata-se de um moderno estúdio de vídeo, com uma grande tela de Chroma Key em tom verde, que serve para inserir imagens de comutador no segundo plano da cena, recurso muito utilizado na televisão e no cinema. Aparecem duas câmeras de Ultra High Definition (UHD 4K), o modelo mais avançado de captar imagens digitais. As câmeras estão montadas em gruas robotizadas, que são operadas eletronicamente. Além do mais, há uma bancada com grandes monitores de LED, Full HD. É tudo sofisticado demais para uma pequena farsa.

                    Em segundo lugar, a questão de que teria sido uma trapalhada preparada pela CIA. No monitor à direita da foto aparece a logomarca da CIA, em destaque. Seria a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos tão burra a ponto de “assinar” a fraude? Parece que não. A CIA – é bem verdade – já foi protagonista em muitas fraudes pelo mundo a fora. O último escândalo global foi o da espionagem de telefones e e-mails. Mas isso aqui seria demais.

                    A equipe deste site se solidariza com a família de James Foley. Depois de passar quase dois anos como prisioneiro, submetido a torturas físicas emocionais, foi friamente morto diante das câmeras. Mais uma vítima da brutalidade rotineira naquela região. A guerra civil na Síria já matou 190 mil pessoas, a maioria civis, mulheres e crianças.  

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“Araguaia – Histórias de amor e de guerra”: é o novo livro do jornalista Carlos Amorim.

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Hamas executa 16 homens e 2 mulheres em Gaza. Acusados de colaborar com Israel, foram fuzilados em público. As vítimas estavam algemadas e com o rosto coberto por capuzes. A resistência islâmica disse que eram “traidores”. Sete foram mortos a tiros na praça central de Gaza, diante de uma multidão de fiéis que saia de uma mesquita, após as orações da sexta-feira.

A execução foi mostrada pelo site Al-Majd.

A execução foi mostrada pelo site Al-Majd.

                    Militantes das Brigadas de Al-Qassam, o braço armado do Hamas, vestindo uniformes pretos de combate e com os rostos cobertos, executaram 11 prisioneiros numa antiga delegacia de polícia, nos arredores da Cidade de Gaza, a capital do território palestino. Entre as vítimas estavam duas mulheres. Em seguida, na praça central da cidade, no momento em que se encerrava o culto muçulmano da sexta-feira e quando uma multidão de fiéis ocupava as ruas, novas execuções ocorreram. Foram sete homens, algemados e encapuzados, aparentando serem jovens. Os militantes do Hamas dispararam fuzis AK-74 (calibre 5.56mm) contra os prisioneiros.

                    No local dos assassinatos, um cartaz foi colocado. Informava que eram colaboradores de Israel e traidores, responsáveis por orientar ataques israelenses na Faixa de Gaza, que “resultaram na morte de inúmeros combatentes da resistência palestina”. Os mortos não foram identificados. Muito menos seus carrascos – é claro. As execuções foram um dia depois de ataques aéreos que mataram três dirigentes do grupo islâmico. Mais um espetáculo de horror na Terra Santa. A maior parte dos países ocidentais considera o Hamas uma organização terrorista. Outros, como o Brasil, a Rússia e o Irã, acreditam que se trata de um movimento político que chegou ao poder por meio de eleições livres.  

                    Numa tradução pouco ortodoxa do árabe, Hamas significa “entusiasmo” ou “zelo”, dedicação extremada. Nesse sentido, se aproxima da expressão “jihad”, que quer dizer “esforço” – e que no Ocidente ganhou a alcunha de “guerra santa”. O grupo fundamentalista muçulmano, de orientação sunita, foi criado em 1987 por um clérigo chamado Sheik Ahmed Yassin. E teve apoio de Israel para se contrapor a Yasser Arafat, líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Em 2006, o Hamas venceu eleições livres na Faixa de Gaza, conquistando 76 dos 132 assentos no Parlamento Palestino. Desde então, governa a região com mão de ferro. Execuções sumárias são comuns em Gaza.          

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Chanceler britânico admite que ingleses e americanos estão envolvidos com os terroristas do ISIS. E diz que o grupo radical islâmico representa uma ameaça à segurança do Reino Unido. Apesar de questionar a autenticidade do vídeo, que mostra a decapitação de um jornalista americano na Síria, a declaração de Philip Hammond à BBC soa como uma declaração de guerra. No vídeo, outro refém americano aparece na fila da morte.

O fotógrafo assassinado, em atividade na Síria. Foto dele mesmo.

O fotógrafo assassinado, em atividade na Síria. Foto feita por ele mesmo.

                    Agora tudo parece mais complicado. O chanceler britânico Philip Hammond, em entrevista à televisão estatal BBC, diz que o grupo radical islâmico ISIS representa uma ameaça à segurança do reino Unido. Disse que o terrorista que matou o repórter fotográfico James Foley “soava como britânico”, usando essa expressão para informar que todos os serviços de segurança ingleses estavam em alerta máximo. Tanto ingleses quanto americanos admitem que os insurgentes do ISIS têm o apoio de cidadãos dos seus países, o que torna o problema ainda mais grave. Ingleses e americanos temem atentados violentos em seus países.

James Foley, que já tinha sido refém na Líbia.

James Foley, que já tinha sido refém na Líbia.

                    James Foley já havia sido refém na Líbia, por seis semanas, durante a rebelião que derrubou a ditadura de Al-Gaddafi. E o jornalista se saiu bem. Prisioneiro do ISIS por dois anos, estava confiante de que faria a maior reportagem de sua vida. Errou. O vídeo com as imagens do seu assassinato foi postado na Internet com o título “Uma mensagem para a América”. James virou instrumento da propaganda islâmica. Pior: nas últimas imagens do vídeo que mostra a sua decapitação aparece outro refém, também jornalista americano, Steven Soltloff, sequestrado há um ano na fronteira entre a Síria e a Turquia. O terrorista que matou James Foley olha para a câmera e diz: “o destino desse cidadão americano, Obama, depende da sua decisão”. Pela vida de James Foley, o ISIS tinha pedido um resgate de 100 milhões de dólares. Mas voltou atrás. O espetáculo do assassinato do jornalista valia muito mais.

                    Entidades internacionais informam que há 20 jornalistas ocidentais desaparecidos na Síria.         

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Assassinato de jornalista americano na Síria foi filmado e o crime covarde dedicado a Obama. Terrorista do grupo ISIS decapitou o repórter na frente das câmeras e declarou, em inglês perfeito: “Isto é para você, Barak Obama, pelos massacres cometidos contra o povo muçulmano”.

O crime. Imagem  divulgada na internet.

O crime. Imagem divulgada na internet.

                    A divulgação de um vídeo registrando o momento da decapitação de um repórter fotográfico americano, sequestrado por radicais islâmicos há dois anos, quando o jornalista James Foley cobria a guerra civil na Síria, estarreceu o mundo. As imagens de alta definição foram exibidas pela internet e mostram o jornalista de joelhos. O algoz aparece armado com uma faca e com o rosto coberto por uma touca ninja. Não tenho coragem de exibir a cena completa. São vários minutos de horror absoluto. Os  leitores deste site não merecem tamanha brutalidade. Assistir a tamanha barbárie, para mim, foi um sofrimento, uma tortura. Infelizmente, ossos do ofício.

                    Não se sabe exatamente quando o crime ocorreu – nem onde. A cena dantesca teria sido gravada há poucos dias em um deserto, provavelmente numa das áreas conquistadas pelo ISIS (uma sigla que significa “Estado Islâmico do Iraque e do Levante”, em inglês), supostamente na Síria. Os terroristas do ISIS, grupo ultrarradical dissidente da Al-Qaeda, já ocuparam mais de 50 cidades sírias e iraquianas, anunciando ao mundo que estão construindo o “Califado do Levante”, cuja intenção é a guerra santa – o jihad – contra o Ocidente. Este reinado de terror já executou centenas de pessoas, talvez milhares, algumas das quais foram enterradas vivas.

                    A CIA e os serviços militares de inteligência britânicos já declararam que o vídeo é autêntico. Ou seja: imagens reais de um assassinato a sangue frio. O fotógrafo James Foley, antes de morrer, fez breve declaração dizendo que havia sido abandonado por seu governo. Estava tão tranquilo, que parecia drogado. Mas o que chamou mais atenção foi a qualidade do inglês empregado pelo terrorista na cena do crime. Analistas do Reino Unido acreditam que ele estudou na Inglaterra ou que é mesmo um cidadão britânico. E o terrorista deixou bem claro que a morte do jornalista era uma represália aos ataques da aviação americana contra o ISIS, iniciados há duas semanas. E pode provocar um novo engajamento dos ingleses na luta, não por terra, com soldados, mas pelo ar, com foguetes e aviões.

Os pais de James Foley. Foto AP.

Os pais de James Foley. Foto AP.

                    O novo episódio de violência no Oriente Médio, verdadeiro espetáculo de mídia, ofusca o massacre de palestinos praticado por Israel. E quase o justifica, porque se trata do mesmo inimigo: o radicalismo islâmico. Gente que corta a cabeça de um inocente merece o castigo de bombardeios indiscriminados sobre escolas e hospitais? Estamos diante de uma nova escalada de violência na região? Com certeza, estamos! É bom frisar: isto corresponde exatamente à estratégia do ISIS, a guerra total contra o Ocidente – todos nós. Para atingir tais objetivos, o que é a morte cinematografada de um tal de James?

                    E o que faz um jornalista independente em tamanho conflito? Certa vez, quando o repórter brasileiro José Hamilton Ribeiro pisou numa mina no Vietnã, perdendo uma das pernas, o fotógrafo que o acompanhava declarou: “como seria tudo isso se nós não estivéssemos por aqui?” A frase explica tudo.  

Repórter brasileiro ferido no Vietnã, autor do livro "O gosto de Guerra1.

Repórter brasileiro ferido no Vietnã, autor do livro “O Gosto de Guerra”.

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Dilma com 36% das intenções de voto. Marina Silva com 21%. E Aécio Neves com 20%. O Datafolha embola a disputa presidencial. A pesquisa, sob a comoção da morte de Eduardo Campos, diz que Dilma ganharia de Aécio e perderia de Marina no segundo turno.

Marina silva.

Marina silva.

                    Como antecipamos no post anterior, a nova pesquisa eleitoral do Datafolha, divulgada nesta segunda-feira (18 ago), revela um cenário confuso na campanha presidencial brasileira. Trata-se apenas de uma sondagem de opinião pública baseada em 2.843 entrevistas com eleitores, num país de mais de 140 milhões de votantes. A sondagem foi feita em 176 municípios, quando o número total chega a 5.570. Mas estatística é assim mesmo.

                    De todo modo, há dados curiosos. Tanto Dilma quanto Aécio mantiveram os numero da pesquisa anterior (36% e 20%, respectivamente), sendo que a grande mudança foi em relação aos votos antes destinados a Eduardo Campos (de 8% para 21% com Marina), explicada em função de uma drástica redução de votos nulos, brancos e de eleitores indecisos. A segunda curiosidade dessa pesquisa é a de que a aprovação do governo Dilma aumentou. Somando ótimo, bom e regular, a presidente teria 76% de aprovação. No entanto, o Datafolha afirma que Dilma tem a maior rejeição entre os que opinaram: 34%. Neste ponto, os números parecem matematicamente incoerentes. Se ela tem 76% de aprovação e 34% de rejeição, somando 110%, qual é a rejeição dos outros? Talvez sejam pesquisas separadas, contas separadas, sei lá. Mas soa estranho!

                    Agora: o mais impactante é a simulação de segundo turno feita pelo Datafolha. Dilma Rousseff ganha de Aécio Neves (47% a 39%), mas perde (ou empata, considerando a margem de erro de 2% para mais ou para menos, na verdade uma variação de 4%) da ambientalista Marina Silva (47% a 43%). É mesmo um empate.

                    Este segundo turno, que parecia improvável antes da morte trágica do socialista Eduardo Campos, neto do líder político nordestino Miguel Arraes, é a grande surpresa do processo eleitoral que vai escolher, em outubro e novembro, o novo presidente do Brasil. Com um pouco de juízo, os analistas desse cenário, como o locutor que vos fala, apostavam numa solução apertada no primeiro turno, confirmando a dicotomia da política nacional entre PT e PSDB, que vai completar 20 anos no poder. Neste momento, quais observações devem ser levadas em conta?

                    Dois mandatos do PSDB, com Fernando Henrique Cardoso, longos oito anos. Mais três mandatos do PT, com Lula e Dilma Rousseff. Doze longos anos. O eleitor está de saco cheio. Nesses 20 anos, o país acumulou vitórias políticas, a consolidação da democracia mais estável do continente, e econômicas, reduzindo as desigualdades e conquistando o 7º lugar entre as maiores economias do mundo. Somando os governos do PT, destinados às classes populares, mais de 20 milhões de postos de trabalho foram criados. Mas o brasileiro quer mudanças, claramente demonstradas nos grandes protestos de rua de 2013. E que mudanças seriam essas?

                    Aí é que está o problema. Não sabemos exatamente o quê. Mas queremos mudanças. De discurso, de fisionomia, de partidos. O brasileiro comum tem verdadeiro horror aos políticos. Um bando de ladrões. Mas como não fazer política? A política é a própria vida.

                    No palco das eleições de 2014, o chamado “escândalo do mensalão” tem papel decisivo. O PT de Lula, ícone da luta contra a ditadura militar, ergueu a bandeira da ética. E a arrastou por um difícil processo criminal, transmitido ao vivo pela TV, que resultou na queda de suas principais lideranças governamentais. Lula só não caiu, como Collor, porque era o ícone dos ícones. Graças a Deus. Mas o dano eleitoral está aí, à frente de todos. O PSDB, do sociólogo Fernando Henrique Cardoso, autoexilado na ditadura, professor da Sorbonne francesa, patinou nas privatizações. O partido dele é acusado, por alguns autores, de ter comprado 150 votos no Congresso para aprovar a emenda constitucional da reeleição. E comprados como? Um mensalão que antecedeu ao “mensalão”.

                    E agora? Nesse interregno, prosperou a corrupção. A mesma doença política que perpetuou os sarneys, os inocêncios de oliveira, os renans e coisas mais. E surgiram os black blocs, as sininhos, as marinas. E quem é essa Marina Silva, especificamente?

                    Maria Osmarina Mariina Silva Vaz de Lima nasceu no estado do Acre, no dia 8 de fevereiro de 1958. Ela queria ser uma freira. Viveu e estudou com religiosas católicas, mas termino se convertendo a uma organização cristã evangélica, a Assembleia de Deus. Filiou-se ao PT do Acre em 1987. No ano seguinte, foi a vereadora mais votada em Rio Branco, a capital. Nas eleições de 1990, ganhou o cargo de deputada estadual. Em 1994, aos 36 anos, foi eleita senadora. E reeleita em 2002, quando lula chegou à Presidência da República. Foi ministra do meio-ambiente de Lula, durante o primeiro mandato do PT e parte do segundo, entre 2003e 2008. Em 2010, candidatou-se à presidência pelo PV, o Partido Verde, obtendo 19% dos votos e assegurando o segundo turno. E logo em seguida rompe com  o PV. Queria estrada própria.  

             Neste mês de agosto de 2014, Marina Silva é o fiel da balança das eleições. E o que ela pensa? É contra o aborto e a liberação de drogas como a maconha e a cocaína. É contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A candidata, fortemente influenciada pelos Evangelhos, contrasta fortemente com os seus próprios apoiadores, os socialistas em geral. Afinal, está prestes a se tornar candidata pelo Partido Socialista Brasileiro, o PSB.  Na verdade, não se sabe se é capaz de construir uma equipe de governo – nem se é capaz de conviver com um Congresso Nacional marcado pela velhacaria.

                    Mas isso pode ser muito bom, corrigindo fraquezas de PSDB e PT. Eu mesmo não sei como definir essa candidata que pode ganhar as eleições. Como seria um Brasil de Marin Silva?            

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