Pesquisa Datafolha: a maioria dos brasileiros quer a implantação da pena de morte no país. Toda vez que a justiça fracassa e a impunidade toma conta, surgem opções radicais. A pena de morte, em todo o mundo civilizado, nunca reduziu a criminalidade, especialmente dos poderosos aboletados no poder.

 

Diz o Datafolha:

“A maior parcela dos brasileiros declarou ser favorável à pena de morte. Quando questionados se caso houvesse uma consulta à população votariam a favor ou contra a adoção da pena de morte, 57% dos entrevistados declararam que votariam a favor. Esse é o maior índice da série histórica (iniciada em 1991) e em comparação com a pesquisa anterior, de março de 2008, o índice cresceu 10 pontos (era 47%). O atual índice supera os 55% observado em fevereiro de 1993 e em março de 2007. Já, a parcela de brasileiros que declararam que votariam contra à adoção da pena de morte são 39% (era 46% em 2008), 3% não opinaram e 1% é indiferente.

56% são contra a posse de armas

A maioria dos brasileiros adultos (84%) é favorável à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Uma parcela de 14% declarou ser contra à redução e 2% não opinaram. Em comparação com a pesquisa anterior, de abril de 2015, os índices se mantiveram estáveis: 87% eram favoráveis e 11% contrários.

Dos que são favoráveis à redução da maioridade penal, 64% declararam que a medida deve valer para qualquer tipo de crime, enquanto para 36%, apenas para determinados crimes. Em comparação com a pesquisa anterior, a taxa de entrevistados favoráveis a redução da maioridade penal para qualquer crime recuou 10 pontos (74%), enquanto a taxa de entrevistados favoráveis à redução penal apenas para alguns crimes cresceu 10 pontos (era 26%).

Quando questionados sobre qual deveria ser a idade mínima para uma pessoa ir para à cadeia por algum crime que cometeu, a idade média ficou em 15 anos – mesma idade média observada no levantamento anterior (de abril de 2015).

Com relação ao direito de possuir uma arma de fogo, as opiniões seguiram divididas. Para 56%, a posse de armas dever ser proibida (era 55% na pesquisa de junho deste ano), para 42%, possuir legalmente uma arma deveria ser um direito do cidadão (era 43%) e 2% não opinaram”.

                              A pesquisa mostra claramente que as classes sociais menos favorecidas são as maiores vítimas da violência, enquanto os mais abastados sobrevivem com recursos próprios, independentes do Estado brasileiro. Segurança particular, cercas elétricas, carros blindados. Entre os 61,6 mil homicídios no ano passado, a maioria arrasadora é de jovens entre 16 e 29 anos. Quase todos pretos, pobres e favelados. O famoso PPF do jargão policial.

                      Isto quer dizer: a violência se abate sobre os mais pobres. Enquanto os criminosos do colarinho branco, o verdadeiro crime organizado, se salvam por meio de advogados regiamente pagos. É por isso que o populacho em geral se manifesta pela pena de morte. Contra um criminoso pobre igual a ele. Contra os poderosos (os três últimos presidentes do país foram acusados de banditismo organizado), não há o que fazer. Estão além das leis nacionais.

                      E o povão quer vingança!  

 

 

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Se Lula escapar da Lava Jato (pouco provável sem um grande acordo), pode ser reeleito. E já anuncia a primeira medida de governo: convocar um “plebiscito revogatório” para anular todas as medidas antissociais de Temer.

                                   O metalúrgico nordestino Luís Inácio Lula da Silva, duas vezes presidente do Brasil, está diante de um dilema. Se for condenado em segunda instância, pelo Tribunal Federal Regional de Porto Alegre, que revê as decisões do juiz Sérgio Moro, será impedido de concorrer mais uma vez à presidência da República. Contra ele estão três desembargadores. O relator do processo, ao que tudo indica, já votou contra Lula. Faltam dois. Provavelmente, a decisão será contrária ao ex-presidente. É aí que entra em cena o Supremo Tribunal Federal (STF).

                                   A Suprema Corte tem uma tendência de rever posição anterior, que determina a prisão de condenados em tribunais colegiados (segunda instância) e a cassação de direitos políticos. Mesmo que Lula seja condenado pelo TRF-4, de Porto Alegre, no dia 24 de janeiro, coisa provável, o STF pode muda as regras do jogo. Ao afirmar que os condenados têm o direito de recorrer às supremas cortes, continuam candidatos. Até o trânsito em julgado. Ou seja: às últimas instâncias do judiciário. E se Lula for eleito, será muito difícil impedir que assuma o cargo.

                                   Evidentemente, ato de tal natureza pressupõe um acordão nacional, de modo a desmontar o chamado “esquema golpista” de Temer e garantir a posse do presidente eleito. Isto, no entanto, pode resultar na liberação de presos da operação Lava Jato, como Eduardo Cunha e os Gedel da vida. Além de Maluf. Vale o preço? Pode significar o fim da própria Lava Jato. De todo modo, Lula é o candidato mais popular, disparado nas pesquisas. E promete o tal “plebiscito revogatório”, para anular as reformas de Temer, que visam favorecer o patronato e o grande capital.

                                   Na pauta do acordo podem estar propostas de continuar com as reformas trabalhista, fiscal e da previdência. Mas, sob Lula, teriam um novo caráter: incluir os trabalhadores na discussão. Este, aliás, foi um dos pecados capitais de Lula, Dilma e do PT. Por que não fizeram as reformas necessárias ao país em 13 anos de governo? Agora, com acusações de crimes e sob a pressão da história, precisam voltar aos seus princípios. Por que não fizeram antes?    

 

 

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Frente Brasil Popular anuncia programa radical de apoio a Lula. A campanha presidencial de esquerda começa ainda este mês, com ações em todo o país. A FBP promete manifestações nos tribunais federais nas capitais e um grande cerco em Porto Alegre, onde Lula será julgado no dia 24.

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                                   A campanha presidencial deste ano foi antecipada pelo anúncio da Frente Brasil Popular (reúne 88 partidos de esquerda e movimentos sociais organizados), que pretende realizar protestos, ocupações e passeatas durante todo o ano. Trata-se de um movimento pacífico. Mas, segundo seus próprios organizadores, radicalizado. A convocação foi feita nas redes sociais, por meio de um vídeo gravado pelo líder do Movimento dos Sem Terra (MST), João Paulo Stédile, um dos coordenadores da Frente Brasil Popular.

                                   Em um depoimento de aproximadamente cinco minutos, Stédile informou: a partir do dia 22 deste   mês, os militantes da organização de oposição ao governo Temer serão convocados a realizar protestos diante dos tribunais federais em todas as capitais brasileiras. Objetivo: demonstrar a rejeição dos trabalhadores ao julgamento de Lula, em segunda instância, marcado para Porto Alegre no dia 24. Se o ex-presidente for condenado, será impedido de concorrer ao pleito. “Eleição presidencial sem Lula é fraude”, disse o líder do MST, acrescentando que “vamos resistir a qualquer tentativa de retrocesso na democracia brasileira”. É não só um protesto, como uma ameaça à continuidade do que chama de “governo golpista”.

                                   Para o dia do julgamento de Lula, em Porto Alegre (sede do TRF-4, que revê decisões do juiz Sérgio Moro em segunda instância), a Frente Brasil Popular promete megamanifestações na capital gaúcha e em Curitiba. O poder judiciário gaúcho já determinou o bloqueio físico de toda a área em volta do tribunal e proibiu manifestações populares que não tenham autorização prévia. A FBP diz que vai assim mesmo. O próprio governo gaúcho estima em ao menos 50 mil o número de manifestantes. Ou seja: há uma boa perspectiva de conflitos. Um enorme aparato policial está sendo montado, em um estado onde o governo não paga em dia os salários do funcionalismo. Mais um complicador. Forças federais estão sendo cogitadas para intervir. É o cão chupando manga!

                                   Stédile, no vídeo da Web, também disse que o movimento continua em 8 de março, dia internacional da mulher, “quando convocamos as companheiras a defender os direitos das mulheres”. Sugeriu marchas de protesto em todo o país. Depois, segundo o coordenador da FBP, a convocação de um “congresso do povo, de modo a discutir a situação do país e encontrar os culpados”. Tal congresso iria se reunia a nível municipal, estadual e nacional, culminando, após a Copa do Mundo, em um encontro no Maracanã, no Rio, “reunindo 100 ou 120 mil militantes”. As conclusões dos debates seriam incluídas no programa de governo de Lula. E, depois disso, uma forte campanha nas ruas.

                                   O Palácio do Planalto – é claro – não comentou a convocação da Frente Popular. Mas, nos bastidores, montou uma força-tarefa de acompanhamento do movimento. O trabalho é liderado pelo general Sérgio Etchegoyen, ministro da Secretaria de Segurança Institucional da Presidência, envolvendo a Abin (Agência Brasileira de Informações, a CIA tupiniquim) e a Polícia Federal. Como os leitores desse site já sabem, até pelo caráter das minhas pesquisas, tenho algumas fontes em uniformes da ativa. No ambiente militar, há preocupações importantes. A primeira delas é a de que modo um governo impopular, sofrendo graves acusações de corrupção e de banditismo organizado, pode conduzir reformas impopulares sem produzir conflitos sociais. E como evitar a violência nas ruas, que levaria a uma intervenção das Forças Armadas, pela quebra da ordem constitucional? A quem interessa um estudante morto com um tiro no peito, que desencadeou a resistência contra o regime militar, em 1968?

                                   O pessoal em uniforme se pergunta a respeito do melhor caminho. Um concerto nacional, com Lula, pode ser o melhor caminho. Investidores estrangeiros já chegaram à mesma conclusão. Entre as agências de informações das Forças Armadas, tão diferentes hoje do que eram na ditadura, há um temor de uma reação da extrema-direita, que aposta no conflito. Entre Lula, o primeiro colocado nas pesquisas, e Jair Bolsonaro, o segundo, qual a melhor escolha? Extremos desinteressantes. O avanço de Bolsonaro empurra Lula para a esquerda radical. O avanço de Lula aponta para o centro. Os governos de Lula foram muito aquém do radicalismo de esquerda. E o país cresceu, em média, 4% ao ano. Como seria com a direita radical de Bolsonaro? Ele chegou a dizer que o maior erro da ditadura foi prender mais do   que matar.

Como um investidor de Wall Street vê essa dicotomia?                                              

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Temer adia reedição do vergonhoso indulto de Natal que perdoava amigos corruptos e condenados pela Lava Jato. O decreto foi barrado por Carmem Lúcia e Raquel Dodge.

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Raquel Dodge, a nova chefe da PGR. Imagem Agência Brasil.

                                    O pacote de bondades de Michel Temer para os corruptos em geral, especialmente àqueles envolvidos em crimes do colarinho branco, teve três artigos barrados integralmente pela ministra Carmem Lúcia, do STF. Outros dois itens foram vetados parcialmente. A ministra atendeu a um parecer da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, recentemente indicada ao cargo por Michel Temer. Muita gente ainda vai se surpreender com essa procuradora, especialmente no Planalto, porque Dodge não tem a menor intenção de aliviar o combate à bandalheira político-empresarial que grassa no país.  

                                   Temer, que é acusado de formação de quadrilha e obstrução da justiça (por enquanto), deve ter levado um susto com a decisão da PGR e do STF. Pretendia, na surdida, longe de qualquer discussão pública, perdoar os amigos e correligionários políticos, tanto no Legislativo, quanto no meio empresarial. Queria inclusive perdoar as multas e as penas pecuniárias dos condenados. No bolso dói mais. Não passou. Graças a duas mulheres que não se vergaram à manobra canalha e inconstitucional. A decisão de Carmem Lúcia foi monocrática: uma liminar. Deve ser levada ao plenário da Suprema Corte em fevereiro, quando acabam as exageradas férias do judiciário. Mas o relator da matéria é o ministro Luís Roberto Barroso. Temos uma boa chance de que vire uma decisão definitiva.

                                   Parece que a missão de Temer é mesmo essa: ampliar a impunidade, proteger os amigos e realizar reformas que só interessam ao patronato e ao poder econômico. Ao banditismo generalizado que assola o Patropi. Diga-se: é claro que teríamos que reformar as leis trabalhistas (a CLT de Getúlio Vargas é baseada na “Carta del Lavoro”, de Benito Mussolini). Só que a reforma teria que envolver o trabalhador, a sociedade civil, as centrais sindicais, por exemplo, com ampla divulgação para a sociedade.

                                   Também é claro que a reforma da previdência social é importante para o país. Mas não poderia ser tentada apenas com base no interesse das contas do governo e do empresariado. Deveria considerar a opinião pública. Aliás, em tal “reforma” não há uma linha para os sonegadores, que devem bilhões e bilhões de reais. A reforma ficou para o ano que vem. Ano de eleições gerais. Vai ser difícil aprovar, pelo voto aberto no Congresso, uma coisa tão impopular. Especialmente por um governo amplamente rejeitado pelo populacho em geral. Envolve milhões de pessoas e seus familiaares. Terá um custo eleitoral desastroso. A própria base governista não quer correr tamanho risco. Até porque, sem mandato, muitos deputados e senadores vão bater às portas da justiça comum. Aquela que de fato vale para qualquer cidadão brasileiro.   

                                   Diga-se ainda mais: por que o Partido dos Trabalhadores (PT), que foi governo por 13 anos, não propôs reformas que incluíssem a opinião dos trabalhadores? Encantado com os resultados da Era Lula, o PT parou de pensar.    

                                      

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Donald Trump acende um rastilho de pólvora no Oriente Médio. Acaba de reconhecer Jerusalém como capital de Israel. E – risos – diz que vai erguer ali uma embaixada americana como monumento à paz.

 

                      Em um rápido pronunciamento pela televisão, na Casa Branca, o presidente americano rasgou 70 anos de política externa dos Estados Unidos. Anunciou, sem dar direito a perguntas dos jornalistas, que vai transferir a embaixada do país dele: de Tel-Aviv para Jerusalém. Tornou-se o único país do mundo a reconhecer a Cidade Santa como capital do Estado Judeu. Desde 1947, após a Segunda Guerra Mundial, Jerusalém havia sido declarada “cidade internacional” pelas Nações Unidas, porque abriga as relíquias das três maiores religiões do mundo: cristãos, judeus e muçulmanos.

                             Com tal declaração estapafúrdia, desconhecendo os alertas de perigo dos aliados na região, o topetudo Trump acendeu o pavio de novos (e graves) conflitos no Oriente Médio. A reação palestina foi decretar “três dias de fúria” contra a medida unilateral. Vem por aí mais violência e mais terrorismo. Dois dos mais tradicionais aliados americanos, a Arábia Saudita e a Turquia, fizeram pronunciamentos públicos avisando que a decisão de Trump atravessava uma linha vermelha no mundo muçulmano. Com certeza, o Hamas e o Hezbollah, grupos islâmicos radicais, afiam as armas. Sem falar da Al Qaeda e do ISIS.

                      E por que Donald Trump fez isso, justamente agora, sem qualquer motivo aparente? Porque a colônia judaico-americana exerce enorme influência na política e na economia do país. E boa parte do segmento se identifica com o Partido Democrata, opositor de Trump no Parlamento americano. Ao dizer que Jerusalém é a capital de Israel, atende a esse segmento da vida nos Estados Unidos. E ele não está nem aí para a violência que vai provocar. É só um populacho do Oriente Médio.

                      E o resto é bobagem!

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Michel Temer está nu: base de apoio do governo se recusa a votar a impopular reforma da Previdência. É medo do eleitorado no ano que vem. Pode morrer na praia.

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Temer comemora vitórias esperada, porém duvidosa.

 

                                   Enquanto Dilma Rousseff amargava forte reação da classe média contra o governo dela, o PT e a corrupção, o vice Michel Temer cuidava de preparar um programa de poder chamado “Uma ponte para o futuro”, adjetivado de “pinguela” por Fernando Henrique Cardoso. O conteúdo político do manifesto de rompimento com Dilma, uma senha para a rebelião dos setores conservadores no Congresso, resultou no impedimento da primeira mulher presidente do país. Era coisa velha. Desde os tempos da oposição de direita a Getúlio Vargas, depois que o caudilho voltou pelo voto popular.

                                   No entanto, por trás daquelas mal traçadas linhas da “ponte”, havia um projeto rigorosamente alinhado com o grande capital, nacional e estrangeiro, cuja intenção era realizar “reformas” na Constituição de 1988 e superar as defesas criadas pela CLT aos trabalhadores. Esses direitos custavam caro ao governo e ao patronato. A Constituição do Doutor Ulisses Guimarães chegou a tabelar os juros bancários em 1% ao mês. Imaginem tamanha heresia! A CLT defendia o 13º salário, férias remuneradas, multas para demissões sem justa causa etc. Coisas inéditas em boa parte do planeta.

                                   Temer acenou com reformas para romper a barreira da legislação, com base na maioria parlamentar que tinha, superando a etapa “dilmista” de baixa comunicação com o Brasil real e quase total incapacidade de se relacionar com a política prática – ou seja: um Congresso abastardado. Michel foi na contramão do PT, oferecendo benesses e formas indiretas de financiamento ao empresariado, como a redução das obrigações trabalhistas, que custam demais para as empresas, e perdão fiscal para vários setores. A tese envolvia uma reforma fiscal, que nunca saiu do papel; reforma política, impossível com tal Congresso; reforma trabalhista, aprovada com danos apenas para o campo do trabalho; limitação dos gastos públicos por 20 anos, aprovada, atingindo o investimento público em educação, saúde, tecnologia, pesquisas, ciência e segurança pública. Enquanto isso, Temer aprovava a liberação de bilhões de reais para as famosas emendas parlamentares ao orçamento da União, uma das mais notórias formas de corrupção política no Patropi.

                                   Mas o grande nó surgiu quando a Lava Jato e a PGR acusaram diretamente o núcleo do poder. Temer, ministros, apoiadores, aliados. Malas de dinheiro foram expostas na TV. A Globo rompeu com o regime, coisa que não vi em nenhum momento da alardeada Nova República. Temer reagiu cortando verbas públicas de publicidade. E – pela primeira vez, salvo engano – o controle da verba de propaganda foi alocado na sala ao lado do trono. Moreira Franco, ministro acusado de formação de quadrilha (salvo engano), agora controla a divisão do bolo publicitário.

                                   A reforma da Previdência. Esta atinge diretamente milhões de brasileiros e muitos mais de seus parentes. Aí a cobra enrola o rabo. A base de apoio de Temer, fora o trocadilho, teme o julgamento popular nas urnas de 2018. Quem ficar a favor, pode perder votos decisivos. Sem votos, perde o privilégio de foro para serem julgados na justiça comum. E há um número incontável de políticos acusados na faina do Ministério Público e da polícia contra eles. Temer pode ser abandonado na reta final de seu projeto de alinhamento com o patronado. Há quem diga que já era. Falha ao avistar a praia. A típica morte ao chegar.           

 

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Charles Manson, líder de uma seita assassina, morre na cadeia. Ficou quase meio século preso. Não teve progressão de pena – nem saidinha de feriado.

 

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Manson mandava matar celebridades para provocar um guerra racial nos EUA;

                                   Em 2011, aos 79 de idade, Charles Manson pediu liberdade condicional à Suprema Corte dos Estados Unidos. Alegou idade avançada e doenças. Pedido negado. Os ministros de lá consideraram que era uma ameaça para a sociedade e para o gênero humano em geral. Agora, aos 85 anos, faleceu de causas naturais. Preso. A decisão da corte foi corroborada por laudos psiquiátricos e avaliações psicológicas, que atestaram que o homem continuava perigoso.

                                   Aqui no Patropi soltamos criminosos reincidentes sem qualquer tipo de avaliação. Mera burocracia. Especialmente, quando são brancos e ricos. Os sequestradores chilenos do publicitário Washington Olivertto foram libertados no Dia das Mães. Eram órfãos. Sumiram. Quando são criminosos de colarinho branco, sequer ficam na cadeia. É coisa rara. E vários integrantes da Suprema Corte brasileira acham que prisão sem “trânsito em julgado” – ou seja: julgamento do último recurso aos tribunais superiores – é ilegal. Funciona particularmente para brancos e ricos. É o que explica o sentimento de impunidade no país.

                                   As leis brasileiras assentam que o tempo máximo de confinamento é de 30 anos, em regime fechado. Essa é a pena máxima para homicídio. Mas se o sujeito matar 10 pessoas, 9 dos crimes ficarão impunes. Sou favorável à progressão de pena para criminosos primários, inclusive com a saidinha de feriados. Mas, para quem cometeu crimes repetidamente, não deveria ser possível. E não há qualquer avaliação técnica. Simples burocracia, que serve também para reduzir a ocupação carcerária, já que esse país não dá a menor bola para seus prisioneiros.   

                                   Reproduzo, a seguir, um artigo que publiquei aqui no site em 2013, sobre Charles Manson. Acompanhe:   

“Esse é Charles Manson, aos 79 anos de idade. Fundador de uma seita de fanáticos em Spahn Ranch, na Califórnia (EUA), pregava o ódio contra a humanidade, no final dos anos 60, advertindo para o fim do mundo iminente. Os seguidores de Manson, todos muito jovens e de famílias ricas, achavam que ele era “a reencarnação de Jesus Cristo”. Obedeciam cegamente às orientações dele, inclusive o ódio racial e religioso. A “Família Manson”, como o grupo ficou conhecido, assassinou cruelmente sete pessoas, escrevendo com o sangue das vítimas palavras de ordem da seita nas paredes das casas onde os crimes ocorreram.
A primeira residência invadida pela “Família Manson”, na noite de 6 de agosto de 1969, foi a do cineasta Roman Polansky, em Cielo Drive, Los Ângeles. A mulher dele, a atriz e modelo Sharon Tate, grávida de sete meses, foi morta em companhia de quatro amigos do casal. Polansky não estava em casa. Aparentemente, ele seria o alvo principal, por causa do filme que acabara de produzir, “O bebê de Rosemary”, que tratava de satanismo. Na noite seguinte, os fanáticos invadiram outra casa milionária e mataram o casal Rosemary e Leno LaBianca. Charles Manson, o “líder espiritual” do grupo, não esteve presente nos homicídios.
Os assassinatos brutais renderam manchetes em todo o mundo, especialmente porque os fanáticos haviam escrito com sangue as palavras “Pigs” (porco) e “Rise” (ergam-se) na casa de Polansky. Na residência do casal LaBianca, escreveram “Helter Skelter”, título de uma música dos Beatles. Charles Manson declarou à polícia que a letra de Lennon & McCartney continha instruções subliminares para iniciar uma guerra de negros contra brancos nos Estados Unidos, que daria origem ao fim dos tempos. A “Família Manson” foi presa em poucos dias, porque seus integrantes, usuários de drogas, comentavam publicamente (e com orgulho) os crimes que haviam cometido. Foram condenados à pena de morte, convertida, em 1972, para prisão perpétua.
Charles Manson está na cadeia até hoje, já tendo cumprido 44 anos da pena. O endereço dele é numa cela individual de segurança máxima na Penitenciária Estadual da Califórnia. De tempos em tempos é submetido a uma série de exames e testes psicológicos para determinar se pode ou não voltar ao convívio social. Até agora, foi reprovado sempre. O próximo exame está marcado para 2027, quando já terá 92 anos.
As leis brasileiras afirmam que ninguém pode passar mais de 30 anos em regime fechado, não importando a gravidade dos crimes que cometeu. Se fosse aqui, Manson já estaria solto há muito tempo”

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61.689: este é o número de homicídios cometidos no país no ano passado. Um recorde histórico. Motivos: redução do investimento público em segurança; aumento das desigualdades; desemprego.

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Ocupação policial-militar das comunidades pobres. Imagem da TV Globo.

                                   O número de assassinatos, divulgado hoje (30 out) pelo Anuário Estatístico da Violência no país, revela que batemos um recorde histórico, disputado apenas por nós mesmos. Este é o país que mais mata no mundo. O número corresponde ao ataque nuclear americano contra a cidade de Nagasaki, no Japão, que pôs fim à Segunda Guerra Mundial. É bem maior do que os americanos mortos no Vietnã (57 mil). Mais do que um Vietnã por ano! E ainda dizem que o brasileiro é um povo pacífico e ordeiro. Só se for em relação aos políticos e governantes.

                                   São cerca de 170 homicídios por dia. Algo como 29 crimes fatais para cada grupo de 100 mil habitantes, três vezes o que é recomendado pela ONU. É um país bandido. Os números divulgados hoje também revelam que o governo federal deixou de investir 1 bilhão de reais na segurança pública, enquanto Temer gasta mais de 10 bilhões em emendas parlamentares para continuar no cargo. Ele mesmo, que é acusado pela PGR de comandar uma organização criminosa e de obstruir a justiça. A imensa maioria dos mortos na estatística são jovens entre 17 e 29 anos. São pretos, pobres e favelados. Mas só a violência contra a classe média e as elites sai nos jornais e na TV. E só esses crimes são investigados. No meio jurídico, há que diga que apenas 1% dos crimes resulta em condenação. E as prisões estão lotadas.

                                   A sociedade brasileira está criminalizada de alto a baixo: vai da “cervejinha” para o guarda de trânsito ao caixa 2 das grandes empresas e à sonegação de impostos dos bancos, montadoras e emissoras de TV. Na reforma da previdência pretendida pelo governo Temer, não há uma linha a respeito dos sonegadores. Estes somam bilhões e bilhões de reais descontados dos empregados e não pagos ao governo. Em um país que não constrói escolas e hospitais, como queremos estar seguros nas ruas?

                                   E o exemplo vem de cima. Da casa grande. Se as elites políticas e econômicas são o mau exemplo, roubando e espoliando o patrimônio público, como imaginar a redução da violência entre os pobres? E são justamente os pobres as maiores vítimas da violência.         

                                    

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Espetáculo vergonhoso na Câmara: deputados rejeitam segunda denúncia da PGR contra Temer em meio a chantagens, barganhas e outras patifarias.

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Oposição protesta na Câmara. Imagem do portal da Veja.

 

                                   As oposições e os dissidentes precisavam de 342 votos para derrubar o governo mais impopular da história recente do país. Só conseguiram 233. Para se livrar das acusações de obstrução de justiça e crime organizado, Michel Temer deveria merecer apenas 172 votos, coisa fácil de obter em razão da maioria de que dispõe na Câmara. Mesmo assim, ficou com uma votação inferior àquela que teve na primeira denúncia: 263, na primeira; 251, na segunda. O governo, de novo, sai desgastado pelos discursos virulentos da oposição, transmitidos ao vivo pela TV e o rádio.

                                   Durante toda a quarta-feira (25 out), parlamentares do “centrão” fizeram todo tipo de chantagens contra Temer, recusando-se a dar quórum à sessão na Câmara. Queriam mais dinheiro, mais cargos. O preço deles subiu. E ficou patete que o governo é refém do grupo de 12 partidos mais desqualificado do país. Com as oposições obstruindo os trabalhos, ao que se soma a rebelião dos oportunistas da ala conservadora, a votação só começou à noite, obrigando a TV Globo a cancelar o capítulo da novela “O outro lado do paraíso”. Prejuízo milionário para a emissora.

                                  As barganhas e patifarias foram de tal ordem, que Temer, sem dormir direito nos últimos dias, passou mal e teve que ser hospitalizado com uma crise renal. E foi justamente para o hospital do Exército, onde o generalato o vê como um grave problema para o país. Muitos desses oficiais-comandantes desejam o fim deste governo. Mas Temer saiu do hospital a tempo de aparecer no Jornal Nacional, acompanhado da bela Marcela, a primeira-dama.

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Temer comemora vitória esperada, porém duvidosa.

                                   Tudo mostra que o governo, apesar das gravíssimas acusações, formuladas pelo procurador Rodrigo Janot, vai até o fim. À custa de mais benesses – e talvez alguma corrupção adicional em favor do “centrão”. O dinheiro jogado fora para manter o mandato daria para construir centenas de escolas, postos de saúde, creches e aprimorar a segurança pública. O episódio confirma, pela enésima vez, que esses mandatários da República desejam firmemente que o povo se dane. E há – também – alguns deputados com vocação para palhaços de circo. Fazem discursos capazes de envergonhar as pedras do calçamento. (Me perdoem os verdadeiros palhaços, que levam alegria ao povo.) Os comediantes da Câmara representam o pior que há na história do Parlamento brasileiro. Nunca se viu uma legislatura tão vagabunda. 

                                   Não há nada mais espantoso do que a conduta dessa maioria parlamentar, formada a partir do impedimento de Dilma Rousseff. Quer impor ao Brasil um retrocesso de 50 anos. Ou mais!               

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Tropa de choque da PM mata turista espanhola e reabre crise na Rocinha. O Rio tem um tiroteio a cada duas horas. Prefeito Crivella pede ação das Forças Armadas. Inútil!

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Forças Armadas na Rocinha. Imagem Agência Brasil.

   

                                   Na manhã desta segunda-feira (23 out), a turista espanhola Maria Esperanza Gimenez, 67 anos, resolveu visitar a favela da Rocinha, campo de batalha entre facções criminosas. Aparentemente, contratou o tour em uma agência de viagens. Estava em um carro particular, sem qualquer sinal de que se tratava de um veículo de turismo. O motorista, supostamente, teria se recusou a parar em um bloqueio da tropa de choque da PM, no Largo do Boiadeiro, localidade movimentada da favela. E o que fizeram os policiais? Abriram fogo de fuzis automáticos contra o carro. Esperanza morreu a caminho do hospital.  

                                   Meia hora antes do incidente, que ganhou repercussão mundial, já tinha havido um violento enfrentamento entre policiais e traficantes, que resultou em dois PMs e um suspeito feridos. Quase ao mesmo tempo, dois outros tiroteios sacudiam o Morro do Chapadão e o Vidigal. Cenas da guerra civil no Rio de Janeiro, onde ocorre um enfrentamento armado a cada duas horas. O próprio ministro da Defesa, sem medir as palavras, já disse que tiroteio em favela é coisa do cotidiano das comunidades pobres. Como se a conflagração armada na segunda maior cidade do país não tivesse qualquer relevância. Raul Jugmann (PPS-PE, partido originário do antigo Partido Comunista Brasileiro, o PCB, hoje aliado de Temer) quer nos fazer acreditar que essas coisas são “normais”.  

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Violência nas ruas. Um país em guerra civil não declarada. Imagem da TV Brasil. ,

                                   A política de segurança no Rio afundou de modo espetacular. As Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs), criadas há quase uma década, e que pretendiam recuperar os territórios ocupados pelo narcotráfico, fracassaram redondamente. Não passaram de um pequeno Estado de Sítio sobre as comunidades, no qual direitos civis básicos foram violados. Em 70% dos casos, houve denúncias de corrupção e maus tratos contra moradores. Os casos mais emblemáticos foram o sequestro, a tortura e o desaparecimento de Amarildo, na Rocinha, e o de um tenente do Exército que decidiu levar para casa dois aparelhos de ar-condicionado de um morador do Complexo do Alemão. Ou seja: não adiantava ocupar o quintal dos traficantes com uma polícia bandida. Não que a instituição seja criminosa, mas está povoada por maus elementos. Com o dedo leve no gatilho. 

                                   Há no Rio de Janeiro cerca de 1.300 favelas e bairros muito pobres. Segundo o ministro Jugmann, 850 deles são dominados pelo crime organizado. Uma população de 1.3 milhão de pessoas estaria sob o jugo do narcotráfico. Só este ano, mais de 100 policiais militares foram assassinados no Rio. Não sei o número exato de “civis” tombados no conflito, mas são centenas e centenas. Só em 2017, 632 pessoas foram atingidas por balas perdidas, de acordo com a Folha de S., Paulo, incluindo mulheres e crianças. Além do mais, pesquisas de opinião pública revelam que os pobres têm mais medo das forças da lei do que dos bandidos. É o caos!

                                   Com os incidentes de hoje, o prefeito do Rio, o bispo evangélico Marcelo Crivella, voltou a pedir ações das Forças Armadas contra a violência que assola a cidade. Os políticos acham que os militares estão aí para dar uma desculpa pública para o desgoverno. Isto não só desagrada a caserna, como não tem tido resultados. Na verdade, os militares estão de saco cheio de agir para salvar a aparência de políticos pouco cofiáveis, que comprometem a imagem pública das Forças Armadas, especialmente o Exército e a Marinha.

                                   É bom lembrar que o ex-governador Sérgio Cabral está preso por deslavada corrupção e que o Estado deve salários aos funcionários públicos. Se não construímos escolas e hospitais, seremos capazes de cuidar de quartéis e de tropas? O que falta mesmo são políticas de bem-estar social e redução das desigualdades. Sem isso, não há segurança que aguente, particularmente em um país onde o presidente e alguns ministros são acusados – justamente – de formação de quadrilha.    

     

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