Ataque do ISIS deixa ao menos 13 mortos e mais de 100 feridos em Barcelona. O número de vítimas fatais pode chegar a 28. Enquanto perde a guerra no campo de batalha, grupo terrorista ataca turistas para assustar o mundo.

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Atentado em Barcelona. .

                                    Foi mais um atropelamento coletivo, inesperado e covarde. Uma van invadiu uma avenida para pedestres no centro de Barcelona e arrastou cento e tantas pessoas por 600 metros. Os números oficiais falam em 13 mortos e outras dezenas de feridos. Cerca de 15 estão em estado gravíssimo, o que pode elevar as vítimas fatais para 28. Foi no coração de uma das cidades mais belas e hospitaleiras da Europa. Ataque infame contra turistas inocentes. Pelo trajeto da van ficaram corpos caídos no chão, cujas imagens são tão dramáticas que evitaremos mostrar. Muitas mulheres e crianças esmagadas no chão. O ISIS (Estado Islâmico do Iraque e do Levante, em inglês) reivindicou a autoria do atentado.

                                   Enquanto é derrotado no campo de batalha na Síria e no Iraque, o ISIS (ou Daesh, em árabe) reclama sua fatia de represália matando gente inocente nos “territórios infiéis”. Ou seja: todo o mundo ocidental. Todos nós. Após uma campanha militar brilhante, do ponto de vista estratégico, a milícia islâmica sunita conquistou, discretamente apoiada por governos árabes do gênero sunita, como a Arábia Saudita, aliada de Trump, um califado em terras sírias e iraquianas. Do tamanho da Bélgica. No avanço, parte do exército que apoiava Sadam Hussein, no Iraque pós 11 de setembro de 2001, desertou e se juntou aos extremistas do Estado Islâmico. Forneceu a bucha de canhão para o grupo terrorista. Mais de 10 mil homens com experiência de combate, tanques, mísseis e poderosas armas de infantaria.

                                   Em sua primeira fase, ocupando cidades e desertos, o ISIS promoveu massacres contra xiitas islâmicos, cristãos e outros “infiéis”. Destruiu relíquias históricas da humanidade. Arrastou corpos pelo chão. Decapitou jornalistas ocidentais diante de câmeras de TV. Matou e matou. Sequestrou meninas para se tornarem escravas sexuais. Implantou um terror nunca visto após o nazismo. Recrutou milhares de muçulmanos ou adeptos em todo o mundo, inclusive no Brasil. Reuniu uma força jamais avaliada. Mas cometeu erros graves, como apostar no terror puro e simples.

                                   Contra o ISIS se ergueu o horror de Barak Obama e da OTAN. O presidente negro americano mandou armas para a resistência contra o grupo, alguns aviões, mas não soldados que pusessem as botas no solo. Esse preço ele não pagaria. Resultado: o califado prosperou. Só quando a Rússia de Putin se meteu na guerra, apoiando o ditador sírio, o cenário mudou. Putin lançou sobre o Estado Islâmico na Síria o melhor do que dispunha em seus arsenais. Os extremistas foram massacrados. E, com eles, a população civil e as cidades. A Rússia anunciou, inclusive, a morte do Califa Ibrahim, fundador do Califado do Levante, soterrado em um ataque aéreo. Putin venceu a guerra. O preço: 300 mil morros.

                                   Os territórios ocupados pelo ISIS na Síria e no Iraque estão reduzidos a 20% do eram há dois anos. Mas a capacidade de agredir os “infiéis”, como em Barcelona, continua. Somos todos reféns.           

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O papel do jornalista é quebrar sigilos e revelar segredos no interesse da opinião pública. O que se passa nas sombras não corresponde ao interesse público.  

                                   Após a publicação do meu último post, no fim de semana, uma operação sigilosa da polícia paulista contra a Máfia Chinesa foi interrompida. Supostamente, violei um segredo de fonte exclusiva. Jornalista não guarda segredos. Ou deveria? Jornalista serve ao público. Não a si mesmo ou aos seus amigos e fontes de informação. O segredo da fonte está protegido pela Constituição Federal. Mas revelar a informação, mesmo sem declinar a fonte, é um direito do cidadão brasileiro. O público precisava saber que uma organização criminosa internacional age em São Paulo. E que a polícia judiciária está no encalço dos criminosos.

                                   Se você não gostou, saiba do seguinte: quando conversa com um bom repórter, corre o risco de ser publicado. Isto está implícito na conversa. Até as leis do país reconhecem o tema. Você, autoridade pública, fala na condição de autoridade pública. O repórter deve se comportar como tal. A missão dele é reportar. Vamos aguardar mais uns dias para ver a grande operação policial contra a Máfia Chinesa, antes que alguém tente ganhar algum dinheiro protegendo os criminosos.

                                   Quem viver, verá!

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Polícia prepara operação contra a Máfia Chinesa em São Paulo. Já há mandados de prisão e de busca contra dezenas de pessoas na capital e no interior. A organização criminosa é especializada em sequestro e extorsão contra empresários orientais.

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A delegada do DHPP.

Forças especiais da polícia paulista, sob comando da delegada Elisabete Sato, diretora da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), devem entrar em ação contra a Máfia Chinesa em São Paulo. A mobilização de dezenas de policiais deve começar na madrugada de domingo para segunda. Os alvos foram definidos a partir de denúncias e monitoramento autorizados pela justiça. Cerca de 20 pistoleiros do grupo já foram identificados e devem ser apanhados em poucas horas.
A Máfia Chinesa atua em São Paulo desde os anos 1990. Ataca comerciantes coreanos e japoneses, especialmente nas áreas do comércio popular. A “taxa de proteção” para que esses empresários possam continuar com seus negócios é cobrada em dólares. Como a maior parte deles está envolvida com o contrabando e a pirataria, a organização criminosa costuma receber uma espécie de “pedágio” sem ser importunada pela polícia. As vítimas não dão queixa às autoridades. Muitos dos integrantes da Máfia Chinesa são estrangeiros vivendo clandestinamente em São Paulo. Entram por terra, a partir de paí   ses vizinhos como a Bolívia e o Paraguai.
Nos últimos dois ou três anos, o grupo começou a atacar investidores chineses. E a tática- mais comum foi o sequestro de mulheres e filhos e as ameaças de morte. Alguns dos casos chegaram à mídia. E foi assim que a polícia ficou sabendo dos ataques. Agora até o governo da China está interessado em pegar os bandidos. As autoridades consulares em São Paulo estão colaborando com a delegada Sato. Especialmente fornecendo tradutores para os interrogatórios e trocando informações. Alguns dos homens da Máfia Chinesa são bem conhecidos da polícia em seu país de origem.
A organização criminosa tem como berço o grupo surgido em meados do século 19 nas cidades de Hong-Kong, Taipei e Xangai. A Tríade. Ou a Sociedade das Três Harmonias. Foi inicialmente uma seita religiosa – e logo evoluiu para uma quadrilha internacional voltada ao tráfico de ópio e heroína. Também se envolveu em tráfico de pessoas e contrabando de produtos caros do Oriente, como a seda e especiarias. Na Indochina (Laos, Vietnã e Camboja), foi chamada de “Dragões Vermelhos”, controlando a produção e distribuição de drogas. No início do século 20, agia nos protetorados britânicos na Ásia, iniciando a cobrança de proteção contra comerciantes e investidores.
Agora o pesadelo está aqui.

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Condenação de Lula foi ato jurídico para atender interesses políticos. O que se trata é de impedir a reação popular contra os desmandos do governo nas urnas de 2018. Se Lula não for barrado agora, pode vencer.

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                                   O juiz Sérgio Moro condenou Lula por corrupção passiva a quase 10 anos de prisão em regime fechado e à perda dos direitos políticos por quase 20 anos. Uma sentença de morte, se for confirmada em segunda instância. Moro aceitou integralmente a tese do ministério público. Não há na decisão nada além da tese acusatória, a não ser citações de jurisprudência. E a pena até que foi leve. Esperava ao menos 50% a mais de cadeia. Mesmo assim, considerando a idade do ex-presidente, é uma pena de morte.

                                   Apesar do bombardeio da grande mídia e das sucessivas acusações de crimes comuns, Lula continua à frente das pesquisas eleitorais. Seguramente, pode levar nas urnas, enquanto perde no tapetão. Parece que quanto mais apanha, mais se fortalece. E agora é aceito como vítima, especialmente após a morte da mulher. Não se trata aqui de saber se ele roubou ou não. Critiquei severamente o governo Dilma e o PT, por falta de iniciativa, de projeto e de competência. Mas o que interessa nesse artigo é medir a consequência política da decisão de Moro.

                                   O juiz, homem inteligente, bateu o martelo contra o petista, mas se preveniu. Fez três concessões importantes, talvez para disfarçar a consequência política do ato: deixou Lula em liberdade, “para evitar traumas”; absolveu o ex-presidente em outra acusação, que dobraria a pena de prisão; fez elogios aos governos do metalúrgico nordestino. É muito difícil desconhecer algumas das conquistas sociais e econômicas da chamada Era Lula. Desconhecê-las na sentença reforçaria a impressão de que se tratava mesmo de uma decisão política.

                                   Não acredito que a segunda instância vá revogar o ato de Sérgio Moro. Talvez reduza a pena para algo inferior a sete anos de detenção, abrindo a possibilidade de regime prisional mais brando. Manter Lula enjaulado seria extremamente perigoso para o projeto conservador que assola o país. O povão adora um mártir. Deixá-lo inocente e livre pode ser fatal em 2018. Assim, como observador atento, creio que o ex-presidente será impedido de concorrer. A menos que haja intensa movimentação popular. Não parece provável.     

 

 

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Ataque de Michel Temer e Gilmar Mendes ao Procurador da República é a senha para uma ampla reação política contra a Lava Jato e os investigadores da maior devassa de corrupção da história do país. O tom agressivo corresponde à gravidade das acusações.

                                    O presidente Temer fez pronunciamento público sobre as denúncias de corrupção contra ele, apresentadas pela PGR: teria tentado extorquir meio bilhão de reais dos donos da JBS, em troca de favores públicos ao maior açougue do mundo, um dos principais financiadores de campanhas políticas dos últimos dez anos no Brasil. Temer transformou uma sala do Palácio do Planalto em palanque eleitoral. Reuniu uns 50 apoiadores e amigos. Atacou o procurador Rodrigo Janot, insinuando que teria recebido milhões de reais em troca da delação premiada dos irmãos Batista, proprietários da Friboi. Na imagem da TV, estava entre patético e temeroso, diante da consistência das denúncias. Ao final, foi saudado com gritos de “bravo, bravo” pela claque que reuniu no espaço público de governo.

                                   No dia seguinte, em sessão do Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes secundou os ataques contra a PGR, por meio de uma intrincada elaboração jurídica, tentando demonstrar que o Ministério Público estava reescrevendo o Código Penal Brasileiro. Mendes também disparou contra o juiz Sérgio Moro, dizendo que há “um novo Direito em Curitiba”. Aparentemente, tudo articulado. No STF, a posição de Temer está amplamente rejeitada. Apesar de que o julgamento prossegue por mais um dia.

                                   Mas o que importa é o seguinte: tanto Temer quando Gilmar Mendes mandaram uma senha para a maioria conservadora no Congresso: resistência total contra a Lava Jato e os investigadores da corrupção. Quer dizer que vão ressuscitar o projeto de lei de abuso de autoridade, que visa constranger delegados federais, promotores e juízes. E – além disso – aprovar uma anistia ao caixa 2 de campanhas. Com isso, esvazia-se a maioria das acusações criminais que atingem um terço de deputados e senadores. A reação é a prioridade, suplantando as ditas reformas sociais que iriam   salvar o país. Aliás, salvar Temer é a prioridade total. Se ele cair, caem todos. É por isso que o Congresso vai rejeitar as denúncias da PGR. Liminarmente. Vai rejeitar tudo. Inclusive os processos de cassação dos integrantes da base governista, como Aécio Neves, por meio de um amplo acordo. A posição do PSDB, inclusive, é de envergonhar as pedras do Pátio do Colégio.

                                    Para processar criminalmente o presidente Temer, é preciso aprovação da Câmara. Não vai acontecer. Para pegar os cúmplices, será ainda mais complicado. Resta o populacho em geral ocupar as ruas. Parece improvável. Vamos ver o que haverá no dia 30, com a convocação de uma greve geral pelas centrais sindicais.

                                   Salve chuva e salve engano, Temer vai até 2018. E país que se dane!              

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Super Tucano da FAB intercepta avião com 653 quilos de cocaína pura. O bimotor do tráfico teria decolado de uma fazenda no Mato Grosso, pertencente à família do Ministro da Agricultura de Temer. É o segundo caso em poucos meses envolvendo políticos de destaque do PMDB.

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O bimotor com 653 quilos de cocaína. Imagem Agência Brasil.

                                    À uma da tarde desta segunda-feira (26 jun), um caça Super Tucano da FAB interceptou um bimotor suspeito de tráfico em Mato Grosso. O avião se recusou a atender às ordens de pousar. O capitão comandante do caça abriu fogo com metralhadoras de 30mm e obrigou o clandestino a pousar em uma estrada na zona rural. A polícia levou um bom em tempo para chegar ao avião, que sofreu fortes danos na aterrissagem forçada. Dentro do aparelho havia 653 quilos de cocaína pura. Os dois ocupantes já tinham fugido, abandonando o narcótico.

                                   Em poucos meses, é a segunda vez que a Polícia Federal e a Aeronáutica fazem interceptações desse tipo. No primeiro caso, havia suspeitas do envolvimento de um senador do PMDB, já citado em casos de corrupção. No episódio de hoje, o avião teria decolado de uma fazenda pertencente à família do Ministro da Agricultura de Temer, Blairo Maggi. Nas duas apreensões, a soma é de quase 1,2 toneladas de droga pura. Nas ruas, vale quase 70 milhões de reais. Nas Américas, a cotação do grama de cocaína pura varia como o grama do ouro, entre 50 e 65 dólares. É só fazer a conta para ter uma ideia do tamanho de carregamentos de entorpecentes com esses dois. Além do mais, um grama de cocaína pura é misturado a outras três partes de substâncias solventes. Ou seja: 3,6 toneladas.

                                   Isto é que é crime organizado. Esse negócio de bandido armado na favela é bobagem! A família do ministro declarou que não havia autorizado nenhuma decolagem nas pistas das fazendas do grupo.  

   

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Relatório da PF complica ainda mais a vida de Temer: perícia mostra que gra-vações do dono da Friboi são autênticas e não sofreram edições. A PGR vai ofe-recer ao Supremo Tribunal três denúncias contra o presidente: corrupção, obstrução da justiça e associação criminosa.

                                   O resultado da perícia feita pelo Instituto Nacional de Criminalística, ligado à Polícia Federal, nas gravações do dono da Friboi com o presidente Michel Temer, foi divulgado na manhã deste sábado (24 jun). Os técnicos afirmam que o conteúdo gravado em áudio é autêntico e não sofreu manipulações. É um tiro de 12 nas costas do presidente. Temer recebeu Joesley Batista na residência do Jaburu, tarde da noite, em caráter clandestino. O encontro não estava na agenda do presidente e o convidado se apresentou com nome falso, dizendo-se Rodrigo. A segurança do palácio o admitiu, porque, supostamente, estava avisada.

                                   O diálogo, gravado pelo empresário, se deu em local restrito do palácio, um subsolo. Parece coisa de bandido. O resultado seria o seguinte: Joesley pagaria 400 mil reais por mês a Eduardo Cunha e Lúcio Funaro, ambos presos na Lava Jato, em troca do silêncio dos dois; também pagaria 450 mil reais por semana a Temer e um dos seus cúmplices, durante 20 anos, totalizando quase meio bilhão de reais. Em troca, os abonados resolveriam problemas da JBS na burocracia estatal, especialmente no CADE e na CVM. A Polícia Federal diz que a gravação é confiável do ponto de vista técnico. Na semana que vem, Rodrigo Janot apresenta a primeira denúncia contra Temer no STF: corrupção. Depois, vai apresentar mais duas.

                                   Como sabemos, a base parlamentar de Temer vai rejeitar as denúncias no Congresso, cuja autorização é fundamental para processar o presidente. Os 13 pedidos de impeachment do presidente também serão rejeitados. Como foi rejeitado o pedido de cassação do senador Aécio Neves na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O fato é que, com esse Congresso conservador e reacionário, não será possível resolver nenhum dos problemas do país.  

  

                                      

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PSDB mete os pés pelas mãos e se inviabiliza como alternativa de poder à era petista. Caciques do partido falam dois ou três idiomas diferentes e lançam as bases políticas na maior confusão.

 

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Aécio Neves, do PSDB, o grande derrotado.

 

                                   Por uma lógica cartesiana, após o mandato tampão de Michel Temer, o PSDB seria uma alternativa viável de poder aos 13 anos de governos petistas. Seria. Mas os sociais-democratas são tão atrapalhados que não conseguem produzir um projeto que faça sentido em meio à maior crise política e econômica da história do país. Com a queda de Dilma Rousseff, o tucanato aderiu a Temer com 4 ministros. Optou por ter visibilidade política, acreditando que poderia fazer diferença no núcleo do PMDB. Mas o governo formado por Michel Temer era – na verdade- um grupo de amigos e cúmplices em décadas de desmandos e de corrupção.

                                   Resultado: os tucanos se enredaram em um movimento marcado por denúncias e quedas sistemáticas dos apoiadores de Temer, quase todos acusados de crimes graves contra o interesse público. A fúria da Lava Jato desabou, inclusive, contra os próceres do PSDB. Especialmente Aécio Neves, provável candidato do partido às eleições presidenciais do ano que vem. Agora terá sorte se escapar da prisão. A irmã dele, Andrea, e o primo, Fred, já estão em cana. No fim das contas, os tucanos se confundiram com o velho e destratado PMDB, de onde saíram como críticos há quase 20 anos. E não sabem como escapar do labirinto que pode traga-los para um desastre eleitoral em 2018.

                                   A executiva do partido, mesmo diante da avalanche de denúncias contra o governo Temer, decidiu ficar. Ao que tudo indica, em troca de dois favores: o apoio do PMDB ao candidato tucano em 2018, o que teria enorme efeito sobre o tempo de propaganda eleitoral na TV, e para tentar salvar o mandato e a liberdade de Aécio Neves. Um erro crasso. Tanto é verdade, que o maior expoente do partido, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, passou a defender eleições diretas para superar a crise. Ou seja: uma barafunda total. E o partido também recorreu da decisão do TSE que absolveu a chama Dilma-Temer.

                                   A diferença de opiniões internas no PSDB ameaça rachar a agremiação. Miguel Reali Júnior, um dos juristas do partido que assinou o impeachment de Dilma, abandonou a sigla. Disse que não poderia conviver com a situação. Há uma divisão entre as bases jovens, chamadas de “cabeças pretas”, e os mais velhos, indicados como “cabeças brancas”, em referência à tonalidade dos cabelos. Aécio Neves está em vias de extinção, porque foi apanhado recebendo dinheiro duvidoso da JBS. Outros são suspeitos na Lava Jato, inclusive José Serra, citado em delações e que se demitiu do governo.

                                   O PSDB, que perdeu as eleições de 2014 para o PT por apenas 3,27% dos votos válidos, abandona o bonde da história. Apoia reformas impopulares, voltadas ao interesse do grande capital e do patronato, desgastando a sua imagem pública. Perde a aura de “pai do Plano Real”. E não sabe o que fazer.

                                   Se Lula escapar de Sérgio Moro, vence a eleição.          

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Tá tudo dominado: salvo algum fato extraordinário, governo Temer vai até o final. Mesmo arrastando destroços por todo lado, há um pacto político para proteger o presidente acusado de corrupção e associação criminosa.

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Temer e Marcela. Caso perdido ?

 

                                   Já não há dúvidas de que o governo de Michel Temer, iniciado há pouco mais de um ano, após a derrubada de Dilma Rousseff, vai até o fim. Há um gigantesco complô para que o presidente complete a sua obra: só um mandatário tão impopular poderia realizar reformas estruturais tão impopulares e contra o interesse da imensa maioria das pessoas. Ele não tem nada a perder. Pela lógica mais simples, já teria caído. Como governo de transição, ao invés de apontar para a consulta ao eleitor, montou um aparato de amigos, quase todos tão suspeitos quanto ele. Nos primeiros oito meses no Planalto, perdeu oito dos seus assessores mais próximos, envolvidos com escândalos. Mantém sete ministros investigados por corrupção. E faz de conta que está tudo bem.

                                   Por que Temer tem tanta certeza de que vai prosseguir?

                                   Fácil. Em torno dele existe uma articulação política que envolve o grande capital, o patronato, a banca, a parte podre do Congresso e um segmento do judiciário. Nenhuma das acusações vai vingar, porque ele tem maioria para barrar as tentativas de abrir processos criminais ou de impedimento parlamentar. Os 13 pedidos de impeachment contam com Rodrigo Maia (DEM-RJ), afiliado político do presidente, que vai rejeitar (ou enrolar) todos eles. O pedido de impugnação da chapa eleitoral Dilma-Temer, a mais corrupta da história do país, foi barrada por 4 votos a 3 no TSE. A corte eleitoral jogou fora todas as provas que incriminavam Temer. Foi a decisão mais política – e menos técnica – da história do tribunal. A denúncia de crime organizado, corrupção e lavagem de dinheiro, que a Procuradoria Geral da República vai apresentar na semana que vem, será barrada pela maioria de Temer na Câmara dos Deputados. Dizem que o presidente terá 300 votos contra a medida.

                                   Isto quer dizer o seguinte: Temer tinha duas tarefas principais: barrar as investigações contra os políticos e aprovar as “reformas” trabalhista e previdenciária. Todas as duas contra o populacho em geral. As reformas tributárias e políticas nem entraram na pauta do Congresso. O STF mandou afastar Renan Calheiros da chefia do Senado, em despacho do ministro Marco Aurélio de Mello. Ficou por isso mesmo. O STF mandou afastar Aécio Neves das funções parlamentares. O Senado ignorou. Só quando houve uma grita da mídia, o nome do senador mineiro foi apagado do painel de votações. Mas a tentativa de processar o presidente do PDDB será barrada.  

                                   O resultado de tamanha articulação é que Michel Temer vai até o fim, arrastando os seus destroços. A resposta será nas urnas de 2018.       

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Julgamento no TSE vira espetáculo de atropelo da lógica jurídica e da verdade. Em quatro dias de sessões, um show de vaidades, autoritarismo e suspeitas.

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Show de horrores no TSE. Imagem TV Brasil;.

                                    O julgamento da ação do PSDB que pretendia a impugnação da chapa Dilma-Temer nas eleições presidenciais de 2014, por abuso de poder político e econômico, virou um circo de horrores. Ministros se agredindo com sutileza feroz, demonstrações de autoritarismo, ofensas veladas. Teve de tudo. Menos justiça – ao menos na opinião deste modestíssimo observador. Formou-se uma maioria de 4 a 3 contra a tentativa de cassar o mandato de Michel Temer, já que Dilma havia sido impedida pelo Congresso em maio do ano passado. A rigor, Dilma Rousseff nem deveria estar mais na discussão, porque perdera o cargo. Continuou assim mesmo, como a se julgar um morto por crime pretérito.

                                   Vimos um relator do processo, que já sabia estar derrotado, falando por mais de 17 horas, transformando suas prerrogativas em palanque para denunciar o apodrecimento do sistema político brasileiro. Vimos o lado oposto, liderado por Gilmar Mendes, presidente da corte, jogar fora todas as provas de corrupção relacionadas com o pleito de 2014. Criando um precedente jurídico para questionar todas as investigações da Lava Jato. As delações premiadas da Lava Jato, incluindo dos marqueteiros que fizeram a campanha da chama Dilma-Temer, foram desconsideradas. Marcelo Odebrecht delatou: 150 milhões de reais de origem ilícita foram aportados na eleição; João Santana e Mônica Moura receberam milhões de dólares em contas dissimuladas no exterior. Há documentos que provam as operações criminosas. Mas todos os indícios foram jogados fora. Quatro ministros disseram que não tinha nada a ver com a ação original.

                                   O relator do processo, o ministro Herman Benjamin, de voz frágil e saúde debilitada, foi apresentado como apressado e leviano. Na verdade, era um jogo definido meses atrás. Temer havia nomeado dois ministros para a corte. Contando com Gilmar Mendes, faltava só um voto. O escolhido foi um ministro citado em delações premiadas. Este protagonizou o espetáculo mais dantesco do episódio. Fez discurso inflamado, ofegante, afirmando que era justo e bom. Disse que seus “detratores” mereciam a ira do profeta Maomé. E fez um gesto de decapitação. Não me lembro de nada tão vergonhoso numa corte de justiça. E ele votou contra a ação. Até as pedras do calcamento sabem que houve corrupção no pleito. Só que prevalece a aliança política contra o óbvio.

                                   Temer tem maioria no Congresso. As denúncias que serão feitas contra ele por Rodrigo Janot, na semana que vem, serão contidas pelo muro do centrão, um conjunto se 12 partidos políticos, cuja maioria na Câmara está sob suspeita ou investigação. Um terço dos congressistas responde a algum tipo de ação penal. Assim, a autorização para processar criminalmente o presidente não será aceita. De jeito nenhum. Temer precisa de 172 votos na Câmara. É fácil. Além do mais, Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da casa legislativa, vai bloquear qualquer pedido de impeachment.

                                   Ou seja: a profecia de Michel Temer vai se consumar: “Governarei até 31de dezembro de 2018”.                   

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