Odebrecht confessa ao TSE que pagou 3,39 bilhões de reais a políticos e funcionários públicos. Delator da empreiteira garante que foi dinheiro ilegal para todo lado. Não sobra ninguém em Brasília. Vai faltar ventilador para tanta merda.

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A Segunda Turma do STF. Imagem da TV Justiça.

                                    O diretor do “Departamento de Operações Estruturadas” da maior empreiteira do país, a Odebrecht, Hilberto Mascarenhas, confessou ao ministro Herman Benjamin, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que a empresa distribuiu 3,39 bilhões de reais a políticos e funcionários de alto escalão entre os anos de 2006 e 2014. O depoimento, diante da maior corte eleitoral do país, foi há dois dias (6 mar), revelando o maior esquema de corrupção política da história   do país. Talvez do mundo. A confissão foi tomada na ação que apura o abuso de poder econômico e político na eleição da chapa Dilma-Temer em 2014.

                                   Isto quer dizer: a maior empreiteira do Brasil comprou o resultado de várias eleições e assumiu o controle do país. Seguida de perto por outras companhias do mesmo gênero, tomou para si quase todas as obras púbicas de grande vulto. Dilma e Temer, juntos no pleito de 2014, abusaram do poder e corromperam as eleições. Segundo as leis da República, serão cassados. Ou deveriam, se esse fosse um país sério. A “delação do fim do mundo” não tem esse nome à toa. Envolve o governo, a maioria dos partidos e dos ditos representantes do povo no legislativo. É um escândalo que não tem tamanho!

                                   Por coincidência – se é que existe essa definição no mundo real – o Supremo Tribunal acaba de decidir que doações legais de campanhas eleitorais escondem lavagem de dinheiro e suborno. A 2ª Câmara do STF decretou que há indícios para processar o senador Valdir Raupp (PMDB-RO), por entender que doações de campanha declaradas à justiça eleitoral são, na verdade, uma maneira dissimulada de lavar dinheiro e de corrupção eleitoral. Isso acendeu todos os sinais vermelhos em Brasília. O judiciário está lavando a roupa suja do país.

                                   Imediatamente, deputados e senadores ligados ao governo Temer correram para a frente das câmeras para dar declarações contra a sentença do STF. Alegam que, se for assim, não sobra ninguém. Verdade: não sobra mesmo. Querem reabrir a questão do financiamento privado de campanhas eleitorais, já condenado na corte. Querem fazer tudo aquilo que não interessa aos brasileiros.             

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Pesadelo em Brasília: confissão de Marcelo Odebrecht ao TSE põe em risco o mandato de Michel Temer. Se não conseguir se descolar de Dilma na Justiça Eleitoral, a chance de ter o mandato cassado é muito grande. Vem mais um golpe por aí?

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Carmem Lúcia, do STF: a segunda mulher na presidência do Brasil? . Imagem TV Justiça.

                          O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após o depoimento do delator, tem fortes indícios de abuso de poder econômico e político na eleição da chapa Dilma-Temer em 2014. Isto é motivo para a cassação da dupla, anulando o resultado das urnas. A ação foi proposta pelo PSDB, hoje o principal aliado do governo, poucos meses após a derrota de Aécio Neves. Pior: a Odebrecht teria farta documentação (mantida secreta) para provar que deu dinheiro ilegal à dupla. Tais provas estariam em poder do Departamento de Operações Estruturadas da empreiteira, criado para administrar as contas da corrupção política. Era uma repartição clandestina na Odebrecht, que contabilizava as propinas e dava codinomes aos beneficiários do dinheiro sujo. Ou seja: pesadelo no Planalto.

                                   Com a possível impugnação da chapa Dilma-Temer, como fica o governo? Os sucessores naturais são Rodrigo Maia (Câmara) e Eunício de Oliveira (Senado), mas os dois são investigados na Lava-Jato e podem ser denunciados na semana que vem pela Procuradoria Geral da República (PGR). A nova “lista do Janot” vai diretamente para o STF. Quer dizer: podem terminar impedidos de assumir o Planalto ou de continuar no cargo se virarem réus. A terceira pessoa na linha de sucessão é a ministra Carmem Lúcia, presidente da Suprema Corte. O judiciário é a peça-chave na recuperação da moralidade pública brasileira. A menos que haja um “acordão” entre os poderes. Nessa terra de meu Deus, tudo pode!

                                   Em Brasília, a irresponsável bolsa de apostas políticas coloca Carmem Lúcia como a “pule de 10”, expressão antiga do turfe que indica o azarão que vai ganhar. Como se o páreo já estivesse decidido antes da corrida. Um desses apostadores, um amigo de longa data que acompanha de perto as estripulias planaltinas, me contou que haveria uma intervenção militar para garantir a posse da segunda mulher na Presidência da República. Tudo dentro da lei, com eleições diretas no ano seguinte.

                                   Em abril de 1964, quando assumiu o poder, o general Humberto de Alencar Castelo Branco fez um pronunciamento informando ao público que haveria eleições para presidente um ano depois. O regime militar durou 21 anos.

                                   É ver para crer!

                                     

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A “delação do fim do mundo” começa a desmontar o sistema político brasileiro. Até agora já são conhecidos 60 dos 300 nomes de políticos e altos funcionários acusados de corrupção e crimes eleitorais. Foram citados Dilma, Lula, Aécio, Temer e os atuais presidentes dos poderes legislativos. Sem falar dos ministros de Temer. Não vai sobrar ninguém. Enquanto isso, a “recuperação” econômica sinaliza o desastre.  

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Marcelo Odebrecht: ele falar e a terra treme. Imagem portal Veja.

                                    A delação premiada da Odebrecht começa a ser conhecida. O presidente da maior empreiteira do país, Marcelo Odebrecht, em depoimento ao Superior Tribunal Eleitoral (TSE), abriu a caixa preta da manipulação da vontade das urnas. Segundo o empresário, ninguém seria eleito no Brasil sem dinheiro por fora, tanto do chamado caixa 2 de campanhas, quanto da corrupção pura e simples. Perguntado se era o dono do governo, respondeu: “era o otário do governo, o bobo da corte”. Mentira! Quase ninguém seria eleito para a Presidência ou para o Congresso sem a Odebrecht.

                                   No fundo e no raso, o depoimento revelou a total bandalheira instalada no sistema político brasileiro. A vontade das urnas é manipulada pelo poder econômico. Para aparecer diante do eleitorado, em campanhas que têm horror às ruas e ao populacho em geral, é preciso se basear em propaganda bilionária. E de onde vem a grana? De gente como Marcelo Odebrecht. Por que? Para depois cobrar na forma de obras públicas superfaturadas. É assim que a coisa funciona. O “bobo da corte”, na verdade, é o “esperto da corte”. Bajulado por políticos e governantes, que devem seus cargos a gente como ele. Ao se mostrar arrependido, está dando mais um golpe para fugir da cadeia.

                                   A confissão de Marcelo expõe a dramática situação política do país. Ele denunciou todo mundo: Lula, Dilma, Temer, Aécio Neves, Eliseu Padilha, Moreira Franco e mais um monte de gente. Todos supostamente subornados pela empreiteira. Tão inocente empresário! Quem paga bilhões em propinas recebe trilhões em lucros. A Folha online de hoje (2 mar) traz o nome de 58 políticos e funcionários dedurados pelos 77 executivos da empreiteira. Faltam serem conhecidos mais de duas centenas deles. Como o sistema político vai sobreviver a isso? Só de uma forma: um grande acordo entre o governo, o legislativo e o judiciário, o que corresponderia a um novo golpe. Dessa vez, fatal para o país.

                                   Enquanto rola a crise política, sublinhada pela Lava-Jato, o governo, com apoio da grande mídia, comemora a “recuperação” econômica. Então, vejamos:

1.      A inflação está em queda e deve fechar o ano em torno de 4%, abaixo do centro da meta estabelecida pelo Banco Central. Foi alguma medida milagrosa do governo? Não! Foi pelo aprofundamento da recessão. Não   há produção, nem vendedores, nem compradores. Não há crédito nem incentivos ao capital e ao trabalho. Com o desastre econômico, a inflação cai automaticamente.

2.     Com o desastre econômico, que resulta na queda dos preços, a taxa oficial de juros também sofre uma redução automática. Pode fechar o ano em torno de 9%. E ainda será uma das maiores do mundo. Isto não é um bom sinal, porque a banca aplica a realidade de mercado, com taxas de juros que beiram os 500% ao ano. Não há sinais de redução significativa dos juros de mercado: porque a banca, o grande capital, não acredita na dita “recuperação”. Ao contrário, com taxas elevadas atraem investidores estrangeiros. Os bancos são o empreendimento capitalista melhor sucedido no Brasil em crise econômica. E o resto é bobagem!

3.     Outra indicação de “melhora” da economia: o recorde positivo da balança comercial brasileira, que mede a diferença entre importações e exportações. É outro péssimo sinal. As exportações aumentam, porque vendemos produtos brutos para o estrangeiro, como grãos e minérios. Mas as importações caem, porque o empresariado deixa de comparar máquinas no exterior para aumentar a produção. Voltamos ao país exportador de açúcar, café, borracha e bananas do século passado. Agora substituídos por soja, ferro, petróleo e carne. E o governo se orgulha disso.

Resultado: com ajuda da grande mídia, que evita a análise dos fatos econômicos e avulta o caráter reformista do governo Temer, fazemos de conta que está tudo bem. Mas o resultado é queda na produção, desemprego em massa e aumento do conflito social. O PIB de 2016 foi de 4,34% negativo, número cuidadosamente evitado pelo JN. O de 2017 será bem abaixo de zero. Isso quer dizer: a depressão continua, a inflação e os juros oficiais caem, porque se referem apenas ao déficit público, mas o povo pode passar fome. 

 

        

                                                                 

                                     

  

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Governo Temer está derretendo. Em apenas dez meses, 8 ministros caíram. Todos levando consigo algum tipo de suspeita. Os dois últimos, José Serra e Eliseu Padilha, alegaram motivos de saúde. Ambos são investigados na Lava-Jato. Em Miami, polícia prende dois operadores financeiros do PMDB.  

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Serra e Temer. Mais baixas no governo. Imagem do portal IG.

 

                                   A polícia americana prendeu hoje (24 fev), no aeroporto de Miami, dois operadores financeiros do PMDB, foragidos da Lava-Jato. Jorge e Bruno Luz, pai e filho, acusados de manipular 40 milhões de reais para políticos do partido de Michel Temer, estavam na lista de procurados pela Interpol. Já foram deportados para o Brasil, onde chegam neste sábado de carnaval. Eles têm muito a revelar para o juiz Sérgio Moro. E devem produzir mais um rombo na já precária imagem pública do governo, porque certamente vão delatar seus associados no Planalto. Vão delatar para fugir de longas penas de prisão.

                                   Temer, cuja assunção ao poder foi classificada pela mídia independente como “traíra” e “golpista”, amarga mais essa derrota. A delação premiada dos doleiros presos em Miami abre novas janelas de investigação de um governo cujos principais colaboradores são acusados (ou suspeitos) de uma lista inenarrável de crimes políticos e eleitorais. Muitos deles são tidos como envolvidos em organizações criminosas, corrupção, lavagem de dinheiro, crimes fiscais e mais uma série de bandalheiras que não me cabe descrever.

                                   Hoje mesmo a justiça suíça bloqueou contas bancárias milionárias em nome do filho do senador Édson Lobão, presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, que teve papel decisivo na aprovação do nome de Alexandre de Moraes para a Suprema Corte do país. É mais um colaborador de Temer mortalmente atingido. Se não bastasse, a semana registra ainda duas novas baixas no governo. Dois ministros pediram para sair: José Serra (PSDB-SP), das Relações Exteriores, e Eliseu Padilha (PMDB-RS), da Casa Civil, alegando problemas de saúde. Serra teria sido   submetido a uma cirurgia de coluna. Padilha iria se submeter a uma cirurgia de câncer de próstata. Ou seja: perdas irreparáveis.

                                   Temer, com menos 8 ministros, quase um terço dos ministérios, se torna cada vez mais refém do Congresso, onde uma maioria ultraconservadora aprova medidas impopulares. Quer se apoiar no PSDB, que empresta a ele uma imagem de governo progressista. Ou reformista.  Para o lugar de Serra está previsto o senador Antônio Anastasia, ex-governador de Minas, apoiador de Aécio Neves. A crise política deve continuar, porque quase todos eles são alvos da Lava-Jato. Anastasia ainda não foi citado, mas não perde por esperar.

                                   Resumidamente, a questão é a seguinte: Temer afunda. Seus colaboradores mais próximos são (ou serão) acusados de crimes. Como chegar a 2018?    

      

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Senado aprova Alexandre de Moraes para o STF. Com maioria absoluta no Congresso, o governo Temer aprova qualquer coisa. Mas o novo ministro saiu-se bem na sabatina com parlamentares. O problema dele não é técnico.

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O novo ministro do STF. Imagem do portal El Pais.

                                   Como já dizia o velho Tancredo Neves, “a gente só se reúne quando já está tudo acertado”. Foi isso o que aconteceu no Senado da República, que aprovou a indicação de Michel Temer para que Alexandre de Moraes integre a Suprema Corte. Um jogo de cartas marcadas. O candidato passou, inclusive, por um ensaio com senadores aliados do governo. Diga-se de passagem: o advogado Alexandre de Moraes é professor de direito em duas das maiores universidades brasileiras, incluindo a USP, e autor de obras reconhecidas no meio jurídico. Não é nenhum neófito em matéria constitucional. Encarou, durante muitas horas, perguntas duras da oposição, hoje restrita a 5 dos 28 partidos no Parlamento. E se saiu muito bem, do ponto de vista técnico, o que revela que o aliado de Temer foi bem escolhido.

                                   Mas o conhecimento jurídico não é a questão central envolvendo o ex-secretário da segurança paulista e Ministro da Justiça licenciado. O foco da oposição foi a respeito do caráter militante de Moraes, filiado ao PSDB até a semana passada. Aliás, antes de integrar o tucanato, Moraes passou pelo PMDB e pelo DEM. Participou indiretamente de campanhas contra o PT e – ao menos uma vez – quebrou o sigilo da operação Lava-Jato, ao anunciar para amigos de Ribeirão Preto (SP), a prisão iminente de Antônio Palocci. Em Ribeirão, Alexandre de Moraes apoiava um candidato a prefeito pelo PSDB.

                                   Quem conhece o novo ministro do STF costuma dizer que o cara é extremamente vaidoso e gosta das câmeras. Em São Paulo, ele se envolveu em duas ações duvidosas: mandou a polícia invadir a sede da torcida corintiana, os Gaviões da Fiel, para apreender faixas de “Fora Temer” que seriam exibidas num estádio de futebol. E depois se envolveu pessoalmente no caso da tentativa de extorsão de um hacker contra Marcela Temer. Foi um espanto de eficiência policial: a investigação durou apenas 20 dias, envolveu 33 agentes; o chantagista foi preso e condenado em meros 5 meses, quando a prática do TJ paulista informa que processos como esse duram de quatro a cinco anos. Depois, Moraes virou ministro de Temer. E agora tem um emprego até o fim da vida, com salário superior a 35 mil reais, fora despesas. O gabinete de um ministro do STF dispõe de ao menos 50 funcionários.

                                   É bom acrescentar: Alexandre de Moraes não é investigado por coisa nenhuma, tem o CPF intacto e jamais foi citado na Lava-Jato, coisa rara no governo Temer. Mas ele é sócio de um escritório de advocacia em São Paulo, junto com a mulher. Ela, também advogada, representa clientes que têm ações na Suprema Corte. Vai se considerar suspeito ao julgar tais questões? Vale lembrar o caso do ministro Marco Aurélio de Mello, primo de Fernando Collor, que se declarou suspeito quando a corte julgou (e absolveu) as bandalheiras do ex-presidente.   

                                         

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“Carnaval Vermelho” do MST e da FNL promete invasão de terras para reforma agrária. É mais um capítulo dramático para a crise brasileira.

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Foto Agência Brasil.

                                    O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e a Frente Nacional de Luta no Campo e na Cidade (FNL) estão se mobilizando para invadir fazendas e terras consideradas improdutivas no interior de São Paulo e no Pará. É o que chamam de “carnaval vermelho”. As duas organizações prometem intensificar a luta pela reforma agrária. É mais um ingrediente inflamável na crise que vivemos.

                                   Durante os governos petistas, a pauta da reforma agrária ficou praticamente esquecida. Os movimentos rurais não apertavam o passo para não pressionar – e o governo não acelerava a reforma para não criar tensões no campo. Note-se que a bancada ruralista no Congresso é imensa e poderosa. Este jogo político em busca de equilíbrio valeu até o impeachment de Dilma Rousseff. Agora a coisa pode mudar. A ofensiva do MST e da FNL é um sinal de turbulência à vista.

                                   Os estudiosos do tema, como o professor Sérgio Azevedo Lopes, da Universidade Federal de Sergipe (UFS), costumam afirmar que há no país 150 milhões de hectares de terras ociosas. Parte pertence à União, parte a igrejas e a maioria forma latifúndios improdutivos. É um problema secular no país. Por outro lado, entre 1964 e 2001, o INCRA implantou 4.635 assentamentos para lavradores pobres, onde foram viver 802.688 famílias. Sabe-se lá em que condições, porque não adianta distribuir lotes sem assistência técnica e sem cooperativas de produtores. E esse número de assentamentos é ínfimo, se considerarmos a real necessidade de distribuição de terras.

                                   Desde o ano 2000, cerca de 400 mil pequenos proprietários de sítios e lavouras perderam suas terras. Outros 2 milhões de trabalhadores rurais perderam os empregos, especialmente em razão da mecanização das colheitas e da quase ausência de políticas públicas para qualificar a mão de obra no campo. Chega a máquina, sai o trabalhador braçal. Evidentemente, não se pode impedir o desenvolvimento tecnológico da agricultura, mas se pode transformar esses trabalhadores em pequenos produtores em suas próprias terras. A lavoura familiar ajuda a baixar preços e combater a inflação no setor de alimentos. Mas para isso é preciso ter governo.

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Violência no campo aumenta mais do que o PIB a cada ano. Imagem Arquivo Nacional.

                                   Historicamente, a questão agrícola no país sempre foi motivo de violência no campo, especialmente no norte e nordeste do país. Só nos anos 1990, segundo o professor José Vicente Tavares dos Santos (“Conflitos sociais agrários”), houve algo como 5 mil conflitos violentos no campo, envolvendo quase 600 mil famílias. Nos anos 2000, de acordo com a Comissão Pastoral da Terra, ligada à igreja católica, cerca de 500 pessoas foram assassinadas em disputas pela posse da terra. A violência no campo tem crescido a taxas superiores a 10% ao ano, conforme edição de O Globo de 26 de março de 2013.

                                   Este aumento dos conflitos rurais é quase três vezes superior ao crescimento do PIB brasileiro.   

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Rodrigo Maia quer checar, uma a uma, todas as mais de 2 milhões de assinaturas populares do projeto “10 Medidas contra a Corrupção”. O deputado quer saber se aquelas pessoas existem mesmo. Vai demorar dez anos!

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Rodrigo e Eunício. Imagem do portal Viamundo.

Forçado por medida limitar do Supremo Tribunal Federal (STF), o novo presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), devolveu à Câmara dos Deputados o projeto das “10 Medidas contra a Corrupção”, que contou com mais de 2 milhões de assinaturas populares. O ministro Luiz Fux, na liminar, afirmou que os deputados não podiam ter deformado inteiramente a ação popular , que acabou “perdendo seu objetivo”. O magistrado afirmou que o Parlamento não deve voltar as costas para o povo.

Euníicio esperou passar o recesso parlamentar e só ontem mandou de volta o assunto para a Câmara, onde o seu correlato Rodrigo Maia (DEM-RJ) disse não saber o que fazer com a ação popular. Maia falou aos jornalistas: pensava em devolver a ação ao Ministério Público Federal, autor do projeto, para que fosse feita a conferência das milhões de assinaturas, uma por uma, de modo a validar o apoio popular. Depois da declaração absurda, Rodrigo Maia de fato procurou o ministro Luiz Fux e repetiu a ele a intenção de checar cada nome que consta na petição, como informou a colunista Mônica Bergamo, da Folha. Quanto tempo os nossos servidores públicos levariam para atestar a existência de cada um dos mais de 2 milhões de assinantes?

A manobra é mais uma demonstração de que o Parlamento brasileiro não está nem aí para a vontade do povo. Sequer acredita que as “10 Medidas contra a Corrupção” tenham recebido tamanho endosso nas cinco regiões do país. Parece brincadeira. Isso reforça a impressão que as pessoas comuns têm da atuação dos parlamentares federais: um bando de oportunistas que legisla em causa própria e que quer se proteger a todo custo das centenas de acusações de corrupção e outros crimes. O resto é bobagem!

O projeto do MPF não é uma peça perfeita. Eu mesmo não assinaria duas das propostas apresentadas: a que dificulta a concessão de habeas corpus e a que valida provas obtidas por meios ilegais. Mas o que não dá é para jogar fora todas as ideias, como fizeram os nobres deputados no fim do ano passado.

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Polícia paulista tentou esconder extorsão contra Marcela Temer. O caso envolveu 33 delegados, investigadores e peritos da Delegacia Antissequestro. Parte das provas que condenou o hacker desapareceu.

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Marcela Temer. Imagem do portal DCM.

                                    A edição online da Folha de S. Paulo revela que a polícia e a justiça de São Paulo trabalharam juntas para encobrir a tentativa de extorsão praticada contra a atual  primeira-dama Marcela Temer. Ela teve o celular clonado por um hacker (Silvonei José de Jesus), que exigiu 300 mil reais para não divulgar uma conversa de Marcela com um de seus irmãos. Nessa conversa, a primeira-dama dizia que um dos assessores de Temer, publicitário ligado às campanhas do marido, era quem “cuidava dos assuntos de baixo nível”. O crime ocorreu em abril do ano passado, quando Michel Temer ainda era vice de Dilma Rousseff.

                                   Pela lógica dos fatos, um crime praticado contra a família do vice-presidente da República deveria ser investigado pela Polícia Federal. Não foi o que aconteceu. A Folha esclarece que havia por parte de Temer o receio de que o conteúdo da conversa telefônica vazasse para a imprensa. O jornal paulista explica que Temer procurou o então Secretário de Segurança de São Paulo, Alexandre de Moraes, para cuidar da investigação. Moraes montou uma força-tarefa com a equipe da Delegacia Antissequestro, uma das mais eficientes do estado.

                                   Vinte dias depois, o criminoso estava preso. Cinco meses depois, em outubro, já estava condenado a pena de prisão. Segundo a reportagem da Folha, a tal gravação sumiu: não está nem com a polícia, nem com a justiça. E Alexandre de Moraes virou Ministro da Justiça com a queda de Dilma. Pior: a pedido do Planalto, na semana passada, um juiz de Brasília proibiu a Folha e O Globo de publicarem detalhes do caso.

                                   Durma-se com um barulho desses!      

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Massacre no Espírito Santo chega a 147 mortos. Planalto diz que não teve culpa. E a crise continua, apesar da presença das forças federais.

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O Exército em ação nas ruas de Vitória. Foto Agência Brasil.

                                    A semana começa com a inacreditável contagem de mortos no Espírito Santo, em razão de 9 dias de rebelião da Polícia Militar. Por incrível que possa parecer, a revolta ainda não foi completamente controlada. O Planalto diz que não teve culpa e que ofereceu toda a ajuda necessária. O governo central mandou tanques e soldados, mas não se viu uma reação institucional vigorosa. O presidente Temer, sete dias após o início dos conflitos, divulgou uma nota tímida. E foi só. Como se estivesse cumprindo uma obrigação apenas protocolar. Ao se iniciar a violência, o Ministro da Defesa estava em Portugal. O Ministro da Justiça estava licenciado, fazendo campanha política para assumir uma vaga no Supremo Tribunal.

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Moradores saem às ruas de Vitória em busca de paz. Foto Agência Brasil.

                                   Como sempre, o Planalto fez de conta que a guerra urbana brasileira é um problema de governadores e prefeitos. Lavou as mãos. As tropas foram enviadas – e pronto! Aparentemente, a situação está melhorando e logo será esquecida. Vai continuar faltando uma política séria de combate à violência. Mas isso pode ficar para o próximo governo. Ou não?

                                   A Polícia Federal suspeita que parte considerável das vítimas da matança no Espírito Santo pode ser consequência da ação de grupos de extermínio formados por PMs, que aproveitaram a confusão. Outra parte dos mortos seria por causa de brigas de quadrilhas ligadas ao narcotráfico. E o Exército matou um rapaz de 17 anos com um tiro de 7.62mm. O corpo ficou caído na rua, a 100 metros da casa dele. Segundo a família, o rapaz não estava armado e não tinha antecedentes criminais. Em meio a tamanho desgoverno na região, provavelmente não teremos notícias da apuração de todos esses homicídios.

                                   É esperar para ver!

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General do Exército assume comando das forças de segurança no Espírito Santo. Número de mortos já passa de 90 e há incontáveis feridos na onda de violência que sacode a região. A Polícia Civil também resolveu aderir ao movimento. Se fosse num país sério, seria decretada a intervenção federal. Mas o governador é correligionário de Michel Temer.

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Soldado do Exército faz papel de polícia. Foto Agência Brasil.

                                    O general-de-brigada Mauro Sinott está à frente das forças de segurança que tentam deter a onda de violência no Espírito Santo. Em apenas quatro dias, o saldo do conflito provocado pela greve da polícia, que agora soma os agentes civis, é de mais de 90 mortos. Um massacre inacreditável, com saques e incêndios. Praticamente toda a economia capixaba está inerte: comércio, bancos e repartições públicas fechados. Começa a faltar comida e água potável, porque os supermercados não abrem. As famílias são reféns de bandos armados. É ou não é um estado de guerra?

                                   Em bom português, o fato de o general ter assumido o comando de toda a força pública quer dizer que se trata de uma intervenção federal dissimulada. Ou seja: ao invés de decretar a intervenção propriamente dita, que afastaria todos os poderes estabelecidos, o Planalto optou por uma forma disfarçada de ocupação da região metropolitana de Vitória, única área que os minguados 1.200 soldados da Força Nacional e do Exército conseguem cobrir – e mesmo assim só até o dia 16 deste mês. Tal efetivo reduzido (na Olimpíada do Rio foram 23 mil militares) não é capaz de restabelecer a lei e a ordem. Vai morrer mais gente.

                                   O general Sinott, em conversa com jornalistas, disse o seguinte: “Seremos intolerantes com qualquer situação que comprometa a segurança da tropa” (edição online da Folha, às 15h40 de hoje). Isto significa atirar para matar. Curioso: o militar não disse nada sobre a segurança do cidadão, que sequer consegue sair de casa para comprar comida ou ir ao trabalho. Pode faltar água potável, porque os funcionários da empresa pública de abastecimento não conseguem chegar aos locais de trabalho.

                                   Por que Michel Temer não decretou a intervenção no Espírito Santo? Talvez porque o governador licenciado (?), Paulo Hartung, do seu círculo de amizade e filiado a seu partido, o PMDB, não mereça tamanha punição. Só que a punição fica para o público, o cidadão comum. Temer autorizou um aumento da presença dos militares na região, que agora envolve a Marinha e a Aeronáutica. Fuzileiros navais e blindados, helicópteros e coisas que tais. Mas o caos continua refletindo o estado de guerra civil não declarada que vivemos no Patropi.

                                   E se o CV e o PCC decidirem aumentar o conflito para outras regiões do país, como ocorreu nas rebeliões penitenciárias do Norte e Nordeste do país, que resultaram em mais de uma centena de mortos? E se a luta armada das facções criminosas se espalhar para Rio e São Paulo? Aí teríamos um país mergulhado na violência, enquanto os poderosos resolvem as suas querelas em Brasília. Por meio de acordos de bastidores. Temer corre o risco de mergulhar o Brasil em um banho de sangue.        

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