Apesar de estádios inacabados e promessas não cumpridas, a Copa vai bem. Quem apostou no fracasso, tomou de zero.

Imagem do portal Transparência Política.

Imagem do portal Transparência Política.

É verdade que a Copa do Mundo no Brasil está a dever. Estádios inacabados, obras superfaturadas, promessas não cumpridas, gramados duvidosos. Mas o espetáculo do futebol surpreendeu ate aos mais pessimistas. Quem imaginaria Espanha e Inglaterra eliminadas? Um narrador da rádio CBN chegou a dizer: “Tomara que essa Copa não acabe nunca”. Os que queriam o desastre tomaram uma goleada.
Dilma Rousseff levou vaia, mas aproveitou politicamente o corinho corintiano que a ofendeu. Essa senhora é esperta. Ou são os marqueteiros? O fato é que gritar palavrões para a Presidente da República pega mal em qualquer lugar do mundo. Dilma acabou beneficiada com a falta de educação daqueles torcedores. E quem esperava grandes protestos nas cidades-sede se enganou ainda mais.
Afinal de contas, o incidente mais grave foi uma invasão de torcedores chilenos na sala de imprensa do Maracanã, revelando falha gritante da segurança. Oitenta e cinco deles foram detidos e obrigados a deixar o país. Dias depois, mais de 50 já estavam de volta ao Chile. O cônsul chileno no Rio disse aos jornalistas que a punição até que foi branda. Fora isso, algumas centenas de manifestantes protestaram. Nada de mais.
E a Seleção Brasileira? Bem, essa está devendo um espetáculo que ainda não conseguiu mostrar. E os números da Copa? Em valores de setembro do ano passado, 25 bilhões de reais. Deve passar dos 30 bilhões.

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Reeleito na Colômbia, presidente Juan Manuel Santos agradece ao Brasil pelos esforços de paz.

O presidente Juan Manuel Santos, em imagem da TV alemã DW.

O presidente Juan Manuel Santos, em imagem da TV alemã DW.

Reeleito em segundo turno, com apertada diferença de votos em relação ao segundo colocado, o presidente Juan Manuel Santos consegue manter o rumo do processo de paz na Colômbia. A eleição foi um verdadeiro plebiscito: Santos obteve 50,7% e seu oponente, Óscar Zuluaga, candidato conservador ligado aos militares, 45.1%. No centro da campanha estavam justamente as negociações de paz com a guerrilha comunista, que se desenvolvem em Havana.
Ao tomar posse, o presidente Santos agradeceu os esforços diplomáticos do governo brasileiro. Além das conversas com líderes das FARCs (ver post anterior), o presidente iniciou entendimentos com o Exército de Libertação Nacional (ELN), outro grupo rebelde. O conflito armado na Colômbia é reconhecido pelas Nações Unidas como “estado de guerra”, o que garante a aplicação das leis internacionais. A guerrilha comunista é declarada “parte beligerante”, assegurando a aplicação da Convenção de Genebra.

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50 anos das FARCs na Colômbia: líder guerrilheiro diz que a guerra está longe de acabar.

Timoleón Jiménez, o comandante das FARCs.

Timoleón Jiménez, o comandante das FARCs.

“Se as guerrilhas estivessem derrotadas, eles (o governo) não estariam aqui para negociar conosco”.
A frase entre aspas é de um dos líderes guerrilheiros colombianos presentes às negociações de paz, em Havana. Chamado de “Comandante Fidel Rondón”, o dirigente da última guerrilha comunista das Américas deu entrevista à Rádio Café Estereo, do Equador, dizendo que a guerra na Colômbia está longe de acabar. Rondón garantiu que as FARCs continuam atuando em sete regiões do país, com mais de 40 frentes de combate. “Temos ações de guerrilha todos os dias”.
O movimento armado naquele país acaba de completar 50 anos de existência. Mais de meio milhão de pessoas morreram no conflito. Um quarto da população rural perdeu as casas e as terras, criando uma legião de “desplazados” que hoje vive na miséria quase total. A Colômbia está dividida entre três poderes antagônicos: o narcotráfico, que dispõe de grupos paramilitares, a guerrilha e o governo legal. As negociações de paz em curso na capital cubana – a quinta rodada de conversas nos últimos 20 anos – chegaram a um impasse.
O governo colombiano concorda com um amplo projeto de reforma agrária e com a participação dos comunistas nas eleições. Mas boa parte da opinião pública e das forças armadas não concorda com uma anistia geral no país, porque os guerrilheiros são considerados criminosos comuns. Na entrevista, o comandante Rondón declarou: “nós estamos aqui para uma conversa franca, sincera, com vistas a encontrar uma solução política (para o conflito)”. Mas insistiu: “não pensem que as FARCs estão derrotadas, porque o simples fato de estarmos negociando já demonstra a nossa posição”.

Militares colombianos em ação.

Militares colombianos em ação.

Nos últimos dez anos, as FARCs perderam cerca de quatro mil combatentes, entre mortos, feridos, prisioneiros e desertores. Mas o grupo ainda é uma poderosa força militar, com mais de 16 mil homens e mulheres no campo. Recentemente, também a propósito dos 50 nos da organização, o comandante-em-chefe da guerrilha, Timoleón Jiménez, gravou um pronunciamento dizendo que “o narcotráfico é inimigo das FARCs”, declaração fartamente desmentida pelo noticiário. Os guerrilheiros ocupam há muito tempo parte das áreas produtoras de folhas de coca, trocando a pasta base da cocaína por armas e explosivos.
Só para refrescar a memória: o maior traficante brasileiro, Fernandinho Beira-Mar, um dos chefes do Comando Vermelho, foi preso justamente na Colômbia, durante enfrentamento entre guerrilheiros e forças especiais do exército daquele país. FBM levou um tiro de AR-15, que arrebentou o braço esquerdo. Estava na área de atuação da Frente 16 das FARCs, sob as ordens do “Comandante Negro Acácio”, que também foi capturado na ocasião. De acordo com a imprensa interacional, FBM negociava cocaína por armas.
Impressiona constatar que a mídia brasileira não dá nenhuma importância ao conflito armado no país vizinho. Temos com a Colômbia uma larga fronteira, inclusive com atuação de guerrilheiros em nosso território. Por ali passam armas e drogas que abastecem o crime organizado em nossas grandes cidades. Certa vez, um comando guerrilheiro atacou e ocupou por três dias um posto de controle da fronteira, matando três e ferindo outros seis dos nossos soldados. Com tamanha instabilidade na região amazônica, o governo brasileiro tem atuado timidamente. Mas conseguiu a libertação de reféns em poder das FARCs.

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Copa 2014: governo espera protestos moderados, mas com ação violenta de pequenos grupos.

Os "black blocs", na foto do jornal digital 247.

Os “black blocs” e o PCC, na foto do jornal digital 247.

Um relatório da Polícia Federal, reunindo informações das polícias estaduais e das Forças Armadas, entregue ao governo nos últimos dias, dá conta de que são esperados protestos moderados durante a Copa do Mundo. No entanto, o documento alerta para a ação de pequenos grupos violentos. Segundo este relatório, a chamada “tática Black Bloc” será vista nas capitais-sede da competição, com ataques contra prédios públicos, bancos e ônibus, além das queixas contra o exagero dos gostos na competição, que já é a mais cara da história da FIFA.
Convenhamos: o governo ficou a dever em matéria de preparativos para o mundial de futebol. Alguns estádios não concluíram as obras do entorno, o sistema de transporte público não é nem de longe o que se esperava. A situação nos aeroportos é ainda mais preocupante. Até o ex-jogador Ronaldo deu entrevista criticando os preparativos, ele que é membro do Comitê Organizador. Mas os gramados ficaram ótimos, diria o ufanista. E o jogo amistoso entre Brasil e Panamá resultou em goleada. Jogo, aliás, sofrível.
A presidente Dilma foi à televisão nesta terça-feira (3 de jun), dia da vitória brasileira, para avisar que o governo não vai tolerar badernas e quebra-quebra, que disse serem atitudes antidemocráticas. De todo modo, pelo menos levando em conta os informes das inteligências policiais e militares, não veremos aquelas multidões que ocuparam as ruas no ano passado. Isso é bom? Por um lado, é. Teremos chance de evitar violências desnecessárias, especialmente abusos das forças de segurança e depredações. Mas, por outro lado, não é uma notícia tão boa assim, porque demonstra que as razões para os grandes protestos de 2013 se mostraram inconsistentes e passageiras.
Mesmo assim, seis mil homens das tropas federais vão reforçar a segurança em São Paulo, onde o governo de oposição achou melhor aceitar ajuda de Brasília, especialmente depois que os grandes jornais noticiaram que o crime organizado estava interessado em provocar o caos durante o mundial. Em reportagem especial, o diário O Estado de S. Paulo publicou entrevista de um “Black Bloc” mascarado que anunciava uma onda de violência na capital paulista. O jornal digital 247 deu a seguinte manchete: “Black Bloc busca apoio do PCC por terror na Copa”. Parece que a mídia sofre de um certo exagero nesses assuntos. Será?
O cenário de protestos moderados, previsto pela PF, pode mudar ao longo da competição nos gramados. E isto na razão direta dos resultados da seleção: se for ganhando espetacularmente, as manifestações vão se esvaziar; se perder, ao contrário, os protestos tendem a aumentar. O governo torce para ver a rede balançar muitas e muitas vezes. Como diria um narrador esportivo: é esperar para conferir.

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Presidente do Supremo Tribunal Federal teria renunciado por temer ameaças.

Joaquim Barbosa. Foto O Globo.

Joaquim Barbosa. Foto O Globo.

O jornal O Globo, na edição de 30 de maio, publicou reportagem de primeira página informando que o ministro Joaquim Barbosa teria renunciado por temer ameaças. A matéria, assinada por Carolina Brígido e Washington Luiz, destaca que o presidente da Suprema Corte estava sendo atacado ferozmente nas redes sociais. Um dos agressores, por meio de um perfil apócrifo, escreveu: “contra Joaquim Barbosa toda violência é permitida; ele deve ser morto”. Outro internauta escreveu: “vai morrer de câncer ou com um tiro na cabeça”. A Polícia Federal investiga as ameaças, mas ainda não tem pistas.
Na mesma reportagem de O Globo, amigos do ministro dizem que ele foi obrigado a mudar seus hábitos após o julgamento do “mensalão”, porque estava sendo hostilizado em bares e restaurantes que costumava frequentar, no Rio e em Brasília. Certa vez, continua o jornal, foi cercado por um grupo de homens, supostamente militantes do PT. Outra matéria, da revista Veja, confirmou as informações. O próprio ministro, no entanto, não comentou o assunto. Joaquim Barbosa requereu aposentadoria onze anos antes de completar 70 anos, idade limite para a Corte.
Essa notícia trouxe enorme perplexidade ao país, porque os brasileiros não estão acostumados com ameaças terroristas. Além do mais, trouxe também uma grande decepção: o presidente da mais alta corte de justiça renuncia por sofrer ameaças no Facebook? É tão improvável que chega a assustar.

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Renúncia de Joaquim Barbosa do STF não afeta o quadro político e eleitoral.

Sai Barbosa e entra Lewandowiscki. Foto UOL.

Sai Barbosa e entra Lewandowiscki. Foto UOL.

O ministro-presidente do STF, Joaquim Barbosa, anunciou, na manhã desta quinta-feira (29 de maio), que vai renunciar ao cargo em junho, antes do recesso do Judiciário. Ele comunicou pessoalmente a decisão à presidente Dilma Rousseff e aos chefes do Legislativo, Renan Calheiros (Senado) e Henrique Alves (Câmara). Disse que vai se aposentar e cuidar da própria vida, após 41 anos no serviço público, dos quais 11 anos no STF. Aos 59 anos, abandona um dos melhores empregos do país, mas terá aposentadoria vitalícia de mais de 28 mil reais.
Durante sessão plenária do tribunal, à tarde, o agora ex-ministro declarou:
_ Decidi me afastar do Supremo Tribunal Federal no final deste semestre, no final de junho. Afasto-me não somente da presidência, mas do cargo de ministro. Tive a alegria de compor esta Corte no seu momento mais fecundo, mais criativo, de importância no cenário político e institucional do nosso país.
Frequentemente citado pela mídia como candidato alternativo à Presidência, tendo frequentado várias pesquisas do Ibope, Joaquim Barbosa não poderia concorrer este ano. Pelo menos é o que acreditam dois outros ministros da Suprema Corte, Celso de Mello e Marco Aurélio, que conversaram com jornalistas em Brasília. Em março deste ano, no entanto, em entrevista a Roberto Dávila (Canal Globonews), Barbosa afirmou que não descarta a possibilidade de entrar na política, “mas não nas eleições de 2014”. Além do mais, o prazo de filiação partidária já se foi, o que inviabilizaria qualquer tentativa nesse sentido.
Aliás, Joaquim Barbosa parece ter aguardado o fim dos prazos para comunicar o afastamento do STF, como a dizer: “não sou candidato”. E, na verdade, ele teria um problema quase insuperável pela frente: como encontrar um partido político com tempo de televisão que ainda não tenha candidato? E como fazer uma campanha eleitoral por um partido nanico? Ele gostaria de ser um novo Enéas, com alguns segundos no horário eleitoral? As convenções partidárias ainda estão em aberto, é verdade, mas a mira do ex-ministro parece se voltar para 2018. A menos que ele queira se candidatar ao Senado, o que parece ainda mais improvável diante da vaidade que demonstrou no tribunal.
Com a renúncia, assume o ministro Ricardo Lewandowiski, opositor declarado de Barbosa, que demonstrou tendência mais liberal no julgamento da Ação Penal 470, o processo do “mensalão”. A vice-presidente será a ministra Carmem Lúcia. Ela votou contra Joaquim Barbosa em quase todas as questões polêmicas do julgamento. Ou seja: o ex-ministro deixa o cargo derrotado.

Capa da Veja saudava o ministro.

Capa da Veja saudava o ministro.

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Países fazem advertência aos torcedores estrangeiros na Copa do Mundo no Brasil.

copa do mundo

Vários governos estrangeiros prepararam cartilhas para orientar seus cidadãos sobre os perigos da Copa do Mundo no Brasil. Os alertas vão desde a falta de pontualidade dos brasileiros, conforme Inglaterra e Alema-nha, até os riscos de trombadinhas e sequestradores. Os alemães, por exemplo, recomendam ter sempre algum dinheiro no bolso (em torno de 50 dólares) para entregar aos assaltantes. É para evitar a possibilidade de levar um tiro, com certeza. Os americanos dizem que o torcedor não deve visitar as favelas onde há Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), informando que nessas áreas ocorrem conflitos armados.
O governo francês chama atenção para roubos nos aeroportos e hotéis, pedindo prudência em locais pouco movimentados. Segundo eles, há risco de seques-tros-relâmpagos. Já os canadenses pedem que seus cida-dãos sejam cuidadosos com animais silvestres, como macacos, cobras e jacarés, além dos criminosos propriamente ditos. Em quase todas as cartilhas produzidas por governos estrangeiros existem advertências para não andar com passaportes originais e ter paciência para encontrar os melhores preços de alimentos, bebidas e serviços. Cm sabemos, os preços estão pela hora da morte. E mais: também advertem contra táxis piratas, evitar o transporte informal (como as vans) e não pedir carona.
A FIFA também produziu um documento com dicas de segurança, especialmente destacando a falsificação de ingressos para os jogos e avisando da existência de “cambistas” em ação nos estádios. E o governo brasileiro também entrou na dança, criando nossa própria cartilha. Uma das recomendações é a seguinte: “se for assaltado na Copa do Mundo, controle-se: não reaja, não grite e não discuta”. Quer dizer: o torcedor estrangeiro está vindo para uma zona de guerra!

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Denúncia: passaportes brasileiros são usados para disfarçar terroristas da Al Qaeda.

passaporte bra

Combates entre forças governamentais do Iêmen, país do sudoeste da Península Arábica, e terroristas da Al Qaeda resultaram na morte de 27 pessoas e levantaram a suspeita de que passaportes brasileiros estão sendo utilizados pela organização. Uma base do grupo, criado por Osama Bin Laden, foi atacada nas proximidades da cidade de Azzan no dia 29 de abril. Houve violento confronto: 15 soldados e 12 jihadistas morreram. Com os terroristas foram encontrados passaportes brasileiros. Uma semana já se passou e o Itamaraty ainda não sabe informar se os documentos eram falsificados.
O nosso passaporte é muito visado por criminosos internacionais, especialmente pelas características físicas do brasileiro. Podemos ser louros de olhos azuis, negros ou mulatos, índios, asiáticos ou com traços árabes. Somos um país pacífico e nossos viajantes não despertam muitas suspeitas. Justamente por isso o nosso passaporte é tão cobiçado. No mercado negro, vale entre 10 e 15 mil dólares. Se tiver um visto americano, vale muito mais. A Polícia Federal sabe que alguns brasileiros vendem o passaporte no exterior e dão queixa de roubo às autoridades locais. Voltam para casa com um documento provisório, fornecido por embaixadas e consulados do Brasil, embolsando uma boa grana.
Esse truque já era conhecido dos nossos federais e do FBI. Mas encontrar passaportes brasileiros numa base da Al Qaeda é outra história. Nosso embaixador na Arábia Saudita, Flávio Marega, falou com diplomatas iemenitas e levantou a tese de que sejam documentos falsificados. Mas ainda não há informações oficiais.

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50 mil reais: São Paulo anuncia programa de recompensa para prender bandidos perigosos.

O governo paulista anunciou, na última terça-feira (6 mai), um programa destinado a pagar recompensas para quem der pistas de bandidos envolvidos em crimes violentos. Basta acessar o site Web Denúncia e entregar o criminoso. Quem colaborar pode receber até 50 mil reais de prêmio, se a informação resultar em captura. Coisa semelhante já acontece em outros Estados, como no Rio de Janeiro.
Como sabemos, as polícias estão cada vez mais dependentes desse tipo de denúncia e das imagens de câmeras de segurança, que atualmente respondem pela maior parte da elucidação dos crimes, principalmente daqueles que têm destaque na mídia. Ou seja: não é que a polícia tenha aumentado seu poder de investigação. É que está cada vez mais apoiada nos meios eletrônicos e nas denúncias anônimas. Muitas vezes, os investigadores nem saem da delegacia: recebem a solução de bandeja.
No entanto, há muitos perigos nesse método, nem sempre confiável. Recentemente, no litoral paulista, uma denúncia na Internet levou ao linchamento de uma pobre mulher, supostamente “sequestradora de crianças”. Apesar de inocente, foi espancada até a morte. E é bom notar que não tinha havido nenhum sequestro de criança na cidade. O Secretário da Segurança, Fernando Grella Vieira, anunciou o programa de recompensas como se fosse uma grande notícia. Mas a ideia já tinha sido anunciada pelo governador Geraldo Alckmin em janeiro de 2002 – e nunca posta em prática.
Pior: fontes da própria polícia acreditam que a deduragem, remunerada com valores entre 5 mil e 50 mil reais, terá pouco ou nenhum efeito sobre os índices de criminalidade. Talvez resolva um ou outro caso, mas não muda o cenário alarmante.

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Morte de bailarino agrava a crise das UPPs. General diz que a situação na Maré é pior do que no Haiti.

Protesto em Copacabana. Imagem da TV Globo.

Protesto em Copacabana. Imagem da TV Globo.

Tiroteio entre policiais e traficantes na favela Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, põe mais lenha na fogueira das UPPs. Um bailarino da TV Globo, morador, que trabalhava no programa Esquenta, de Regina Casé, foi baleado nas costas quando tentava se proteger da fuzilaria. Douglas Rafael da Silva Pereira, conhecido como DG, após ser ferido, caiu de uma laje e morreu. Foi o que bastou para que a comunidade fosse às ruas protestar e hostilizar os policiais. Na confusão, outro morador morreu com uma bala na cabeça. Era Edilson da Silva dos Santos, 27 anos. Às vésperas da Copa da Fifa, o incidente teve repercussão mundial. É mais uma tragédia que coloca em dúvida o projeto de segurança no Rio de Janeiro, cinco anos após a implantação da primeira UPP.
No episódio, mais uma vez, a cena se repetiu: policiais, atacados por traficantes armados, respondem com tiros para todos os lados, em meio a áreas densamente povoadas. É claro que isso não pode dar certo. Nos últimos 30 anos, o número de vítimas “civis” do conflito soma muitos milhares. E raramente alguém é responsabilizado. O Secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, comandante em chefe das UPPs, nunca foi acusado de nada. Menos ainda o governador do Estado. E o massacre continua. As UPPs, que fizeram a alegria das classes mais abastadas, à custa dos direitos da comunidade carente, agora são motivo de grandes protestos populares.
O Rio vive há décadas uma guerra civil não declarada. Sérgio Cabral Filho, no primeiro mandato, declarou à mídia: “Estamos vivendo uma guerra”. Verdade. Bandos armados ocupavam mais de 300 localidades, especialmente favelas e bairros pobres. A resposta do Estado foi a criação desse modelo de ocupação militar, um pequeno “estado de sítio”, como costumo definir a UPP. Em cinco anos, o governo instalou 38 dessas unidades, em um universo de 1.100 favelas da região metropolitana, um bem-sucedido projeto de marketing político, enaltecido pela mídia. Agora o que vemos é a contraofensiva do crime organizado, que sobreviveu a todo o esforço de “pacificação”.
E por falar em guerra: o comandante da Brigada Paraquedista do Exército, general Roberto Escoto, que lidera a ocupação do Complexo da Maré (15 favelas e cerca de 130 mil habitantes), disse à Folha de S. Paulo, na terça-feira 22 de abril deste ano, depois de suas tropas terem sofrido 20 ataques, que a situação ali é muito pior do que no Haiti, onde o oficial esteve:
“Aqui nos deparamos com três facções criminosas, duas do tráfico e milicianos, o que não aconteceu lá. As facções criminosas da Maré são muito mais numerosas e têm muito mais armamento, munição e recursos financeiros do que as gangues que atuaram no Haiti”.

o general Roberto Escoto.

o general Roberto Escoto.

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