Ministro-relator do TSE vai pedir a cassação da chapa Dilma-Temer. Ao que tudo indica, a dupla perde por 4 votos a 3. Mas algum ministro, em apoio ao governo, vai pedir a suspensão do julgamento.

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O ministro Herman Benjamin,, relator da chapa Dilma-Temer;

                                    Há duas graves ameaças contra o presidente Michel Temer. A primeira delas, a cassação da chapa Dilma-Temer nas eleições de 2014, por abuso de poder político e econômico, começa a ser julgada na noite desta terça-feira (6 jun). O relator da ação no TSE, proposta pelo PSDB, vai pedir a impugnação da eleição presidencial. O ministro Herman Benjamin produziu um relatório de 8 mil páginas onde descreve os crimes eleitorais cometidos pela chapa que derrotou Aécio Neves por apenas 3,27% dos votos válidos.

                                   Os tucanos nunca aceitaram o resultado das urnas. Tentaram auditar o resultado. Não deu certo. Depois entraram com a ação por abuso de poder. Dois anos mais tarde, quando Dilma Rousseff foi impedida, em maio de 2016, o tucanato aderiu a Michel Temer com 4 ministros. E agora não sabe o que fazer. Diz que vai esperar o julgamento do TSE para se posicionar. Significa dizer: se Temer for cassado, desembarcamos. Ora, se Temer for cassado, não há mais governo para desembarcar. É uma postura oportunista e leviana. Só se metem na briga quando ela acabar. Só que, aparentemente, a briga não acaba hoje. Todos os analistas apostam que alguém vai pedir “vistas aos autos”, possivelmente amanhã à noite, e o julgamento será suspenso por prazo indeterminado.

                                   Tudo o que o Planalto deseja é ganhar tempo. A suspensão do julgamento no TSE pode ser empurrada com a barriga por meses e meses. Da mesma forma, advogados do presidente pedem ao Supremo Tribunal a ampliação do prazo de defesa, que era de apenas 24 horas e se encerraria às 5 horas da tarde de hoje. É a mesma tática de ganhar tempo. Enquanto isso, 13 pedidos de impeachment de Temer dormem na gaveta de Rodrigo Maia, presidente da Câmara e aliado do presidente. Não vai dar andamento a nenhum deles. E ponto.

                                   Resta uma nuvem ainda mais sombria sobre Michel Temer. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pode apresentar denúncia contra o presidente, por corrupção e associação criminosa. Se o ministro Edson Fachin, do STF, aceitar a denúncia, Temer se torna réu. E será afastado do cargo. Isto pode ser mais rápido do que o TSE e qualquer pedido de impeachment. O resultado também é desastroso: assume o governo o deputado Rodrigo Maia, outro investigado na Lava Jato. Haverá eleição indireta, sem povo, patrocinada por um Congresso onde há centenas de investigados tentando salvar a própria pele.

                                   Todos acreditam que a única forma de mudar esse destino trágico, como um Titanic, será a mobilização da sociedade e a ocupação das ruas. A igreja católica, em todas as missas, prega a resistência popular contra as reformas de Temer. É só ler o documento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), aprovado em fins de abril e publicado na Internet. Sindicatos e movimentos sociais já convocam greve geral e uma marcha sobre Brasília para o dia 30 deste mês.

                                   Quem viver, verá!   

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Troca de Ministro da Justiça parece manobra para barrar a Lava Jato e blindar Michel Temer. O escolhido é crítico da operação e das delações premiadas. O delegado-chefe da Polícia Federal pode cair nos próximos dias. Temer precisa concluir reformas impopulares – ou será jogado ás traças.

 

                                   Enquanto aumenta o clamor público pela renúncia de Michel Temer e a convocação de eleições diretas, o Planalto reage como sabe fazer: oferece dinheiro (através das emendas parlamentares ao orçamento da União) e cargos públicos para a base aliada. Quem não votar com Temer perde os apaniguados nas empresas públicas e nos ministérios. Quem quiser apoiar, fico com a vaga dos tombados. E que se dane o interesse público. Pior: querem garantir um freio nas investigações da Lava Jato. Podem trocar o delegado-chefe da Polícia Federal e também os investigadores designados para a devassa contra a corrupção. Especialmente aqueles procuradores e delegados de Curitiba. Só não dá para mexer com Sérgio Moro, que virou ícone nacional, título não necessariamente merecido.

                                   Mas farão tudo o mais!

                                   Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados e aliado de Temer na primeira linha, não vai aceitar nenhum pedido de impeachment contra Temer. A não ser que haja protestos-monstros de rua, que ameaçariam o próprio sistema político. Em uma hipótese como essa, remota, Michel Temer seria oferecido em sacrifício. Parece que não é o caso. Sobra a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que pode cassar a chapa Dilma-Temer por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2014. Muita gente acredita nisso. Particularmente, penso que algum dos bravos ministros da corte vai pedir “vistas aos autos”, suspendendo o julgamento por tempo indeterminado. É o mais provável.

                                   O governo que sucedeu a Dilma Rousseff está comprometido com os interesses do grande capital e com o patronato nacional e estrangeiro. As reformas de Temer são todas neste sentido. E ele precisa de tempo para tentar concluir a sua obra. Enquanto se torna um dos presidentes mais impopulares do mundo e da história pátria. Para concluir as tais reformas, o núcleo conservador só tem até o fim do ano. Ao alvorecer de 2018, começa a campanha para deputados, senadores, governadores e presidente. E aí o populacho em geral tem uma arma poderosa: o voto livre e direto.

                                   A maior parte desses políticos varonis está sendo investigada por crimes graves. Se não se reelegerem, perdem o foro especial no STF. Ou seja: vão parar nas mãos de juízes de primeira instância, onde os processos são mais rápidos e a raiva é maior. Este é o dilema de Temer e seus aliados. O governo precisa finalizar a reforma trabalhista, que compromete a massa laboral do país, e a da previdência, que compromete as próximas gerações. Se não for capaz de fazer isso, será jogado às traças.

E o poder econômico vai esperar até o ano que vem para saber quem é o cara – ou a cara!        

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Um país à beira do caos: Michel Temer acha que governar é controlar o Congresso – e não atender ao interesse público. Distanciamento entre o Planalto e as ruas amplia o descontentamento e ameaça transbordar para graves conflitos.

                                   Durante os graves incidentes ocorridos em Brasília na última quarta-feira (24 maio), quando dezenas de milhares de manifestantes entraram em choque com as forças de segurança, o país teve um vislumbre do que ainda está por vir. O protesto, chamado Ocupa Brasília, foi subestimado pelo Planalto. Enquanto Temer conversava com aliados na sede do governo, a capital federal virava uma praça de guerra. Os esforços da polícia para impedir que a marcha do “Fora Temer” avançasse pela Esplanada dos Ministérios resultou em violência descontrolada. Oito ministérios foram depredados, três dos quais incendiados. A polícia do DF, com gás de pimenta, bombas lacrimogêneas e balas de borracha, não estava preparada para o tamanho do protesto. Nem para a violência causada pela intervenção das tropas de choque.

                                   Por volta das duas da tarde, disseram a Temer que a situação estava fora de controle. E o presidente, apressadamente, convocou as Forças Armadas para garantir a lei e a ordem, como prevê a Constituição. A essa altura, colunas de fumaça se erguiam no Eixo Monumental da capital. Já havia 50 feridos, inclusive três policiais, e pelo menos uma pessoa atingida por arma de fogo. Apesar do decreto presidencial, o Exército retardou a presença de suas tropas, com exceção do Batalhão de Guardas, que tem alojamentos no Planalto e no Alvorada. Mas a força mesmo só apareceu após o encerramento dos conflitos. E por duas razões, que preocupam o Alto Comando: não ampliar o enfrentamento, que poderia resultar em mortos e feridos; não parecer que estava dando um endosso ao governo Temer, que considera uma excrecência.

                                   As tropas surgiram durante a noite: 1.400 homens do Exército e da Aeronáutica. Posicionaram-se ao longo dos prédios atingidos pelos protestos. E mais nada. Não havia veículos blindados e muito menos os temidos tanques de guerra. Uma micro intervenção. E durou poucas horas, porque Temer, talvez reconhecendo o exagero, mandou recolher as tropas. Para alívio de todos – e talvez recuando por pressão dos próprios militares. Quando a notícia da ação das tropas chegou ao Congresso, todos os partidos de oposição se retiraram do plenário. E os governistas aproveitaram para aprovar algumas medidas de interesse de Temer. Ou seja: um quadro lamentável. Entre as Forças Armadas há um sentimento de que não se deixarão manipular por um governo duvidoso, no qual, inclusive o próprio presidente, é investigado por corrupção.

                                   Só que o quadro político está se agravando. Enquanto Temer diz que tudo vai bem, o antagonismo aumenta. A perspectiva de conflitos de rua só faz crescer. Quem imaginaria que as centrais sindicais levariam 45 mil militantes a Brasília? E qual foi o apoio local, de estudantes e movimentos sócias? Além das ameaças jurídicas que pesam contra Temer e o governo, há a voz das ruas.

                                   Quem viver, verá!               

                                       

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Lava Jato atropela Michel Temer e ameaça derrubar o governo. O presidente foi flagrado apoiando pagamentos em troca do silêncio de Eduardo Cunha. Mas este não é o crime maior de Temer: a PGR diz que ele indicou um interlocutor para extorquir o dono da Friboi em 480 milhões de reais. A propina seria paga em 20 anos: 2 milhões de reais por mês.

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Temer diz que não renuncia. Mas Gedel caiu. As mesmas acusações. Foto Agência Brasil.

 

                                   O escândalo da delação do empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS, a segunda maior empresa do país em faturamento (170 bilhões de reais/ano), parece ser a pá de cal no governo Temer. Pela primeira vez na história, um mandatário da Republica é apanhado em flagrante delito. Temer recebeu, em março, no Palácio do Jaburu, residência oficial do governo (ele e Marcela não gostaram do Alvorada), um tubarão do ramo de processamento de carnes. Joesley chegou lá tarde da noite – e travou com o presidente um diálogo de meia hora, como se fossem amigos. Ao longo da conversa, toda gravada, percebe-se que era uma intimidade cúmplice.

                                   O empresário, conhecido como “o açougueiro”, disse que estava pagando todo mês a Eduardo Cunha e a Lúcio Funaro, dois prisioneiros da Lava Jato, em troca de silêncio. Temer disse que isso precisava continuar. Depois Joesley contou que tinha problemas com o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e com a CVM (Comissão de Valores Mobiliários). São agências federais destinadas a regular boa parte da economia do país. Temer indicou um deputado federal de sua confiança para tratar do tema. O nome dele é Rodrigo da Rocha Loures (PMDB-PR), investigado na Lava Jato. Na delação premiada, o dono da Friboi afirmou: deste encontro, indicado por Temer, resultou um acordo para o pagamento de 480 milhões de reais em propinas, a um custo de 2 milhões de reais por mês para o grande açougue de batista, durante 20 anos. Desde que os problemas com o CADE e a CVM pudessem ser resolvidos.

                                   Esta é a principal acusação contra Michel Temer. O problema de Funaro e Eduardo Cunha é fichinha. Curioso: a grande mídia evitou cautelosamente explorar a matéria. Talvez porque as empresas públicas, como a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica sejam os maiores anunciantes do setor. Só que tal acusação da PGR é a mais grave contra Michel Temer, que fez pronunciamento em tom agressivo dizendo que não iria renunciar. A abertura de processo criminal contra o presidente, aprovada pelo STF, considera os crimes de corrupção, obstrução da justiça e organização criminosa. Mas a mídia se concentra no caso de Eduardo Cunha, a menor das acusações. Por que?

                                    Além do mais, a Lava Jato também deu um tiro no peito de Aécio Neves. Derrotado por Dilma Rousseff em 2014, por apenas 3,27% dos votos válido, Aécio era o ícone das elites e da classe média. Bom moço, bonitinho, neto de Tancredo Neves, também ele foi destroçado pela Lava Jato. A delação do dono da Friboi, gravada, revela um Aécio pedindo dinheiro para se defender das acusações: a bagatela de 2 milhões de reais. E revela uma conversa chula, recheada de palavrões. Parece um bandido vulgar. Para receber os 2 milhões, disse que precisava de um mensageiro confiável, “alguém que a gente mata antes de delatar”.

                                   Aécio indicou seu próprio primo, Fred, que acabou em cana ao ser filmado recebendo quatro mochilas de 500 mil reais. E a Polícia Federal também prendeu a irmã de Aécio, Andrea Neves, que negociou com Joesley Batista uma propina de 40 milhões de reais para comprar um apartamento para a mãe no Rio de Janeiro. Qual a moeda de troca: a indicação de um diretor para a Vale do Rio Doce.     

                                   Aécio teria dito que poderia garantir a indicação. E o resto é bobagem!  

      

 

 

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Sérgio Moro vai condenar Lula a dura pena de prisão no processo do triplex. Deve acontecer até o final de julho. O xerife da Lava Jato assumiu de vez o pa-pel de juiz e acusador ao mesmo tempo.

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Juiz e acusador ao mesmo tempo.

 

                                   A animosidade entre Moro e Lula, que pudemos ver nos vídeos do depoimento em Curitiba, é um péssimo exemplo para a justiça em nosso país. O juiz, em vez de ouvir o questionamento do Ministério Público e dos advogados, chamou para si a responsabilidade da acusação. Tornou-se magistrado e acusador ao mesmo tempo, ferindo os princípios de impessoalidade na magistratura. Fez perguntas sobre temas que não estavam afeitos ao processo, como relativas ao “mensalão”, já julgado pela Suprema Corte, e ao famoso sítio de Atibaia. Havia uma raiva contida pela ironia nas palavras de Moro.

                                   Lula, por sua vez, também demonstrava grande irritação. Muitas das suas respostas foram ásperas e provocativas. Quando o juiz apresentou documentos sem assinatura e papéis cuja origem era desconhecida, o tom da ópera bufa subiu uma nota. Moro chegou a mostrar um contrato de Marisa Letícia, relativo à reserva de compra de um apartamento no prédio do Guarujá, onde havia uma rasura feita à mão. Pela troca dos números, um apartamento simples virava um triplex. Afirmou que a rasura havia sido periciada pela PF, mas o laudo não concluiu de quem era aquela letra. Ou seja: qualquer um poderia ter feito aquilo. Foi o que Lula perguntou: quem rasurou? Não havia uma resposta.

                                   As provas na ação penal que trata do triplex são de uma pobreza impressionante. Tudo está baseado em delações premiadas e em papéis sem assinatura. Há também um email que diz que a ”dama” aprovou a reforma no imóvel e no sítio, incluindo uma cozinha de 140 mil reais. Moro insinuou que a tal “dama” seria Marisa Letícia. Seria mesmo? A inconsistência é de doer. Não estou discutindo aqui se Lula é ou não corrupto. Apenas levanto a questão da pobreza da ação penal.

                        Pelos recortes do depoimento que vimos na grande mídia, concentrados no embate entre réu e juiz, fica-se com a sensação de que Lula recebeu mesmo os tais 3 milhões de reais da empreiteira OAS, disfarçados no imóvel e nas reformas. Mas, do ponto de vista da materialidade dos crimes de corrupção, ocultação de bens e lavagem de dinheiro, o caso é bem fraquinho. Especialmente porque a venda do apartamento não se consumou. Isto, porém, não deve impedir a condenação do ex-presidente. E a cana vai ser dura, talvez uns 15 anos só na ação do triplex.    

                                   O juiz federal parece convencido de que Lula é realmente um criminoso. Só que isso não basta. Tem que provar. Além do mais, boa parte da opinião pública, bombardeada pela mídia, também acha que ele é um ladrão vulgar. A Lava Jato é uma unanimidade nacional. Ou seja: tudo indica a condenação do ex-presidente na primeira instância. E rapidamente, talvez até o fim de julho. Se a sentença for confirmada em segunda instância até junho do ano que vem, Lula não poderá ser candidato, mesmo liderando as pesquisas. Ou por causa disso. Seria uma festa para o setor conservador que está no poder.

                                   No entanto, é preciso não esquecer que Justiça não é vingança e que o Direito está acima do dever.       

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Lula e Moro cara a cara: não o aconteceu nada demais, nenhuma prova arrasa-dora contra o ex-presidente acusado de corrupção. Em depoimento de 5 horas, Lula respondeu a todas as perguntas. E não saiu preso, como muitos esperavam.

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                                   Sob enorme aparato policial, Lula compareceu à audiência com o xerife da Lava Jato, o juiz Sérgio Moro. Não houve nada surpreendente. Os acusadores fizeram dezenas de perguntas. O ex-presidente respondeu a todas elas, contrariando as expectativas. Muita gente achava que Lula se recusaria a responder às acusações, o que seria entendido como uma forma antecipada de condenação. Não foi o que houve. Outros achavam que o metalúrgico nordestino fundador do PT seria confrontado com provas arrasadoras. Mas também não aconteceu. O interrogatório foi burocrático e frágil. Durou 5 horas, mas não acrescentou quase nada ao inquérito que imputa a ele uma propina de 3,7 milhões de reais, supostamente relacionada à compra e à reforma do triplex no Guarujá e à guarda de objetos relativos aos 8 anos do governo de Lula.

                                   Pensando bem, apesar do clima de ocupação policial-militar da cidade de Curitiba, não teve nada demais. Comedido e educado, Sérgio Moro jamais passou da elegância: tratava Lula como “senhor ex-presidente”. E não mostrou nada impressionante. Nem ele, nem os procuradores federais. Do lado de fora do prédio da Justiça Federal, havia apenas um desfile de tropas. Nenhum incidente. Nada a registrar. Quem imaginava, loucamente, que Lula seria preso, enganou-se redondamente. O processo é pobre do ponto de vista jurídico e apenas inflado pela sanha acusadora. Não havia como justificar uma prisão que a parcela antipetista aguardava. Moro sabe disso. A carreira dele está em jogo nesse momento. Se ultrapassar a linha vermelha em um milímetro, será atropelado pelos tribunais superiores. Como afirma o ditado popular: quem tem… tem medo!

                                   A ideia de Lula de transformar o interrogatório em ato político, em palanque, foi frustrada pelo fato de que não havia transmissão ao vido do interrogatório. E depois, ao deixar o tribunal e se dirigir à praça pública, outra frustração: as redes nacionais de televisão ignoraram o comício organizado no centro da capital paranaense, que tinha até a participação de Dilma Rousseff. Passou em branco. Os organizadores do ato público (CUT, MST, PT, PCdoB e outros) disseram ter reunido 50 mil manifestantes. A PM afirmou que foram apenas 5 mil. Na média das divergências, deve ter tido uns 10 mil. Mas o fato é que a Lava Jato, ao menos no caso do triplex, tem quase nada a oferecer contra Lula.

                                   Nos bastidores, comenta-se que Lula será condenado em primeira instância, nas mãos de Moro. Mesmo com pouca sustentação legal. Outros acham que o xerife vai olhar para o futuro e absolver Lula por falta de provas. Condenado este ano, o fundador do PT tem até junho do ano que vem para escapar de uma condenação em segunda instância. A partir daí, será oficialmente candidato à presidência em 2018. Tirá-lo da campanha, estando em primeiro lugar nas pesquisas eleitorais, será muito mais difícil. Se sobreviver, pode ganhar.

          

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Confronto armado entre facções criminosas leva caos à zona norte do Rio: 10 veículos incendiados, três policiais feridos, 42 presos, arsenal de guerra apreendido pelo Bope. É a guerra civil na Cidade Maravilhosa.

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Dez veículos incendiados o Rio. Foto Agência Brasil.

                                               No início da madrugada desta terça-feira (2 mai), dezenas de homens do Comando Vermelho (CV), portando o que há de melhor em matéria de armamentos de guerra, invadiram a comunidade da Cidade Alta, no complexo de favelas da Penha, zona norte do Rio. Os combates contra as facções rivais (ADA e Terceiro Comando Puro, o 3CP), que dominam o tráfico naquela área, começaram por volta de duas da manhã. A população local foi acordada com intenso tiroteio e explosões de granadas. Durou até o amanhecer, quando a chamada força pública interveio no conflito. É bom explicar: a polícia, mesmo o Bope, não entra no labirinto de ruelas com a escuridão da noite.

                                   Por volta das 10 horas da manhã, grupos ligados ao narcotráfico incendiavam 8 ônibus e dois caminhões nas vias expressas que passam na região, como a Avenida Brasil, a Dutra e a rodovia Washington Luís. Moradores bloqueavam pistas com barricadas de fogo e atacavam motoristas. Vários caminhões transportando carne e produtos eletrônicos foram saqueados pela multidão, sob as barbas de um polícia impotente, que não desejava iniciar conflitos ainda mais graves. Enquanto isso, o Bope cercava parte da força de ataque do CV: 42 prisões, 32 fuzis apreendidos, além de 10 granadas e duas pistolas automáticas. Os canais de notícias da TV transmitiam ao vivo. Essa é a guerra civil não declarada que ninguém quer admitir.

                                   O Rio de Janeiro é um estado saqueado pelo próprio poder público, onde o ex-governador Sergio Cabral é acusado de comandar uma organização criminosa destinada a roubar o dinheiro público. Funcionários públicos não são pagos, incluindo as polícias. Mas a primeira-dama compra milhões de reais em joias e esconde dinheiro no exterior. Um enfrentamento armado nas ruas, com o desta terça-feira, é coisa pequena diante da roubalheira oficial. Mas é também o reconhecimento do estado de beligerância que está instalado em nossa sociedade, onde ocorrem 60 mil assassinatos por ano, a maior parte dos quais execuções sumárias por armas de fogo.

                                   É mais grave do que as guerras do Vietnã, do Líbano e da Síria. Mas, se der praia no sábado, a orla do Rio vai reunir 2 milhões de pessoas felizes com o sol e a caipirinha. Este é o país que temos para viver!        

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Dia nacional de protesto contra Temer atinge 186 das maiores cidades do país, inclusive todas as capitais e o Distrito Federal. Houve violência em vários pon-tos, como em Santos e São Paulo. O centro do Rio virou um campo de batalha: incêndios, saques, depredações.

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Enfrentamentos entre manifestantes e a polícia. Foto Agência Brasil.

                                    Se Michel Temer, Romero Jucá e Henrique Meirelles achavam que tudo passaria em branco, se enganaram. Grandes protestos sacudiram o país nesta sexta-feira (28 abril). O Brasil viveu um dia de 1968. Marchas, confrontos com as tropas de choque, incêndios, depredações e muita violência em algumas das 186 cidades que aderiram ao protesto. Milhões de brasileiros ficaram sem transportes e sem serviços essenciais. A convocação de greve geral, patrocinada pela Frente Brasil Popular e pelo Movimento Povo Sem Medo, com apoio de todas as centrais sindicais do país (algumas inimigas históricas), resultou não exatamente numa greve, mas em um enorme protesto contra o governo.

                                   Em Santos, nas bordas do maior porto brasileiro, estivadores e funcionários entraram em greve. A fila de caminhões de grãos para exportação parou. Toneladas de soja foram jogadas na pista. E a cavalaria da PM paulista avançou contra grevistas desarmados. Durante o amanhecer desta sexta-feira, houve confrontos entre grevistas e a tropa de choque na capital do estado mais rico do país, que resultaram, à tarde, numa grande manifestação no centro da cidade. Depois os manifestantes marcharam até a casa de Michel Temer, no bairro de Pinheiros, um dos metros quadrados mais caros do país. Na cidade do presidente, metrô, trens e ônibus pararam, além de muitos bancos e comércio fechados. Grandes avenidas ficaram vazias.

                                   No Rio de Janeiro, onde a greve geral não colou (quase tudo funcionou normalmente), a coisa foi muito mis grave. Milhares de pessoas se concentraram em dois ou três pontos do centro da cidade. O “Fora Temer” foi ouvido até na TV Globo. Assim como o corinho: “o povo não e bobo, abaixo da Rede Globo”. Vi ao vivo na Globonews, durante um protesto em Recife. Mas no Rio a coisa realmente pegou fogo: 10 ônibus e carros incendiados, enfrentamento de pedras contra balas de borracha e granadas de gás lacrimogênio. Me senti em 1968, quando o meu Rio de Janeiro foi palco dos maiores protestos contra a ditadura militar.           

                                   E o governo virou a cara para o outro lado. Fez de conta que nada estava acontecendo, com a grande mídia apenas repercutindo a informação oficial. Parece que foi na Venezuela, só que lá a polícia usa munição letal. Aqui, o Planalto reagiu como se fosse um dia como outro qualquer. Só que não. Se houver povo nas ruas, a equação política muda completamente. E se a repressão matar um manifestante, aí voltamos mesmo ao Édson Luís de 1968, que desencadeou a reação e a resistência ao regime militar. Se a manifestação que vimos hoje se repetir, muita coisa vai ficar diferente, inclusive a indiferença de Temer, que teve o seu quarteirão cercado por milhares de manifestantes.

                                   Fazer reformas estruturais no país sem consulta aos interessados (o populacho em geral), por meio   apenas de conchavos políticos, é uma coisa. Mas se as multidões puserem a cara para fora de casa, o jogo muda. Quando o governo, em nome do grande capital, resolve fazer reformas que interessam ao patronato e não à plebe rude, como é o caso, sempre corre o risco de a oposição ocupar as   ruas. É só mexer no bolso das pessoas que dá tudo errado.  

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Antônio Palocci presta depoimento ao juiz Sérgio Moro e diz que está disposto a entregar todo mundo. A provável delação do ex-ministro é a pá de cal no sistema político. Vai atingir os grandes bancos e a elite do empresariado. Desastre total.

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Antônio Palocci. Imagem TV Brasil.

                                   Homem forte dos governos Lula e figura proeminente do PT, Antônio Palocci prestou depoimento hoje (20 abril) ao xerife da Lava Jato, o juiz Sérgio Moro, em Curitiba, dando conta de que está disposto a entregar todo o esquema de corrupção e fraude eleitoral. É uma bomba de Hiroshima sobre o sistema político brasileiro, respingando para o mercado financeiro, os grandes bancos e a elite empresarial do país. É pior do que a “Delação do Fim do Mundo”. Uma delação do ex-ministro derruba todas as torres até então consideradas intocadas. Pode ser a sentença de morte para o governo Temer, Lula, Dilma, FHC, o PT e demais partidos. Pouca gente no Patropi sabe mais do que ele.

                                   Palocci pode esclarecer, inclusive, o assassinato do prefeito Celso Daniel, supostamente em um esquema de corrupção de serviços públicos no ABC paulista. É nitroglicerina pura. Todas as forças políticas do país vão se mobilizar para impedir que tal delação de fato ocorra. E nisto incluo o governo, o Congresso, o STF, a PF e tudo o mais. Talvez até o Moro. Seria um evento de extinção da classe política e empresarial do país, tão misturadas na atividade criminal.

                                   Ao acompanhar as centenas de horas de depoimentos gravados em áudio e vídeo dos delatores da Odebrecht, cheguei à conclusão de que o Brasil tinha um rei e um príncipe até recentemente, que não pertencem à família Orleans e Bragança. Trata-se de Emílio e Marcelo Odebrecht, que dominavam o país a um custo de 1 bilhão de reais por ano, corrompendo todo o sistema político, eleitoral e executivo da República. Não são, nem nunca foram, parentes de Dom Pedro I. Mas reinavam soberanos sobre a terra brasilis. Ficamos sabendo que ministros, deputados, senadores e até presidentes se curvavam ao poder econômico da maior empresa privada do país – em troca de presentes, benesses e grana viva contrabandeada até em cuecas e ceroulas. Uma grana cujo destino final eram os paraísos fiscais. Algo como 10 bilhões de reais em apenas 9 anos.

                                   Enquanto isso, a ralé vulgar, o populacho, faz filas nos postos de saúde, sofre desemprego, anda espremida nos coletivos e é assaltada nos pontos de ônibus. E os caras riem. O próprio depoimento dos delatores da Lava Jato, todos criminosos, impressiona pelo cinismo e a cara de pau. Quem paga o pato, como diria o presidente da FIESP, Paulo Skaf, acusado de fraudes e corrupção, somos nós. E o que dizer da iludida classe média, que foi às ruas contra a corrupção petista sem saber que a bandalheira envolvia até os seus heróis? A conclusão óbvia, até agora, é de que poucos escapam da alcunha de ladrão e bandido. E a classe média quer a redução da maioridade penal, o encarceramento em massa e a pena de morte para o bandidinho pé de chinelo. E os canalhas desviam o dinheiro da merenda escolar, superfaturam obras públicas, elegem seus representantes para que a canalhice prospere infinitamente.

                                   O governo Temer, representante do grande capital, articula para aprovar medidas que interessam ao patronato. Não há uma única iniciativa de ouvir a opinião do eleitor, como por meio de referendos e plebiscitos. E – é claro  – pretende se proteger de punições judiciárias, como através da manutenção do foro privilegiado e da anistia ao caixa 2 de campanhas eleitorais. Caixa 2 é crime, especialmente porque o dinheiro sujo serve para encher os bolsos deles. Não necessariamente vai para campanha nenhuma. Fala em reforma da previdência, cuja intenção é garantir um superávit primário, com vistas a assegurar o pagamento dos juros da dívida interna aos bancos privados e aos investidores estrangeiros.  

                                   Reforma política, nem pensar. Reforma tributária, só se for no interesse das grandes companhias. Por que o governo não cobra a dívida do empresariado em relação ao INSS? Bilhões de reais. Por que não cobra a dívida do imposto de renda e do ICMS? Bilhões de reais. Mas o governo está todo mobilizado para jogar o peso da crise econômica nos ombros do trabalhador. Este é o país que temos para viver. A Receita Federal já disse que a sonegação de impostos chega a 200 bilhões de reais por ano. Bem maior do que o déficit público.

                                   E o resto é bobagem!    

                                        

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Enquanto Temer, Lula e FHC se articulam para tentar sobreviver a 2018, políticos acusados na Lava Jato se movem na direção de uma ampla coligação com o petista. Lula seria a “única alternativa política” para enfrentar a devassa. Cresce a inquietação no meio militar e tem muita gente uniformizada pensando em intervir.

Temer, lula e fhc

Uma articulação improvável em curso?

 

                                   Este site errou, posts atrás, quando afirmou que a delação premiada da Odebrecht atingiria 300 políticos, empresários, atravessadores e funcionários de alto estalão. Na verdade, as confissões dos crimes da empreiteira já citam 415 beneficiários da corrupção, tanto em Brasília, quanto em outros 12 estados da Federação. É a debacle total do sistema político brasileiro. Ao todo, a bandalheira envolveria 26 dos 32 partidos políticos existentes. E a Odebrecht já confessou ter pago 10 bilhões de reais em propinas e caixa 2 de campanhas, que é também uma forma indireta de suborno.

                                   Durante a última semana e os feriados santos, ocorreu uma ampla articulação política destinada a frear a Lava Jato. Reúne no mesmo saco o presidente Temer e os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique. Ou seja: uma coligação de forças que atende pelos nomes de PMDB, PT, PSDB, DEM, PPS e PP – pelo menos esses. E que conta com aprovação tácita da imensa maioria dos congressistas, quase todos acusados de crimes graves. Lula, campeão de audiência nas pesquisas eleitorais recentes, por sua popularidade e estatura política, seria o centro das atenções. Só ele seria capaz de fazer frente à caça às bruxas promovida pela polícia e pelo judiciário – e ainda por cima vencer as eleições de 2018. Os adversários Ciro Gomes, Marina Silva e o ultradireitista Jair Bolsonaro seriam destroçados nas urnas.  

                                   Tal confabulo pretende a rápida aprovação de leis, travestidas de reforma política, visando a manutenção do foro especial para executivos e parlamentares, que poderia ser estendido a ex-presidentes, além da descriminalização do caixa 2, que esvaziaria a maior parte das acusações na Lava Jato. Só uma amplíssima coalisão política, apelidada de grande pacto nacional, conseguiria uma tal proeza. Como a Justiça é muito lenta, há tempo de sobra para que o plano prospere. E como não há povo nas ruas, a coisa fica mais fácil. A coluna Painel, da Folha de S. Paulo, diz que isto é resultado do “efeito dominó” produzido pela devassa. Levou todo mundo de roldão. O cronista político Elio Gaspari informa que tal entendimento “beira a formação de quadrilha”. O modesto autor que vos fala sempre disse que o crime organizado pretende a tomada do poder. Exagero?

general augusto heleno 01

O general Augusto Heleno.

                                   Em Brasília há fortes rumores de que a delação da Odebrecht também atingirá de frente o judiciário, envolvendo juízes, desembargadores e ministros das altas cortes. E cresce a inquietação no meio militar. O general Villas-Bôas, comandante-em-chefe do Exército, declarou recentemente: tentar deter a Lava Jato pode produzir uma intervenção das Forças Armadas, conforme entrevista ao jornal Valor Econômico. Agora o general Augusto Heleno, ex-comandante militar da Amazônia e ex-comandante das forças de paz da ONU no Haiti, teria publicado na Web: “Vamos fechar o Congresso; não existe mais democracia no país”, conforme a página do general Paulo Chagas no Facebook.

                                   As fontes em uniforme deste modesto autor comentam que a intervenção não seria para inaugurar uma nova ditadura no país. Seria para deter a equipe ilegítima de Michel Temer, inclusive impedindo Rodrigo Maia (Câmara) e Eunício de Oliveira (Senado), e dar posse à ministra Carmem Lúcia, do STF, com a missão de convocar eleições diretas. Os militares acham que o Brasil de hoje é muito diferente e muito mais complexo do que em 1964. Quando o regime militar foi instaurado, o general-presidente Humberto de Alencar Castelo Branco também declarou que convocaria eleições gerais em 1965. Não aconteceu. E o país mergulhou em 21 anos de escuridão.

                                   Lá, naquela época esquecida, segundo os militares, a ameaça era o comunismo em plena Guerra Fria. Agora eles acham que a ameaça é a perda dos princípios éticos e morais, além de que o país está desgovernado e tomado por uma chusma de bandidos. E às vésperas de uma convulsão social. Com ou sem intervenção militar.

                                   Como os leitores do site estão carecas de saber, sou um autor independente. Não tenho filiação partidária, não sou patrocinado por ninguém. Não recebo pixulecos. Apresento um leque de opiniões, algumas divergentes, poucas convergentes. Aqui no site, que trata de temas como violência urbana, crime organizado e terrorismo, há um fórum relacionado à segurança pública e ao reaparelhamento das Forças Armadas, reunindo milhares de representantes do setor. Assim obtenho opiniões e informação de gente uniformizada. Coloco nesse artigo a opinião dos militares porque ela é agora uma peça importante no tabuleiro político do país.

                                   A equipe do site não apoia nenhum tipo de rompimento da ordem institucional. Somos a favor da convocação de eleições diretas e de uma nova constituinte para resolver os dramas do país. O resto é bobagem!                

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