Michel Temer vai à TV para dizer que não fez nada de errado. É acusado de negociar 40 milhões de dólares para o PMDB em 2010, junto com Henrique Alves e Eduardo Cunha. Enquanto isso, a Lava Jato desmonta seu governo e o apoio parlamentar. A mídia internacional diz que é o maior escândalo de corrupção do mundo.

 

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O presidente Michel Temer e a primeira-dama Marcela Temer sob vaias durante desfile de 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

                                   Por volta das quatro da tarde desta quinta-feira (13 abril), o presidente Michel Temer apareceu em um pronunciamento ao país. Vi na Globonews. Ao invés de tranquilizar a opinião pública brasileira diante da maior crise político-econômica da história do Patropi, usou 30 segundos de TV para se defender como pessoa física. Disse que estava ali para dizer que não tinha feito nada de errado em toda a sua vida. Nem as pedras do calcamento acreditam nisso. A Lava Jato diz que Temer participou diretamente de uma negociação para arrecadar propina de 40 milhões de dólares (algo como 128 milhões de reais) em 2010, quando era candidato a vice de Dilma Rousseff.

                                   A “Delação do Fim do Mundo”, patrocinada por 78 executivos da Odebrecht, maior empreiteira do país, envolve um terço do gabinete de Temer: 8 ministros. Atinge quase todos os partidos políticos com presença no governo e no legislativo, com exceção do PSOL e da Rede. O novo tsunami da Lava Jato já atinge 277 políticos, governantes, empresários, operadores financeiros e empresários. Está baseada em 40 das 78 deleções, o que significa que vem muito mais por aí. Além disso, o ministro Luís Édson Fachin, do Supremo Tribunal, após os 76 inquéritos criminais já autorizados, decidiu pela abertura de outras 25 ações penais mantidas em sigilo. A casa caiu mesmo!

                                   Uma fonte na Polícia Federal me contou: ao todo, cerca de 2 mil pessoas serão envolvidas nesta nova etapa da Lava Jato, incluindo muitos funcionários públicos de alto escalão – muita gente acima de qualquer suspeita nos estados. E por falar em estados, 12 governadores da ativa são citados nas delações, quase a metade dos que existem no país. Finalmente, a Lava Jato vai sair de Brasília.

                                   Outra questão importante: há acusações contra os partidos políticos, não apenas contra candidatos e aproveitadores. Isto quer dizer: no fim da linha, alguns partidos podem perder os registros eleitorais. Seria o melhor dos mundos. Um acerto de contas da sociedade contra os canalhas em geral. Mas é preciso considerar a morosidade da Justiça, especialmente nos tribunais superiores. O governo Temer pode acabar sem que tais questões sejam resolvidas. É nisso que os políticos comprados por empreiteiros apostam. O governo acaba sem punições. Temer já disse que só afasta ministros que sejam denunciados e que virem réus. Pode durar dois anos, no mínimo.

                                   É com base neste tipo de raciocínio que Michel Temer vai à TV para dizer que é honesto. Ele sabe que tão cedo não haverá denúncias oficiais e condenações. Sabe que seu governo vai acabar antes. Usa a máquina pública, a NBR, TV estatal, para se defender como pessoa física – não como presidente do país. Mas ninguém vai reparar no detalhe.  

Michel Temer é um presidente impopular, com cerca de 10% de aprovação pelas pesquisas de opinião. Justamente por isso, tenta aprovar reformas impopulares, porque não tem mesmo nada a perder . Tais reformas visam atender aos interesses do grande capital, responsabilizando os trabalhadores pela crise econômica. Aparentemente, não pode se candidatar à reeleição, em 2018, porque tem uma condenação de segunda instância no TRE de São Paulo, por doção ilegal em campanha eleitoral. Está na ficha suja. Ou seja: para ele tanto faz!     

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Relatório da “Transparência Internacional” revela: 3.452 imóveis na cidade de São Paulo podem estar ligados a operações de lavagem de dinheiro no exterior. No total, 8,6 bilhões de reais.

corrupção politica 03                           O relatório da organização foi divulgado na manhã desta segunda-feira (10 abril). Mostra que um número absurdo de imóveis em São Paulo tem a propriedade associada a empresas offshore, criadas no exterior de forma duvidosa, ou ligadas a contas em paraísos fiscais. Ao todo, 3.452 apartamentos, casas, terrenos e prédios comerciais. A organização “Transparência Internacional” insinua que tais estabelecimentos residenciais ou comerciais podem ser fruto da lavagem de dinheiro ilegal. Algo como corrupção política ou caixa 2 de empresas. O valor estimado é de 8,6 bilhões de reais.

                                   A ong também informa que não foi possível identificar os verdadeiros donos desses imóveis, ocultos sob uma complexa trama de empresas de fachada. Aparece uma pessoa jurídica, que pertence a outra, que pertence a outras. E o nome do proprietário se perde num labirinto contábil indecifrável. A “Transparência” também informa: de 200 processos de investigação de valores instaurados pelo Banco Central brasileiro, 70% se referem às empresas de fachada. E não há conclusão à vista.

                                   Isto é que é crime organizado!

                                   Envolve políticos e governantes, empresários, operadores financeiros, bancos e uma chusma de oportunistas. A Receita Federal avalia que a sonegação de impostos no Brasil chegue a 200 bilhões/ano. O Ministério Público Federal garante que a corrupção joga outros tantos no ralo.

                                   E o governo pretende fazer com que trabalhadores e aposentados paguem a conta do rombo fiscal?      

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Ataque americano destrói base na Síria e revela a incapacidade da diplomacia ocidental em lidar com os problemas do Oriente Médio. Dá tudo errado.

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Míssil americano decola para atacar a Síria. Imagem da CNN.

                                   O bombardeio de mísseis americanos contra uma base aérea do governo sírio, a partir de navios estacionados no Mediterrâneo, mostra mais uma vez a incapacidade da diplomacia ocidental em resolver as crises no Oriente Médio. Os 59 foguetes atingiram a pista, os hangares de aviões e outras instalações com precisão. Mas o resultado é duvidoso. Em primeiro lugar, o Pentágono avisou ao Departamento de Defesa russo que o bombardeio aconteceria em algumas horas, tempo suficiente para a base síria fosse abandonada. Aviões decolaram às presas e os militares, inclusive da Federação Russa, desapareceram. Isso explica o pequeno número de baixas – apenas 7 em 4 minutos de explosões devastadoras.

                                   A base aérea do governo de Bashar al-Assad, o ditador sírio, ficou fora de combate. Mas o episódio não muda os rumos da guerra civil naquele país, que dura sete anos e já matou algo com 600 mil pessoas. Donald Trump fez mesmo um jogo de cena, para o público interno americano. Se quisesse mesmo produzir uma mudança importante, teria atacado Damasco, a capital, e o próprio palácio do ditador. Os americanos já fizeram isso na Líbia, no Iraque e no Afeganistão. No entanto, foi mais um golpe publicitário do topetudo de Washington. Um ataque direto contra Assad teria arrastado a Rússia e o Irã para um envolvimento maior no conflito, criando uma situação insustentável na região. Talvez uma guerra envolvendo a Arábia Saudita, a Turquia, Jordânia e Israel, sem falar na resposta palestina.

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Ditador líbio morto após ataque da Otan.

                                   Portanto, Trump e o Pentágono optaram por um show pirotécnico, mesmo arriscado. A um custo milionário. De todo modo, o incidente reafirma a incapacidade do mundo ocidental de atuar de maneira mais inteligente nas questões do Oriente Médio. Vale destacar alguns exemplos:

1.      A intervenção americano-israelense na guerra do Líbano, que durou duas décadas, entre os anos 1975 e 1992, resultou na afirmação da resistência palestina, o fortalecimento da OLP e a transformação de Yasser Arafat em líder mundial. Era uma luta de David contra Golias que contaminou todo o mundo árabe e islâmico. 

2.     A intervenção russa no Afeganistão (1975-1989) resultou na primeira derrota do Exército russo em 800 anos de existência. E permitiu a vitória dos mujahedins (os “guerreiros de Deus”, entre eles Osama Bin Laden) e o surgimento do Talibã, que tomou o poder.

3.      A intervenção americana no Iraque e no Afeganistão, após o 11 de Setembro, foi pelo mesmo caminho. Sadam Hussein e a família dele foram derrubados e mortos. As forças armadas iraquianas foram destruídas e dispersadas. Mas a Casa Branca não tinha um projeto para o momento seguinte. Era só vingança. Resultado: surgiu a resistência xiita e a Al Qaeda no Iraque. Após a saída das forças americanas, sob Obama, se instalou o Estado Islâmico.

4.     A intervenção americana e da Otan na Líbia (2011, durante a Primavera Árabe), resultou no linchamento do ditador Muammar al-Kaddafi, executado diante das câmeras de TV. Resultado: a Líbia não tem um governo constitucional até hoje, com vários grupos sectários disputando o poder.

 Há dezenas de outros exemplos. Mas o importante é entender que a opção pela retaliação armada pura e simples não alcança os objetivos firmados para um mundo moderno: o respeito aos direitos e o combate ao terror. Jogar foguetes sobre a Síria, além de criar um espetáculo midiático, não tem nenhum outro resultado. E ainda dá um mau exemplo: os americanos não têm coragem de entrar no combate. Isto estimula terrorismo e vai aumentar o recrutamento para a barbárie.        

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Comandante do Exército insinua que pode haver intervenção militar se o governo Temer e o Congresso tentarem impedir a Lava-Jato. O general Villas-Boas afirmou que “o país está à deriva” e vive a maior crise ética da história.

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O comandante-em-chefe do Exército. Foto oficial.

Pela segunda vez em menos de um ano, em   conversa com a repórter Mónica Gugliano, do jorna Valor Econômico (Grupo Globo), o comandante-em-chefe do Exército, general Eduardo Villas-Bôas, rompe o silêncio típico do alto comando para falar de política. O militar disse que o Brasil está desgovernado. E fez uma forte defesa da Lava-Jato:

_ Acho importante todo esse processo que estamos vivendo em decorrência da Lava-Jato e de outras operações. A Lava-Jato é a esperança de que se produza no país mudança nesse aspecto ético que está atingindo nosso cerne, que relativiza e deteriora nossos valores – disse o general, que defendeu a atuação do Ministério Público e do judiciário.

O general disse que não importa se a Lava Jato atingir governo e Congresso indiscriminadamente: “Que seja! Este é o preço que tem que se pagar”. A forte declaração, vinda de quem vem, dá sinal claro de que as forças militares não vão tolerar o acadelamento da política no pais. E o comandante ainda acrescentou:

_ Interpreto o desejo daqueles que pedem intervenção militar ao fato de as Forças Armadas serem identificadas como reduto onde esses valores foram preservados.

Mais claro do que isso é impossível. Só que o general Villas-Boas relativizou a intervenção, ao afirmar que o Brasil de hoje é diferente e muito mais complexo do que em 1964. Ele disse que agora, apesar de tudo, as instituições funcionam. Isto dá a entender que uma intervenção seria para assegurar o cumprimento das leis – e não para se aboletar no poder. Curioso: a grande mídia ignorou as palavras do comandante. Não vi no JN.

Para bom entendedor, meia palavra basta!

 

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Operação “Carne Fraca” pode ter sido manobra para desviar a atenção da Lava Jato quando as acusações da PGR atingiam frontalmente os aliados de Temer. Foi deflagrada no dia do terceiro aniversário da Lava Jato, como a dizer: temos outras coisas para investigar. O tiro saiu pela culatra.

carne fraca 01                                    A atuação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, ao desencadear a operação “Carne Fraca”, com grande estardalhaço, deixa muitas perguntas sem resposta. A primeira é óbvia: por que justamente no terceiro aniversário da Lava Jato? Seria uma rivalidade interna entre os federais, para mostrar quem faz o estrago maior ou quem é mais importante? Talvez apenas para afirmar que o país tem outras coisas importantes a investigar, como a comercialização de carne podre para os mercados interno e externo? Essa é a segunda pregunta óbvia. Mais uma: é apenas coincidência que a “Carne Fraca” tenha aparecido justamente quando denúncias graves da Lava Jato atropelavam ministros e aliados do governo Temer?

                                   A minha quarta pergunta é ainda pior: se a ação policial foi apenas uma conspirata, seus autores tinham noção do desastre que causaria na já combalida economia brasileira? A reação interna foi de comoção nacional. As melhores marcas do marcado estariam vendendo produtos cancerígenos e fora de validade para o populacho em geral. As vendas caíram no supermercado. As ações das companhias desabaram na bolsa. E os consumidores internacionais reagiram com o cancelamento de importações. Verdadeiro tormento para uma das maiores cadeias produtivas do agronegócio. O Brasil é o maior exportador mundial de carne in natura.

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O presidente e o ministro tentam explicar o inexplicável. Foto Agência Brasil.

                                   Outra coincidência: a “Carne Fraca” foi divulgada na mesma semana em que o governo Temer lançava uma campanha publicitária, em todos os veículos, cujo mote é “o presidente certo na hora certa”. Talvez o mandatário, que carrega a pecha de golpista, tenha sido mal assessorado nessa questão. A “Carne Fraca” só mostrou que a corrupção atinge todos os lares do país. E o resto é bobagem. O estrago foi maior do que algum eventual dividendo político. E o próprio governo teve que sair a campo para reverter o dano econômico. Mas ainda não conseguiu.

                                   O fato é que a tal operação federal já foi seguidamente denunciada por falta de provas científicas. A própria PF tentou dar meia volta. E o governo quer explicar aos estrangeiros que tudo isso é só mais uma trapalhada brasileira. Mas o prejuízo pode chegar à casa do bilhão de dólares.  

  

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Terror mata 4 e fere 26 no centro de Londres. Ataque de “lobo solitário” mostra fragilidade da Europa face ao terrorismo.

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Atendado no centro de Londres. Imagem RTP.

                                    Um homem, utilizando um veículo, atropela 26 pessoas em frente ao parlamento britânico e mata policial a facadas. Uma mulher foi lançada ao rio Tâmisa, com a força do impacto. Após os atropelamentos, que mataram duas pessoas, o terrorista desceu do carro e atacou um policial a facadas. O agente morreu no hospital e o criminoso foi fuzilado pelas forças de segurança. O número de mortos pode aumentar, porque há feridos graves. O incidente provocou pânico no centro de Londres.

                                   O episódio, típico da ação de um “lobo solitário”, revela a fragilidade da segurança europeia face ao terrorismo islâmico. Apesar de toda a mobilização militar, do patrulhamento de pontos turísticos e prédios públicos com força armada, mais o emprego de milhares de agentes de informação, os países do bloco não conseguem evitar a surpresa causada pela atuação determinada de terroristas isolados. Um único homem, dispondo apenas de um veículo e uma faca de cozinha, paralisou uma das maiores metrópoles do mundo.

                                   Por definição, o “lobo solitário” é um indivíduo que se identifica com a ideologia extremista. Mas não é alguém necessariamente ligado a organizações terroristas. Por isso é tão difícil adotar medidas eficientes contra ele. Pode ser alguém com histórico de distúrbios mentais ou emocionais, certamente uma pessoa que guarda fortes ressentimentos contra o establishment. Isto amplia a lista de suspeitos para centenas de milhares de pessoas em um único país. É quase impossível definir uma política de segurança nesse caso. Após o ataque de um terrorista dirigindo um caminhão em Nice, na França, onde matou 84 pessoas e feriu 200, a técnica do atropelamento em massa se tornou a favorita desses criminosos.

                                   Quase toda a ação dos “lobos solitários” é inspirada pelo ISIS (ou Daesh ou Estado Islâmico). Após o 11 de Setembro – e as guerras no Iraque e Afeganistão -, somando-se a isso a morte de Osama Bin Laden, o extremismo islâmico se concentrou no chamado “Califado do Levante”. O grupo concentra todo o ódio contra a civilização ocidental, estimulando radicais de todos os cantos do planeta. O ISIS dominou técnicas de comunicação no mundo virtual. E foi o único até hoje a empregar eficientemente o marketing da informação televisiva. Promoveu massacres e decapitações para captar a atenção das câmeras internacionais. E com isso estimula uma legião de fanáticos nos quatro cantos do mundo.

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Unabomber. O “lobo solitário” americano mais famosos. Retrato falado do FBI.

                                   A experiência mais antiga desse tipo de “lobo solitário” é a do “Unabomber”, um terrorista americano que utilizava os correios para praticar atentados. Durante anos, Theodore Kaczynsky, nascido em Chicago, praticou atentados aleatórios, contra alvos improváveis. Não tinha uma ideologia definida, vivia em uma cabana no meio do mato, não podia ser rastreado. Para os investigadores, que se concentram em motivos e gravações telefônicas, o “Unabomber” foi um mistério por mais de uma década. Não tinha telefone, não via TV, não se relacionava com ninguém. A investigação consumiu boa parte dos recursos do FBI. O “Unabomber” era matemático e filósofo. Foi professor na Universidade de Harvard. Acreditava na criação de uma sociedade tecnológica que resolveria os problemas básicos da humanidade, como a fome e as desigualdades. A cabana onde vivia, com apenas 12 metros quadrados, virou peça de colecionador. Foi preso por uma denúncia anônima.

                                    Para entender os motivos e as razões dos “lobos solitários” modernos, as forças de segurança deveriam estudar a história de Theodore Kaczynsky.

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Revista Época: Aécio Neves é o parlamentar recordista em pedidos de inquéritos na “lista do Janot”. O tucano, segundo a revista, teria recebido propina milionária em uma conta bancária em Cingapura, em nome de um amigo.

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Marina, Dilma e Aécio no debate da Band, em 2014. Imagem TV Bandeirantes.

                                    A revista Época, do Grupo Globo, chegou às bancas hoje (18 mar) com uma revelação bombástica: o senador Aécio Neves, presidente do PSDB, ex-candidato à presidência derrotado por Dilma Rousseff, é o campeão em pedidos de abertura de inquéritos criminais pelo procurador Rodrigo Janot. Teria se envolvido em falcatruas para beneficiar a Odebrecht em obras públicas. A acusação consta da delação premiada da empreiteira, atualmente sob sigilo judicial. Só que no Patropi tudo vaza seletivamente para a mídia. Antes atingia apenas o PT. Agora sobra para todo lado. É curioso que a revelação tenha sido feita justamente pelo Grupo Globo, que apoiou o senador abertamente em 2014. Aécio perdeu a eleição para Dilma por apenas 3,7% de diferença nos votos validos.

                                   A Época garante que o tucano levou grana em projetos ligados a obras de Furnas e na construção da nova sede do governo mineiro, um elefante branco milionário chamado ironicamente de “cidade administrativa”. Diz a revista: o dinheiro sujo circulou por uma conta bancária em Cingapura, aberta em nome de um amigo do senador. A “delação do fim do mundo” promete algumas outras surpresas.

                                   Note-se: o fato de uma publicação da Globo ter dado espaço às acusações (por enquanto, apenas suspeitas) contra Aécio Neves talvez indique que o tucano mineiro esteja se transformando em uma carta fora do baralho.

                                   Não há colher de chá na luta política!  

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165 parlamentares, 5 ministros e 10 governadores estão na “lista do Janot”. O número total de suspeitos é de quase 400 pessoas. São acusadas de corrupção, lavagem de dinheiro, fraudes e formação de quadrilha.

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Rodrigo e Eunício sob acusações da PGR. Imagem do portal Viamundo.

 

                                   Quase um terço dos parlamentares federias brasileiros foram acusados de crimes pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Entre os 6 senadores acusados, há nomes de peso: Aécio Neves (PSDB-MG, ex-candidato à presidência) José Serra (PSDB-SP, ex-candidato à presidência, ex-ministro de Temer), Romero Jucá (PMDB-RR, ex-ministro de Temer), Édson Lobão (PMDB-MA, presidente da CCJ do Senado), Renan Calheiros (PMDB-AL, ex-presidente do Senado), Aloísio Nunes (PSDB-SP, chanceler do governo Temer). Eunício de Oliveira, atual presidente do Senado, também está na lista. Da mesma forma, o deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara. Lula e Dilma estão igualmente sob o crivo da PGR, com pedidos de abertura de inquérito criminal na justiça federal de primeira instância. Ou seja: nas mãos de algum Sérgio Moro.

                                   As acusações atingem 10 governadores e outros quatro ministros de Temer: Eliseu Padilha (PMDB-RS), da Casa Civil; Moreira Franco (PMDB-RJ), da secretaria geral da presidência; Gilberto Kassab (PSD-SP), de Ciência e Tecnologia; Bruno Araújo (PSDB-PE), do Ministério das Cidades. É um desastre de proporções nunca vistas na cena política brasileira. Se isso for levado a sério, sobra apenas uma pessoa na linha de sucessão: a ministra Carmem Lúcia, presidente do STF. Está criada uma balburdia ensurdecedora. O quadro é tão grave, que pode ensejar um novo golpe no país, desta vez rompendo o manto constitucional. É um tabuleiro perigoso, onde se movimentam peças ignorantes e radicais.

                                   Enquanto isso, nossos nobres políticos se movimentam para aprovar leis que os defendam das acusações formuladas pela PGR, como o caixa 2 (criminoso) de campanhas eleitorais. E querem fazer isso de uma maneira travestida de “reforma política e eleitoral”. Trata-se de um disfarce para anistiar os crimes eleitorais e a lavagem de dinheiro que praticaram nos últimos 30 anos, na vigência da chamada Nova República.

                                   Na Itália, durante a “Operação Mãos Limpas”, tida como semelhante à Lava-Jato, apenas 40% dos acusados sofreram algum tipo de punição. Repito: algum tipo de punição – e não necessariamente penas de prisão. Os políticos italianos, para se salvar, aprovaram leis de proteção a seus cargos e a suas pessoas físicas. E tudo resultou na eleição do ultraconservador Silvio Berlusconi como primeiro-ministro do país, um homem acusado de ligações com o crime organizado.

                                   O roteiro da farsa já está escrito. Vamos ver o que acontece.  

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Janot pede ao STF abertura de 83 inquéritos criminais contra políticos e 5 ministros. Encaminha mais 211 outros casos para a justiça federal, envolvendo pessoas que não têm foro especial. O procurador pede ao Supremo a quebra do sigilo para que os nomes sejam conhecidos.

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                           O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça feira (14 mar), 320 pedidos de providências judiciais contra a corrupção no país. Oitenta e três são relativos a processos criminais contra políticos e 5 ministro do governo Temer, cuja competência é da Suprema Corte. Todos são investigados na Lava-Jato e foram denunciados pela Odebrecht. Também apresentou 211 pedidos de abertura de ações penais na justiça de primeiro grau, atingindo políticos sem mandato, empresários, doleiros e dirigentes partidários. Manda arquivar 7 casos em que não há provas para a acusação e adota outras 19 providências que não foram divulgadas. É de fato “a delação do fim do mundo”. É tão grave que vai cavar um fosso no governo e no Parlamento.

                                   Todos os envolvidos, agora oficialmente suspeitos de centenas de crimes, têm os nomes protegidos por segredo de justiça. Mas Janot também pediu ao STF a quebra desse sigilo, para que o país tome conhecimento de todos os envolvidos na bandalheira política e no ataque às contas públicas. Os pedidos reúnem milhares de páginas e terão que ser examinados pelo relator da Lava-Jato no Supremo, o ministro Édson Fachin. O ministro é favorável à quebra do sigilo, como já declarou inúmeras vezes.

                                   Agora é só esperar!       

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“The Economist”: em entrevista à revista inglesa, Michel Temer promete que vai “devolver o país aos eixos”. Em apenas um ano e pouco de mandato. Seria um prodígio de engenharia política e econômica. Nem as crianças do primário acreditam nisso.

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Há quem diga que Aécio e Temer estão na delação. (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

                                    O presidente em exercício do Brasil, Michel Temer (PMDB-SP), disse à revista inglesa “The Economist”, uma das mais respeitáveis do mundo, que prefere ser “impopular do que populista”. Uma frase enigmática. Não é populista porque, de fato, amarga baixíssima aprovação nas pesquisas de opinião. E o populismo pressupõe farto reconhecimento popular, como era o caso de Getúlio, Jango e Lula. E se torna impopular na medida em que propõe reformas cujo peso econômico recai basicamente sobre salários e aposentadorias. Aprovou um congelamento do investimento público por 20 anos, atingindo basicamente a saúde, educação e segurança.

                                   Temer não será candidato em 2018. Não tem o perfil eleitoral para tamanho desafio. E não pode: está na ficha suja, condenado por tribunal colegiado de segunda instância, em razão de fraude eleitoral em São Paulo. O bloco ultraconservador que tomou o poder em Brasília, após o impedimento de Dilma Rousseff, não tem candidatos. Com a delação premiada da Odebrecht, não sobra nenhum deles. Desta forma, o que é chamado de “a nova direita’, terá que recorrer ao PSDB, que ganha cada vez mais espaço no governo Temer. Mas a social democracia brasileira vem ao páreo dividida entre Aécio Neves e Geraldo Alckmin. Até as pedras do calçamento já descartaram José Serra. Aécio sofre acusações graves. Alckmin passa olímpico. Venceu com ampla vantagem as eleições municipais paulistas de 2016.

                                   Entre as pesquisas eleitorais espontâneas recentes, Lula é o nome mais afirmado pelos entrevistados. Mas o metalúrgico está sendo caçado pelo MPF, por Moro e pelo STF. Com a morte trágica de Marisa Letícia, a primeira dama petista, Lula obteve dividendos políticos. Queira-se ou não! Foi “vitimizado”, o que aumenta o cabedal eleitoral do operário do PT. Em um cenário como esse, Alckmin teria chances? Contra ele, dividindo o mesmo eleitorado da classe média dominante, há Marina Silva e Ciro Gomes. Sem falar na extrema-direita, onde despontam Jair Bolsonaro e Ronaldo Caiado. E sem falar em uma surpresa chamada Joaquim Barbosa, que comandou o processo do “mensalão”. Tudo isso tira votos do centro.  

                                   Uma análise prematura do quadro mostra que Lula bateria todos esses. Mas há pela frente o judiciário, que pretende destruir o Lula e o PT com ódio de classe. Resta saber se os menos beneficiados com o processo de desenvolvimento do país concordam com isso. Em Brasília, se repete a mania de achar que a política se diferencia do mundo real. É um erro. Um erro grave.   

                                                        

 

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