Polícia Federal, Abin e inteligência militar prendem 10 pessoas suspeitas de tramar atentado na Olimpíada. Duas delas já foram condenadas por homicídio. Outras três estavam negociando a compra de armas. O grupo é considerado uma célula terrorista ligada ao Estado Islâmico. Verdade ou fantasia?

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Como os leitores deste site já sabem, há meses venho falando sobre a existência de apoiadores do Estado Islâmico (ou ISIS ou Daesh) no Brasil. Na madrugada desta quinta-feira (21 jul), uma força-tarefa da Polícia Federal, da Agência Brasileira de Informações (Abin) e de serviços de inteligência militares desencadearam uma operação para localizar e prender dez pessoas suspeitas de integrar uma célula terrorista no país. E elas foram encontradas. Desde o ano passado, quando um porta-voz do EI publicou no Twitter uma ameaça contra o país, a investigação já havia começado.

Os suspeitos presos, de uma lista de mais de 100 pessoas que estão sob vigilância, haviam publicado elogios à milícia extremista islâmica na Internet. Pelas redes sociais, o grupo vinha conversando e demonstrando o desejo de realizar ao menos um atentado durante os Jogos Olímpicos do Rio, que começam em duas semanas. Recentemente, um site chamado Intel Group, sediado em Israel e que acompanha atividades terroristas em todo o mundo, já tinha informado que um grupo de muçulmanos brasileiros tinha jurado lealdade ao Estado Islâmico. Tais pessoas teriam formado uma célula chamada “Ansar al-Khilafah Brazil”. Em tradução improvisada do árabe, significa “Apoiadores do Califado no Brasil”.

Não há dúvidas de que a ameaça terrorista em eventos internacionais do porte de uma olimpíada é bem real. Também não há dúvidas de que o terrorismo tem conexões no país e no continente. A presença de apoiadores do Hamas, do Hezbollah e da Al Qaeda na tríplice fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina, é sobejamente conhecida. Há quem jure que os dois atentados realizados contra instalações judaicas em Buenos Aires (1992 e 1994) foram planejados em Foz do Iguaçu, no Paraná. Os ataques produziram centenas de mortos e feridos. Ou seja: o perigo é real. Mas esse grupo preso hoje não convence.

Em primeiro lugar, utilizavam meios rastreáveis para se comunicar, através da Web e de celulares, em vários estados brasileiros. Foram localizados facilmente. Em segundo lugar, diziam pretender usar armas e não explosivos ou outros meios. Estavam tentando comprar armamento de guerra no Paraguai, via Internet. Isso é quase ridículo, já que Rio e São Paulo estão fartamente abastecidos de armamento, especialmente na mão do narcotráfico. Não demonstravam qualquer tipo de coordenação, muito menos contato com os terroristas do Estado Islâmico. Falaram muita bobagem e foram presos. A reação policial foi correta, porque não dá para deixar uma situação como essa sem resposta. Mas não convence.

Aqui, no Brasil, há pessoas que têm contato e que observam de perto as atividades do EI. Pertencem à comunidade árabe. São muçulmanos, Uma dessas pessoas escreveu que até o nome do grupo, em árabe, está errado. Esse mesmo informante assegura que a agência de notícias Qasioun, da Síria, disse que não há um pingo de verdade em toda essa história. No entanto, ainda segundo o informante, quando o líder máximo do ISIS, Abu Bakr al-Baghdadi, também conhecido como “Califa Ibrahim”, decidiu criar o “Califado do Levante” nos territórios ocupados pela milícia na Síria e no Iraque surgiu a informação de que a organização pretendia se expandir para o Brasil e a Guatemala. E não vamos esquecer que o Estado Islâmico fez mesmo ameaças ao Brasil, em novembro do ano passado. Só que parecia uma simples peça de propaganda.

É claro que o perigo existe, mas se ocorrer um atentado na Olimpíada não será de um grupo tão amador como esse. Será obra de um terrorista isolado, um “lobo solitário” como aquele que atacou em Nice.

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Grupo muçulmano de brasileiros declara lealdade ao Estado Islâmico e ameaça os Jogos Olímpicos. Nos aeroportos brasileiros, o esquema de segurança da Rio 2016 já começou errado.

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O que se deve fazer para evitar ataques terroristas em locais com grande movimentação de pessoas? A resposta técnica é a seguinte: tornar o fluxo de pessoas o mais rápido e eficiente possível, evitando aglomerações. Aqui fazemos o oposto. A entrada em operação do esquema de segurança nos aeroportos brasileiros produziu um verdadeiro caos. Milhares de pessoas ficaram retidas em filas intermináveis. A aglomeração durou horas e horas, aumentando o perigo. Faltou informação e os passageiros estavam como baratas tontas. Uma das companhias aéreas, a Latim (ex-TAM) entrou em colapso em certo aeroporto, que nem vou citar.

A experiência internacional mostra que a segurança nos aeroportos tem que começar na rua e na entrada dos prédios, antes dos grandes salões que antecedem o embarque. Só no embarque há mecanismos de segurança eficientes – ou supostamente eficientes. Recentemente, três homens-bomba se explodiram no aeroporto de Ancara, na Turquia, exatamente no grande salão que antecede o embarque. Eles passaram pela porta com explosivos e fuzis de assalto AK-47. E não foram incomodados. Essa é a questão básica, para a qual não demos a menor bola. Se houvesse aparelhos de scanner na entrada do aeroporto de Ancara, não haveria o atentado mortal.

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Para complicar ainda mais o cenário em relação à Olimpíada do Rio, esta semana o site Intel Group, que acompanha atividades terroristas em escala global, anunciou que um grupo de muçulmanos brasileiros jurou lealdade ao Estado Islâmico, também chamado ISIS ou Daesh. A bombástica novidade foi divulgada na Europa pela agência de notícias italiana ANSA. Aqui, na edição online de ontem, O Estado de S. Paulo publicou a informação. A nova facção do terror, autodenominada “Ansar al-Khilafah Brazil”, postou no sistema de mensagens russo “Telegram” uma ameaça aos Jogos Olímpicos do Rio. Diz o texto: “Se a polícia francesa não consegue deter ataques dentro do seu território, o treinamento dado à polícia brasileira não servirá em nada”. Os terroristas se referiam à ajuda que a França tem oferecido ao governo brasileiro para a proteção do evento.

De acordo com o Intel Group, seria o primeiro grupo sul-americano a apoiar o Estado Islâmico. Além do mais, a milícia extremista islâmica, que ocupa parte do território do Iraque e da Síria, criou uma versão em português do canal de notícias “Nashir”, uma página de Internet que divulga a atuação do Estado Islâmico. Enquanto o EI perde espaço no campo de batalha sírio-iraquiano, com a intervenção militar da OTAN e da Rússia, cresce com ações isoladas em países ocidentais.

O Estado Islâmico sabe que a melhor chance de sobreviver é através de uma propaganda eficiente, construída a partir de vítimas inocentes e muita divulgação. Que palco melhor do que a Olimpíada na Cidade Maravilhosa?

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O jornalismo brasileiro perde um dos seus grandes nomes: Eliakin Araújo morreu de câncer aos 75 anos. Era preocupado com a ética e a precisão da notícia. Ficou conhecido ao denunciar a tentativa de fraude eleitoral no Rio, quando Brizola se elegeu governador em plena ditadura.

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Leila cordeiro e Eliakin, em telejornal de Miami. Foto CBS- Telenotícias.

                                   Foi na Rádio Jornal do Brasil, em 1982, que o jornalista Eliakin Araújo se tornou destaque nacional. Divulgou números da apuração eleitoral do Rio de Janeiro, durante a campanha para governador daquele ano, desmentindo a soma de votos apresentada pelo Tribunal Eleitoral. O caso entrou para a história como “o escândalo da Proconsult”, quando se descobriu que havia um desvio de votos brancos e nulos para um candidato, apoiado pelos militares, que disputavam o cargo com o recém-chegado do exílio Leonel Brizola. Foi a primeira eleição em que a totalização dos votos se realizou por computadores. A fraude, nunca comprovada, porque nunca investigada, ocorreria justamente no programa desses computadores, através de um artifício chamado “diferencial delta”, um truque matemático que desviaria votos.

                                   O trabalho se Eliakin – e de toda a equipe de profissionais da JB – teria impedido a fraude. E desmontado a Proconsult, que tinha gente ligada aos órgãos de inteligência, como denunciou o JB. Os números, supostamente falsos, eram divulgados pela TV Globo, produzindo enorme dano à imagem pública da emissora. A Rede Globo levou muito tempo para se recuperar da pecha de “golpista”, reavivada em 1989 com o debate enter Lula e Collor. Brizola foi eleito e reeleito para governar o Rio.

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                                   Um ano depois do episódio da Proconsult, o diretor de jornalismo da TV Globo, Armando Nogueira, convidou Eliakin Araújo para ser o âncora do Jornal da Globo, onde tive o prazer de conviver com ele como editor-chefe do telejornal. Em 1984, mesmo contratado pela Rede Globo, Eliakin foi o mestre de cerimônia do comício das Diretas-Já na Candelária, centro do Rio. O jornalista era um homem corajoso.

                                   Deixou a Globo, passou pela Rede Manchete e pelo SBT. Em 1997, saiu do país, acompanhado de sua mulher, a também jornalista Leila Cordeiro, a convite da maior rede americana de TV, a CBS. Foi para Miami apresentar um noticiário em português, exibido localmente e também reapresentado pelo SBT. Nos últimos tempos, morava em Fort Lauderdale, na Flórida, onde faleceu depois de uma luta contra o câncer.

                     

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ISIS anuncia: o homem que matou 84 pessoas em Nice era “soldado do Islã”. Outro massacre em nome de Deus. Aqui no Brasil, deportamos professor francês, acusado de terrorismo, que dava aulas de física na UFRJ.

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O professor de física da UFRJ deportado. Foto de reprodução.

                                 A milícia extremista islâmica ISIS, também conhecida como Daesh ou Estado Islâmico, assumiu a autoria do ataque terrorista em Nice, verdadeiro massacre de inocentes indefesos, durante a festa do Dia Nacional da França. Já na noite do atentado, 14 de julho, os sites simpatizantes da organização terrorista comemoravam o assassinato coletivo. Agora, os líderes do grupo anunciam que Mohamed Bouhlel, que dirigiu o caminhão e atropelou a multidão na Riviera Francesa, era um “soldado do Islã”. Autoridades francesas já admitem que Mohamed havia se tornado um radical, mas não explicam por que não era vigiado. Ele tinha passagens pela polícia por roubo e agressão.

                                   O terrorista de Nice tinha o perfil típico: solitário, silencioso, sem amigos. Os vizinhos disseram à polícia que mal percebiam a presença dele em um prédio de apartamentos na cidade de veraneio francesa. Era visto quase sempre de bermudas e camiseta, usando bicicletas de aluguel. No entanto, Mohamed mantinha contato com o terror através da Internet. Vivi um breve tempo na França e sei que lá ninguém se interessa em conversar com vizinhos. Pagando o aluguel, você passa inteiramente despercebido. O único ser humano que se interessou por mim foi  um vendedor de frutas e castanhas, imigrante libanês, que puxou conversa. Fora isso, nada. O modo de vida europeu facilita a infiltração.

                                   Enquanto o mundo está de luto pela magnitude do ataque em Nice, aqui no Brasil deportamos um professor de física de partículas contratado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Por coincidência, o cara é um francês de origem argelina. Adléne Hicheur foi expulso do país às dez da noite de sexta-feira (14 jul), meia hora antes do ataque em Nice, colocado em um avião rumo a Paris, acompanhado por agentes federais. Estava condenado à prisão na França. A sentença é de 2009. Cumpriu 3 anos de cadeia na França, por supostas ligações com a Al Qaeda. Em 2013, já no Brasil, foi contratado pela UFRJ para dar aulas de física.

                                   Professores e até o reitor da UFRJ se mobilizaram para impedir a deportação. Mas foi tudo muito rápido. O suspeito já foi entregue às autoridades francesas, na manhã deste sábado.

 

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O ataque terrorista em Nice assusta o governo brasileiro às vésperas da Olimpíada. Todo o esquema de segurança dos jogos será revisto. A tragédia na França já tem 84 mortos.

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O maior perigo que existe em relação à Olimpíada do Rio é justamente a ação imprevisível de um terrorista isolado, o chamado “lobo solitário”. O ataque em Nice, na França, assusta por ter sido praticado, aparentemente, por um só homem que alugou um caminhão frigorífico e lançou o veículo ontem à noite (14 jul) sobre uma multidão que comemorava o Dia Nacional da França. O terrorista, morto a tiros pela polícia, foi identificado: Mohamed Lahoaiej-Bouhlel, 31 anos, tinha nacionalidade tunisiana, mas possuía visto de residência na França. Era motorista e teve problemas com a polícia. Ele chegou a ser preso por agressão contra a própria mulher, de quem estava se divorciando. Foi condenado a seis meses de prisão, mas a pena foi perdoada. Mohamed matou 84 pessoas, incluindo 10 crianças, e deixou 202 feridos, dos quais 52 em estado crítico. Os números da tragédia podem piorar.

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O Ministro do Gabinete de Segurança Institucional, General Sergio Etchegoyen.(José Cruz/Agência Brasil)

A criatividade monstruosa do ataque em Nice e a tragédia que provocou assustaram o governo brasileiro, às voltas com a segurança da Olimpíada. A ação de um terrorista solitário no Rio de Janeiro é o pior de todos os pesadelos. Imaginem um caminhão desses no calçadão de Copacabana – ou na saída do Maracanã. Aparentemente, no caso brasileiro, o controle de fronteiras é a ação mais importante, porque por elas passam drogas, armas e gente perigosa todo o tempo, como sabemos. É preciso tornar a força de repressão o mais visível possível, com dezenas de milhares de homens nas ruas. O governo federal e a Prefeitura do Rio já avisaram que haverá transtornos para a vida da cidade, causados por bloqueios e barreiras policiais. Felizmente, a Olimpíada é um evento curto: começa em 5 de agosto e vai até o dia 21. Mas o Dia Nacional da França era um só.

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional do governo de Michel Temer, general Sérgio Etchegoyen, deu entrevista coletiva em Brasília e disse que existe a possibilidade de um ataque terrorista na Olimpíada. Mas o general acrescentou que a preocupação é semelhante à de qualquer outro país que esteja sediando um evento global desse porte.  O Ministro ds Defesa, Raul Jugmann, chegou hoje à tarde ao Rio e garantiu que nossos militares estão preparados para enfrentar a situação. Enquanto isso, agora à noite, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, declarou que o terrorista de Nice estava ligado ao Islã radical.

Quando insistimos no tema aqui no site, nem é à toa. Vou repetir: o perigo é real e imediato.

 

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Terrorista brasileiro do Estado Islâmico tem planos para atacar franceses na Olimpíada do Rio. A revelação é do jornal parisiense Libération, confirmada pelo serviço secreto francês. É uma história confusa e sem muitos detalhes.

 

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Este seria Brian, o terrorista brasileiro do ISIS. Ninguém sabe ao certo.

Em abril deste ano, a Agência Brasileira de Informações (Abin) já havia confirmado a autenticidade de uma ameaça aos Jogos Olímpicos do Rio. Um dos porta-vozes do ISIS (ou Estado Islâmico), o jihadista francês Maxime Hauchard, procurado em todo o muno por envolvimento com o extremismo islâmico, postou no Twitter uma ameaça ao país: “Brasil, vocês são nosso próximo alvo. Vamos atacar esse país de merda”. O post é de novembro de 2015, mas só este ano foi confirmado pela Abin. Agora a coisa ficou mais complicada.

O jornal francês Libération, editado em Paris e um dos mais respeitados em toda a França, publicou esta semana a informação de que um terrorista brasileiro, integrante do grupo terrorista, tinha planos de atacar a delegação esportiva francesa na Olimpíada do Rio, que começa agora, em 5 de agosto. A revelação foi feita pelo general Christophe Gormart, um dos coordenadores do serviço secreto daquele país europeu, durante audiência de uma CPI do Parlamento sobre os atentados recentes na França, no último dia 26 de maio. O general não deu muitos detalhes aos deputados, mas assegurou que a informação havia sido cofirmada “por nossos parceiros”, referindo-se às agências de inteligência americana, espanhola e inglesa. A notícia foi manchete no site do Libération. Aqui, no Patropi, emerso em escândalos de corrupção, passou batida.

Fui buscar detalhes a respeito de um brasileiro ligado ao ISIS. Encontrei um jovem chamado Brian Rodrigues, 21 anos, filho de Rosana, uma brasileira que se mudou para a Bélgica por volta do ano de 1995, levando consigo dois filhos. Brian, muito jovem, queria ser jogador de futebol. Não tinha talento e foi recusado. Viveu um longo período de depressão e passou a frequentar mesquitas muçulmanas belgas. Já em 2011, adotou o nome de Abu Qassem Brazili, um devoto do Islã. No ano seguinte, 2012, acompanhado pelo irmão mais velho, cujo nome não consegui apurar, viajou à Síria, onde os dois se juntaram aos combatentes do ISIS. Esse irmão mais velho de Brian teria morrido em combate. Não se sabe quase nada a respeito dele.

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Aqui, nesta foto, Brian aparece com um terrorists do ISIS.

Em setembro de 2014, Rosana Rodrigues, a mãe de Brian, deu entrevista ao repórter Roberto Kovalick, do programa Fantástico (TV Globo). Ela disse que estava indo para a Síria, numa tentativa de resgatar o filho. Não se sabe o resultado da empreitada. Mas Brian entrou na lista das maiores ameaças à Olimpíada do Rio. A história é tão nebulosa, que não se tem certeza nem mesmo a respeito das fotos de Brian, divulgadas pela mídia internacional. Será mesmo o brasileiro que aparece nas imagens? Ninguém pode afirmar.

Alguns leitores deste site têm perguntado acerca do motivo de dar tanto destaque à questão do terrorismo envolvendo a Olimpíada do Rio. Resposta simples: o perigo é real.

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Laboratório do FBI reconstrói o rosto de um esqueleto de mulher encontrado há 15 anos. A nova técnica forense pretende identificar restos mortais para investigar crimes do passado.

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FBI reconstrói rosto do passado. Foto do portal FBI;

                                    Técnicos do laboratório do FBI em Quantico, Virgínia (EUA), desenvolveram uma técnica para resolver crimes do passado. Médicos legistas, antropólogos e um artista plástico conseguiram reconstituir o rosto de uma mulher a partir do esqueleto encontrado há 15 anos em um parque no estado de Minnesota. A mulher, que teria entre 35 e 45 anos, pode ter sido vítima de um crime, porque o esqueleto estava sem roupas e apresentava sinais de ter sido escondido em um local ermo. Os pesquisadores concluíram que ela teria cabelos claros, talvez avermelhados, e guardava sinais de vários tratamentos dentários. Agora o caso será reaberto como uma investigação de homicídio.

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                                   Quando o trabalho estiver concluído, será fotografado a cores e divulgado para a grande mídia, numa tentativa de dar nome àquele rosto. A cada ano, nos Estados Unidos, são descobertos 4.400 esqueletos de pessoas não identificadas, em situações que podem sugerir acidentes ou crimes. Reconstituições assim já eram feitas por cientistas em múmias ou fósseis humanos, alguns com milhares de anos de idade. Mas agora a técnica chega à investigação criminal. É um avanço e tanto.  Aqui no Brasil também estão sendo feitas experiências semelhantes, em laboratório da Delegacia de Homicídios de São Paulo.  

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Forças Armadas assumem segurança no Rio já na semana que vem. Agentes de inteligência estão vigiando estrangeiros que podem se envolver em atos de terrorismo na Olimpíada. O perigo é real.

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Rio de Janeiro – Brigada paraquedista realiza apronto operacional para os Jogos Rio 2016. (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Reportagem do jornal O Globo de hoje (9 jul) informa que os órgãos de inteligência estão vigiando uma centena de pessoas que podem se envolver em ataques terroristas durante a Olimpíada do Rio. A matéria de Catarina Alencastro e Simone Iglesias traz um perfil desses prováveis terroristas, que podem se transformar em “lobos solitários”: “Com a proximidade dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio, essa ameaça é a que mais preocupa os órgãos de inteligência do governo. Segundo uma autoridade federal, a maior parte dos suspeitos é de origem estrangeira e se encontra em estados em área de fronteira, como Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul. Alguns deles entraram no país recentemente, outros já vivem no Brasil há mais tempo”.

Um “lobo solitário” é um tipo que age por conta própria, com seus próprios recursos, em nome de ideias e organizações que ele não conhece, mas com as quais tem simpatias, como o Estado Islâmico ou a Al Qaeda. Esta é a figura mais perigosa, porque pode atacar de repente e em alvos que estão desprotegidos, como cinemas e casas noturnas. Apesar de não serem alvos óbvios, provocam enorme comoção. As repórteres do Globo, que trabalham na sucursal do diário em Brasília, também informam: “Em comum, eles têm inclinação pelo islamismo e demonstram simpatia por ações terroristas do Estado Islâmico. Alguns têm grande domínio das ferramentas da internet e, de perfil nerd, usam as camadas mais profundas da rede para se comunicar”.

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Treinamento para proteger os jogos.

Diante desse perigo, e com o aumento da violência armada no Rio, o governo federal decidiu antecipar o esquema de segurança para a Olimpíada. Vai começar na terça-feira da semana que vem. Ao todo, 47 mil homens das polícias estaduais e federais, incluindo a Força Nacional de Segurança, estarão nas ruas. As Forças Armadas entram com 38 mil homens, sendo 22 mil do Exército. Os militares vão ocupar as vias expressas da cidade (as  linhas amarela e vermelha e a transolímpica), aeroportos, portos e rodoviárias, além de patrulhar as áreas de maior movimentação de pessoas, como o centro, Copacabana e Barra da Tijuca. Estarão preparados para uma guerra, com tanques e blindados, drones, helicópteros e foguetes. Vão empregar munição real.

A possibilidade de um atentado é tida pelos militares como “muito provável”, como me disse uma fonte em uniforme, especialmente em razão da presença de delegações atléticas de países envolvidos em conflitos. Como já disse em posts anteriores, agentes de 50 países estão colaborando com o Brasil, especialmente fornecendo bancos de dados e modelos de reconhecimento facial. Muitos desses países, inclusive, criticaram o Brasil em anos anteriores por não dar atenção à presença de colaboradores do Hamas, do Hezbollah e da Al Qaeda na região da Tríplice Fronteira, no sul do país. Uma lei antiterrorismo foi aprovada pelo Congresso no final do ano passado, mas é uma legislação confusa e que não dá nome aos bois. Carece ainda de regulamentação adequada.

A nosso favor está o fato de que o país não tem nenhuma tradição em atividades terroristas. A última vez que esse termo foi aplicado no Brasil, durante os governos militares (1964-1985), estava colocado indevidamente. Porque atividades contra o regime eram qualificadas como terroristas. Agora o perigo é real e imediato.

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Tudo combinado: a renúncia de Cunha é parte de um plano para anular o processo de cassação do deputado. Uma sofisticada fraude contra a vontade popular.

                                   A repentina renúncia do presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que à boca pequena já é chamado de “Rei do Centrão”, tem explicação. Após inúmeras declarações de que não iria renunciar, de repente mudou de ideia. Porque obteve garantias de que o processo contra ele na Comissão de Ética da Câmara seria anulado. E onde foi que ele conseguiu essa garantia? No Planalto. Os jornais afirmam que o próprio presidente Michel Temer teve papel decisivo nessa decisão, fato seguidamente desmentido pelo governo. Mesmo os dois tendo se reunido fora da agenda oficial.

                                   A trama é a seguinte: Cunha renuncia, convoca-se nova eleição numa Câmara onde o “centrão” e os apoiadores de Temer são maioria conservadora absoluta; o novo presidente, imediatamente, aceita um requerimento do deputado alegando que foi processado por seus pares na condição de presidente, um status que fica superado com a renúncia. Assim, devolve-se o processo à Comissão de Ética. E começa tudo de novo. Como sabemos, a primeira etapa do julgamento do deputado levou nove meses, a mais longa da história da comissão, diversas vezes obstruída pelos aliados e amigos de Cunha. O plano se completa com a apresentação de recursos para punir menos severamente o deputado, que escapa da cassação e mantém o foro privilegiado no Supremo Tribunal, livrando-se de Sérgio Moro.

                                   A política oficial pós-PT dá ênfase ao conservadorismo. Afasta-se a urgência na apreciação de ações contra a corrupção, mesmo de medidas que têm dois milhões de assinaturas populares. A política externa abandona o alinhamento latino-americano, chamado de “bolivariano”. O governo assume prometendo regular as contas públicas, mas gasta bilhões para agradar ao Congresso. Em nome de governabilidade. Anuncia um déficit de 139 bilhões de reais para 2017 como se fosse um triunfo da moralidade. Diz que a arrecadação pública vai aumentar, mas não explica como. Promete estabilidade política como forma de recuperar a credibilidade, mas se constitui como um governo de coalizão ainda mais duvidoso do que o anterior. Então, o que aconteceu?  

                                   Como não há mais multidões nas ruas protestando contra a corrupção e os desmandos, essas estratégias palacianas têm espaço para prosperar. Inclusive com um apoio cada vez mais hesitante da grande mídia. Mais uma: quem imagina que o deputado Eduardo Cunha está politicamente isolado se engana redondamente. Não está. Cunha é provavelmente o maior arquivo vivo de todas as negociatas jamais praticadas entre seus correlatos. E a Câmara dos Deputados, nos tempos recentes, se tornou um ambiente propício ao fisiologismo de todas as cores.

                                   Com o naufrágio de Dilma e do PT, verdadeiro Titanic que arrastou consigo os aliados PDT e PCdoB e boa parte dos movimentos sociais organizados, a representação das forças populares no Parlamento encolheu, a ponto de não ter mais nenhuma iniciativa. Muito menos para barrar uma manobra desse tipo. E ninguém acredita que Dilma possa escapar do afastamento definitivo. Parece esquecida. Mas todos também sabem que Cunha não tem mais futuro: cairá no Parlamento ou no Judiciário. Ou nos dois, o que é mais provável.  

                                   O que acontecer de agora em diante será resultado de acertos, sabe-se lá a que preço, entre todos aqueles que se opuseram ao modelo petista. São os donos da bola, da camisa e do campo. Sob o silêncio das multidões, repentinamente desinteressadas dos resultados. Parece que as classes médias, tão barulhentas ultimamente, voltaram a ser o que sempre foram: a maioria silenciosa.    

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Força-tarefa da Lava Jato descobre banco panamenho atuando clandestinamente no país para lavar dinheiro da corrupção. Em todo o mundo, o sistema financeiro pode estar envolvido com o crime organizado.

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Procuradores dizem que 200 bi de reais são desviados por ano no Brasil.

A quinta-feira (7 jul) amanheceu com 60 agentes da Polícia Federal e procuradores da Lava Jato nas ruas de três cidades paulistas. A “Operação Caça-Fantasmas”, deflagrada em São Paulo, Santos e São Bernardo tinha um alvo: Edson Paulo Fanton. Ele seria, segundo os federais, o responsável pela atuação clandestina no país de um banco do Panamá, o FPB Bank. Sem autorização do Banco Central, a instituição financeira oferecia serviços de “private banking”. Ou seja: serviços bancários privados para lavagem de dinheiro desviado dos cofres públicos brasileiros.

O esquema ilegal, ainda segundo a Lava Jato, também oferecia serviços de administração de empresas offshore, criadas no Panamá pelo escritório de contabilidade Mossack Fonseca, também alvo da devassa. Uma nota oficial da PF, lida em Brasília durante entrevista coletiva hoje de manhã, explica: “Os serviços disponibilizados pela instituição financeira investigada e pelo escritório Mossack Fonseca foram utilizados, dentre diversos outros clientes do mercado financeiro de dinheiro ‘sujo’, por pessoas e empresas ligadas a investigados na Operação Lava Jato, sendo possível concluir que recursos retirados ilicitamente da Petrobras possam ter transitado pela instituição financeira investigada”.

Isso quer dizer o seguinte: um banco sendo utilizado para cometer crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, lavagem de ativos e organização criminosa transnacional. Sete pessoas ligadas ao FPB Bank foram levadas para prestar depoimento, mas ninguém foi preso até agora. O esquema teria operado com 44 empresas offshores para clientes brasileiros, todas funcionando em paraísos fiscais. A procuradora federal Jerusa Viecili, na entrevista coletiva, esclareceu: “Mais e mais criminosos terceirizam a lavagem para diminuir riscos, recorrendo a operadores financeiros, bancos clandestinos ou fábricas de offshore”.

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Contabilidade virtual esquenta o dinheiro do crime.

O episódio é mais um indício de que o sistema bancário está envolvido com o crime organizado. Isso já era conhecido desde os anos 1990 e especialmente a partir de 2000, quando as Nações Unidas, em Nova Iorque, realizaram a Convenção contra o Crime Organizado Transnacional, mais conhecida como Convenção de Palermo (15 de novembro de 2000), que definiu o que é organização criminosa internacional. Antes disso, muitos pesquisadores já diziam que não havia como movimentar trilhões de dólares ilegais sem o sistema financeiro e de troca de capitais.

Os especialistas garantem que o dinheiro ilegal em circulação no mundo está entre 3 e 4 trilhões de dólares ao ano, de um total estimado de 60 trilhões de dólares. Não seria possível movimentar tamanha quantidade de dinheiro sem a contabilidade virtual do sistema financeiro, uma vez que não existe tanto assim em papel-moeda disponível para todas as transações à vista.

As atividades criminosas mais rentáveis são o tráfico de drogas, o contrabando de armas, a pirataria de produtos e serviços, o contrabando de petróleo e minerais preciosos, o tráfico de pessoas e de órgãos humanos. No caso brasileiro, o crime que mais compensa é o desvio de dinheiro público, praticado por grandes empresas, políticos, empresários e agentes financeiros. Os procuradores federais dizem que o país perde 200 bilhões de reais por ano com a corrupção.

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