Dilma desiste de denunciar golpe de Estado no Brasil durante discurso na Assembleia Geral da ONU. Uma tese difícil de sustentar, depois que o STF deu aval ao processo de impeachment. E não está fácil montar um governo para Michel Temer.

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Dilma vai denunciar golpe na ONU. Foto de divulgação.

                                            A presidente Dilma Rousseff desistiu de denunciar um golpe de Estado no Brasil durante discurso na ONU, em Nova York, como cheguei a escrever aqui o site. Era mesmo uma tese difícil para Dilma: o processo de cassação do mandato dela está seguindo o protocolo legal e conta com o endosso do Supremo Tribunal Federal (STF). Na verdade, o golpe não está na coisa em si, mas na sofisticada trama montada para derrubar o governo de qualquer maneira – e rápido -, contando com apoio entusiasta da grande mídia. Pior: o afastamento da presidente tem base social: quase todos os partidos políticos, as elites, a classe média que soma ao menos metade da população brasileira.

                                            Os militares, que já intervieram dezenas de vezes na história republica, se mantém em uma posição olímpica. Não querem, de jeito nenhum, se meter nessa barafunda. Apesar dos apelos de alguns setores do luto ditatorial. As Forças Armadas, após 21 anos de arbítrio e violência, evoluíram para uma postura legalista. E o país está, salvo incidentes sem importância, vivendo um clima razoavelmente ordeiro e pacífico. Os bolsonaros da vida, felizmente, são um fator isolado. A violência armada que aflige a Nação é criminal – e não política. Fruto bastardo das desigualdades sociais e econômicas. Só no ano passado foram 58,5 mil homicídios e 6 milhões de assaltos a mão armada. Sem falar no império do tráfico, incólume.

                                            Mesmo os observadores mais pessimistas da cena política admitem: Dilma, Lula e o PT serão afastados sem que haja uma perspectiva de graves conflitos. Principalmente, sem intervenção militar. O modelo de governo petista, apesar de conquistas inegáveis no plano social, cai por seus próprios equívocos. Porque se confundiu com a bandalheira geral do presidencialismo de coalizões. Onde vantagens e privilégios valem mais do que os interesses nacionais. Já escrevi isso antes, mas vou repetir: Dilma, como pessoa física, não cometeu nenhum crime. Nem de responsabilidade, nem de corrupção. Não fez nada diferente de outros governantes, tipo FHC. No entanto, revelou uma incompetência política sem tamanho. E julgada do ponto de vista político, será condenada num Congresso oportunista, cheio de larápios.

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Michel Temer não consegue m9ntar governo.. Foto Agência Brasil.

                                          Não custa esclarecer: na Câmara dos Deputados, com 513 representantes, apenas 36 (ou 37, segundo alguns autores) foram eleitos por seus próprios votos. Os demais chegaram lá por meio do coeficiente eleitoral, uma fórmula matemática que leva em conta o total de votos de uma determinada coligação política nas campanhas eleitorais. Ou seja: um Tiririca puxa outros cinco ou seis deputados. E por aí a coisa vai. No Senado Federal, com 81 representantes do povo, mais de 40 são suplentes. Assumiram a vaga porque o titular foi brincar de outra coisa. Este é o Parlamento brasileiro. Um lugar onde o poder econômico manda mais do que a vontade popular. E há o lobby dos bancos, a bancada ruralista, a “bancada da bala”, o fundamentalismo evangélico. Estamos nas mãos desses caras!

                                            No outro prato da balança, o vice Michel Temer declara à mídia que vai ficar “calado e respeitoso”, refugiado em São Paulo. Mentira. Na mansão onde mora com Marcela, a musa do impeachment (bela, recatada e do lar), e no escritório de luxo que mantém em São Paulo, há uma romaria diária de políticos em busca de uma lasca do afastamento de Dilma. O mesmo acontece no Palácio do Jaburu, em Brasília. Temer, com enorme dificuldade, tenta montar um governo de “salvação nacional”. Tem como porta-voz o senador Romero Jucá, figura duvidosa na política. Jô Soares já o chamou de “o maior corrupto de todos os tempos”. Mas o apresentador da Globo teve que aceitar um direito de resposta, fazendo, em seguida, uma comportada entrevista com o político. E mais: Temer chamou para conversar, antes de todos, os tucanos. E aí enfrenta enormes resistências.

                                            Jantou com Aécio Neves. Nada a declarar. Procurou Armínio Fraga, o banqueiro predileto do PSDB, gestor de um fundo de investimentos avaliado em 5 bilhões de dólares. Armínio tirou o time. Procurou Delfin Neto, o financista da ditadura, que disse não ter mais idade para esse tipo de envolvimento governamental, antes apoiador de Lula. Também procurou José Serra, o tucano derrotado pelo PT nas urnas. Serra, que não é bobo nem nada, disse que só aceitaria cargos no novo governo se o “PSDB viesse junto”. Ou seja: se o partido o aceitasse como candidato às eleições de 2018. E o que fazer com o mineirinho Aécio Neves? Temer ainda não teve a coragem de chamar Fernando Henrique Cardoso para um conversa ao pé do ouvido. FHC vai fugir disso como o diabo da cruz.

                                            Então, caros leitores, vamos para um impasse. Michel Temer, que não venceria uma eleição direta nem  para síndico do condomínio onde mora, quer construir uma “salvação nacional”. Com quem? Com o que há de pior na política brasileira. Ou não?

                                            Quem viver, verá!

 

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O país real e o país imaginário. O que se viu na Câmara reflete o Brasil conservador de verdade.

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O país assiste ao espetáculo na Câmara. Imagem do Portal G1.

                                   O Brasil real foi visto ontem no Congresso Nacional. Quem acha que somos uma imensa Avenida Paulista, se engana. Quem imagina que as favelas são como se vê nas novelas, pior. O país de verdade é aquele representado pelos 511 deputados que compareceram à sessão do impeachment. Receberam 100 milhões de votos em 2014. Duas vezes a votação de Dilma. Saíram dos grotões, dos sertões abandonados, onde a presença do Estado moderno é vista apenas nas placas de sinalização em rodovias esburacadas ou estradas de terra. A maioria deles foi eleita por meio do compadrismo local – ou em troca de cestas básicas, dentaduras, lugar na fila do posto de saúde e coisas que tais. Este é o Brasil real.

                                   Vejo nas redes sociais que muita gente ficou espantada: “Eles não sabem nem falar…”. É isso mesmo. Quando vemos parlamentares nos telejornais, elegantes e articulados, são os líderes, a elite do Parlamento brasileiro. E são poucos. A grande massa é inculta, semialfabetizada e – claro – esperta além da conta. De um ponto de vista didático, a sessão de ontem, com seis horas de transmissão ao vivo no horário nobre, teve um saldo muito positivo: mostrou claramente quem são eles. O Congresso Nacional é um reflexo perfeito do Brasil: somos conservadores, tementes a Deus, aguardamos um messias, adoramos gestos de força e truculência. Só isso explica Jair Bolsonaro ter 8% das intenções de voto para presidente, quase empatado com Geraldo Alckmin.

                                   Por falar em Bolsonaro, em uma entrevista na TV, disponível nas redes sociais, o deputado disse: “Se chegar a ser presidente, no mesmo dia mando fechar o Congresso e dou um golpe…”. Mesmo sem considerar esse tipo de exemplo radical, vemos que os parlamentares estão cercados por uma tendência conservadora, reacionária, que pretende fazer regredir importantes conquistas da sociedade. Querem a revogação do Estatuto do Desarmamento e do Código da Infância e da Juventude; querem aumentar o encarceramento; são contra a pesquisa com células-tronco embrionárias; contra a igualdade de direitos entre parceiros do mesmo sexo; são contra os poderes de investigação do Ministério Público. No fundo, querem reescrever a Constituição de 1988. E vão “eleger” Michel Temer e salvar Cunha.

                                   Não podemos reclamar. Os caras foram escolhidos por voto direto e livre. Assistindo ao circo midiático de ontem, ficou bem claro que há um país real e outro imaginário. Este último, que reúne sonhadores e idealistas, homens de bem e estudiosos, imagina uma pátria mais justa, honrada e cheia de amor ao próximo. Faz lembrar o que disse aquele palestino há dois mil anos, em nome de quem se cometeram barbaridades.                    

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Dilma, Lula e o PT derrotados na Câmara: 367 votos a favor do impeachment e 137 contra. Foi pior do que se esperava. Agora o processo vai para o Senado, onde o governo também deve perder. E o que esperar de Temer?

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Atacado por deputados, Cunha vira “a bola da vez”. Imagens TV Câmara.

 

                                   Após seis horas de votação, a Câmara dos Deputados, lotada, autorizou a abertura de processo para cassar a presidente Dilma Rousseff. Um espetáculo com cenas degradantes e muita pantomima. Teve deputado elogiando torturador, deputado cuspindo em deputado, algumas agressões  e virulentas acusações contra o presidente da casa legislativa, Eduardo Cunha, que foi chamado de gangster e ladrão. Muitos parlamentares, inclusive das oposições, prometeram: “Cunha, você é a bola da vez”. Mas o deputado esteve impassível e sorridente, saboreando a vitória que teria no fim da noite.

                                   Dilma continua presidente pelo menos até o dia 11 de maio, quando o Senado deve votar o prosseguimento ou não do impeachment. E Michel Temer, que já está com a mão na maçaneta do Planalto, monta o governo de transição no Palácio do Jaburu. Enquanto o Senado julga Dilma, e isso pode durar seis meses, teremos uma ex-presidente e um quase presidente. Coisa nunca vista na história política do país. É claro que Temer vai se sentar na cadeira de comandante da Nação. Vai montar ministério com seus aliados. Mas será um governo apenas precário, porque Dilma, apesar de improvável, pode ser absolvida e reassumir o poder. Que estranha possibilidade: pode voltar e mudar tudo de novo. Assim, teríamos três governos diferentes em apenas seis meses. Não pode dar certo.

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Sorridente, Michel Temer acompanha a votação. Foto de divulgação.

                                   E a crise econômica vai continuar, apesar de falsos indicadores, como alta na bolsa e queda no dólar. A inflação pode até recuar um pouquinho, uma vez que supermercados podem corrigir para baixo alguns preços. Pode haver uma aparência de que a coisa melhorou. Apenas uma aparência. Para o Brasil voltar a crescer, são necessárias reformas estruturais na economia – e isso não se faz de uma hora para outra nem em meio a tamanha instabilidade. Na verdade, não se deve esperar muito de um governo Temer: será outro amontoado de partidos, recheado de oportunistas, com alguns ministros notáveis. Fala-se em Serra na saúde; Pérsio Arida na economia; Ayres Brito na justiça; Armínio Fraga no Banco Central. Duvido. Seria um governo tucano demais para o gosto de Michel Temer e do PMDB. E não sei se os tucanos aceitariam uma situação jurídica tão precária.

                                   Nos bastidores de Brasília comentários inquietantes: a votação deste domingo na Câmara seria parte de uma articulação para acabar com a Lava-Jato, uma vez que não é possível que a investigação atinja apenas o PT. Entre os nobres deputados existem 160 respondendo a algum tipo de inquérito. Destes, 54 nas mãos do STF, justamente por causa da Lava-Jato. Há senadores acusados também. Entre os acertos previstos estaria a saída de Eduardo Cunha da presidência da Câmara. Perde o cargo, mas continua deputado com foro privilegiado. Cunha receberia uma punição leve na comissão de ética, por ter mentido sobre contas no exterior. E só!

                                   Vejam vocês, caros leitores, o que pode vir por aí.   

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Movimento “Nem Dilma Nem Temer” cresce na Câmara e pode provocar ausências importantes na votação de domingo. Líder do governo propõe mobilizar as ruas por eleições diretas.

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Líder do governo pede eleições diretas. Image, da TV Bandeirantes.

A sessão de discussão do afastamento de Dilma, na Câmara, atravessa a noite e a madrugada e chega ao sábado com 440 deputados presentes. Fato raríssimo na história parlamentar brasileira. Talvez inédito. Os números a favor e contra a presidente continuam oscilando, mas apresentam vantagem para as oposições. A bolsa de apostas indica: para cada vota a favor de Dilma, haverá três contra. Segundo a pesquisa feita pela grande mídia, que apoia a queda do governo, o quatro é o seguinte: 347 a 128, segundo a Folha de S. Paulo; 347 a 126, em O Globo; 346 a 133, no Estado de S. Paulo.

Enquanto rola a polêmica sobre os números, com o governo fazendo centenas de nomeações em uma edição extra do Diário da União, cresce entre os deputados o movimento “Nem Dilma Nem Temer”, que prega a abstenção e, portanto, a diminuição do quorum pró-impeachment. Cada um que faltar reduz as chances das oposições. É uma campanha parecida com a do voto nulo durante a ditadura, que teve efeitos duvidosos.

Na manhã deste sábado (16 abril), o deputado Wadih Damous (PT-RJ), vice-líder na Câmara e um dos mais combativos articuladores do governo, propôs a convocação de eleições gerais. ‘Não podemos aceitar o golpe”, disse a jornalistas. “Vamos apresentar uma proposta de emenda à Constituição de iniciativa popular, colhendo milhões de assinaturas nas ruas”. Sabe bem o deputado que isso iria exigir aprovação por dois terços do Congresso, coisa nada fácil de fazer na atual conjuntura. A não ser que milhões de pessoas ocupassem as ruas, o chamado evento extraordinário em matéria de política. Seria a melhor saída, porque se ouviria a voz das urnas.

Com a aprovação do impeachment, teremos Michel Temer e o PMDB no comando da Nação. E o deputado Eduardo Cunha como vice. O mesmo Cunha que é réu num processo de corrupção e lavagem de dinheiro no STF. Em um governo como este, qual seria o destino da Lava-Jato, por exemplo? Você, que está indignado com a corrupção, pensou nisso?

No caso de uma democracia moderna, supostamente o Brasil, tomar uma decisão de tal envergadura, cassando o mandato da presidente, só deveria ocorrer com uma ampla consulta popular. Caso contrário, pela via indireta, 342 deputados e 54 senadores ficam responsáveis pela decisão. É – de fato – um retrocesso na vida política brasileira. Quem está de saco cheio da corrupção sistemática e criminosa vai entregar o comando do galinheiro à raposa? Ao que parece, vai. Desta forma, a consulta popular e/ou a votação direta representaria a manifestação clara da nacionalidade.

A última eleição indireta da história do país foi em 1985, no ambiente do Congresso. Tancredo Neves, representante das oposições, foi eleito. Contra ele estava um expoente civil do regime militar: Paulo Maluf. A vitória de Tancredo encerrou o ciclo autoritário. Quis o destino que o velho político mineiro jamais ocupasse o Planalto. Morreu antes. No lugar dele, assumiu o vice: José Sarney.

Tudo indica que há nesse país uma “maldição dos vice-presidentes”.

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STF nega pedido de Dilma para adiar votação do impeachment: 8 a 2. A situação da presidente atinge o nível crítico. Fora grandes surpresas, o governo vai cair em três semanas.

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O plenário da Corte Suprema decide contra o governo. Imagem TV Justiça.

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, na madrugada desta sexta-feira (15 abril): a Câmara dos Deputados vai votar a autorização para o impedimento da presidente no próximo domingo. A corte rejeitou um pedido  de novos prazos para a defesa, baseado em mandado de segurança impetrado pela Advocacia Geral da União (AGU). A derrota no Supremo dá uma boa ideia do que virá em seguida: a maioria absoluta dos deputados vai votar contra Dilma e o caso vai para o Senado, que se transforma em tribunal. E lá ela também vai perder. Ou seja: o governo vai cair em poucas semanas, por volta do dia 11 de maio.

A partir de agora, diante da queda iminente, Dilma estará sozinha. Como sabemos, todos os ratos abandonam o navio antes do naufrágio. Não pode contar com aliados de última hora. Salvo eventos extraordinários, surpresas que ninguém espera mais, a votação contra ela será esmagadora no Congresso. Basta ver a fila de carros de luxo na porta da residência oficial do vice Michel Temer. O Palácio do Jaburu virou local de romaria para políticos em busca de uma migalha qualquer do butim. Serão herdeiros da maior crise já vista na história deste país.

Dilma Rousseff cai por seus próprios erros – e por graves equívocos de seu partido. O PT, contrariando os princípios da fundação do Partido dos Trabalhadores, conviveu pacificamente com a corrupção desenfreada e com um sistema político baseado no poder econômico. Um modelo em que os grandes interesses nacionais ficam em segundo plano, em nome de uma duvidosa governabilidade. Tão duvidosa, que deu nisso aí. É claro que Dilma não cometeu crimes que possam ser atribuídos à pessoa física dela. Mas impeachment é julgamento político. E na política Dilma mostrou uma incompetência difícil de entender. Quando aceitou o socorro de Lula, já era tarde demais.

Além disso, a crise econômica iniciada em 2014 esmagou as conquistas dos governos Lula: desenvolvimento com distribuição de renda, pleno emprego e inclusão social. A crise, marcada pela queda na produção e no consumo, com explosão inflacionária e cambial, levou ao desemprego em massa. A soma de tudo isso devastou a popularidade de Dilma e do PT. E ameaça arrastar o próprio Lula. Agora que o desastre se desenha no curto prazo, conselheiros próximos à presidente recomendam dois caminhos que não se aplicam mais: compor um novo governo ou convocar novas eleições.

O primeiro conselho não é mais viável, porque não há bases partidárias de apoio além do próprio PT e do PCdoB. Um governo amplo deveria ter sido formado após as grandes manifestações populares de 2013. Agora não dá. O segundo conselho também não serve. Para convocar eleições, Dilma teria que renunciar e Michel Temer também – e o vice não fará isso por total falta de lógica no ato. As oposições de centro (PSDB, PPS, PSB, PV, Rede) foram ultrapassadas pela direita (DEM, PMDB, PTB, PP e outros). Neste sentido, a sofisticada articulação dos tucanos com a grande mídia, que insuflou a queda do governo, fracassou. O PMDB fará governo próprio, com algumas lateralidades. É a vitória do “baixo clero”!

Nota: agora, por volta de nove da noite desta sexta, o placar do impeachment registrou perdas nos votos contra Dilma. Segundo a Folha de S. Paulo, há 339 deputados pela queda do governo, 3 a menos do que o necessário. O Estadão diz que os deputados a favor da queda de Dilma somam 343, um a mais do que é preciso. Esses números devem continuar variando até domingo. Mas o prognóstico contra o governo continua péssimo.

 

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Discurso de posse de Michel Temer “vaza” para amigos e apoiadores do vice-presidente. Dilma reage: Temer e Cunha são os chefes do golpe. O FMI assegura que o Brasil vai voltar a crescer no ano que vem, com o fim da crise política. Ou seja: sem Dilma.

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A gafe de Michel Temer. Pegou muito mal. Foto Agência Brasil.

 

Mais um estranho vazamento. Outra cena da ópera bufa que assistimos no país. Um suposto discurso de posse de Michel Temer, como se Dilma já tivesse caído, vazou pelo WhatsApp. Vejam bem: um discurso de 14 minutos de duração. Imediatamente, o vice explicou que cometera um engano ao enviar uma mensagem. Nem as pedras do calçamento acreditam nisso. O comentário nos bastidores: Temer, diante das incertezas da votação do impeachment na Câmara, vazou de propósito o discurso. Como para dar uma satisfação aos que o apoiam. Ou – em outra versão – para convencer indecisos. Mas foi um papelão!

E o que disse o vice-presidente no pronunciamento de posse? Fala em retomada do crescimento e em pleno emprego, mas não diz como. Com ele na presidência, o Brasil iria reencontrar o caminho glorioso a que tem direito. Mas não dá razões para essa conclusão. E o blá-blá-blá segue nessa toada. Agora: o que Michel Temer não fala no discurso? Não há uma linha sobre combate à corrupção; a Lava-Jato não é citada; nem uma palavra sobre ajuste fiscal ou reforma política; nada de cortar ministérios e enxugar a máquina pública; nada sobre o controle da inflação; nada sobre direitos civis e avanços democráticos. Parece que tudo vai se resolver num passe de mágica.

O mercado e o empresariado receberam com desconfiança o tal discurso. É só isso que ele tem a dizer? E o meio político percebeu que o discurso representa uma guinada rumo ao fundamentalismo conservador. Temer diz que haverá sacrifícios (7 vezes) e que empresários e trabalhadores terão que se entender. Como? Ele não expôs em que bases. E a história já nos ensinou: toda vez que se fala em “entendimento” entre patrões e empregados, significa que vai sobrar para o lado mais fraco. Terá sido falta de coragem para revelar a verdadeira agenda conservadora? Algo como a “flexibilização” da CLT, o fim dos reajustes automáticos do salário-mínimo e das aposentadorias, a censura política à Internet e às redes sociais, a volta do financiamento empresarial de campanhas, a manutenção do foro privilegiado de parlamentares e governantes, a liberação do comércio de armas, a revogação da política ambiental?

Temer só não se esqueceu de dizer que iria manter alguns programas de distribuição de renda, tipo bolsa família, e de inclusão social, com o Pronatec e o Fies. Isto seria incentivar uma revolta. Mas omitiu as cotas raciais na universidade e no serviço público. Ah, sim: omitiu também o programa de habitação popular, conhecido como “Minha casa, Minha vida”. Talvez na pressa de vazar o documento de posse, também se esqueceu de falar em saúde pública, saneamento, zica, dengue e os demais azares do mosquito. Sobre segurança e violência, nenhuma linha. Sobre a crise hídrica, nada. O pronunciamento de posse dá a impressão de que Michel Temer estava só trocando a faixa, de vice para titular. Como se vivêssemos numa ilha maravilhosa, longe das tragédias do mundo, ensolarada e florida. Esse Brasil de Michel Temer não existe.

A presidente Dilma Rousseff, em mais um comício no Planalto, chamou Temer e Eduardo Cunha, condutor do processo de impedimento, de verdadeiros chefes do golpe, da conspiração. Se eles são mesmo os chefes, podemos imaginar o que nos aguarda. De toda sorte, voltando ao mundo real, como anda o impeachment? A pesquisa diária do jornal O Estado de S. Paulo, que toma por base 505 deputados, informa hoje: 300 integrantes da Câmara estão a favor da queda de Dilma. Ainda faltam 42. Algo como 88 deputados se dizem indecisos ou não quiseram responder. Sobram 3 dias para o início das sessões de votação. Pelo placar da Folha, a situação é ainda mais indefinida: só 284 deputados a favor. O Planalto negocia cargos, liberação de verbas e todo aquele arsenal espúrio que conhecemos. Já tem deputado apresentando atestado médico de contaminação pelo H1N1, o vírus da gripe suína. Muito adequado ao gênero. Basta faltar para retirar o quorum das oposições.

Só para não deixar de registrar: o Fundo Monetário Internacional (FMI), representante maior do grande capital, anunciou hoje (12 abril): com o fim da crise política, o Brasil volta a crescer. Em 2017, sem Dilma, segundo o FMI, o PIB brasileiro vai crescer zero. Um grande avanço, sem dúvida.

Os leitores deste site me perguntam o que fazer em tais circunstâncias. Se soubesse a resposta, mandava fazer uma embalagem bem vistosa e vendia a solução. O que posso adiantar é o seguinte: sem povo não há solução. Estamos transferindo a um Congresso duvidoso, para dizer o mínimo, o direito de escolher um novo presidente. E pela via indireta. Ainda que por 2 anos. Não tínhamos superado isso? Sou a favor da livre manifestação das urnas. E aí, sim, teríamos grandes surpresas.

Quem viver, verá!

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Com Dilma ou sem ela, a crise continua. Se sobreviver ao impeachment, vai montar um governo com o que há de pior na política. E, se cair, o governo de transição será outro saco de gatos. E que se dane o país!

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O comício de 13 de março de 1964, último ato público do governo Jango. Imagem Agencia Nacional-EBC.

 Estamos no meio de abril e o ano de 2016 já está perdido. A luta política, cada vez mais encarniçada e indecente, simplesmente não leva em conta os grandes interesses nacionais. É um luto político. Vemos uma presidente eleita sendo questionada de maneira duvidosa. E vemos políticos acusados de crimes graves travestidos de defensores da moralidade e da democracia. O país experimenta um gesso que parece não ter fim. Enquanto isso, os preços sobem no varejo, especialmente nos supermercados, mesmo com a redução de tarifas administradas, como energia elétrica. Apesar das chuvas abundantes que salvaram lavouras, governos e reservatórios. Mas a conta no bolso do consumidor só faz aumentar. Há queda no consumo e na produção. Vertical. E o desemprego é desolador. Como há menor oferta de produtos, os preços continuam subindo, disfarçados por meio de promoções, juros zero (o que é uma mentira) e outros artifícios. Compre dois e leve três (outra mentira). Os resultados no comércio e na indústria são desanimadores. E vão piorar.  A bancarrota ameaça o setor de serviços, antes pungente.

                                   Os bancos, sempre os maiores beneficiários da recessão, elevam seus juros a níveis nunca vistos. Já estão em 450% ao ano em algumas modalidades de financiamento, como o cartão de crédito das pessoas jurídicas, antes utilizado como capital de giro por pequenas e médias empresas. Estas, as maiores empregadoras do país, estão inadimplentes e falindo. Há mais de 58 milhões de brasileiros que não conseguem pagar todas as contas. E a extorsão nas taxas bancárias não dá sinais de ceder. No entanto, a taxa oficial de juros, a Selic, está em 14,25% (março, segundo o BC), metade do que era no último período de governo do PSDB, quando bateu 26,5%.

                                   Mas a banca se engana ao imaginar que não será penalizada. Ao final deste ano, as instituições financeiras terão que lançar a inadimplência como prejuízo. Vai ter muito acionista arrancando os cabelos. E, desta vez,  não podem contar com um PROER tão generoso quanto o de FHC, que reorganizou o setor bancário com dinheiro público. Diante de um “risco sistêmico”, a quebradeira geral do segundo mandato tucano, abriu a bolsa da Viúva. Pior: não há hoje um parlamentar para propor uma lei de controle dos juros. Que tal 500% da Selic, o que levaria a banca a cobrar 75% ao ano? Seria razoável. Quem vai escrever o projeto de lei? Hoje ouvi de um taxista, em São Paulo, frase lapidar: “Se caísse um raio no Congresso e queimasse todos eles, estaríamos realizados”. Vejam vocês: a que ponto se pode chegar!

                                   E a especulação corre solta na bolsa de valores e no mercado de câmbio. Avança o impeachment, a bolsa sobe e o dólar cai. E vice-versa. De um lado ou de outro, serve como ameaça. Como se isso tivesse algo a ver com a economia real. Não tem. É um tipo de cassino onde só ganham os tubarões. Até as crianças do primário sabem disso. Ou não? Semeiam o pânico na sexta-feira – e na segunda compram Petrobras e Banco do Brasil baratinho. É o chamado “lobo das sextas-feiras”. Todo investidor sabe disso. Menos os comentaristas da grande mídia. Seriam apenas ignorantes – ou percebem que o grande capital é o maior anunciante do setor?

                                   E a coisa segue piorando. Nas feiras-livres, acreditem: o tamanho dos produtos está diminuindo, porque são colhidos na lavoura antes do tempo. É o jeitinho brasileiro: vendem-se embalagens de frango, peixe e carne cheias de gelo, para alterar o peso. E, portanto, cobrar mais caro. A inflação dos alimentos galopa. Olha: coloco aqui exemplos simples do tipo de crise econômica em que vivemos. Por falta de governo. E por falta de um Congresso identificado com o povo brasileiro. Mas, se colocasse problemas mais complexos, teria que falar da má gestão das empresas públicas e de capital misto, como os correios, os fundos de pensão, a estatal do petróleo, o setor elétrico, os bancos públicos etc. Sim: teríamos que somar a inacreditável corrupção e a deslavada atuação de parlamentares que inflacionam os gastos públicos em proveito próprio, como no caso do orçamento impositivo. Sem falar das emendas parlamentares ao orçamento da União. Sem falar da indicação política para a máquina pública, cada vez maior e mais voraz. Se houvesse realmente um lava-jato em ação no país, tudo isso seria varrido para a lata de lixo da história. Mas não há. O que acontece na Operação Lava-Jato é um sistema de trocas políticas: pegamos este, aquele não. O Ministério Público se recusa a ouvir a confissão (ou delação) da Odebrecht. Denúncias contra pássaros exóticos, como os tucanos, não saem nas primeiras páginas. O que está acontecendo?

                                   Desde que me entendo por gente, ouço falar em reforma da previdência, reforma política e tributária. Nunca saíram do papel. Quando tinha 11 anos, meu pai, funcionário público federal, me levou ao comício do Jango na Central do Brasil (13 de março de 1964). Vi o presidente falar justamente dessas medidas, acrescidas da reforma agrária. Foi o último ato púbico do governo dele. Depois veio o regime militar, apenas duas semanas depois. Durou 21 anos. 

Agora vejo muita gente (mas não todos) dizer que a solução para o Brasil é derrubar a Dilma, prender o Lula e cassar o registro eleitoral do PT. E, no lugar deles, colocar Michel Temer e o PMDB.

                                   Parece que perdi uma parte dessa história.

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Comissão do impeachment aprova depois de amanhã a continuação da ação contra Dilma. Na Câmara, o embate está mais difícil para as oposições. E uma pesquisa Datafolha revela: Lula está à frente da disputa presidencial para 2018.

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Confusão mostra a divisão na comissão especial. Imagem TV Câmara.

A Folha de S. Paulo publicou neste sábado (9 abril) uma pesquisa do Datafolha sobre o impeachment e a corrida presidencial para 2018. De açodo com a edição online do diário paulista, 61% dos entrevistados querem o impedimento da presidente e outros 58% querem que o mesmo aconteça com Michel Temer. Ou seja: mais da metade dos eleitores desejam uma solução pelas urnas, com a convocação de eleições gerais ainda este ano.

A grande surpresa da pesquisa está nos números para a corrida presidencial. No cenário mais provável, entre Lula, Marina Silva e Aécio Neves, o resultado seria o seguinte: Lula com 21%, Marina com 19% e Aécio com 17%. Com o candidato tucano Geraldo Alckmin: Marina ficaria com 23%, Lula com 22% e o governador de São Paulo com 9%. E se a disputa fosse com o senador José Serra: Marina e Lula com 22% e Serra com 11%. O resultado dá o que pensar. Em parte, explica a tempestade de acusações que desabou sobre o metalúrgico. Lula é o fator de desequilíbrio da disputa. Como diria o ministro Luís Roberto Barroso, um ponto fora da curva.

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A batalha na Câmara está prevista para 17 de abril. Foto do portal UOL.

Mas a barra está cada vez mais pesada para Dilma e o PT. Depois de amanhã, à tarde, a comissão especial deve aprovar a continuação do impeachment. Tudo sugere uma pequena maioria a favor das oposições. Mas, no plenário da Câmara dos Deputados, o jogo ainda pende para o governo. Os opositores não têm os 342 votos necessários. Segundo o Estadão de hoje, só contam com 287 votos. E a semana também promete novidades na área do Supremo Tribunal: podem ir a julgamento a posse de Lula na Casa Civil e o afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Aliás, o Banco Central quer multar o deputado em 1 milhão de reais por causa de coisas bancárias não declaradas no exterior. Se ele pagar a multa, regulariza a situação fiscal, mas isto serviria como prova de que mentiu e pode ser cassado. Uma sinuca de bico.

Para os que acompanham a crise, será uma semana de fortes emoções.

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Relator vota pela continuação do impeachment e faz duros comentários contra Dilma. Disse que há fortes indícios de violações da Constituição. Contra a presidente, a ação é célere – contra Temer já começou a enrolação.

 

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O relator Jovair Arantes, à esquerda. À direita, o advogado Renato Oliveira Bastos. Imagem do portal Folha.

O parecer do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), relator do pedido de afastamento da presidente Dilma, foi detalhado e com grande embasamento técnico. Os governistas, evidentemente, não gostaram. As oposições comemoraram. Não se esperava nada diferente disso. O próprio relator antecipara suas conclusões a jornalistas. E o texto do parecer chegou à Globonews antes de ser lido na comissão especial. Fato corriqueiro em um país onde tudo vaza para a mídia, ao sabor das conveniências.

Mas os rumos do impeachment são ainda incertos. Dilma, ministros e aliados passaram a quarta-feira (6 abril) fazendo a conta dos votos que já têm contra o processo no plenário da Câmara. No início da noite, chegaram a um número mágico: 200 votos contra o afastamento da presidente. Algo como 28 a mais do que o necessário para barrar o impeachment. Mas não explicaram como chegaram a tal conclusão. Sabe-se que Lula está em Brasília fazendo contatos com meio mundo. E o ex-presidente não deve ser subestimado. Em política, confundir desejos com fatos é um erro primário.

O relatório de Jovair só deve ser votado na próxima segunda-feira. E deputados do PT, entre eles Wadih Damous, já avisaram que vão oferecer ao plenário um relatório alternativo, para refutar Jovair ponto a ponto. De acordo com a Folha de S. Paulo (edição online de hoje, às 22:20hrs), o relator foi auxiliado pelo advogado Renato Oliveira Ramos. É ligado ao PMDB e a Eduardo Cunha. Em dezembro passado o advogado ganhou um cargo na presidência da Câmara.

Em compensação, no caso da abertura da comissão especial para estudar o afastamento de Michel Temer, ordenada pelo STF, começou a enrolação. O presidente Cunha disse ao Jornal Nacional que “os partidos não querem indicar os integrantes da comissão”. O próprio Michel Temer também falou à TV Globo, quebrando um silêncio que durava ao menos duas semanas: “Não fiz nenhuma pedalada”. Tanto a reação de Cunha, que classificou a decisão do ministro Marco Aurélio Mello de “teratológica” (sem qualquer lógica legal), quando a do próprio vice-presidente, causaram forte irritação entre os juízes da Suprema Corte.

Este conflito entre legislativo e judiciário pode resultar no seguinte: colocar na pauta do STF o julgamento do pedido de afastamento de Cunha da presidência da Câmara. Se isto acontecer, o juiz Sérgio Moro manda prendê-lo. Ou não?

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Ministro do STF manda Eduardo Cunha iniciar processo de impeachment contra Michel Temer. Dilma diz que aceita convocar eleições se deputados e senadores entregarem os cargos.

 

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O ministro Marco Aurélio de Mello. Foto do portal GGN.

Quem apostou todas as fichas no afastamento da presidente Dilma Rousseff, diante das incertezas do processo na Câmara, agora quer a convocação de eleições até o fim do ano. Na manhã desta terça-feira (5 abril), em entrevista coletiva, Dilma tocou no assunto, ao ser perguntada: “Se deputados e senadores abrirem mão de seus mandatos e se submeterem a novas eleições, venham falar comigo”. Entre irônica e aborrecida, como é do estilo dela, sempre autoritária, Dilma colocou um parâmetro para a questão. É como se tivesse dito que aceita a convocação de eleições gerais, tanto para presidente, quanto para governadores, senadores e deputados.

Isto – de fato – seria uma solução honrosa para a crise política, com a livre manifestação das urnas. E Dilma entraria para a história como verdadeira Chefe de Estado. Não poderia se candidatar, mas afastaria qualquer especulação golpista e daria credibilidade ao futuro governo. É disso que precisamos. Um grande gesto, coisa de estadista. De quebra, haveria uma poderosa renovação no Congresso. Nossos políticos estão à altura desse desafio? Duvido. Em sua maioria, são larápios e oportunistas, apegados a privilégios. No entanto, com a entrevista da presidente, mesmo em tom desafiador, a questão foi colocada para discussão na sociedade brasileira. Vou repetir: trata-se de uma solução honrosa e conciliadora para todas as partes, no melhor das tradições brasileiras.

E mais lenha é jogada à fogueira. Hoje o ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal, mandou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, dar prosseguimento a um pedido de impeachment contra o vice Michel Temer. O pedido, feito por um advogado mineiro, Mariel Marley Marra, havia sido sumariamente rejeitado por Cunha. A alegação do advogado é a de que Temer assinou créditos suplementares sem aprovação do Congresso, acusação que coincide com as apresentadas contra Dilma. A decisão do ministro do STF foi recebida com otimismo pelo Planalto, na medida em que vem reforçar as negociações contra o afastamento de Dilma.

Na Câmara, entre os aliados de Cunha, há quem diga que ele vai desconhecer a decisão do STF, apresentando recurso ao plenário do tribunal. Mas, se a maioria decidir a favor de Marco Aurélio, o presidente da Câmara será obrigado a dar prosseguimento ao impeachment de Temer, que hoje se licenciou da presidência do PMDB. Isto posto, a convocação de novas eleições ganha força. Por um motivo muito simples: não sobraria nem Dilma, nem Temer, nem Cunha. Nenhum deles sobreviveria ao massacre. Parte da grande mídia e partidos políticos já aderem à tese de eleições gerais. Vê-se uma luz no fim do túnel?

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